. “E caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes de águas”. Que isto signifique que daí pereceu todo entendimento do vero e, por isto, a doutrina da igreja, vê-se pela significação de ‘cair’ do céu, quando se fala de estrelas, que é perecer (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘terça parte’, que é o todo (de que se tratou acima, n. 506), aqui, tudo, porque se trata de ambos, o entendimento do vero e a doutrina, os quais são significados pelos ‘rios’ e pelas ‘fontes de águas’; pela significação de ‘rios’, que são o entendimento do vero (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘fontes de águas’, que é a Palavra e a doutrina oriunda da Palavra, e daí as ‘fontes’ são os veros da Palavra e os doutrinais (de que se tratou acima, n. 483). [2] Que ‘cair’, quando se fala de estrelas, pelas quais se entendem as cognições do vero e do bem provenientes da Palavra (como acima), seja significado perecer é porque o Divino Vero, quando, no mundo espiritual, cai do céu na terra ali, onde estão os maus, é mudado em falso, e quando o Divino Vero se torna falso, então perece. Isto também é significado por “As estrelas cairão do céu” (Mt. 24:29; Mc. 13:25), ou seja, que no último tempo da igreja pereceriam as cognições do vero e do bem. Que o Divino Vero, quando, no mundo espiritual, cai do céu na terra ali, onde estão os maus, seja mudado em falso e assim pereça, vê-se acima (n. 413, 418, 419 e 489), pois o Divino Vero é mudado em falso tal qual é o mal naqueles em que influi. Que seja assim, pode-se ver pela seguinte experiência: foi-me concedido observar de que maneira o Divino Vero é mudado em falso quando cai profundamente no inferno, e foi percebido que era mudado sucessivamente enquanto defluía, até ser finalmente mudado em falsíssimo. [3] Que os ‘rios’ signifiquem o entendimento do vero, bem como a inteligência, é porque as ‘águas’ significam os veros, e o entendimento é receptáculo e o conjunto de verdades, assim como os rios o são de águas, e porque o pensamento pelo entendimento, que é a inteligência, é como um ribeiro de vero. Dessa mesma origem, a saber, da significação de ‘águas’, que são os veros, é que a ‘fonte’ significa a Palavra e a doutrina do vero, e os ‘poços’ [stagna], ‘lagos’ e ‘mares’ significam as cognições do vero em conjunto. Que as ‘águas’ signifiquem os veros e as ‘águas vivas’ os veros provenientes do Senhor vê-se acima (n. 71 e 483) e também nas passagens seguintes neste artigo. [4] Que os ‘rios’ e as ‘correntes’ signifiquem o entendimento do vero e a inteligência pode-se ver pela Palavra onde os rios e os ribeiros são nomeados, como em Isaías: “Então o manco saltará como cervo, e língua do mudo cantará, porque águas romperão no deserto, e rios na planície do deserto” (Is. 35:6). Essas palavras são a respeito do Senhor, da reforma das nações [ou gentios] e da instauração da igreja com elas. Pelo ‘manco’ que saltará como cervo é significado quem não está no bem genuíno, por não estar nas cognições do vero e do bem; pela ‘língua do mudo que cantará’ é significada a confissão do Senhor por aqueles que estão na ignorância do vero; ‘águas romperão no deserto’ significa que haverá veros onde antes não havia; e ‘rios na planície do deserto’ significa que haverá inteligência onde antes não havia; o ‘deserto’ é onde não há vero, e ‘planícies do deserto’ onde não há inteligência; as ‘águas’ são os veros e os ‘rios’ são a inteligência. [5] No mesmo: “Abrirei rios nas vertentes, e no meio dos vales porei fontes; [farei] do deserto um poço de águas, e da terram seca mananciais de águas” (Is. 41:18). Essas palavras foram ditas a respeito da salvação dos gentios pelo Senhor. ‘Abrir rios nas vertentes’ é dar inteligência interior; ‘por fontes no meio dos vales’ é instruir nos veros o homem externo. (As demais coisas veem-se explicadas acima, n. 483). [6] No mesmo: “Eis que Eu faço algo novo; agora germinará, porventura não o reconheceis? Também porei no deserto um caminho, rios no ermo. A fera do campo Me honrará, os dragões e as filhas da coruja, porque darei