. “E os conduzirá às fontes vivas de águas”. Que isto signifique nos Divinos veros, vê-se pela significação de ‘fontes vivas de águas’, que são os Divinos veros; por ‘vivo’ é significado o que vive pelo Divino, pela ‘fonte’ é significada a Palavra e pelas ‘águas’ os veros daí. Na Palavra se diz muitas vezes ‘águas vivas’ e por elas se entendem os veros que vêm do Senhor e são recebidos. Que eles sejam vivos é porque o Senhor é a Vida mesma, como Ele o ensina, e o que vem da vida é vivo, mas o que vem do homem é morto. Para dar vida aos veros, o Senhor influi neles pelo bem, e o bem vivifica; influi também dos superiores ou interiores, e abre a mente espiritual e dá a afeição do vero31, e a afeição do vero espiritual é a própria vida do céu com o homem. Esta é a vida que é insinuada no homem pelo Senhor, por meio dos veros. Daí se pode ver o que se entende por ‘águas vivas’ e, aqui, por ‘fontes vivas de águas’, passagens a seguir. [2] Em Isaías: “Os pobres e necessitados buscam água, mas não há; a sua língua padece de sede;... abrirei rios nas vertentes, e no meio dos valeis porei fontes; [farei] do deserto um poço de águas, e da terra seca mananciais de águas” (Is. 41:17, 18). Aí se trata da salvação das nações pelo Senhor; elas são chamadas ‘pobres e necessitados’ por causa da falta e da ignorância do vero. O desejo dos que estão na igreja de conhecer os veros, onde não havia veros, é descrito por ‘buscam água, e não há; a sua língua padece de sede’; ‘água’ é o vero, ‘ter sede’ é desejá-lo. Que eles sejam instruídos pelo Senhor é significado por ‘abrirei rios nas vertentes, e no meio dos vales porei fontes’; ‘abrir rios’ é dar inteligência, ‘nas vertentes’ é no homem interior, ‘no meio dos vales’ é no homem exterior, ‘pôr fontes’ é instruir nos veros. ‘Fazer do deserto um lago de águas e da terra seca mananciais de águas’ significa a abundância do vero naqueles que anteriormente estiveram na falta e na ignorância; ‘deserto’ é onde não há bem por não haver vero, ‘terra seca’ é onde não há vero e, daí, não há bem. ‘Lago de águas’ e ‘fontes de águas’ significam a abundância das cognições do vero. Por aí é claramente evidente que, aqui, por ‘águas’, ‘fontes’, ‘mananciais’, ‘rios’ e ‘lagos de águas’ não são significadas tais coisas, mas as cognições do vero e, assim, a inteligência, donde há a salvação. [3] No mesmo: “Eis que o vosso Deus virá em vingança... e vos salvará... então o lugar árido se tornará um lago, e os lugares secos mananciais de águas” (Is. 35:4, 7). Também essas palavras foram ditas a respeito da instrução das nações nos veros e a sua reforma pelo Senhor, quando viesse ao mundo, e pela expressão ‘o lugar árido se tornará um lago, e os lugares secos mananciais de águas’ são significadas coisas semelhantes às que estão logo acima, isto é, que ‘o deserto se tornará um lago’ ou ajuntamento ‘de águas, e a terra seca mananciais de águas’. [4] Em Jeremias: “Com choro virão, e com súplicas os farei vir; conduzi-los-ei às fontes de águas num caminho reto, não tropeçarão nele” (Jr. 31:9). Aqui também se trata recepção do Senhor pelas nações. Que os havia de instruir nos veros genuínos é significado por ‘conduzi-los-á às fontes de águas num caminho reto, não tropeção nele’. Em Isaías: “Não sentirão fome e sede, nem os ferirá o calor ou o sol, pois Aquele que tem misericórdia deles os conduzirá, e às fontes de águas os há de conduzir” (Is. 49:10). Aqui