. “E caiu do céu uma grande estrela, ardendo como lâmpadas”. Que isto signifique o vero da Palavra falsificado pelo amor próprio vê-se pela significação de ‘estrelas’, que são as cognições do vero e do bem, assim também os veros e bens das cognições provenientes da Palavra (de que se tratou acima, n. 72 e 402); e pela significação de ‘arder como lâmpadas’, que é ser falsificado pelo amor próprio; ‘arder’ se diz do amor próprio, porque o ‘fogo’ o significa (vide acima, n. 504); e ‘lâmpadas’ significam o vero da Palavra, da doutrina e da fé (vide também acima, n. 274). Daí se pode ver que ‘caiu do céu uma grande estrela, ardendo como lâmpadas’ significa o vero da Palavra falsificado pelo amor próprio. [2] Cumpre saber que todos os que estão no amor de si, se examinam a Palavra falsificam os seus veros. A razão disso é que todo vero vem do céu desde o Senhor, e nenhum do proprium do homem, e aqueles que estão no amor de si estão imersos em seu proprium e a partir daí obtêm toda ideia do pensamento a respeito dos veros da Palavra. Por isso é que os falsificam, não quanto ao sentido da letra da Palavra, mas quanto ao entendimento do vero nela, pois entender as palavras diferentemente do verdadeiro sentido delas é falsificá-las. [3] Há dois estados de pensamentos do homem, um quando está pelo Senhor no pensamento a respeito dos veros e outro quando por si mesmo. Quando está pelo Senhor no pensamento a respeito dos veros sua mente é então elevada até a luz do céu; daí ele tem iluminação e justa percepção do vero. Quando, porém, está por si mesmo no pensamento a respeito dos veros, então sua mente cai na luz do mundo, luz essa que, quanto às coisas espirituais ou quanto às coisas que são do céu e da igreja é uma escuridão em que o homem não vê senão coisas tais que luzem pelo fogo do amor de si e do mundo, as quais são em si mesmas opostas aos veros.