. [Vers. 11] “E o nome da estrela se chama absinto”. Que isto signifique o vero misturado ao falso do mal vê-se pela significação de ‘nome’, que é o estado e a qualidade da coisa (de que se tratou acima, n. 148); pela significação de ‘estrela’, aqui, ‘uma grande estrela, ardendo como lâmpadas’, que é o vero da Palavra falsificado pelo amor próprio; e pela significação de ‘absinto’, que é o vero misturado ao falso do mal. Que ‘absinto’ signifique isto é por causa de seu amargor, e o amargor surge do doce misturado ao oposto não doce. Assim, no sentido espiritual, o ‘amargor’ como é o do absinto e do fel, é o vero misturado ao falso que é oposto ao vero, que é o falso do mal. Com efeito o ‘sabor’ e o ‘gosto’ significam a afeição de saber e de se tornar sábio; daí, o ‘saboroso’ significa o prazer e a amenidade da sabedoria, e as ‘iguarias’, por serem saborosas, os veros que pertencem à sabedoria. (Que isto venha da correspondência vê-se nos Arcanos Celestes, n. 3502, 3536, 3589, 4791-4805). Que o ‘absinto’ e também o ‘fel’ signifiquem, pelo amargor, o vero misturado ao falso do mal vê-se também pelo que se segue nesse versículo, pois se diz que ‘muitos homens foram mortos pelas águas, porque se tornaram amargas’, pelo que é significado que pelo veros falsificados todos os que são tais pereceriam quanto à vida espiritual, porque os veros fazem a vida espiritual, mas os falsos do mal a extinguem. E quando os veros são misturados aos falsos do mal, não são mais veros, mas falsificados, e os veros falsificados são em si mesmos falsos. [2] Esses falsos havia na nação judaica, mas os falsos que havia nas nações probas eram falsos de outro gênero; esses falsos são significados pelo ‘vinagre’ [acetum], mas aqueles pelo ‘fel’ e pelo ‘vinho com mirra’, nos Evangelhos: “Vindo ao lugar que é chamado Gólgota... deram” a Jesus “vinagre misturado com fel, mas, provando, não quis beber”. ...Quando era crucificado, um, correndo e tomando uma esponja, e enchendo-a de vinagre e pondo em volta de uma cana, deu-Lhe a beber” (Mt. 27:33, 34, 48; Mc. 15:23, 36). “Depois destas coisas, sabendo Jesus que todas as coisas já estavam consumadas, para que se cumprisse a Escritura, disse: Tenho sede. E estava posto [ali] um vaso cheio de vinagre, e encheram uma esponja e envolveram um hissopo e aplicaram à Sua boca; e quando tomou o vinagre, disse, Está consumado” (Jo. 19:28-30). Todas e cada uma das coisas que são relatadas nos Evangelhos a respeito da paixão do Senhor significam, no sentido espiritual, o estado da igreja de então relativamente ao Senhor e à Palavra, pois o Senhor era a Palavra, por ser o Divino Vero, e os judeus trataram o Senhor assim como tratavam a Palavra ou o Divino Vero (sobre esse assunto, vide acima, n. 64 e 195). Que tenham dado ao Senhor ‘vinagre misturado com fel’, que foi também chamado ‘vinho com mirra’ significava a qualidade do Divino Vero proveniente da Palavra que havia na nação judaica, a saber, misturado ao falso do mal e, assim, inteiramente falsificado e adulterado. Que não tenha querido beber isso, mas que, depois, tenham dado ao Senhor vinagre numa esponja envolvida num hissopo significava o falso que havia nas nações probas, que era o falso proveniente da ignorância do vero, no qual havia o bem e o que é útil. Esse falso, visto que foi aceito pelo Senhor, por isso Ele bebeu. Pelo ‘hissopo’ que envolveram é significada a sua purificação. Que o Senhor tenha dito: ‘Tenho sede’ significa a sede espiritual, que é do Divino Vero e Bem na igreja, pelo que o gênero humano é salvo. (Sobre o falso do mal que havia na nação judaica e o falso da igreja em que há o bem, que havia nas nações probas, vide a Doutrina da Nova Jerusalém, n. 21). [3] Algo semelhante é significado pelo ‘fel’ e pelo ‘vinagre’ em David: “Deram-me fel por comida, e em Minha sede deram-Me a beber vinagre. Torne-se a sua mesa diante deles um laço, e por retribuições uma armadilha; escureçam-se os seus olhos, para que não vejam, e seus lombos sejam continuamente sacudidos” (Sl. 69:21-23); aqui, por ‘fel’, ‘vinagre’ e ‘sede’ são significadas coisas semelhantes às de cima, porquanto foram ditas a respeito do Senhor; pela ‘mesa’, que será para eles por ‘laço’, é significada o afastamento quanto a todo vero da doutrina proveniente da Palavra, pois a ‘mesa’ é citada em lugar de toda comida espiritual, e a comida espiritual significa tudo da doutrina da Palavra. Pelos ‘olhos’ que serão escurecidos para que não vejam é significado o entendimento do vero; pelos ‘lombos’ que são pisados é significada a vontade do bem e a sua conjunção com o entendimento do vero; isto é significado pelos ‘lombos’ também em outras passagens na Palavra. [4] Nas Lamentações: “Saciou-me com coisas amargas, embriagou-me com absinto;... por isso disse: Pereceu a minha vitória, e a minha esperança em Jehovah. Lembra de minha miséria e do meu lamento, do absinto e da cicuta” (Lm. 3:15, 18, 19). Essas palavras também são a respeito do Senhor. Que na igreja que então havia com os judeus o Senhor não tenha achado outra coisa senão falsos e veros falsificados é significado por ‘terem-No saciado com coisas amargas e O embriagado com absinto’; o ‘absinto’ é o falso do mal misturado aos veros, assim falsificado. A luta do Senhor contra os infernos e a falta de esperança de que a nação judaica pudesse jamais ser levada a receber e reconhecer os veros são significadas por ‘pereceu a minha vitória, a minha esperança em Jehovah. Lembra da minha miséria, do absinto e da cicuta’. Com efeito, os espíritos que estão nos falsos do mal, e até nos veros do sentido da letra da Palavra, resistem por longo tempo antes de serem subjugados e lançados no inferno. A razão disso é que pelos veros eles têm comunicação com o céu, e esse comunicação e, daí, a conjunção, devem ser rompidas e tiradas antes que sejam lançados. Isto envolve a falta de esperança acerca da vitória, tal como a teve o Senhor na cruz, quando disse: ‘Tenho sede’ e Lhe deram a beber vinagre. [5] Em Jeremias: “Jehovah Deus nos cortou, e nos deu a beber águas de fel” (Jr. 8:14); no mesmo: “Eis que Eu lhes dou a comer, a este povo, absinto, e lhes dou a beber águas de fel. E os dispersarei entre as nações, e enviarei após eles a espada, até que os consuma” (Jr. 9:15, 16); no mesmo: “Eis que Eu lhes dou a comer absinto, e lhe dou a beber águas de fel, porque dos profetas de Jerusalém saiu hipocrisia em toda a terra” (Jr. 23:15). Essas também foram ditas a respeito da nação judaica, que de mil maneiras perverteu a Palavra, falsificou o seu vero e adulterou o seu bem. Pelo ‘absinto’ é significado o mal do falso, e por ‘águas de fel’ o falso do mal, ambos misturados com os veros e bens da Palavra. Que eles tenham estado, por si e por seu coração, nos males e, daí, nos falsos é significado por ‘Jehovah lhe dar a comer absinto e a beber águas de fel’, porque a Jehovah, isto é, ao Senhor, são atribuídos o mal e o falso, os quais, todavia, são do homem mesmo, como ocorre muitas vezes em outras passagens, pelos motivos de que se falou várias vezes acima. Pela ‘hipocrisia que saiu dos profetas de Jerusalém’ é significada a mistura de tais falsos e veros, porque falaram os veros e ensinaram os falsos. Falaram os veros quando o fizeram pela Palavra, e ensinaram os falsos quando o fizeram por si e por sua doutrina. A sua destruição pelos males do falso e pelos falsos do mal é significada por ‘dispersá-los-ei entre as nações, e enviarei após eles a espada’; ‘dispersar entre as nações’ significa destruir pelos males do falso, e ‘enviar a espada após eles’ significa destruir pelos falsos do mal. (Que as ‘nações’ signifiquem os males, vide acima, n. 175 e 331; e que a ‘espada’ signifique a luta do vero contra o falso e a luta do falso contra o vero e a sua destruição, também acima, n. 131 e 367). [6] Em Amós: “Eis que Jehovah... ferirá a casa grande com aspersões, ??? e a casa pequena com rupturas. Acaso correm os cavalos na rocha? Acaso lavrará [alguém] com bois? Quando convertestes em fel o juízo, e o fruto da justiça em absinto” (Am. 6:11, 12); no mesmo: “Convertem em absinto o juízo, e põem abaixo a justiça na terra” (Am. 5:7); que ‘Jehovah ferirá a casa grande com aspersões ??? e a casa pequena com rupturas’ significa a muita perversão e falsificação do vero com os eruditos e alguma com os pouco ilustrados; a ‘casa grande’ significa o homem erudito, e a ‘casa pequena’ o homem pouco ilustrado; as ‘aspersões’ significam os veros destruídos pelos falsos, e as ‘rupturas’ semelhantemente, mas num grau menor. Que não haja entendimento do vero e vontade do bem onde há o falso do mal é significado por ‘acaso correm os cavalos na rocha? Acaso lavrará [alguém] com bois?’; pelos ‘cavalos que correm’ é significado o entendimento do vero, e pelos ‘bois que lavram’ a vontade do bem. Que isto seja decorrente de