. Como todos os números na Palavra significam coisas e estados, e números compostos tiram suas significações dos números simples que os compõem, e os números simples são principalmente dois, três, cinco e sete, importa mostrar o que esses números significam na Palavra. Aqui, o que significa o ‘três’, porquanto é dito ‘Ai, ai, ai, por causa das vozes de trombeta dos três anjos que hão de tocar’. (Que todos os números na Palavra signifiquem alguma coisa e algum estado vê-se acima, n. 203 e 429; e que os números maiores e reunidos signifiquem o mesmo que os números simples de que resultam por multiplicação, e que os números simples sejam dois, três, cinco e sete, vê-se também acima, n. 430).
[2] Que ‘três’, na Palavra, signifique o que é pleno e completo, e, assim, um período inteiro, maior ou menor, do princípio ao fim, pode-se ver pelas seguintes passagens. Em Isaías:
“Dentro de três anos, tais como os anos do diarista, envilecerá a glória de Moab em toda grande multidão, mas o restante será pequeno e não forte” (Is. 16:14);
por ‘Moab’ aí entendem-se os que estão nos falsos do mal; por ‘sua glória’ e por ‘sua grande multidão’ entendem-se esses falsos; por ‘três anos’, dentro dos quais envileceria a glória, é significado o que é completo e consumado; por isso se diz que ‘então o restante seria muito pequeno’ ???, pelo que é significado que não existia mais. Dizem-se ‘três anos’, e por eles se entende o que está consumado, assim, do princípio ao fim. Cumpre saber que o mesmo é significado por ‘três anos’, ‘três meses’, ‘ três semanas’, ‘três dias’ e ‘três horas’, porquanto os ‘tempos’ no mundo espiritual significam estados, e ‘três tempos’, sejam maiores ou menores, significam um estado pleno.
[3] No mesmo:
“Assim como o Meu servo Isaias andou nu e descalço por três anos, por sinal e prodígio sobre o Egito e sobre Cush , assim o rei da Assíria conduzirá o cativeiro do Egito, e a multidão deportada de Cush, meninos e velhos, o nu e o descalço” (Is. 20:3, 4);
por ‘Egito’ e por ‘Cush’ não se entendem o Egito e Cush, mas pelo ‘Egito’ se entende o externo ou natural quanto ao conhecimento, e por ‘Cush’ o externo ou natural quanto ao culto; estes, quando estão sem o interno ou espiritual, estão também sem o vero e o bem, pois todo vero e bem que pertence ao homem natural ou externo é do influxo do Senhor por meio do homem espiritual, e quando está sem o vero e o bem, o homem natural ou externo, quanto às coisas que há ali, como um homem ‘nu e descalço’. Que haverá somente raciocínios dos falsos, e que esses destroem, é significado por ‘o rei da Assíria conduzirá o cativeiro do Egito, e a multidão deportada de Cush, nua e descalça’. Que pereceria toda inocência e toda sabedoria é significado pelo ‘meninos e velhos’ que o ‘rei da Assíria conduziria’. A destruição total e plenária deles e foi representada pelo profeta que ‘andou nu e descaço por três anos’; ‘três anos’ significam o período inteiro, do princípio ao fim, por conseguinte, a total destruição.
[4] Em Oséias:
Jehovah “vivificará depois de dois dias, no terceiro dia nos erguerá” (Os. 6:2);
‘vivificar depois de dois dias e erguer no terceiro dia’ significa reformar e restaurar a igreja; o ‘terceiro dia’ significa a plena reforma e restauração, pelo que se diz que então ‘erguerá’. Vê-se que não se entendem dois dias nem três dias.
