. “E povos e línguas”. Que isto signifique todos os que estão nos falsos provenientes da ignorância e provenientes de várias religiões, vê-se pela significação de ‘povos’ que são os que estão nos veros da doutrina, mas, no sentido oposto, os que estão nos falsos da doutrina (de que se tratou acima, n. 175), aqui, porém, os que estão nos falsos da doutrina provenientes da ignorância, pois trata-se aqui dos que são salvos, ainda que tenham estado nos falsos pela doutrina de sua religião. (Com efeito, são salvos todos os que estão no bem da vida segundo os dogmas de sua religião, os quais eles tinham acreditado serem verdadeiros, ainda que não o sejam, porque a ninguém é imputado falso algum que vive bem segundo os dogmas de sua religião, pois não é por sua culpa que não conhece os veros. É porque o bem da vida segundo a religião encerra em si a afeição de saber os veros, os quais eles também aprendem e recebem, quando vêm à outra vida, pois toda afeição permanece no homem após a morte e principalmente a afeição de saber os veros, por ser esta a afeição espiritual, e o homem, quando se torna espírito, é a sua afeição. Por isso, então, absorvem os veros que desejam e assim os recebem com elevação de seus corações). (Que os falsos da religião, quando o homem vive no bem, sejam aceitos como veros pelo Senhor, vê-se acima, n. 452). E pela significação de ‘línguas’, que são as confissões deles, pela religião, pois por ‘línguas’ se entendem as linguagens, e a ‘linguagem’ significa a confissão e a religião, pelo fato de que a língua enuncia e confessa as coisas que são da religião. [2] Na Palavra se fala muitas vezes de ‘lábio’, ‘boca’ e ‘língua’, e pelo ‘lábio’ é significada a doutrina, pela ‘boca’ o pensamento e pela ‘língua’ a confissão. A razão por que ‘lábio’, ‘boca’ e ‘língua’ significam tais coisas é porque eles são os externos do homem pelo qual são divulgados os internos, e são os internos que são significados no sentido interno ou espiritual, pois a Palavra na letra consiste de externos que aparecem perante os olhos e são percebidos com os sentidos. Daí, a Palavra na letra é natural, e isto porque o Divino Vero, que ela contém, está ali no último e, assim, no pleno. Mas esses externos, que são naturais, envolvem em si os internos, que são espirituais e que são, pois, as coisas significadas. [3] Que ‘línguas’ signifiquem as confissões pela religião e segundo os dogmas da religião, pode-se ver pela passagens que se seguem. Em Isaías: “Virá o tempo de congregar todas as nações e línguas, para que venham e vejam a Minha glória” (Is. 66:18), palavras a respeito do advento do Senhor; por ‘nações e línguas’ são significados todos os que estão no bem da vida; ‘línguas’ significam as religiões pela confissão; por isso se diz: ‘para que venham e vejam a Minha glória’; ‘glória’ significa o Divino Vero, pelo qual há a igreja. [4] Em Daniel: “Eis com as nuvens dos céus o Filho do homem... a Quem foi dado o domínio, e a glória, e o reino, para que todos os povos, línguas e nações O adorem” (Dn. 7:13, 14); vê-se que pelo ‘Filho do homem’ que virá nas nuvens dos céus se entende o Senhor, e pelas ‘nuvens dos céus’ se entende a Palavra na letra, na qual é dito que Ele virá, porque a Palavra trata d’Ele e, no sentido íntimo, d’Ele somente; por isso se diz ‘Filho do homem’, pois o Senhor é chamado ‘Filho do homem’ pelo Divino Vero, que é a Palavra. (A respeito disso, porém, veem-se várias coisas acima, n. 36, onde a seguinte passagem é explicada no Apocalipse (1:7): “Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá” (Ap. 1:7). O Seu poder pelo Divino Bem se entende por ‘domínio’, pelo Divino Vero se entende por ‘glória’ e o céu e a igreja por ‘reino’. Pelos ‘povos, línguas e nações’ são significados todos os que estão na doutrina e na vida segundo as suas religiões; chamam-se ‘povos’ os que estão na doutrina, ‘nações’ os que estão na vida e ‘línguas’ são as religiões. [5] Em Zacarias: “Naqueles dias, dez varão de todas as línguas das nações pegarão na orla da veste de um judeu, dizendo: Vamos convosco, porque