. “E desejarão morrer e a morte fugirá deles.” Que isto signifique que desejariam destruir a faculdade de perceber o bem, a qual é da vida espiritual, mas em vão, vê-se pela significação de ‘morrer’, que aqui é a destruir a faculdade de perceber o bem (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘a morte fugirá deles’, que é que não poderiam destruir, portanto, que quereriam em vão. Que ‘morrer’, aqui, signifique destruir a faculdade de perceber o bem, e ‘morrer’, acima, signifique destruir a faculdade de entender o vero é porque cada homem tem duas vidas, a vida do entendimento e a vida da vontade. A vida do entendimento é a faculdade de entender o vero, e a vida da vontade é a faculdade de perceber o bem. Assim, a ‘morte’ é a privação de uma e outra. Que a ‘morte’ na primeira passagem signifique a privação da faculdade de entender o vero, e na segunda passagem a privação da faculdade de perceber o bem, é porque no que precedeu tratou-se dessas duas vidas; e como, na Palavra, onde se trata do vero também se trata do bem, por isso há um casamento do vero e do bem em cada coisa (a respeito deste assunto, vide acima, n. 238, 288 e 484). Daí se pode ver que por ‘morte’, aqui, é significada a privação da faculdade de perceber o bem. Por esta razão é que se dizem duas vezes quase as mesmas palavras. E, também, ‘buscar a morte’ se atribui às coisas que são do entendimento, e ‘desejar a morte’, às coisas que são da vontade. Visto que a própria vida espiritual do homem consiste nessas duas faculdades, por isso também é significado que queriam destruir a vida espiritual. Foi dada a cada homem a faculdade de perceber o bem, assim como lhe foi dada a faculdade de entender o vero, pois o vero ama o bem e o bem ama o vero, e, por isso, querem continuamente se conjungir, e são conjuntos como vontade e entendimento, ou como afeição e pensamento. Quando estão conjunto, então o entendimento pensa no vero pela afeição de pensar no vero, e então o entendimento o vê, e a vontade o percebe. Perceber o vero pela afeição da vontade é perceber o bem, porque o vero se torna bem quando o homem o quer ou é afetado por ele, isto é, quando o ama, pelo fato de tudo o que é amado se chama bem.