[5] Como o número ternário significava o que é completo até o fim, por isso esse número foi adotado na igreja representativa e empregado todas as vezes que isso era representado, como se pode ver pelas seguintes passagens na Palavra:
Que fossem em jornada de três dias e sacrificassem (Êx. 3:18; 5:3);
Que no terceiro mês após a saída do Egito tenham chegado ao monte Sinai (Êx. 19:1);
Que foi ordenado que se preparassem para o terceiro dia, porque no terceiro dia Jehovah desceria sobre o monte Sinai (Êx. 19:11, 15, 16, 18);
Que durante três dias tenha havido trevas na terra do Egito (Êx. 10:22, 23); Que por três anos seriam incircuncisos os frutos de árvore plantada na terra de Canaan (Lv. 19:23-25);
Que nada deixassem da carne do sacrifício para o terceiro dia (Lv. 7:16-18; 19:6, 7);
Que espargissem sobre o imundo a água da separação no terceiro dia e no sétimo dia (Nm. 19:11-22);
Que aqueles que tocassem um morto se purificassem no terceiro dia e no sétimo dia (Nm. 31:19-25);
Que Josué tenha ordenado ao povo que dentro de três dias passassem o Jordão (Js. 1:11; 3:2);
Que três vezes Jehovah tenha chamado Samuel, e três vezes este correu a Eli, e na terceira vez Eli entendeu que Jehovah tinha chamado Samuel (I Sm. 3:1-8);
Que Jonathan tenha dito a David que se escondesse no campo na terceira tarde, e que depois Jonathan, ao lado de uma pedra, tenha lançado três flechas; e que, depois disso, David se tenha três curvado à terá, diante de Jonathan (I Sm. 20:5, 12, 19, 20, 35, 36, 41);
Que três propostas tenham sido feitas a David, para que escolhesse uma delas, isto é, que haveria fome por sete anos, ou que ele fugiria dos adversários por três meses ou que haveria peste na terra por três dias (II Sm. 24:11-13);Que Elias se tenha medido sobre o filho da viúva três vezes (I Re 17:21);
Que Elias tenha dito que derramassem água sobre o holocausto e sobre a lenha três vezes, e três vezes eles derramaram (I Re. 18:34);
Que Jonas tenha estado no ventre da baleia por três dias e três noites (Jn. 1:17; Mt. 12:40);
Que Daniel tenha passado três semanas pranteando (Dn. 10:2-4);
Que o ano terceiro fosse o ano dos dízimos (Dt. 26:12);
Que o Senhor tenha falado, a respeito do homem que plantou uma vinha, que este enviou os servos três vezes e depois o Filho (Mc. 12:2, 4-6; Lc. 20:12, 13);
Que o Senhor tenha dito a Pedro que antes que o galo cantasse duas vezes ele O negaria três (Mt. 26:34, 69 ao fim; Lc. 22:34, 57-61; Jo. 13:38);
Que o Senhor tenha dito a Pedro três vezes: “Amas-Me?” e “apascenta Meus cordeiros e Minhas ovelhas”, e que na terceira vez Pedro se entristeceu (Jo. 21:15-17);
Que o Senhor tenha dito que “o reino dos céu é semelhante ao fermente que uma mulher, tomando, escondeu em três medidas até que tudo fermentasse (Mt. 13:33; Lc. 13:21);
Que o Senhor tenha dito “faço curas hoje e amanhã, e no terceiro dia serei consumado” (Lc. 13:32, 33);
Que o Senhor tenha dito que estaria no coração da terra por três dias e três noites (Mt. 12:40);
Que tenha dito que no terceiro dia ressurgiria (Mt. 16:21; 17:22, 23; 20:18, 19; Lc. 18:32, 33; 24:46);
Que tenha dito que destruiria o Templo de Deus e por três dias o edificaria (Mt. 26:61; 27:40; Jo. 2:19, 20);
Que Jesus tenha orado três vezes no Gethsemani (Mt. 26:39, 42, 44);
Que tenha sido crucificado na hora terceira (Mc. 15:25);
Que então tenha havido trevas sobre toda a terra por três horas, da hora sexta até a nona, e que então tenha dito “Está consumado” e tenha expirado (Mt. 27:45; Mc. 15:33, 37; Jo. 19:30);
Que o Senhor tenha ressuscitado no terceiro dia (Mt. 28:1; Mc. 16:2; Lc. 24:1; Jo. 20:1).
