. (Vers. 3) “E da fumaça saíram gafanhotos na terra”. Que isto signifique que dos falsos infernais fizeram-se sensuais corpóreos na igreja vê-se pela significação de ‘fumaça’, que é o falso infernal (de que se tratou acima, n. 539); (que seja o falso infernal que é aqui significado pela ‘fumaça’ é porque logo acima foi dito que essa fumaça ‘subiu do poço do abismo’, e o ‘poço do abismo’ significa o inferno, onde há e de onde vêm os falsos do mal que falsificam os veros da Palavra); pela significação de ‘gafanhotos’, que é o último do homem sensual que está no falso do mal (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘sair da terra’, que é na igreja, pois ‘terra’, na Palavra, significa a igreja. De fato, as que estão contidas no Apocalipse foram preditas a respeito da igreja e de seu estado. [2] Que o ‘gafanhoto’ signifique o último do homem sensual que está no falso do mal pode-se ver por todas e cada uma das coisas que são ditas neste capítulo até o versículo 12, por cuja explicação pode-se ver que nenhuma outra coisa se entende pelos ‘gafanhotos’. Mas dir-se-á primeiro aqui o que se entende pelo último do homem sensual. Não se entende o sensual da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato, pois essas são próprias do corpo, mas o último do pensamento e da afeição que se abre pela primeira vez nas crianças; esse último é tal que elas não pensam outra coisa nem são afetadas por outros objetos senão os que fazem um com os sentidos nomeados, pois as crianças aprender a pensar pelos sentidos e são afetadas pelos objetos segundo as coisas que aprazem aos sentidos. Por isso, o primeiro interno que é aberto nelas é o sensual que se chama último do homem sensual e, também, sensual corpóreo. Em seguida, porém, quando a criança cresce se se torna menino, abre-se o sensual interior, pelo qual pensa naturalmente e também é afetado naturalmente. Finalmente, quando se torna adolescente e jovem, o seu sensual se abre ainda mais interiormente, pelo qual ela pensa racionalmente e, se estiver no bem da caridade e da fé, espiritualmente, e também é afetada racional e espiritualmente. Esse pensamento e essa afeição são chamados homem racional e espiritual, mas a anterior se chama homem a natural e a primeira, homem sensual. [3] Em cada homem, os interiores que são de seu pensamento e de sua afeição se abrem sucessivamente, e isto pelo influxo contínuo do céu desde o Senhor. Por esse influxo é formado primeiro o sensual proximamente aderente ao corpo, donde o homem se torna sensual; em seguida, naturalmente, donde se torna natural; e depois racionalmente e, com isso, espiritualmente, donde se torna homem racional e espiritual, mas este na proporção em que o homem pensa em Deus e nas coisas Divinas, que vêm de Deus. E ele é formado e aperfeiçoado na medida em que é afetado por estes, isto é, na medida em que quer e vive segundo eles. Se, porém, isto não acontece, então o homem espiritual é aberto geralmente, mas não formado e ainda menos aperfeiçoado. Pelo fato de o homem espiritual ser aberto geralmente há para o homem a faculdade de pensar e, pelo pensamento, de falar racionalmente, pois isto é o efeito geral do influxo do céu em cada homem. Daí se pode ver que os pensamentos e as afeições do homem são espirituais, bem como naturais e também sensuais, e que os pensamentos e as afeições espirituais estão naqueles que pensam por Deus em Deus e nas coisas Divinas, mas os pensamentos e as afeições somente naturais estão naqueles não pensam por Deus em Deus e nas coisas Divinas, mas somente por si ou pelo mundo a respeito de si mesmo ou do mundo. Cumpre saber que pensar por si ou pelo mundo não é pensar por estes, mas pelo