. “E alvejaram suas estolas no sangue do Cordeiro”. Que isto signifique a implantação do Divino Vero do Senhor, vê-se pela significação de ‘alvejar as estolas’, que é despir-se de falsos e vestir-se de veros, pois ‘alvo’ e ‘tornar-se alvo’ se atribuem aos veros, e estes são significados pelas ‘estolas’; (que ‘alvo’ e ‘tornar-se alvo’ se atribuam aos veros, vide acima, n. 196; e que ‘estolas’ signifiquem os veros no geral, também acima, n. 395); diz-se ‘alvejar as estolas’ porque as vestes dos que estão nos falsos aparecem, no mundo espiritual, escuras e também manchadas, e as vestes dos que estão nas tentações aparecem sujas. Tão logo, porém, eles emergem das tentações, como então são imbuídos dos Divinos veros, aparecem sobre eles vestes alvas e brancas, sem manchas, como também foi mencionado pouco acima. Assim é que ‘alvejaram as suas estolas’ significa que despiram-se de falsos e vestiram-se de veros); e pela significação de ‘sangue do Cordeiro’, que é o Divino Vero procedente do Senhor (de que se tratou acima, n. 329); e como nas tentações são dissipados os falsos e implantados os veros, por isso, por ‘alvejaram as suas estolas no sangue do Cordeiro’ é significada em geral a implantação do Divino Vero pelo Senhor. No sentido da letra da Palavra, pelo ‘sangue do Cordeiro’ se entende a paixão da cruz, mas no sentido interno ou espiritual se entende o Divino Vero procedente do Senhor, porque por este o homem é purificado dos falsos e males, isto é, ‘suas vestes são alvejadas’. A paixão da cruz foi a última tentação do Senhor, pela qual Ele subjugou plenamente os infernos e glorificou o Seu Humano. Tendo concluído e completado essas obras, o Senhor enviou o Paracleto, o Espírito da Verdade, pelo qual se entende o Divino Vero procedente de Seu Humano glorificado (conforme Ele mesmo o ensina em João 7:39 e outras passagens). Por este, a saber, o Divino Vero, quando recebido, o homem é reformado, regenerado e salvo pelo Senhor, mas não pelo derramamento do sangue na cruz. (A respeito deste assunto veem-se várias coisas na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 293 e 294, e nos Extratos dos Arcanos Celestes ali. Isto também se pode ver pelo fato de que as vestes dos anjos aparecem brilhantes pela alvura e pela brancura não por causa da fé e do pensamento a respeito do sangue do Senhor na cruz, mas pelo Divino Vero proveniente do Senhor neles, pois, como foi dito acima, as suas vestes são todas segundo os veros neles. Tampouco pode um anjo pensar na paixão do Senhor, mas pensa em Sua glorificação e na recepção do Divino por Ele.
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