águas no deserto e rios no ermo, para dar de beber ao Meu povo, ao Meu eleito” (Is. 43:19, 20). Também essas palavras são a respeito do Senhor e de uma nova igreja vinda d’Ele, o que se entende por ‘eis que Eu faço algo novo, agora germinará’. ‘Por um caminho no deserto e rios no ermo’ significa que haverá vero e inteligência do vero onde antes não havia; o ‘caminho’ é o vero que conduz ao céu, e os ‘rios’ são a inteligência; ‘dar de beber ao povo’ significa instruir aqueles que desejam; a ‘fera do campo, os dragões e as filhas da coruja’ significam os que conhecem os veros e bens apenas de memória e não os entendem nem percebem. Esses pronunciam o vero sem uma ideia do vero, dependendo somente dos outros. [7] No mesmo: “Derramarei águas sobre o sedento, e correntes sobre a aridez; derramarei Meu espírito sobre a tua semente, e a [Minha] bênção sobre os teus filhos [natos]” (Is. 44:3); ‘derramar águas sobre o sedento’ significa instruir nos veros aqueles que estão na afeição do vero; ‘derramar correntes sobre a aridez’ significa dar inteligência àqueles que estão no desejo do vero do bem. O mesmo é significado por ‘derramar o espírito’ e ‘ ‘bênção’, pois pelo ‘Espírito’ de Deus é significado o Divino Vero, e pela ‘bênção’ a sua multiplicação e frutificação, assim, a inteligência. Quem não vê que aqui e acima não se entendem águas e rios, nem deserto e ermo, mas coisas tais que pertencem à igreja? Por isso também é acrescentado aqui: ‘Derramarei Meu espírito sobre a tua semente, e a Minha bênção sobre os teus filhos’. [8] Em Moisés: “Jehovah... te conduz… à terra de rios de água, de fontes, de abismos que brotam do vale e do monte” (Dt. 8:7); pela ‘terra de Canaan’, à qual Jehovah os havia de conduzir, é significada a igreja; por isso os ‘rios de águas’, as ‘fontes’, os ‘abismos que brotam do vale e do monte’ significam coisas tais que pertencem à igreja; ‘rios de água’ é o entendimento do vero, ‘fontes’ são os doutrinais da Palavra, ‘abismos que saem do vale e do monte’ são as cognições do vero e do bem no homem natural e no espiritual. [9] Em Isaías: “Olha para Sião... e Jerusalém;… ali Jehovah está magnífico para nós; um lugar de rios, de ribeiros, de largueza de espaços; não entrará nele barco de remo, e barco magnífico não passará por ele” (Is. 33:20, 21); aqui, também, por ‘lugar de rios e de ribeiros’ é significada a sabedoria e a inteligência. (O que as demais coisas significam, foi explicado acima, n. 514). [10] Em Joel: “Naquele dia, os montes destilarão mosto e as colinas fluirão leite, e todos os regatos de Judah fluirão águas; e sairá uma fonte da casa de Jehovah e irrigará o ribeiro schittim” (Jl. 3:18). (Essas palavras também foram explicadas acima, n. 433 e 483). Pela ‘fonte’ que ‘sairá da casa de Jehovah’ é significado o vero da doutrina vinda do céu desde o Senhor; pelo ‘ribeiro schittim’, que irrigará, é significada a iluminação do entendimento. [11] Em Ezequiel: “Águas saindo de sob o limiar da casa” de Deus “para o oriente;... Um varão me conduziu e me trouxe sobre a margem do rio; quando retornei, eis que sobre a margem do rio havia muitíssimas árvores aqui e ali. Disse: ...Toda alma vivente que rasteja, onde quer que tenham vindo os rios, viverá; pelo que haverá muitíssimo peixe, porque virão a ele essas águas, e são curados, para que viva todo aquele que vier ao rio;... Além disso, junto ao rio sobe sobre a sua margem, aqui e ali, toda árvore de comida, cuja folhagem não cai nem o seu fruto é consumido; nos seus meses renasce, porque as suas águas são as que saem do santuário” (Ez. 47:1-12). Estas, também, foram explicadas acima (n. 422 e 513), pelo que é evidente que pelas ‘águas saindo da casa de Deus para o oriente’ é significado o Divino Vero procedente do Senhor influindo naqueles que estão no bem do amor, e pelo ‘rio, sobre cuja margem havia toda árvore de comida, e de cujas águas toda alma que rasteja vive, onde há muito peixe’, é significada a inteligência pela recepção do Divino Vero, donde recebem vida espiritual todas as coisas no homem, tanto as suas afeições e