inferno, pois quem não pensa por Deus pensa pelo inferno. Ninguém pode pensar ao mesmo tempo por um e outro. Aqueles, porém, que negam a Deus e, daí, as coisas Divinas que são do céu e da igreja, e se confirmam contra elas, tornam-se, todos, homens sensuais, mais ou menos, segundo as confirmações. Pensam somente falsos quando pensam sobre as coisas espirituais e são afetados pelos males. E, se pensam em quaisquer veros, quer sejam espirituais, morais ou civis, é somente por conhecimento tais que existem na memória, e nada vêm das causas adicionais próximas que também podem confirmar. E, se são afetados pelos bens, é somente por causa do prazer por causa de si ou do mundo, assim, pela cobiça que pertence ao amor de si, ou a que pertence ao amor do mundo. O pensamento sensual do homem é o que se chama pensamento material, e a sua afeição é que se chama afeição corpórea, que é a cobiça. [4] Cumpre saber, além disso, que todos os males que o homem deriva dos pais, males esses que se chamam hereditários, jazem em seu homem natural e sensual, mas não no espiritual. Assim é que o homem natural, e principalmente o sensual, é oposto ao homem espiritual, pois o homem espiritual é fechado na infância e somente é aberto e formado pelos Divinos veros recebidos pelo entendimento e pela vontade. E na medida e na qualidade em que ele é aberto e formado, assim são removidos os males naturais e sensuais do homem, e em seu lugar são implantados os bens. Como todos os males jazem no homem natural e sensual, segue-se que também os falsos ali estão, pelo fato de todos os falsos pertencerem ao mal, pois quando o homem quer e pensa pelo mal, pena e fala pelo falso. Isto é porque o mal da vontade, quando se forma no pensamento, para que manifeste aos outros ou a si tal como é, é chamado falso, pelo que o falso é a forma do mal, assim como o vero é a forma do bem. Por aí se pode ver o que é e qual é o homem que se chama homem sensual, e que o homem se torna sensual quando os males em nasce prossegue na ação, e por si mesmo acrescenta outros a si. Na medida em que isto acontece, e se o homem se confirma neles, na mesma medida o homem espiritual se mantém fechado, e, sendo fechado, o homem natural e sensual nega as coisas Divinas que são do céu e da igreja, e somente reconhece as coisas que são do mundo e da natureza. Então o homem sensual é tão cego que em nada crê a não ser no que vê com os olhos e toca com as mãos. Tais são muitos dos eruditos, por mais que se achem inteligentes e sábios, porque podem falar pelos conhecimentos que se acham na memória, e isto em aparência como o homem racional, porque a mente espiritual neles, como em cada homem, está geralmente aberta, como foi dito acima. [5] Como no que agora se segue neste capítulo trata-se muitas vezes de ‘gafanhotos’ e por eles é significado o sensual, que é o último ou extremo do homem natural, importa que se sabia plenamente o que é e qual é esse sensual, e, assim, o que é e qual é o homem sensual. Por isso citar aqui, dos Arcanos Celestes, as coisas que foram ditas e mostradas a este respeito, que são as seguintes: O sensual é o ultimo da vida do homem, aderente e inerente ao seu corpo, n. 5077, 5767, 9212, 9216, 9331 e 9730. Ele é chamado homem sensual porque julga todas as coisas pelos sentidos do corpo, e em nada crê senão no que pode ver com os olhos e tocar com as mãos, dizendo que essas são alguma coisas, e rejeitando as demais, n. 5094 e 7693. Tal homem pensa nos extremos e não interiormente, por alguma luz espiritual, n. 5089, 5094, 6564 e 7693. Os interiores de sua mente, que veem pela luz do céu, acham-se fechados, de sorte que nada vê do que é do céu e da igreja, n. 6564, 6844 e 6845. Em