também se trata da instrução das nações pelo Senhor. A instrução nos veros se entende por ‘às fontes de águas os há de conduzir’. (O que significam ‘ter fome’ e ‘ter sede’ vê-se acima, n. 480, e o que significam ‘calor’ e ‘sol’, também acima, n. 481). [5] Em Joel: “Acontecerá naquele dia que os montes destilarão mosto, e as colinas fluirão leite, e todos os rios de Judah fluirão águas. E uma fonte sairá da casa de Jehovah, e um ribeiro irrigará Schittim” ??? (Jl. 3:18). O que é significado por ‘os montes destilarão mosto, as colinas fluirão leite, e todos os rios de Judah fluirão águas’ vê-se explicado acima (n. 433); e ‘uma fonte sairá da casa de Jehovah e um ribeiro irrigará Schittim’ significa que do céu, desde o Senhor, haverá o vero que ilumina os conhecimentos e as cognições que há no natural. [6] Em David: “Diante” de Ti “a terra parirá32, diante o Deus de Jacob, que converteu a rocha em lago de águas, a pederneira em fonte de águas” (Sl. 114:7, 8); pelo ‘lago de águas’ e pela ‘fonte de águas’, aqui também, entendem-se os veros em abundância, pelos quais se forma a igreja, pois ‘parirás, ó terra’ significa o começo da igreja, da qual então se diz ‘parir’ quando nela são produzidos os veros; a ‘terra’ é a igreja. [7] No mesmo: Jehovah, “que envia fontes nos rios, vão entre os montes, dão de beber às feras dos campos; os jumentos selvagens matam a sua sede; junto a elas habita a ave dos céus” (Sl. 104:10-12); ‘enviar fontes nos rios’ significa dar inteligência pelos veros da Palavra; ‘vão entre os montes’ significa que serão provenientes do bem do amor; as ‘fontes’ são os veros da Palavra, os ‘rios’ são as coisas que dão inteligência e os ‘montes’ são os bens do amor. A instrução dos que estão no bem da igreja é significada por ‘dão de beber às feras dos campos’, e a instrução dos que na igreja desejam os veros é significada por ‘os jumentos selvagens matam a sede’. Que daí o entendimento seja aperfeiçoado é o que significa ‘junto a elas habita a ave’. Pelas ‘feras dos campos’, no sentido espiritual, se entendem as nações que estão no bem da vida; pelos ‘jumentos selvagens’, o vero natural; pela ‘sede’, o desejo pelos veros; e pela ‘ave dos céus’ são significadas as cognições oriundas do entendimento. [8] Que pela ‘fonte’, no sentido supremo, se entenda o Senhor quanto ao Divino Vero, ou o Divino Vero proveniente do Senhor, por conseguinte, a Palavra, pode-se ver pelas seguintes passagens. Em Jeremias: “Dois males o Meu povo fez: a Mim Me deixaram, a Fonte de águas vivas, para cavarem para si fossos, fossos fendidos que não contêm águas” (Jr. 2:13); aqui, Jehovah, isto é, o Senhor, Se chama ‘Fonte de águas vivas’, pelo que é significada a Palavra ou o Divino Vero, por conseguinte Ele mesmo, que é a Palavra, pois diz: ‘a Mim Me deixaram, a Fonte de águas vivas’. ‘Para cavarem para si fossos, fossos fendidos que não contêm águas’ significa para forjarem para si coisas doutrinais da própria inteligência, nas quais não há veros; ‘fossos’ são as coisas doutrinais, ‘fossos fendidos’ são coisas doutrinais que não têm coerência; ‘que não contêm veros’ significa que nelas não há veros. Tais são as coisas doutrinais que não vêm da Palavra, isto é, do Senhor pela Palavra (pois o Senhor ensina pela Palavra), mas da própria inteligência. Que não venham do Senhor pela Palavra entende-se por ‘deixaram a Fonte de águas vivas’. [9] No mesmo: “Todos os que Te