AE 547

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 5) “E foi-lhes concedido não que os matassem”. Que isto signifique que não os privassem da faculdade de entender o vero e de perceber o bem vê-se pela significação de ‘homens’, que é o entendimento do vero e a percepção do bem (de que se tratou logo acima, n. 546); e pela significação de ‘matá-los’, que é destruir quanto à vida espiritual (de que também se tratou acima, n. 315), mas aqui é privar da faculdade de entender o vero e perceber o bem. Que isto seja significado aqui por ‘matar os homens’ é porque cada homem nasce na faculdade de entender o vero e perceber o bem, pois essa faculdade é o espiritual mesmo, pelo qual o homem é distinguido das bestas. Essa faculdade o homem nunca destrói, pois, se a destruir, não é mais homem, mas besta. Até parece que o homem sensual que está nos falsos do mal a tenha destruído, porque não entende o vero nem percebe o bem quando lê a Palavra ou a ouve dos outros, todavia não destruiu a faculdade mesma de entender e perceber, mas somente o entendimento do vero e a percepção do bem, quando está nos falsos em que se confirmou pelo mal, pois tem tanta aversão de ouvir o vero que parece como se não pudesse entendê-lo. Se, porém, for removida a persuasão do falso que o impede, então entende e percebe que o vero é vero e que o bem é bem, tal como o homem racional espiritual.
[2] Que isto seja assim, é o que me foi concedido saber por muitas experiências, pois houve muitos da turba infernal que se tinham confirmado nos falsos contra os veros e nos males contra os bens, os quais, por isso, tornaram-se tais que nada queriam ouvir e ainda menos entender do vero, do que outros conceberam a opinião de que não poderiam entender o vero. Quando, porém, a persuasão do falso foi removida deles, os mesmos indivíduos alcançaram o poder e a faculdade de entender o vero exatamente como os que tinham estado no entendimento do vero e na percepção do bem; mas tão logo foram repostos no estado anterior, pareceram de novo como se não pudessem entender o vero, ficando mesmo muito indignados por terem entendido, dizendo que, todavia, não era vero. Com efeito, a afeição que é da vontade faz todo o entendimento que há com os homens, pois a vida mesma do entendimento vem daí. Pondera se alguém pensa sem a afeição, e se acaso a afeição não é a vida mesma do pensamento, por conseguinte, a vida do entendimento. Diz-se afeição, mas entende-se a afeição que é do amor, ou o amor em seu contínuo. Por aí é evidente que o homem pode até destruir o entendimento do vero e a percepção do bem, o que se faz pelos falsos do mal, mas não destrói, por isso, a faculdade de entender o vero e perceber o bem. Se a destruir, não mais é homem, pois o humano mesmo consiste nessa faculdade; por ela é que o homem vive após a morte e então aparece como homem, porque o Divino está conjunto a essa faculdade. Daí é que o homem, embora quanto às duas vidas, que são a vida do entendimento e a vida da vontade, seja avesso ao Divino, todavia, pelo fato de poder entender o vero e perceber o bem, tem conjunção com o Divino e vive na eternidade. Por aí se pode ver que por ‘ser concedido aos gafanhotos não que matassem os homens’ é significado que, todavia, eles não fossem privados da faculdade de entender o vero e perceber o bem.

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