suma, está no grosseiro lume natural e, assim, nada percebe do que vem da luz do céu, n. 6201, 6310, 6564, 6844, 6845, 6598, 6612, 6614, 6622 e 6624. Assim, é interiormente contra as coisas que são do céu e da igreja, n. 6201, 6317, 6844, 6845, 6948 e 6949. Os eruditos que se confirmaram contra os veros da igreja são sensuais, n. 6316. Os homens sensuais racionam viva e engenhosamente, pois o pensamento deles está tão perto da linguagem que quase está nela, e porque põem toda inteligência na linguagem pela memória somente, n. 195, 196, 5700 e 10236. Mas raciocinam pelas falácias dos sentidos, com as quais cativa o homem comum, n. 5084, 6948, 6949 e 7693. Os homens sensuais são astutos e maliciosos mais do que os outros, n. 7693 e 10236. Os avaros, adúlteros, voluptuosos e dolosos são principalmente sensuais, n. 6310. Os seus interiores são medonhos e imundos, n. 6201. Por estes comunicam-se com os infernos, n. 6311. Os que estão nos infernos são sensuais, e quanto mais o são, mais profundamente estão ali, n. 4623 e 6311. As esferas dos espíritos infernais se conjungem com os homens sensuais por trás, n. 6312. Os que raciocinaram pelos sensuais e, assim, contra os veros genuínos da fé, foram chama pelos antigos de ‘serpentes da árvore da ciência’, n. 195, 196, 197, 6398, 6949 e 10313. O homem sensual e o sensual do homem são descritos além disso, n. 10236. E a extensão do sensual no homem, n. 9731. Os sensuais devem estar no último lugar, não no primeiro; e no homem sábio e inteligente estão no último lugar e são sujeitos aos interiores, mas no homem não sábio estão em primeiro lugar e dominam, n. 5077, 5125, 5128 e 7645. Se os sensuais estiverem no último lugar, por eles é aberto o caminho para o entendimento, e os veros são aperfeiçoados pelo modo ??? de extração, n. 5580. Esses sensuais do homem ficam próximos ao mundo, e admitem as coisas que emanam do mundo e as peneiram, por assim dizem, n. 9726. Por eles o homem externo ou natural se comunica com o mundo, e pelos racionais, com o céu, n. 4009. Assim os sensuais fornecem as coisas que servem aos interiores que são da mente, n. 5077 e 5081. Há sensuais que fornecem à parte intelectual e há os que fornecem à parte voluntária, n. 5077. A menos que o pensamento seja elevado acima dos sensuais, o homem pouco sabe, n. 5089. O homem sábio pensa acima do sensual, n. 5089, 5094. Quando o seu pensamento é elevado acima dos sensuais, o homem vem a uma luz mais clara e, finalmente, à luz celeste, n. 6183, 6313, 6315, 9407, 9730 e 9922. A elevação acima dos sensuais e a abstração deles foram coisas conhecidas pelos antigos, n. 6313. O homem, em seu espírito, pode ver as coisas que estão no mundo espiritual, se puder ser abstraído das coisas sensuais que vêm do corpo, e ser elevado à luz do céu proveniente do Senhor, n. 4622. A razão disso é que não é o corpo que pensa, mas o espírito do homem no corpo, e quanto mais pensa no corpo, mais grosseira e obscuramente ele pensa e, assim, está nas trevas, mas quanto mais não pensa no corpo, mais claramente está na luz, n. 4622, 6614 e 6622. O último do entendimento é o conhecimento sensual, e o último da vontade é o prazer sensual, a cujo respeito se vê no n. 9996. A diferença entre as coisas sensuais em comum com as bestas e entre as coisas sensuais não em comum com elas, n. 10236. Há sensuais não de indivíduos maus, porque seus interiores não foram fechados; do estado deles na outra vida, n. 6311. [6] Que nenhuma outra coisa seja significada pelo ‘gafanhoto’ senão o sensual do homem, que foi agora descrito, pode-se ver também por outras passagens na Palavra onde os ‘gafanhotos’ são citados, como em Moisés: “Moisés estendeu seu cajado sobre a