ouvimos que Deus está convosco” (Zc. 8:23). Qual é o sentido espiritual dessas palavras, vide acima (n. 433), ou seja, pelo ‘judeu’ se entendem os que estão no amor ao Senhor e, por Ele, nos veros da doutrina, e por ‘todas as línguas das nações’ se entendem os que são de várias religiões. [6] Coisas semelhantes são significadas por ‘línguas’ nas passagens que se seguem. Em Moisés: “Por estes foram dispersas as ilhas das nações nas suas terras, cada um segundo sua língua, segundo as suas famílias nas suas nações”. As habitações dos filhos “de Schem segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, nas suas terras, segundo as suas nações” (Gn. 10:5, 31). no Apocalipse: “Importa-te profetizar novamente sobre povos e nações, e línguas e muitos reis” (Ap. 10:11); em outra passagem: “Dos povos e tribos, e línguas e nações, verão os seus corpos três dias e meio” (Ap. 11:9); em outra passagem: “Foi dado” à besta “fazer guerra aos santos e vencê-los; e foi-lhe dado poder sobre toda tribo, e língua, e nação” (Ap. 13:7); e em outra passagem: “As águas que viste, onde se assenta a meretriz, são povos e multidões, e nações e línguas” (Ap. 17:15); pelas ‘águas’ aí são dos os veros da Palavra, pois pelas ‘águas’ na Palavra são os veros e, no sentido oposto, os falsos; por isso, pelos ‘povos, multidões, nações e línguas’ aí se entendem os que estão nos veros falsificados – os quais são em si mesmos falsos – e, daí, nos males da vida. [7] Em Lucas: “O rico disse a Abrahão: Tem misericórdia de mim, e envia Lázaro para molhe a ponta do dedo na água, para que refresque a minha língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc. 16:24). Nesta parábola, assim como nas restantes, o Senhor falou por meio de correspondências, como se pode ver pelo fato de que pelo ‘rico’ não se entendem os ricos, nem por ‘Abrahão’ se entende Abrahão, nem pela ‘água’ com a qual Lázaro ‘refrescasse a língua’ se entendem por água e língua, tampouco por ‘chama’ se entende por ‘chama’ pois no inferno ninguém é atormentado por chamas, mas pelo ‘rico’ se entendem os que são da igreja onde há a Palavra, pela qual eles têm as riquezas espirituais, que são os veros da doutrina; por isso, pelo ‘rico’ se entendem os judeus, com os quais estava a Palavra; por ‘Abrahão’ se entende o Senhor; por água’ na qual Lázaro molhasse a ponta do dedo é significado o vero da Palavra, e por ‘língua’ é significada a sede e a cupidez de perverter os veros que há na Palavra; pela ‘chama’ a pena dessa cupidez, que é variada e multiplica. Daí se vê o que essas coisas significam em série, e que ‘refrescar a língua com água’ significa matar a sede e a cupidez de perverter os veros e de, por eles, confirmar os falsos. Quem não pode ver que não se entende que Lázaro estendesse a ponta do dedo em água para refrescar a língua? [8] Em Zacarias: “Esta será a praga com que Jehovah ferirá todos os povos que lutarão contra Jerusalém: sua carne se dissolverá, de modo que ele esteja sobre os seus pés, e seus olhos dissolver-se-ão em suas cavidades, e sua língua dissolver-se-á em sua boca” (Zc. 14:12). Essas coisas foram ditas a respeito dos que se esforçam para destruir os veros da doutrina por meio dos falsos; isto é significado por ‘lutar contra Jerusalém’, pois ‘Jerusalém’ significa a igreja quanto à doutrina, e, assim os veros da doutrina da igreja. Por ‘dissolver-se a carne’ é significado que deve perecer todo bem do amor e da vida, pois ‘carne’ significa isso; por ‘estar sobre os seus pés’ entende-se sobre os ossos, sem a carne, pelo que é significado que se tornariam completamente naturais corpóreos; os ‘pés’ significam as coisas que são do homem natural, aqui, os seus ínfimos; ‘os seus olhos dissolver-se-á em suas cavidades’ significa que deve perecer todo entendimento do vero, pois os olhos significam o entendimento. ‘Sua língua dissolver-se-á em sua boca’ significa que devia perecer toda percepção do vero e toda afeição do bem; a ‘língua’ também significa a percepção do vero e a afeição do bem; percepção do vero pelo fato de falar, e afeição