[6] Por aí se pode ver que o número ternário significou o que é consumado ou completo até o fim, por conseguinte, um período interior, maior ou menor, do princípio ao fim. Desse número simples, muitos números compostos tiram suas significações, por exemplo: 6, 9, 12, 60 e 72, os quais, por isso, significam todos os veros e bens em conjunto. Dá-se de modo semelhante com os números 30, 300 e 3.000, porque os números compostos tiram suas significações de números simples de que se compõem, como se disse acima, neste artigo. Cumpre saber, além disso, que o número ternário ou ‘três’, na Palavra, é atribuído aos veros, enquanto ‘dois’ e ‘quatro’ se atribuem aos bens. A razão disso que é ‘dois’ e ‘quatro’ significam a conjunção, mas ‘três’ a plenitude, e a conjunção espiritual é o amor, e todo bem é do amor, e a plenitude espiritual é formada pelos veros. Quem não sabe que todos os números na Palavra têm significação não pensa e crê de outro modo senão que onde se dizem ‘dois e três’ e ‘três e quatro’ na Palavra entendem-se dois e três, ou poucos, e não todos os que estão no bem e vero, como nas passagens seguintes.
[7] Em Isaías:
“Sejam deixados nele respigos, como no sacudir de uma oliveira; duas, três bagas na cabeça do ramo; quatro, cinco nos ramos da frutífera” (Is. 17:6);
trata-se aí da vastação da igreja, e isto se diz dos poucos restantes que estão no bem e vero. Foi feita comparação com o sacudir da oliveira porque pela ‘oliveira’ é significada a igreja quanto ao bem do amor, e pelos ‘ramos’ os veros daí. ‘Duas, três’ significam os poucos que estão no bem e, daí, nos veros, ‘dois’ no bem e ‘três’ nos veros; e ‘quatro, cinco’ significam os poucos que estão no bem, ‘quatro’ os que estão no bem e ‘cinco’ os poucos. E como ‘quatro, cinco’ significam os poucos que estão no bem, por isso se diz ‘quatro, cinco nos ramos da frutífera’; a ‘oliveira frutífera’ significa os da igreja que estão no bem quanto à vida. Como tais coisas sejam significadas por esses números, por isso se diz ‘duas, três’ e ‘quatro, cinco’ e não ‘duas e três’ e ‘quatro e cinco’.
[8] Em Amós:
“Duas, três cidades vagaram para uma cidade e para beber águas, todavia não se saciaram” (Am. 4:8);
trata-se aí da falta de vero no fim da igreja; que então os que desejam o vero por uma afeição espiritual não haviam de encontrar vero algum nas doutrinas onde quer que inquirissem, por isso se diz que ‘vagariam duas, três cidades a uma cidade para beber águas, todavia não se saciariam’; por ‘duas, três cidades’ são significados os que estão na afeição do vero pelo bem; pela ‘cidade’ é significado o vero da doutrina; por ‘tirar águas’ é significado para aprender os veros; por ‘vagar’ é significado inquirir, e por ‘não se saciar’ é significado não achar vero que em si é vero. Diz-se ‘duas, três cidades’ porque por ‘duas, três’ são significados os que estão no bem e, daí, nos veros.