terra do Egito e Jehovah trouxe um vento oriental... todo o dia e toda a noite. Assim que houve a manhã, o vento oriental produziu gafanhoto. E o gafanhoto subiu sobre toda a terra do Egito, e esteve em todo termo do Egito, muito gravemente. Não houve antes nela tal gafanhoto, nem depois nela haverá. E cobriu a superfície de toda a terra, de modo que a terra se entenebreceu. E comeu toda erva da terra, e todo fruto da árvore, que a saraiva tinha deixado, de modo que não houve resto algum de verde na árvore e na erva do campo em todo o Egito”. E o gafanhoto encheu a casa do faraó, e a casa de todos os seus servos, e a casa de todos os egípcios. (Êx. 10:13-15, 16). Todos os milagres no Egito, assim como todos os milagres relatados na Palavra, envolvem e significam coisas espirituais que são do céu e da igreja; assim, as pragas egípcias significam pragas espirituais. Esta praga, a saber, a dos gafanhotões, significa a destruição de todo o homem natural pela irrupção do mal e do falso vindos do sensual. Pelo ‘Egito’ é significado o homem natural quanto ao conhecimento quanto à volúpia aí, e pelo ‘gafanhoto’ o falso e o mal do homem sensual que devasta o homem natural, isto é, daí expelindo e destruindo todo e vero e bem da igreja; por isso se diz que ‘subiu o gafanhoto sobre toda a terra do Egito e esteve no seu termo’; pela ‘terra do Egito’ é significado o homem natural nos homens da igreja, e por ‘seu termo’ é significado o sensual neles, pois o sensual é o último ou extremo do natural, pelo que é o seu termo. O ‘gafanhoto’ é o falso e mal aí. Como o falso e mal do homem sensual é gravíssimo, pois é corpóreo e terrestre, por isso se diz que esse gafanhoto era ‘muito grave’ e que ‘antes disso não houve tal, e depois disso não haverá tal’, e isto pelo fato de os egípcios terem estado na ciência das correspondências e daí terem conhecido as coisas que são do céu, mas as converteram em magia. Visto que o falso e mal aí, quando irrompe no homem natural, devasta-o totalmente, fazendo perecer todo vero e nem aí, por isso se diz que ‘o gafanhoto cobriu toda a superfície da terra, de modo que a terra se entenebreceu, e comeu toda a era do campo, e todo fruto da árvore’; a ‘terra do Egito’ é o natural nos homens da igreja; a ‘erva do campo’ é o vero aí, e o ‘fruto da árvore’ é o bem aí. O mesmo se entende também por o ‘gafanhoto ter enchido a casa do faraó, e dos seus servos, e de todos os egípcios’, pois a ‘casa do faraó, dos seus servos e de todos os egípcios’ significa a mente natural em toda a sua extensão, porque ‘casa’, na Palavra, significa os interiores do homem que pertencem à sua mente e espírito, sendo aqui as coisas que pertencem à mente natural. [7] Foi dito aqui que pelo ‘gafanhoto subindo em toda a terra do Egito’ é significada a irrupção do falso e do mal, do homem sensual no natural, quando, todavia, o homem natural é interior e o sensual é exterior, e não existe irrupção ou influxo do exterior no interior, mas do interior no exterior. Cumpre saber, portanto, que pela irrupção ou pelo influxo do homem sensual no natural entende-se o bloqueio do homem natural até que se torne semelhante ao sensual, donde a extensão do mal e do falso torna-se maior, e ambos se tornam semelhantemente corpóreos e terrestres. De outro modo, o homem aprende desde a infância a separar o homem sensual do natural por falar o vero e fazer o bem, ainda que pelo homem sensual ele pense no falso e queira o mal, e isto até que sejam completamente separados, o que ocorre quando o homem é reformado e regenerado pelo Senhor. Se, porém, não são separados, o homem não pode deixar de pensar e querer insanamente e, assim, insanamente falar e fazer. [8] Visto