percepções quanto à cognições e os conhecimentos, e, assim, os pensamentos. [12] Em Jeremias: “Bendito o varão que confia em Jehovah;... será como a árvore plantada junto as águas, e junto ao rio lança suas raízes; nem verá quando vier o calor, mas sua folhagem será verde” (Jr. 17:7, 8); pela ‘árvore plantada junto às águas’ entende-se o homem em quem há os veros vindos do Senhor; por ‘junto ao rio lança as suas raízes’ entende-se a extensão da inteligência proveniente do homem espiritual no natural. (As demais coisas veem-se explicadas acima, n. 481). Na Palavra, onde se trata de árvores e jardins, aí também se fala de águas e rios que irrigam, pelo fato de que as ‘árvores’ significam as percepções e as cognições, e as ‘águas’ e os ‘rios’ significam os veros e, daí, o entendimento, pois sem o entendimento das verdades o homem é como um jardim onde não há água, cujas árvores se secam. [13] Por exemplo, em Moisés: “Assim como os vales, são plantados, assim como um jardim junto ao rio, assim como sândalos Jehovah plantou, como cedros junto às águas” (Nm. 24:6, 7). Essas palavras são a respeito dos filhos de Israel, pelos quais é significada a igreja, que então devia ser plantada. Essa igreja é comparada aos vales que são plantados e ao jardim junto ao rio, porque pelos ‘vales’ é significada a inteligência do homem natural, e pelo ‘jardim’ a inteligência do homem espiritual; ela é comparada aos sândalos e cedros porque pelos ‘sândalos’ são significadas as coisas que pertencem ao homem natural, e pelos ‘cedros’ as que pertencem ao homem racional. Como todas essas coisas vivem pelo influxo do Divino Vero procedente do Senhor, por isso se diz que são plantadas ‘junto ao rio’ e ‘às águas’, pelos quais é significado o Divino Vero que influi, donde vem a inteligência. [14] Visto que pelo ‘Jardim em Éden’ ou o “Paraíso” se entende a sabedoria e a inteligência que tiveram os antiquíssimos que viveram antes do dilúvio, por isso, onde se descreve a sabedoria deles também se descreve o influxo do Divino Vero e, daí, da inteligência, pelo Rio que “saía do Éden para irrigar o jardim, e daí era separado e consistia de quatro cabeças” (Gn. 2:10 e seq.); o ‘rio saindo do Éden’ significa a sabedoria vinda do amor, que é o Éden; ‘para irrigar o jardim’ é para dar inteligência. A descrição da inteligência se faz pelos ‘quatro rios’ de que ali se trata. (Isto, porém, vê-se explicado nos Arcanos Celestes, n. 107 a 121). [15] Em Ezequiel: “Assíria, um cedro no Líbano; as águas fizeram-na crescer, o abismo a fez alta, de sorte que com os seus rios foi ao redor de sua planta, e enviou seus aquedutos a todas as árvores do campo” (Ez. 31:3, 4); a ‘Assíria’ significa o homem racional ou o racional do homem, semelhantemente o ‘cedro no Líbano’. E como o genuíno racional é perfeiçoado pelas cognições do vero e do bem, diz-se que ‘as águas a fizeram crescer, e o abismo a fez alta’; as ‘águas’ são os veros, e o ‘abismo’ as cognições do vero que há no homem natural. O aumento da inteligência é significado por ‘[com] seus rios foi ao redor da planta’, e a multiplicação das cognições do vero é significada por ‘enviou seus aquedutos a todas as árvores do campo’. [16] Em David: “Uma videira fizeste sair do Egito; estendeu a sua ramagem até o mar, e até o rio os seus brotos” (Sl. 80:8, 11); pela ‘videira do Egito’ entendem-se os filhos de Israel, que são chamados ‘videira’ porque representaram a igreja espiritual, a qual a ‘videira’ significa na Palavra. A estada deles no Egito representava a primeira iniciação nas coisas da igreja, pois o ‘Egito’ significava os conhecimentos que servem às coisas da igreja. Como, pois, a ‘videira’ significa a igreja e o ‘Egito’ significa o conhecimento que a serve, é evidente o que é significado no sentido espiritual por ‘fizeste sair uma videira do Egito’. A extensão de sua inteligência até os conhecimentos e às coisas racionais é significada por ‘estendeu a sua ramagem até o mar, e os brotos até o rio’; ‘estender ramagem e brotos’ significa a multiplicação e a extensão, o ‘mar’ significa o conhecimento, e