. “Bênção e glória, e sabedoria”. Que isto signifique estas coisas provenientes do Divino Vero que procede do Senhor, nos três céus, vê-se pela significação de ‘bênção’, que é a recepção do Divino Vero e, daí, a frutificação, onde vêm a felicidade e a vida eterna; (que estas coisas sejam significadas por ‘bênção’ na Palavra, vê-se acima, n. 340); e pela significação de ‘glória’, que é a recepção do Divino Vero nos interiores (de que se tratou acima, n. 34, 288 e 345); e pela significação de ‘sabedoria’, que é a recepção do Divino Vero nos íntimos, pois daí vem a sabedoria. Que sejam referidas essas três coisas, ‘bênção’, ‘glória’ e ‘sabedoria’ é porque elas são faladas pelos anjos dos três céus (vide acima, n. 462); e a recepção do Divino Vero no primeiro céu ou o mais externo se chama ‘bênção’; a recepção do Divino Vero no segundo céu ou médio se chama ‘glória’, e a recepção do Divino Vero no terceiro céu ou íntimo se chama ‘sabedoria’. Que, porém, seja dito que ‘a bênção e a glória, e a sabedoria sejam [dadas] a Deus no século dos séculos’ significa que estejam nos céus por Ele, porquanto então a bênção, a glória e a sabedoria são atribuídas a Deus quando estão naqueles que se acham nos céus, pois com eles há a Divina bênção, a Divina glória e a Divina sabedoria, o que também o Senhor ensina em João: “Nisto é glorificado Meu Pai, que deis muito fruto, e sereis Meus discípulos” (Jo. 15:8); e, em outra passagem: Pai, “todas as Tuas coisas são Minhas, e todas as Minhas, Tuas; mas sou glorificado neles” (Jo. 17:10). Dá-se com isso de modo semelhante com relação ao que foi dito acima, ‘salvação ao [nosso] Deus’ (vide acima, n. 460). Por isso com os antigos era costume dizer ‘Deus bendito’ e “Bendito seja Deus’, como também ‘Glória e sabedoria a Deus’, pelo que não entendiam que a Ele se desse bênção, glória e sabedoria, é d’Ele que vem toda bênção, glória e sabedoria, mas entendiam tais coisas são provenientes d’Ele em todos. Assim falavam para que somente a Deus atribuíssem as coisas recebidas ??? ??? e não a si mesmos, e para que, assim, falassem pelo Divino e não por si mesmos.