que pelo ‘gafanhoto’ aí é significado o sensual quanto ao falso e mal, ou, o que é o mesmo, o falso e mal do homem sensual, por isso o ‘gafanhoto’ e a ‘ninfa’ têm significação semelhante em David: “Enviou-lhes um enxame, que os consumiu, e rã, que os destruiu, e deu à ninfa o seu grão, e o seu trabalho aos gafanhotos” (Sl. 78:45, 46); e, no mesmo: “Disse que viessem gafanhotos e ninfas, e sem número, que comeram toda erva em toda a sua terra deles, e comeram o fruto em sua terra” (Sl. 105:34, 35). Aqui, porém, pelo ‘gafanhoto’ é significado o falso do homem sensual, e pela ‘lagarta’ o seu mal, ou o falso e mal no homem sensual e proveniente dele. Que este seja significado pela ‘lagarta’ e aquele pelo ‘gafanhoto’ é porque a ninfa também é gafanhoto, o que é evidente pelo fato de essas serem ditas por David a respeito dos gafanhotos no Egito, e, todavia, em Moisés se diz somente ‘gafanhotos’ e não ninfas. [9] O mesmo é significado pelo ‘gafanhoto’ e pela ‘ninfa’ também em Joel: “O resto da lagarta o gafanhoto comeu, e o resto do gafanhoto, o pulgão, e o resto do pulgão a ninfa comeu. Despertai, bêbados, e uivai, e todos os que bebem vinho, por causa do mosto que foi cortado de vossa boca” (Jl. 1:4, 5); e, em outra passagem, no mesmo: “As eiras estarão cheias de puro grão, e os lagares transbordarão de mosto e azeite, e vos compensarei pelos anos que o gafanhoto, o pulgão, a ninfa e a lagarta comeram, Meu grande exército que enviei entre vós” (Jl. 2:24, 25). Que esses animálculos nocivos signifiquem os falsos e males que devastam ou consomem os veros e bens no homem da igreja é evidente, porquanto se diz que ‘uivassem todos os que bebem vinho, por causa do mosto que foi cortado de sua boca’; ‘vinho’ e ‘mosto’ significam o vero da igreja; e também porque se diz que ‘as eiras estão cheias de grão, e os lagares transbordarão de mosto e azeite’, pois a ‘eira’ significa a doutrina da igreja, o ‘grão’ e o ‘azeite’ os seus bens, e o ‘mosto’ os seus veros. [10] Semelhantemente, em Naum: “O fogo te comerá, a espada te cortará, comer-te-á como a ninfa; multiplica-te como a ninfa, multiplica-te como o gafanhoto. Multiplicaste os teus mercadores mais do que as estrelas dos céus. A ninfa se espalhou e voou; teus coroados são como gafanhotos, e teus imperadores como o gafanhoto dos gafanhotos, que se acampam nas sebes no dia de frio; nasce o sol, assim voa, de modo que não se sabe o seu lugar, onde eles estão” (Na. 3:15-17). Essas palavras foram ditas a respeito da ‘cidade de sangues’, pela qual é significada a doutrina forjada de veros, assim, de falsos. A destruição dos que estão na fé e na vida segundo essa doutrina é significada por ‘o fogo te comerá, a espada de cortará’; pelo ‘fogo’ que comerá é significado o mal que destrói o bem, e pela ‘espada’ o falso que destrói o vero. E como se entendem o mal e o falso do homem sensual, por isso se diz ‘comer-te-á a ninfa; multiplica-te como a ninfa, multiplica-te como o gafanhoto; multiplicaste teus mercadores mais do que as estrelas dos céus’. Fala-se da multiplicação como ‘ninfa’ e como ‘gafanhoto’ porque as falsificações da Palavra na maior abundância são feitas por que aqueles que são sensuais, assim, pelo homem sensual, pois este é significado pela ‘ninfa’ e pelo ‘gafanhoto’, como foi dito acima. A razão pela qual o homem sensual falsifica mais do que outros a Palavra é porque o sentido último da Palavra, que é o sentido de sua letra, é para o homem natural e sensual, enquanto o sentido interior é para o homem espiritual. Assim é que o homem, quando não é homem espiritual, mas natural e sensual, que está no mal e, daí, nos falsos, não vê os veros e bens ali, mas aplica o sentido último da