o ‘rio’, aqui, o Eufrates, significa o racional. A extensão da igreja e a multiplicação de suas verdades e, assim, da inteligência, são descritas pela extensão da terra de Canaan até o Mar Suph, o Mar dos Filisteus e o rio Eufrates. [17] Em Moisés: “Porei o teu limite até o Mar Suph, até o Mar dos Filisteus e desde o deserto até o rio” (Êx. 23:31); pelos ‘limites da terra de Canaan’ são significados os últimos da igreja, que são os conhecimentos verdadeiros, as cognições do vero e do bem oriundas da Palavra e as coisas racionais; pelo ‘Mar Suph’ é significado o conhecimento verdadeiro; pelo ‘Mar dos Filisteus’, onde ficavam Tiro e Sidon, são significadas as cognições do vero e do bem provenientes do sentido da letra da Palavra; e pelo ‘rio Eufrates’ é significado o racional. Com efeito, os conhecimentos servem às cognições do vero e do bem oriundas da Palavra, e estas com aqueles servem ao racional, e o racional serve à inteligência, que é data pelos veros espirituais conjuntos ao bem espiritual. [18] O mesmo que se diz da igreja e sua extensão se diz também do poder do Senhor sobre todas as coisas do céu e da igreja, em David: “Porei no mar a Sua mão, e nos rios a Sua direita” (Sl. 89:25). Essas palavras são a respeito de David, por quem aí entende-se o Senhor. O poder do Senhor até os últimos do céu e da igreja, assim, sobre todo o céu e sobre toda a igreja é significado por ‘pôr no mar a mão e nos rios a direita’; o poder é significado pela ‘mão’ e pela ‘direita’, e os últimos do céu e da igreja pelo ‘mar’ e pelos ‘rios’. Os últimos do céu são mares e rios, como acima se disse algumas vezes. Esses últimos foram presentados pelos dois mares e dois rios que eram os limites da terra de Canaan; os dois mares eram o do Egito e o dos Filisteus, onde ficavam Tiro e Sidon, e os dois rios eram o Eufrates e o Jordão, mas o Jordão era o limite entre a terra de Canaan interior e exterior. Nesta última ficaram as tribos de Reuben e Gade, e a meia tribo de Manassés. De modo semelhante, em Zacarias: “Seu domínio [estende-se] de mar a mar, e desde o rio até os fins da terra” (Zc. 9:10). Estas, também, são a respeito do Senhor, pelas quais se entendem coisas semelhantes. O Seu domínio até os últimos do céu e da igreja é sobre todas as coisas do céu e da igreja, pois os últimos são os limites. [19] Em David: “Firmado [está] o Teu trono desde então, desde o eterno Tu [és]; os rios ribeiros se levantaram, ó Jehovah, os ribeiros levantaram a sua voz, os ribeiros levantaram o seu fragor. Mais que as vozes de muitas e magníficas águas, mais que as ondas do mar, magnífico é Jehovah” (Sl. 93:2, 4). Estas, também, são a respeito do Senhor. O Seu domínio de eternidade na eternidade sobre o céu e a terra é significado por ‘firmado [está] o Teu trono, desde o eterno Tu [és]; a glorificação do Senhor por causa de Seu advento e, daí, a salvação do gênero humano, é significada por ‘os ribeiros levantaram a sua voz’ e ‘seu fragor’; pelos ‘ribeiros’, nomeados aqui três vezes, são significadas todas as coisas que são da inteligência do homem no homem interno e todas as coisas que há no externo. O Divino Vero que vem d’Ele, pelo qual há o poder e pelo qual a salvação, é significado por ‘vozes de muitas e magníficas águas, mais que as ondas do mar’; as ‘águas’ são os veros, as ‘vozes de muitas e magníficas águas’ são os Divinos veros. [20] A glorificação e a celebração do Senhor por regozijo de coração são descritas assim em outra passagem de David: “Ruja o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam; os ribeiros batam as mãos, os montes jubilem juntamente” (Sl. 98:7, 8). Por essas palavras é significada a glorificação do Senhor por todo o céu. A Sua glorificação pelos últimos deles é significada por ‘ruja o mar e a sua plenitude’; a glorificação por todo o céu é significada por ‘ruja o mundo e os que nele habitam’; o ‘mundo’ significa todo o céu quanto aos seus veros, e ‘os que nele habitam’ significam todo o céu quanto aos seus bens; os ‘habitantes’ significa, na Palavra, aqueles que estão nos bens do céu e da