abandonaram se envergonharão, e os que se apartaram de Mim serão escritos na terra; porque deixaram a Fonte de águas vivas, Jehovah” (Jr. 17:13); aqui, semelhantemente, Jehovah, isto é, o Senhor, Se chama ‘Fonte de águas vivas’ pelo Divino Vero que vem d’Ele; ‘ser escrito na terra’ significa ser condenado (vide acima, n. 222). [10] Em David: “Serão cheios da gordura de Tua casa, e do ribeiro de delícias Tu os dá a beber, porque contigo está a fonte de vida; na Tua luz vemos a luz” (Sl. 36:8, 9); pela ‘gordura’ é significado o bem do amor, e pelo ‘ribeiro de delícias’ é significado o vero desse bem; ‘dar de beber’ é ensinar; ‘contigo está a fonte de vida’ significa que com o Senhor e procedendo d’Ele está o Divino Vero. Como este é significado pela ‘fonte de vida’, por isso também se diz: ‘na Tua luz vemos a luz’. Pela ‘luz do Senhor’ é significado o Divino Vero. [11] Em Zacarias: “Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém, para o pecado e a imundície;... e naquele dia... cortarei da terra os nomes dos ídolos;... também os profetas e o espírito imundo farei passar da terra” (Zc. 13:1, 2). Também essas palavras são a respeito do advento do Senhor. Que aqueles que estão no reino do Senhor haveriam então de entender a Palavra, ou o Divino Vero ali, é significado por ‘naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém’; a ‘fonte’ significa a Palavra, a ‘casa de David e os habitantes de Jerusalém’ significa o reino espiritual do Senhor. O reino espiritual do Senhor está com aqueles que estão nos Divinos veros nos céus e nas terras. ‘Para o pecado e a imundície’ significa a remoção dos males e dos falsos pelos veros da Palavra. Visto que pela ‘fonte’ se entende a Palavra ou o Divino Vero ali, por isso se diz: ‘naquele dia cortarei os nomes dos ídolos; também os profetas e o espírito imundo farei passar da terra’; pelos ‘ídolos’ é significada a falsa religião, pelos ‘profetas’ a falsa doutrina, e pelos ‘espírito imundo’ os males que brotam dos falsos da doutrina, pois quando vive segundo os falsos da religião e da doutrina o espírito se torna imundo. [12] Que o Divino Vero proveniente do Senhor se entenda pela ‘fonte’ o Senhor ensina por palavras claras em João: Quando estava sentado junto à fonte de Jacob, no campo de Samaria, o Senhor disse à mulher samaritana: “Todo aquele que bebe desta água de novo tem sede, mas quem beber da água que Eu hei de dar não terá sede eternamente, mas a água que Eu lhe darei se tornará nele uma fonte de águas que jorram na vida eterna” (Jo. 4:5-20); que pela ‘água’ que o Senhor dá não se entenda água, mas o Divino Vero, vê-se claramente, pois se diz da água que a mulher de Samaria veio tirar, ter-se-ia sede de novo, mas não da água que o Senhor dá. Que nesse vero esteja a vida, entende-se por essa água ‘se tornar nele uma fonte de água que jorra na vida eterna’. Que haja vida nos veros, quando o Senhor os dá, vê-se acima, neste artigo. Que o Senhor tendo dito essas coisas à mulher samaritana quando estava sentado junto à fonte de Jacob era porque por ‘Samaria’ o Senhor se referia às nações, que receberiam os Divinos veros procedentes d’Ele, e pela ‘mulher samaritana’, a igreja formada por eles, e porque pela ‘fonte de Jacob’ Ele se referia ao Divino Vero vindo de Si ou a Palavra. [13] Em Moisés: “Assim Israel habitará seguramente, solitário, na fonte de Jacob” (Dt. 33:28). Essas palavras estão na profecia de Moisés