do bem por poder sentir gosto, pois o ‘gosto’ significa apetite, desejo e afeição. [9] No Livro dos Juízes: “Jehovah disse a Gideão: Qualquer que lambe as águas com sua língua, da maneira como um cão lambe, pô-lo-á de um lado; e qualquer que se tiver curvado sobre os joelhos para beber; e foi o número dos que lambem em sua mãe... trezentos varões”, que foram conduzidos contra Midian, e o feriram (Jz. 7:5, 7); por ‘Midian’ aí entendem-se os que não cuidam do vero, porque são meramente naturais e externos; por isso foram feridos por aqueles que ‘lamberam com a língua as águas na mão, como um cão’, pelos quais se entendem os que têm apetite pelos veros, assim, os que por alguma afeição natural procurar conhecer os veros, porque pelo ‘cão’ é significado o apetite e a cupidez, pelas ‘águas’ os veros, e por ‘lambê-las com a língua’ é significado apetecer e procurar por cupidez; por isso Midian foi ferido por eles. Quem não pode ver que isto não teria sido mandado, a menos que tivesse uma significação? [10] Em David: “Oculta-os das exaltações do varão no lugar oculto das Tuas faces, da contenda das línguas esconde-os no tabernáculo” (Sl. 31:20); pelo ‘lugar oculto das faces’, na Jehovah os oculta, é significado o Divino Bem do Divino Amor, pois as ‘faces de Jehovah’ significam o bem do amor, e o ‘lugar oculto’ significa o interior no homem; pelas ‘exaltações do varão’ é significado o orgulho da própria inteligência; pelo ‘tabernáculo’, no qual os esconde, é significado o Divino Vero; e pela ‘contenda das línguas’ é significado o falso da religião pelo qual raciocinam contra os veros. Daí é evidente o que essas palavras significam em série. [11] “Eis que Eu trago sobre vós uma nação... nação cuja língua não conheceis, nem entendeis o que fala... devorará tua safra e o teu pão” (5:15, 17). Não se entende aqui que seria trazida uma nação que tivesse língua desconhecida ou fala ininteligível, mas entende-se uma nação má que seria de religião completamente diferente, cujos dogmas eles não conheceriam, nem entenderia os raciocínios daí. E, no sentido abstrato, são significados os falsos do mal completamente opostos aos veros do bem, pois ‘nação’ no sentido abstrato é o mal; ‘língua’, aqui, é o falso da religião, e ‘falar’ é raciocinar daí; por isso se segue que ‘devoraria tua safra e teu pão’, pois pela ‘safra’ são significados os veros pelos quais há o bem, pelo ‘pão’ o bem daí e por ‘devorar’ consumir e privar deles. [11] Em Jeremias: “Eis que Eu trago sobre vós uma nação... nação cuja língua não conheceis, nem entendeis o que fala... devorará tua safra e o teu pão” (5:15, 17). Não se entende aqui que seria trazida uma nação que tivesse língua desconhecida ou fala ininteligível, mas entende-se uma nação má que seria de religião completamente diferente, cujos dogmas eles não conheceriam, nem entenderia os raciocínios daí. E, no sentido abstrato, são significados os falsos do mal completamente opostos aos veros do bem, pois ‘nação’ no sentido abstrato é o mal, e ‘língua’, aqui, é o falso da religião, e ‘falar’ é raciocinar daí; por isso se segue que ‘devoraria tua safra e teu pão’, pois pela ‘safra’ são significados os veros pelos quais há o bem, pelo ‘pão’ o bem daí e por ‘devorar’ consumir e privar deles. [12] Em Ezequiel: “Tu não és enviado a um povo de lábio profundo e de língua pensada, [mas] à casa de Israel; não a grandes povos de lábio profundo e língua pensada, de quem não tenhas ouvido palavra alguma. Se acaso [Eu] te enviasse a esses, não te obedeceriam eles?” (Ez. 3:5, 6). ‘povos de lábio profundo e língua pesada, dos quais não se ouviram palavra alguma’ significam os que estão numa doutrina ininteligível e, assim, numa religião confusa, cujos domas não se podem perceber; ‘lábio’ significa doutrina, ‘língua’ significa religião, e ‘palavra’ os seus dogmas. Por conseguinte, por esses povos entendem-se as nações que não têm a Palavra, e é por ela que Jehovah, isto é, o Senhor, é conhecido. Que eles haveriam de receber os veros Divinos, se fossem instruídos, é significado por ‘eles obedeceriam, se