igreja, assim os seus bens. A glorificação do Senhor pelos veros que são da inteligência e pelos bens que são do amor é significada por ‘os ribeiros batam as mãos, os montes jubilem juntamente’; os ‘ribeiro’ são os veros da inteligência, e os ‘montes’ são os bens do amor. [21] O Divino Vero procedente do Senhor, de cuja recepção vem a inteligência, é significado pelas ‘águas da rocha em Horeb’ (Êx. 17:6), a cujo respeito assim se lê em David: “Fendeu rochas no deserto, e fez beber os grandes abismos, e tirou torrentes da rocha, e fez descer águas como um ribeiro; feriu a rocha para que manassem águas, e os rios fluíram” (Sl 78:15, 16); e em outra passagem: “Abriu a Rocha para que fluíssem águas; correram nos lugares secos os rios” (Sl. 105:41); pela ‘Rocha’ aí entende-se o Senhor, e pelas ‘águas’ que daí fluíram se entende o Divino Vero que vem d’Ele; pelos ‘rios’ ´s da a inteligência e a sabedoria daí; por ‘beber os grandes abismos’ é significado haurir e perceber os arcanos da sabedoria. [22] Em João: Jesus disse: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba; quem quer que” vem a Mim, “como disse a Escritura, de seu ventre fluirão ribeiros de água que viva. Isto ele disse a respeito Espírito que haviam de receber os que n’Ele cressem” (Jo. 7:37-39); por ‘vir ao Senhor e beber’ é significado receber d’Ele os veros da doutrina e a fé deles. Que daí haja a inteligência espiritual é o que significa ‘de seu ventre fluirão ribeiros de água viva’; ‘água viva’ é o Divino Vero que vem unicamente do Senhor; ‘ribeiros’ são as coisas que pertencem à inteligência, e ‘ventre’ significa o pensamento pela memória, pois a este corresponde. E visto que pelos ‘ribeiros de água viva’ é significada a inteligência pelo Divino Vero procedente do Senhor, por isso se acrescenta: ‘Estas coisas Ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que cressem n’Ele’; o ‘Espírito’ que receberiam do Senhor é o Divino Vero e, daí, a inteligência; por isso também o Senhor chama o espírito que receberiam de “Espírito da verdade” (Jo. 14:16-18; 16:7-15). [23] Em David: Jehovah “sobre os mares fundou” o mundo, “e sobre os riachos o estabeleceu” (Sl. 24:2); o ‘mundo’ significa o céu e a igreja em todo o conjunto; os ‘mares’ significam as cognições e os conhecimentos [scientiae], que são os últimos da igreja, especialmente as cognições do vero e do bem como estão na letra da Palavra; pelos ‘riachos’ é significada a introdução por elas na inteligência celeste. Por aí se pode ver o que se entende por essas palavras no sentido espiritual, a saber, que os interiores do céu e da igreja, que se chamam celestes e espirituais, são fundados nas cognições do vero e do bem que estão no sentido da letra da Palavra, entendidos racionalmente. É dito que ‘fundou o mundo sobre os mares e o estabeleceu sobre os riachos’ porque há mares e riachos nos limites do céu, representados pelo Mar Suph, o Mar dos Filisteus, o rio Eufrates e o rio Jordão, que eram os limites da terra de Canaan. E como os últimos na Palavra significam os ínfimos, diz-se que ‘Jehovah fundou’ e ‘estabeleceu’ sobre eles. Vê-se que não é a terra que é assim fundada sobre mares e sobre rios. [24] No mesmo: “O Senhor à tua direita feriu os reis no dia de Sua ira, julgou entre as nações, encheu de cadáveres, feriu a cabeça sobre muitas terras, e bebeu do rio no caminho, pelo que exaltou a cabeça” (Sl. 110:5-7). Estas coisas foram ditas a respeito do Senhor e de Suas lutas contra os falsos e males que vêm dos infernos, e da subjugação deles. Pelos ‘reis’ se entendem os falsos provenientes do inferno, e pelas ‘nações’ se entendem os males daí; Seu Divino poder entende-se por ‘o Senhor à direita’; a subjugação e a destruição dos falsos e males procedentes dos infernos são significadas por ‘feriu-os no dia de Sua ira, julgou entre as nações e encheu de cadáveres’; pela ‘cabeça’ que feriu em muitas terras entende-se o amor de si, do qual vêm todos os males e falsos; ‘ferir em muitas terras’ significa a total destruição e a danação; pelo ‘riacho’ do qual a cabeça bebeu e pelo qual se