sobre os filhos de Israel, que se encerra com elas. Como ‘Israel’ aí significa a igreja que está nos Divinos veros da Palavra, por isso se diz: ‘na fonte de Jacob’, pela qual se entende a Palavra, assim também o Senhor quanto à Palavra, pois Ele é a Palavra, pois Ele é o Divino Vero, como Ele mesmo o ensina em João (1:1-3, 14). Tais palavras foram proferidas no final dessa profecia porque nessa profecia se trata da Palavra. Por essa ‘fonte’ se entende algo semelhante também na profecia de Israel, pai de José: “Filho de fecunda é José, filho de fecunda junto à fonte” (Gn. 49:22); pela ‘fonte’ aí se entende a fonte de Jacob, pois o campo em que se encontrava essa fonte fora dado a José por seu pai (vide Jo. 4:5, 6). O que é significado por ‘filho de fecunda é José, filho de fecunda junto à fonte’ vê-se acima (n. 448). Pela ‘fonte’ também se entende a Palavra, e pelas ‘fontes’ os Divinos veros oriundos dela, em David: “Nas congregações bendizei a Deus, o Senhor da fonte de Israel” (Sl. 68:26); no Apocalipse: “Ao que tem sede darei de graça da fonte de água da vida” (Ap. 21:6); em Isaías: “Então tirareis com alegria águas das fontes de salvação” (Is. 12:3); em David: “Todas as Minhas fontes em Ti”, Jehovah (Sl. 87:7). [14] Visto que a maioria das coisas na Palavra também tem um sentido oposto, assim também ‘fonte’ e ‘fontes’, que significam, nesse sentido, a doutrina dos falsos e a falsa doutrina. Como em Jeremias: “Secarei o seu mar, e farei secar a sua fonte” (Jr. 51:36), palavras ditas a respeito de Babel; por seu ‘mar’ são significados os falsos em um complexo, e pela ‘fonte’ a doutrina do falso. [15] Em Oséias: “Virá o vento oriental, vento de Jehovah, subindo do deserto, e a sua fonte se secará, e esgotar-se-á o seu manancial” (Os. 13:15). Tais palavras são a respeito de Efraim, e por ele aí se entende o entendimento da Palavra pervertido, com o qual os falsos são confirmados pela Palavra. a sua destruição é significada por ‘sua fonte se secará, e esgotar-se-á o seu manancial pelo vento oriental, vento de Jehovah, vindo do deserto’. Sua ‘fonte’ é a doutrina do falso daí; o ‘manancial’ é o seu falso; o ‘vento oriental do deserto’ é a sua destruição pelas falácias que vêm dos sensuais externos, pois os sensuais externos, quando não são iluminados dos internos, destroem o entendimento do homem, porque todas as falácias vêm daí. [16] Em David: “Tu despedaçaste o mar com Tua força, quebraste as cabeças das baleias sobre as águas; Tu fendeste as cabeças do leviatã, deste-o por comida ao povo ziim. Tu despedaçaste as fontes e o rio; Tu secaste os rios de força” (Sl. 74:13-15). Aqui, também, pelas ‘fontes’ e pelos ‘rios’ é significada a falsa doutrina, que vem da própria inteligência; ‘rios de força’ são os princípios do falso confirmados daí; pelas ‘baleias’ e pelo ‘leviatã’ são significados os conhecimentos, que são os sensuais e naturais do homem, dos quais vem todo falso quando o homem espiritual foi fechado sobre eles. No homem sensual e natural reside o proprium do homem; por isso, quem tira conclusões somente por eles, conclui pelo proprium ou pela própria inteligência, pois o Divino influi pelo homem espiritual no natural, mas não no natural quando sobre ele o espiritual foi fechado. Mas o homem espiritual é aberto pelos veros e por uma vida segundo eles. O ‘povo ziim’, a quem o leviatã foi dado por comida, significa os que estão nos falsos infernais.