fosses enviado a eles’. [13] Em Isaías: “Um povo obstinado [tu] não verás, povo de profundidades de lábio para que não ouças, bárbaro de língua, sem inteligência” (Is. 33:19). [14] No mesmo: “Jurei... que a Mim há de se curvar todo joelho, e há de jurar toda língua” (Is. 45:23), palavras que são a respeito do advento do Senhor, e ‘todo joelho há de se curvar’ significa que hão de adorá-Lo todos os que no bem natural proveniente do espiritual; ‘joelho’ significa a conjunção do bem natural com o espiritual. Daí é evidente que as genuflexões significam reconhecimento, ação de graças e adoração pelo bem e pelo prazer espirituais no natural. Que ‘toda língua há de jurar’ significa que O confessarão todos os que estão no bem pela religião; ‘jurar’ significa confessar, e ‘língua significa a religião segundo a qual se vive. [15] Em David: “Minha língua meditará em Tua justiça, todo dia o Teu louvor” (Sl. 35:28); pela ‘língua’, também aqui, é significada a confissão pela doutrina da igreja, pois se diz que ela ‘meditará’; ‘justiça’ se atribui ao seu bem, e ‘louvor’ se atribui ao seu vero, como também em outras passagens na Palavra. É semelhante em outra passagem, no mesmo: “Minha língua meditará todo dia em Tua justiça” (Sl. 71:24). [16] No mesmo: “Com fel” os ímpios “me circundam, a moléstia dos seus lábios os cobre, brasas os cumulam. Com fogo são lançados em covas, não mais ressurgem. O varão de língua não subsiste na terra” (Sl. 140:9-11); pelo ‘fel’ é significado o vero falsificado, que em si é falso; pela ‘moléstia dos lábios’ é significado o falso da doutrina daí, pois os ‘lábios’ significam doutrina; pelas ‘brasas que os cumulam’ e pelo ‘fogo com o qual são lançados em covas’ é significado o falso proveniente da própria inteligência e do amor de si, pelos quais caem em meros falsos; as ‘brasas’ significam o orgulho da própria inteligência, o ‘fogo’ é o amor de si e as ‘covas’ são os falsos. Também, todos os falsos da doutrina na igreja e todas as falsificações da Palavra existem pelo orgulho da própria inteligência e pelo amor de si. Daí é evidente o que é significado por ‘o varão de língua não subsiste na terra’, a saber, a falsa religião. [17] No mesmo: “[Com] minha alma me deito no meio de leões; inflamam-se os filhos do homem; seus dantes são lanças e flechas, e sua língua é espada afiada” (Sl. 57:4); pelos ‘leões’ são significados os que saqueiam a igreja dos veros e assim os destroem; pelos ‘filhos do homem que se inflamam’ são significados os que estão nos veros da igreja e, abstratamente, os veros mesmos, que se dizem ‘inflamados’ pelo orgulho da própria inteligência, donde vêm os falsos. ‘Seus dentes são lanças e flechas’ significa os raciocínios pelos sensuais externos e, assim, pelas falácias e pelos falsos da religião, pelos quais os veros são destruídos; ‘dentes’ significam os últimos da vida do homem, que são as coisas sensuais externas, aqui, os raciocínios por eles; e ‘língua’ significa os falsos da religião. Por isso se diz: ‘sua língua é espada afiada’, pois pela ‘espada é significada a destruição do vero por meio dos falsos. [18] Em Jó: “Acaso tiras o leviatã com anzol, e com corda amarras ??? a sua língua?” (Jó 41:1). Nesse capítulo e no seguinte trata-se do behemoth e do leviatã, e por um e outro é significado o homem natural; pelo ‘behemoth’ o homem natural quanto às coisas que se chamam prazeres do amor natural, pelo ‘leviatã’ o homem natural quanto aos veros, que se chamam conhecimentos e cognições, dos quais vem o lume natural. Esses dois são descritos por meras correspondência, segundo o estilo antigo. Nesse capítulo e no seguinte, pelo ‘leviatã’ e, também, pela expressão ‘acaso tiras o leviatã com anzol, e com corda amarras a sua língua?’ se descreve que o raciocínio pelo lume natural e pelos conhecimentos não pode ser refreado senão por Deus. Pela ‘língua’ é significado o raciocínio pelos conhecimentos. Que o ‘leviatã’ signifique o homem natural quanto aos conhecimentos, pode-se ver por outras passagens na palavra, onde ele é nomeado (como Is. 27:1; Sl. 74:14; 104:26), e também pelo fato de que a ‘baleia’, que se entende pelo ‘leviatã’ significa o homem natural quanto aos conhecimentos. [19] Em Isaías: “O coração dos que se precipitam entenderá para saber, e a língua dos gagos será veloz para falar...” (Is. 32:4); pelos ‘que se precipitam’ se entendem os que facilmente adotam e creem nas coisas que se dizem, assim também as falsas; sobre esses se diz que ‘entenderão e saberão’, isto é, receberão os veros. Pelos ‘gagos’ se entendem os que dificilmente podem compreender os veros da igreja; que eles os confessarão pela afeição, entende-se por ‘a língua deles será veloz para falar’; ‘veloz’ se atribui à afeição. [20] No mesmo: “Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará, porque águas brotarão no deserto, e rios na planície do deserto” (Is. 35:6). Essas palavras são a respeito do advento do Senhor. Pelo ‘coxo’ são significados os que estão no bem, mas não genuíno, porque estão na ignorância do vero, pelo qual há o bem; que ‘saltará como cervo’ significa que terá regozijo pela percepção do vero. Pelo ‘mudo’ são significados os que, por causa da ignorância do vero, não podem confessar o Senhor nem os veros genuínos da igreja; ‘cantará’ significa a regozijo pela inteligência do vero. Que ‘águas brotarão no deserto’ significa que os veros serão abertos onde antes não o foram; e ‘rios na planície do deserto’ significa que aí haverá inteligência, pois as ‘águas’ significam o veros e os ‘rios’ a inteligência. [21] Por aí se pode ver o que é significado no sentido espiritual pelo ‘surdo que falava dificilmente’, a quem o Senhor curou, a cujo respeito assim se lê em Marcos: Jesus, tomando o surdo que falava dificilmente, “meteu o dedo em seu ouvido e, cuspindo, tocou a língua dele; e olhando para o céu... disse-lhe: Ephatah, isto é, Abre-te; então logo foram abertos os seus ouvidos, e soltou-se o vínculo de sua língua, e falou corretamente” (Mc. 7:32-35). Que os milagres do Senhor, por serem Divinos, tenham envolvido e significado coisas tais que são do céu e da igreja, e que, por isso, eram curas de doenças, pelas quais eram significadas as varias curas da vida espiritual, vê-se nos Arcanos Celestes (n. 7337, 8364 e 9031). Pelo ‘surdo’ são significados os que não estão no entendimento do vero e, daí, não estão na obediência, e pelo que ‘falava dificilmente’ são significados os que, por isso, dificilmente estão na confissão do Senhor e do vero da igreja; pelos ‘ouvidos’ abertos pelo Senhor é significada a percepção do vero e a obediência; e pela ‘língua’, cujo vínculo foi solto pelo Senhor, é significada a confissão do Senhor e das verdades da igreja. [22] Que os apóstolos e outros, após a ressurreição do Senhor, ‘tenham falado novas línguas’ significava também a confissão do Senhor e das verdades da nova igreja, a cujo respeito assim se lê em Marcos: Jesus disse: ‘Estes sinais seguirão os que creem: Em Meu nome expulsarão demônios, e falarão novas línguas” (Mc. 16:17); por ‘expulsar demônios’ é significado remover e rejeitar os falsos do mal; e por ‘falar novas línguas’ é significado confessar o Senhor e os veros da igreja proveniente d’Ele. Por isso, Os apóstolos ‘viram línguas divididas, como eu de fogo, que pousaram sobre eles, e então, cheios do Espírito Santo, começaram a falar outras línguas” (Atos dos Apóstolos, 2:3, 4); pelo ‘fogo’ era significado o amor do vero, e por serem ‘cheios do Espírito Santo’ era significada a recepção do Divino Vero proveniente do Senhor; pelas ‘novas línguas’, as confissões pelo amor do vero ou zelo, porque, como foi dito acima, todos os milagres Divinos, por conseguinte, todos os milagres relatados na Palavra, envolviam e significavam coisas espirituais e celestes, isto é, tais as que são da igreja e do céu. Por aí se distinguem os milagres Divinos dos milagres não Divinos. É dispensável citar mais passagens da Palavra que confirmem que pelas ‘línguas’ não se entendem as linguagens no sentido comum, mas as confissões pelos veros da igreja e, no sentido oposto, as confissões pelos falsos de qualquer religião.