terem falsificado os veros e adulterado os bens da Palavra é significado por ‘quando convertestes em fel o juízo, e o fruto da justiça em absinto’; ‘juízo’ significa o vero da Palavra, e ‘fruto da justiça’ o seu bem. [7] Que tais tenham sido os filhos de Jacob, que foram chamados israelitas e judeus, é o que Moisés declara abertamente no cântico, no qual eles são descritos por estas palavras: “Da videira de Sodoma é sua videira, e dos campos de Gomorra; suas uvas são uvas de fel, têm cachos de amargor; veneno de dragões é o seu vinho, e fel cruel de áspide” (Dt. 32:32, 33); pela ‘videira’ é significada a igreja, que é dita ser ‘da videira de Sodoma e dos campos de Gomorra’ porque por ‘Sodoma’ são significados todos os males que brotam do amor de si, e por ‘Gomorra’ todos os falsos desses males; pelas ‘uvas’ são significados os bens da igreja, e pelos ‘cachos’ os veros da igreja. Que em lugar dos bens da igreja eles tenham males péssimos e falsos misturados aos veros é significado por ‘suas uvas são uvas de fel, e têm cachos de amargor’; pelo ‘vinho’ é significado o vero e bem da fé. Que isto seja o externo no qual há mal do interior é significado por ‘veneno de dragões é o seu vinho, e fel cruel de áspide’. (Que tais tenham sido os filhos de Jacob, ainda que com eles tenham havido a igreja, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 248). [8] Que o ‘fel’ e o ‘absinto’ signifiquem o mal e o falso misturados com o bem e o vero, vê-se ainda por estas palavras em Moisés: “Para que não haja entre vós varão ou mulher, ou família ou tribo, cujo coração hoje se desvie de Jehovah nosso Deus, indo a servir aos deuses das nações, nem haja entre vós raiz que produza fel e absinto” (Dt. 29:18); aqui, também, por ‘fel’ e ‘absinto’ é significada a mistura do bem e do vero com o mal e o falso, o que acontece quando se adora a outros deuses de coração e a Jehovah somente de boca. Então o externo soa como o bem e aparece como o vero, mas o interno é o mal e o falso; e quando os interiores são males e falsos e os exteriores bens e veros, então há mistura de uns e outras, e então o bem se torna fel e o vero se torna absinto. É semelhante quando o homem de coração odeia o próximo e nega os veros da igreja e, todavia, exteriormente testifica a caridade para com o próximo e professa os veros da igreja. Então há nele a raiz que produz fel e absinto, pois permite ??? os males e falsos do interior os mistura aos bens e veros que professa nos externos. [9] Em Jó: “Se o mal fosse doce em sua boca, se o escondesse sob sua língua, o retivesse e não o deixasse, mas o contivesse em seu palato, seu pão se mudaria nas vísceras, fel de áspide em seu meio; absorveu riquezas e as vomitará; do ventre dele Deus as expelirá; veneno de áspide [sorverá], língua de víbora o matará” (Jó 20:12-16); assim é descrita a hipocrisia, pela qual o homem fala coisas santas e simula afeições boas, e, todavia, interiormente nega e blasfema. Qual é ele interiormente descreve-se por ‘esconde o mal sob a língua, e o mantém em seu palato’. Que daí o bem seja infectado pelo mal e expelido é significado por ‘seu pão será mudado nas vísceras, e fel de áspide no meio’; o ‘pão’ é o bem do amor, e ‘nas vísceras’ é interiormente; ‘fel de áspide’ é o bem misturado com o mal. Que o vero seja semelhantemente expelido pelo falso é significado por ‘absorveu riquezas, e as vomitará, e de seu ventre Deus as expelirá’. Esse falso se entende pelo ‘veneno de áspide’. [10] Cumpre saber que o bem e o mal, assim como vero do bem e o falso mal, são misturados quando o mal e o falso estão no espírito do homem mas o bem e o vero nos fatos e na linguagem de seu corpo. Mas o que está no espírito do homem, isto é, o que está interiormente, isto atua no que é do corpo, ou no que está interiormente, pois influi e faz que o exterior, que aparece como o bem e o vero, ainda que seja como fel e como amargo absinto, se apresente, todavia, doce perante o homem. E visto que tal é o bem e o vero de sua boca e linguagem, por isso, após a morte, quando se torna espírito, o bem é separado do mal e o falso do vero, e o bem e vero são tirados, e assim o espírito se torna seu mal e falso. Cumpre saber, porém, que essa mistura de bem e mal, e de vero e falso, não é a profanação do bem e do vero; a profanação existe somente naqueles que primeiro receberam de coração e fé o vero e o bem e depois os negaram de coração e fé.