exaltou é significada a Palavra na letra; ‘beber dele’ é aprender alguma coisa dali, e ‘exaltar a cabeça’ é opor-se por longo tempo, pois todos os que estão nos falsos do mal não podem ser lançados no infernos antes de lhes serem arrebatadas as coisas que sabem da Palavra, visto que todas as coisas da Palavra se comunicam com o céu, e por essa comunicação eles exaltam a cabeça. Mas, sendo-lhes arrebatadas tais coisas, são precipitados no inferno. Este é o sentido dessas palavras, que a ninguém é evidente sem o sentido espiritual e sem a cognição a respeito de como é a Palavra. [25] Em Habacuque: “Acaso inflamou-Se Jehovah contra os rios? Porventura é contra os rios a Tua ira? Acaso é contra o mar a Tua inflamação? Pois cavalgas sobre Teus cavalos, Teus carro são salvação” (Hb. 3:8). Assim se suplica para que a igreja seja guardada e não pereça. Pelos ‘rios’ e pelo ‘mar’ são significadas todas as coisas da igreja, porque são os seus últimos (como acima); ‘cavalgar sobre cavalos’, quando se fala de Jehovah, isto é, do Senhor, significa a Divina Sabedoria que está presente na Palavra, e pelos ‘carros’ são significados os doutrinais daí. [26] Em David: “Não temeremos quando terra mudar, e quando os montes forem movidos no ??? coração dos mares. Serão tumultuadas, serão turbadas as suas águas; os montes estremecerão em sua exaltação. [Há] um rio cujas correntes alegrarão a cidade santa de Deus, as habitações do Altíssimo; Deus está no seu meio, não será abalada” (Sl. 46:2-5). Essas palavras envolvem, no sentido espiritual, que ainda que a igreja com todas as suas coisas pereça, ainda assim não perecerá a Palavra e o Divino Vero aí, pois pela ‘terra’ é significada a igreja, pelos ‘montes’ os bens do amor, pelas ‘águas’ os veros, e por ‘mudar-se’, ‘mover-se’, ‘tumultuar-se’, ‘turbar-se’ e ‘estremecer-se’ são significados os seus estados quando perecem e entram em seu lugar os falsos e males, por conseguinte, os estados da igreja quando é devastada quanto aos bens e desolada quanto aos veros. (Vide, porém, os n. 304 e 405, acima, onde essas palavras são mais plenamente explicadas). Que não há de perecer a Palavra ou o Divino Vero para a igreja é significado por ‘[há] um rio, cujas correntes alegrarão a cidade de Deus; não se mudará’; o ‘rio’ significa aqui o mesmo que ‘fonte’, a saber, a Palavra, porque se diz ‘suas correntes’, pelos quais são significados os veros. A ‘cidade de Deus’ significa a igreja quanto à doutrina; ‘alegrar’ significa o influxo e a recepção pelo regozijo de coração, e ‘não ser mudado’ significa não perecer quanto a coisa alguma. [27] Em Isaías: “Então faltarão águas no mar, e o rio se esgotará e secará, e os ribeiros retirar-se-ão; minguarão e esgotar-se-ão os rios do Egito; a cana e o junco murcharão, os papiros junto ao ribeiro, junto à boca do ribeiro, e toda semente do ribeiro se secará, levado, e não será mais” (Is. 19:5-7). Essas palavras foram ditas a respeito do Egito, por quem é significado o conhecimento que pertence ao homem natural, e por seu ‘ribeiro’ são significadas a cognição e a apercepção do vero, e, no sentido oposto, a apercepção do falso. Que tais coisas haveriam de perecer é significado por ‘o ribeiro se esgotará e secará’; que assim não haverá mais os veros, nem mesmo os veros natural e sensuais, que são os ínfimos, é significado por ‘a cana e o junco murcharão, os papiros junto ao ribeiro, e toda semente do ribeiro se secará, levada, e não será mais’. [28] No mesmo: “Eu cavei e bebi as águas, e secarei com a sola dos passos todos os rios do Egito” (Is. 37:25), palavras a respeito de Senaqueribe, rei da Assíria, por quem é significado o racional pervertido, que destrói toda cognição e apercepção do vero; isto é significado por ‘secará com a sola dos seus passos todos os rios d Egito’. Que os ‘rios do Egito’ signifiquem as cognições e apercepções do vero é porque o ‘Egito’ significa o homem natural quanto aos conhecimentos, e o homem natural é cognição e apercepção, assim como a inteligência em relação ao homem espiritual. [29] Em Ezequiel: “Desembainharão as