. “E a terça parte tornou-se absinto”. Que isto signifique que tal se tornou todo vero no entendimento e na doutrina vê-se pela significação de ‘terça parte’, que é tudo, aqui, todo vero no entendimento e na doutrina, pois se diz a respeito dos ‘rios’ e das ‘fontes de águas’, pelos quais é significado o entendimento do vero e a doutrina da Palavra; (que ‘terça parte’ signifique tudo vê-se acima, n. 506); e pela significação de ‘absinto’, que é o vero misturado com o falso do mal (de que se tratou no artigo logo acima). Por aí se pode ver que ‘a terça parte tornou-se absinto’ significa que todo vero no entendimento e na doutrina foi misturado com o falso do mal. O vero é misturado ao falso do mal quando os males da vida, que são os adultérios, as escortações, os homicídios, os ódios de vários gêneros, as inimizades, as injustiças por causa do lucro, os furtos e latrocínios astutos e clandestinos, a astúcia, o dolo e coisas semelhantes, são confirmados pelo sentido da letra da Palavra. É semelhante em relação aos falsos da religião por aqueles que estão no amor de si, e, daí, no orgulho da própria inteligência. Que então os veros sejam misturados com os falsos do mal é porque todas as coisas da Palavra são veros, mas, quando aplicados e levados a confirmar os males da vida e os princípios falsos da religião, então os veros da Palavra são misturados com os falsos do mal, pelo que os veros mesmos não são mais veros, mas veros falsificados, que em si são falsos. Para que permaneçam veros, os veros do sentido da letra da Palavra devem ser aplicados para confirmar os bens da vida e para confirmar os princípios verdadeiros da religião. Se forem extraídos e tirados para aquela aplicação como finalidade, não são mais veros, porque não percepção alguma do vero neles. A percepção do vero vem do bem, mas não do mal. [2] Com efeito, em cada coisa da Palavra há um casamento do vero e do bem; por isso, se nos veros da Palavra não houver o bem do percepiente, os veros estão sem seu consorte, e podem ser aplicados a quaisquer cobiças do mal e a quaisquer princípios falsos, e assim se tornam falsos do mal. Assim são falsificados os veros da Palavra por todos aqueles que estão no orgulho da própria inteligência pelo amor de si, pois interiormente reinam males de todo gênero, oriundos do amor de si e falsos de todo gênero, oriundos do orgulho da própria inteligência daí, mas exteriormente, na linguagem e na pregação, estão os veros da Palavra, que soam como veros perante aqueles que estão num bem simples, enquanto interiormente, na linguagem ou na pregação, proliferam falsos de todo gênero. O vero da Palavra neles é como um vaso puro e brilhante, no qual há águas impuras que não transparecem pelo vaso diante daqueles que estão no bem simples, mas manifestamente diante dos anjos do céu.