. “E ação de graças, e honra”. Que signifique isto do Divino Bem que procede do Senhor, nos três céus, vê-se pelo fato de que, assim como ‘bênção, glória e sabedoria’ se dizem da recepção do Divino Vero, assim ‘ação de graças e honra’ se dizem da recepção do Divino Bem, pois há duas coisas que procedem do Senhor, das quais vêm todas as coisas nos céus e nas terras, a saber, o Divino Vero e o Divino Bem. É do Divino Vero que vem toda inteligência e toda sabedoria nos anjos e nos homens, e é do Divino Bem que vem toda caridade e amor neles. Esses dois procedem unidos do Senhor, de modo que em sua origem mesma são um, mas nos anjos e nos homens, que os recebem, são dois, em razão de haver dois receptáculos da vida neles, os quais se chamam entendimento e vontade. O entendimento é o receptáculo do Divino Vero, e a vontade é o receptáculo do Divino Bem; ou, o que é o mesmo, o entendimento é o receptáculo da sabedoria proveniente do Senhor, e a vontade é o receptáculo do amor proveniente do Senhor. E quanto mais esses dois, o Divino Vero e o Divino Bem, e, assim, o entendimento e a vontade, são um nos anjos e nos homens, mais estes estão em conjunção com o Senhor, e quanto mais não são um, mais não estão em conjunção. [2] Visto que a Palavra foi dada aos homens para que por ela haja conjunção do Senhor com os anjos e com os homens, por isso em toda parte nela o vero é conjunto ao bem e o bem ao vero, pois há, principalmente nos livros proféticos, expressões duplas, das quais uma se refere ao Divino Vero e a outra ao Divino Bem. Mas essa conjunção na Palavra não aparece a outros além dos anjos no céus daqueles na terra aos quais foi concedido ver o sentido espiritual. Com efeito, há vocábulos que se dizem do vero e há os que se dizem do bem; por esse motivo, onde essas expressões duplas são quase as mesma coisa, uma ali significa coisas tais que são do vero, e a outra coisas tais que são do bem. Há essa união na Palavra porque a Palavra é Divina, e do Divino procede o Divino Vero unido ao Divino Bem. (Sobre essa união ou casamento do bem e do vero na Palavra, que foi até hoje desconhecido nas terras, vide acima, n. 238 e 288; e nos Arcanos Celestes, n. 683, 793, 801, 2516, 2712, 3004, 3005, 3009, 4158, 5138, 5194, 5502, 6343, 7022, 7945, 8339, 9263 e 9314). Essas coisas foram citadas para que se saiba que ‘bênção’, ‘glória’ e ‘sabedoria’ são atribuídos aos veros do Divino (como se mostrou acima, n. 465), e ‘ação de graças’ e ‘honra’ são atribuídos aos bens do Divino. Que ‘glória’ na Palavra se diga do vero e honra se diga do bem, vê-se acima (n. 288 e 345), onde isso foi mostrado por várias passagens na Palavra. Que ‘ação de graças’ aqui também se diga do bem é porque acima foi dito ‘bênção’ e a bênção se faz pela boca por meios dos veros, e ‘ação de graças’ se faz do coração pelo bem.