Palavra para confirmar seus falsos e males. Os ‘mercadores’ significam os que falsificam, comunicam e vendem; ‘teus coroados são como gafanhoto, e teus imperadores como gafanhoto dos gafanhotos’ significa que as coisas primárias e principais da doutrina (que é a ‘cidade dos sangues’) são falsos do mal e também falsos do mal provenientes destes. ‘Que se acampam nas sebes no dia de frio’ significa nos veros da Palavra, os quais não aparecem como veros, porque são falsificados e porque vêm do mal; as ‘sebes’ são veros que não aparentam tais, porque são falsificados, e ‘dia de frio’ é o estado do amor do mal. ‘Nasce o sol, e voa, para que não se conheça o seu lugar, onde estão’ significa que consomem todo vero e bem, de modo que não haja resto. O mesmo é significado pela ‘multiplicação como de gafanhoto’ em Jeremias (46:20, 22, 23) e no Livro dos Juízes (6:5, 7:12). [11] O falso nos extremos ou o falso muito denso também é significado pelo ‘gafanhoto’, em Moisés: “Trarás muita semente ao campo, mas pouco colherás, porque o gafanhoto a consome” (Dt. 28:38), dentre as maldições, se não guardassem e cumprissem os preceitos de Jehovah. Pela ‘semente do campo’ entende-se o vero da Palavra, e pelo ‘gafanhoto’ o denso falso, proveniente do homem sensual, que consumiria e destruiria. O mesmo é significado pelo ‘gafanhoto’ em Amós (7:1), em Isaías (33:3, 4) e em David (Sl. 109:22, 23). [12] Visto que o homem sensual é o último e o ínfimo da vida do pensamento e da afeição do homem, como foi dito acima, e como o ínfimo é pequeno, considerado pelos que estão em lugar superior e mais eminente, por isso este é comparado aos gafanhotos, como em Isaías: Jehovah, “que habita sobre o círculo da terra, e seus habitantes são como gafanhotos” (Is. 40:22), pelo que é também significado que os homens, quanto á inteligência, estão nos ínfimos, e o Senhor nos supremos. [13] Semelhantemente, os homens, considerados pelos que estão na persuasão de sua eminência acima dos outros, são comparados a gafanhotos em Moisés: Os exploradores da terra de Canaan disseram: “Vimos os nefilins, filhos dos enakins, dos nefilins, e fomos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim fomos aos olhos deles” (Nm. 13:33). Que ‘nefilim’ e ‘enakins’ signifiquem na Palavra os que estão na maior persuasão de sua eminência e sabedoria acima dos outros, e, no sentido abstrato, as horrendas persuasões, vide nos Arcanos Celestes (n. 311, 567, 581, 1268, 1270, 1271, 1673, 3686 e 7686). Que eles viram a si e foram vistos por eles ‘como gafanhotos’ é segundo as aparências no mundo espiritual, pois ali, quando os que estão nas persuasões de sua eminência olham os outros, eles os veem como pequenos e vis, e também esses veem a si mesmos como tais. [14] Uma vez que o ‘gafanhoto’ significa o sensual, que é o último da vida do pensamento do homem, ou o último em que o entendimento termina e sobre o qual repousa, daí é que o último é como a base a e a fundação sobre a qual se apoiam as coisas interiores ou superiores, que são do entendimento e da vontade do homem. Dá-se semelhantemente em relação às coisas interiores e superiores, que se chamam espirituais e celestes, na Palavra. E como todas as coisas devem estar fundamentas para que tenham apoio e repousem, por isso o sentido da letra da Palavra, que é o último e a base, é natural e sensual, e também se entende, no bom sentido, pelo ‘gafanhoto’, por conseguinte, também o seu vero e bem. Por isso é que João Batista comia gafanhotos e aos filhos de Israel foi concedido se alimentaram deles. A respeito de João Batista, diz-se Que tinha vestimenta de pelos de camelo, um cinco de couro ao redor dos lombos, e comia gafanhotos e mel agreste (Mt. 3:4; Mc. 1:6). João Batista vestiu-se assim porque representava a Palavra, do mesmo modo que Elias, e ‘vestimenta de pelos de camelo’, ‘cinto de couro’ e comer ‘gafanhoto e mel agreste’ representavam o seu sentido último que, como foi dito, é natural e sensual, porque é para o homem natural e sensual. Pela ‘vestimenta’ é significado o vero que reveste o bem; por ‘pelos de camelo’ é significado o último do homem natural, que é o sensual; por ‘gafanhotos e mel agreste’ é também significado esse último quanto à apropriação, ou o sensual; pelo ‘gafanhoto’, o sensual quanto ao vero, e pelo ‘mel agreste’ o sensual quanto ao bem, e por ‘comer’ é significado apropriar-se. Cumpre saber que nos tempos antigos, quando as igrejas eram igrejas representativas, todas as pessoas em seus ministérios se vestiam segundo as suas representações, e também se alimentavam segundo elas. [15] Que haja sido concedido os filhos de Israel alimentarem-se de gafanhotos vê-se por esta passagem em Moisés: “Tudo o que rasteja, de asas, que caminha sobre quatro pés, será abominação;... Mas o que caminha sobre quatro, que tem pernas sobre os seus pés para com eles saltar sobre a terra, comereis”, estando o gafanhoto entre os que são nomeados (Lv. 11:20-22). Que, por isso, lhes tenha sido concedido alimentarem-se de gafanhotos é porque os gafanhotos têm ‘pernas sobre os pés para saltar’, e porque as ‘pernas’ significam o bem natural conjunto ao bem espiritual, e os ‘pés’ o vero natural proveniente desse bem, e todo vero do bem deve ser apropriado e conjunto ao homem, mas não o vero que não é proveniente do bem, pois esse vero é conjunto a algum mal. Por isso se diz que ‘o que rasteja, de asas, que caminha sobre quatro pés’, que não pernas sobre os pés, seria abominação. Também se diz ‘para saltar sobre a terra’, porque saltar, quando se trata seres alados, significa viver, igualmente a ‘andar’, quando se trata dos animais da terra; e vive-se espiritualmente quando se vive pelos veros que provêm do bem, o que é significado por ‘saltar com os pés sobre os quais há pernas’. E morrer espiritualmente é pelos veros conjuntos ao mal, o que é significado por ‘caminhar sobre quatro pés’, sobre os quais não há pernas, pelo que se diz que comê-los é ‘abominação’. [16] Visto que o ‘cavalo’ significa o entendimento, e o ‘gafanhoto’ o sensual, que é o último do entendimento, e o entendimento vive quando está em seu último, por isso os antigos disseram, a respeito dos cavalos, ‘saltar’ e ‘pular como gafanhotos’, como em Jó: “Acaso dás força ao cavalo? Acaso revestes o seu pescoço com movimento? ??? Acaso fazes com que saltite como gafanhotos? A glória de seu nariz é o terror” (Jó 39:19, 20). Aqui, a qualidade do entendimento é descrita pelo ‘cavalo’, a saber, que, semelhantemente ao cavalo, é forte, move e curve o pescoço e anda saltitando. E visto que o último do entendimento é o sensual, e este é significado pelo ‘gafanhoto’, e a vida do entendimento nesse último é significada por ‘saltar’ e ‘andar saltitando’, por isso se diz que o cavalo ‘saltita como gafanhoto’. Os livros antiquíssimos, entre os quais está o de Jó, eram escritos por meras correspondências, pois então a ciência das correspondências foi a ciência das ciências, e elas foram estimadas mais do que as outras por aqueles que puderam compor livros por muitas e mais significativas correspondências. Assim é o livro de Jó. Mas o sentido espiritual das correspondências aí coletadas não trata das coisas santas do céu e da igreja, como o sentido espiritual nos Profetas. Por isso esse livro não está entre os livros da Palavra. Todavia, deles são citadas passagens, por causa das correspondências, de que está repleto.