suas espadas contra o Egito, para que encham a terra de traspassados. Então por rios darei aridez, e venderei a terra na mão dos maus, e devastarei a terra e a sua plenitude pelas mãos dos estrangeiros” (Ez. 30:11, 12); pelo ‘Egito’ é significado o conhecimento do homem natural que servem de inteligência ao homem racional e espiritual; que os conhecimentos verdadeiros seriam destruídos pelos falsos é significado por ‘desembainharão as suas espadas contra o Egito’; pelas ‘espadas’ são significados os falsos que destroem os veros; pelo ‘traspassado’ é significado aquele que perece pelos falsos; ‘por rios dar aridez’ significa que não há mais cognição e apercepção do vero; ‘vender a terra na mão dos maus e devastá-la pela mão dos estrangeiros’ significa destruir pelos males e pelos falsos; os ‘estrangeiros’ significam os falsos. [30] Em Zacarias: “Secar-se-ão todas as profundezas do rio, e será abatida a soberba da Assíria, e o cajado do Egito retirar-se-á” (Is. 10:11); ‘secar-se-ão todas as profundezas do rio’, a saber, o Eufrates, significa que todos os raciocínios aguçados desde a própria inteligência hão de perecer; ‘soberba da Assíria’ significa a própria inteligência, que é a do racional pervertido; ‘o cajado do Egito retirar-se-á’ significa que os conhecimentos que servem aos raciocínios de nada valeriam. [31] Em Isaías: “Devastarei os montes e as colinas, e toda a erva deles ressecarei, e porei rios nas ilhas, e os lagos secarei” (Is. 42:15); “devastarei montes e colinas’ significa que pereceriam os bens do amor e da caridade; ‘toda erva deles ressecarei’ significa que pereceriam os veros que vêm daqueles bens; ‘porei rios nas ilhas e os lagos secarei’ significa que pereceriam a inteligência e a cognição do vero. [32] No mesmo: “Eis que por minha repreensão seco o mar, faço dos rios um deserto; apodrece o seu peixe, por não haver água, e morre” (Is. 50:2); (vide acima, n. 342, onde essas palavras são explicadas). Em Naum: “Que repreende o mar, e o seca, e esgota todos os ribeiros” (Na. 1:4); em David: Jehovah “faz dos rios um deserto, e a saída das águas uma sequidão” (Sl. 107:33); em Jó: “O homem expira, onde está? Vão-se as águas do mar, e o rio se secará e esgotará” (Jó 14:10, 11). [33] Mostrou-se até aqui que pelos ‘rios’ é significado o entendimento do vero e a inteligência. Que, porém, no sentido oposto, pelos ‘rios’ seja significado o entendimento do falso e o raciocínio pela própria inteligência, que é em favor dos falsos e contra os veros, vê-se pelas passagens que se seguem. Em Isaías: “Envia no mar embaixadores... a uma nação delineada e pisoteada, cuja terra os rios depredaram” (Is. 18:2); pelos ‘rios’ aqui são significados os falsos que vêm da própria inteligência, que destruíram. (O que as demais coisas significam, vê-se acima, n. 304 e 331). No mesmo: “Quando passares pelas águas, Eu estarei contigo; e pelos rios, eles não te submergirão” (Is. 43:2); ‘passar pelas águas e pelos rios e não ser submerso’ significa que os falsos e os raciocínios pelos falsos contra os veros não corromperão. [34] Em Jeremias: “Eis, águas sobem do setentrião, que, como um ribeiro que inunda, inundarão a terra e a sua plenitude” (Jr. 47:2); ‘águas do setentrião’ significam os falsos da doutrina que vêm da própria inteligência; elas são comparadas a ‘um ribeiro que inunda a terra’ porque pelo ‘ribeiro’ é significado o raciocínio pelos falsos e pela ‘terra’ a igreja; a destruição desta pelos falsos é significada pela ‘inundação pelo ribeiro’. [35] Em David: “Se Jehovah não fosse por nós, quando o homem se levantou contra nós... então as águas nos teriam submergido, o rio teria passado sobre a nossa alma; então teriam passado sobre a nossa alma as águas do soberbo” (Sl. 124:2, 4, 5); pelas ‘águas do soberbo’, de que se trata aqui, são significados os falsos que favorecem o amor de si e o confirmam, e também os falsos da doutrina que vem da própria inteligência; pelo ‘rio’ é significado o raciocínio por esses falsos contra os veros. Daí é evidente o que se entende por ‘se Jehovah não fosse por nós quando