[9] Em Zacarias:
“Acontecerá em toda a terra [que] duas partes nela serão cortadas, expirarão, e a terceira será deixada nela. Levarei, todavia, a terceira parte pelo fogo... e os provarei” (Zc. 13:8, 9);
trata-se aqui, semelhantemente, da vastação da igreja quanto ao bem. Que todo bem haveria de perecer entende-se por ‘em toda a terra, duas partes nela serão cortadas e expirarão’; ‘em toda a terra’ é em toda a igreja, e ‘duas partes’ significam todo o bem. Que algum vero haveria de restar, mas algum vero genuíno, é significado por ‘a terceira parte será deixada nela; levarei, todavia, a terceira parte pelo fogo e provarei’. A ‘terceira parte’ significa os veros restantes; que seriam provados quanto a serem genuínos é significado por ‘serão conduzidas pelo fogo’; provar ‘pelo fogo’ é pela afeição que é do amor; se com isso o vero não concorda, não é o vero genuíno, porque pelo ‘fogo’, na Palavra, é significado o amor. Na igreja, quando o bem do amor perece, também o vero deixa de ser vero, porque todo vero tem sua essência do bem.
[10] Por aí se pode ver o que é significado por estas palavras do Senhor em Mateus:
“Onde dois e três estiverem congregados em Meu nome, aí estou no meio deles” (Mt. 18:20);
aí não se entendem dois e três, mas aqueles que estão no bem e nos veros daí; pelo ‘nome do Senhor’ não se entendem tampouco o Seu nome, mas todo bem do amor e vero da fé, pelo que Ele é cultuado (vide acima, n. 102 e 135).
[11] Por aí é também evidente o que é significado pelas palavras do Senhor em Lucas:
“Estarão doravante cinco divididos em uma casa, três contra dois e dois contra três” (Lc. 12:52).
Por essas palavras entende-se que após o advento do Senhor, quando Ele tornou-Se conhecido e os interiores da Palavra foram revelados por Ele e com Ele, haverá na igreja, tanto na geral quanto no homem da igreja em particular, um dissídio entre o bem e o vero, e entre o vero e o bem. Isto se entende por ‘numa casa estarão divididos três contra dois e dois contra três’; por ‘casa’ entende-se a igreja no geral e no homem da igreja em particular; por ‘três’ são significados os veros, e por ‘dois’ os bens. Que seja dito que ‘cinco estarão divididos’ significa tal dissídio haverá naqueles que são reformados. Por isso também se segue:
“O pai será dividido contra o filho, e o filho conta o pai; a mãe contra a filha e a filha contra mãe” (Lc. 12:53),
pois ‘pai’ significa o bem celeste, ‘filho’ o vero da igreja, ‘mãe’ o vero da igreja e ‘filha’ o seu bem. Quem não pode ver que os números cinco, dois e três não teriam sido ditos se não significassem? ‘Cinco’, na Palavra, significa todos eles que se segue ‘dois’ e três’, mas ‘cinco’ significa alguns e poucos quando ‘dez’ ou ‘vinte’ precede ou segue.
[12] Coisas semelhantes se entendem no preceito do Decálogo pela
“Terceira e quarta geração” ou pelos “filhos terceiros e quartos” sobre os quais Deus visitaria a iniquidade dos pais (Êx. 20:5; Nm. 14:18; Dt. 5:9, 10);
por ‘terceira e quarta geração’ são significados todos os que estão nos falsos do mal; por ‘terceira geração’ os que estão nos falsos do mal, e por ‘quarta geração’ os que estão nos males do falso, porque ‘três’, no sentido oposto, significa os falsos, e ‘quatro’ os males. Quem não vê que seria contra a justiça Divina visitar a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração? Pois o Senhor ensina que
“A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade dos pais, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo será sobre ele, e a impiedade do ímpio sobre ele será” (Ez. 18:20; Dt. 24:16; II Re. 14:6).
Daí também é evidente que por ‘terceira e quarta geração’ não se entendem a terceira e a quarta gerações, mas o que esses números significam. Coisas semelhantes são significadas em Amós por
“Três e quatro prevaricações” (Am. 1:3, 6, 9, 11, 13; 2:1, 4, 6).
Por aí se pode ver quantos arcanos se encerram na Palavra somente nos seus números, os quais ninguém pode saber sem o interno espiritual.
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