o homem se levantou contra nós’, a saber, quando o homem por si, por seu amor e pela própria inteligência, se levanta e se esforça para destruir os veros da igreja. Com efeito, trata-se de Israel, pelo qual é significada a igreja. Pelas ‘águas’ que os teriam submergido e pelos ‘rios’ que teriam passado sobre a alma deles são significados os falsos e os raciocínios por estes, e, daí, a destruição da vida espiritual, que o homem tem pelos veros e por uma vida segundo os veros. Pelas ‘águas’ são significados os falsos, pelos ‘rios’ os raciocínios por estes, e por ‘submergir e passar sobre a alma’, a destruição da vida espiritual. [36] Em Isaías: “Eis que o Senhor fará subir sobre eles águas de rio, fortes e muitas, o rei da Assíria e toda a sua glória; e subirá sobre eles todos os seus regatos, e irá sobre todas as suas margens; irá por Judah e inundará” (Is. 8:7, 8); por ‘Assíria’ e seu rei, na Palavra, é significado o racional, aqui, o racional pervertido; daí, por ‘seu rio’, que era o Eufrates, entende-se o raciocínio, e pelas ‘águas do rio’ se entendem os falsos confirmados pelos raciocínios. Estas, pois, são significadas pelas ‘águas do rio, fortes e muitas’, as quais são referidas como ‘fortes’ por causa da cobiça, e ‘muitas’ por causa da falsidade. A abundância dos falsos do mal que destroem os veros do bem da igreja é significada por ‘as águas do rio subirão sobre todos os seus regatos, e sobre todas as margens’, e por ‘irá por Judah e inundará’; por ‘Judah’ é significada a igreja onde há a Palavra. [37] Em Jeremias: “O que tens com o caminho do Egito, para que bebas as águas de Schichor? Ou o que tens com o caminho da Assíria, para que bebas as águas do rio?” (Jr. 2:18); pelas ‘águas de Schichor’ ou do Egito são significados os conhecimentos falsos, ou os conhecimentos que confirmam os falsos; e pelas ‘águas do rio’ são significados os falsos raciocínios por eles, assim, os que são da própria inteligência. Que estes e aqueles não devem ser recebidas é o que significam essas palavras. [38] No mesmo: “Para o setentrião, junto à margem do rio Eufrates, tropeçaram e caíram . ??? Quem é esse que sobe como um ribeiro? Como ribeiros agitados? O Egito sobe como um ribeiro, e como um ribeiro de águas agitadas. Pois disse: Subirei, cobrirei a terra, destruirei a cidade e os que habitam nela” (Jr. 46:6-8). Por essas palavras é significada a destruição da igreja e de suas verdades pelos falsos raciocínios e pelos conhecimentos que confirmam. Pelo ‘setentrião’ são significados aqueles em que há e de quem vêm os falsos; pelo ‘rio Eufrates’ os falsos raciocínios; pelo ‘Egito’ os conhecimentos que confirmam; pelas ‘águas’ que são agitadas, os falsos mesmos; e por ‘subir, cobrir a terra, destruir a cidade e os que habitam nela’ é significada a destruição da igreja e de sua doutrina; a ‘terra’ é a igreja, a ‘cidade’ é a doutrina do vero, e ‘os que nela habitam’ são os seus bens. Coisas semelhantes são significadas pelo ‘rio do Egito’, o Nilo, e pelo ‘rio da Assíria, o Eufrates, em outras passagens na Palavra (como Is. 7:18, 19; 11:15, 16; Ez. 29:3-5, 10; 31:15; 32:2; Ps. 74:14, 15; 78:44; Êx. 7:17-21). Semelhantes também pelos ‘rios de Babilônia’ (Sl. 137:1). Visto que todas as tentações espirituais se fazem pelos falsos que irrompem nos pensamentos e infestam a mente interior, assim, pelos raciocínios oriundos deles, daí também as tentações são significadas pelas ‘inundações de água’ e pelas ‘irrupções de ribeiros e de torrentes’. Como em Jonas: “Lançaste-me na profundeza, até o coração dos mares; e o ribeiro me circunda, e todas as todas as Tuas ondas e Tuas vagas passaram sobre mim” (Jn. 2:4); em David: “Cercaram-me cordas da morte, e ribeiros de Belial me aterrorizaram” (Sl. 18:4); em Mateus: “Desceu a chuva, vieram os ribeiros, e sopraram os ventos, e bateram contra aquela casa, mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha” (Mt. 7:25, 7); e em Lucas: “Pelo que, havendo inundação, o ribeiro bateu contra aquela casa, mas não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha” (Lc. 6:48, 49).