. “E sobre as suas cabeças como que coroas semelhantes ao ouro.” Que isto signifique que a si mesmos parecem que raciocinam como sábios e vitoriosos vê-se pela significação de ‘cabeça’, que é a sabedoria e a inteligência (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘coroas de ouro’, que é o prêmio da vitória (de que se tratou acima, n. 358). Que a ‘coroa semelhante a ouro’ signifique o prêmio da vitória é porque os reis, nos tempos antigos, quando estavam nas lutas contra os adversários, traziam coroas de ouro em suas cabeças, além de vários sinais que então havia para os reis. A causa disso é porque os reis representavam o Senhor quanto ao Divino Vero, e o Divino Vero luta pelo Divino Bem; isto, pois, era representado pela coroa de ouro, e a sabedoria e a inteligência mesmas eram representadas pela cabeça sobre a qual estava a coroa. Daí havia coroas para mártires, pois esses lutaram pelo Divino Vero contra os falsos do mal que vem do inferno e saíram vitoriosos, porque lutaram até a morte e não a temeram. Por aí se pode ver que ‘sobre as cabeças como coroas semelhantes a ouro’ significa que aqueles que são homens sensuais, pela persuasão do falso em que estão, parecem a si mesmos como se fossem sábios e vitoriosos. [2] Porquanto os gafanhotos são descritos quanto às cabeças e faces, quanto aos peitos em que havia couraças, quanto às caudas e quanto aos cabelos e dentes, importa saber o que é significado por suas ‘cabeças’ e, em seguida, pelas demais coisas. Pela ‘cabeça’, na Palavra, são significadas a inteligência e a sabedoria, porque residem nela; mas, quando se trata daqueles que não estão em quaisquer inteligência e sabedoria, por estarem nos falsos do mal, então pela ‘cabeça’ é significada a estultice e a insanidade, porque os falsos e males estão aí e daí vêm. Aqui, porém, onde se trata dos que são sensuais e estão nas persuasões do falso, pela ‘cabeça’ propriamente é significada a estultice e a insanidade, pois eles veem os falsos como veros e os males como bens, porque estão perpetuamente nas visões oriundas das falácias. Daí é que se diz deles que ‘sobre as suas cabeças havia como que coroas semelhantes a ouro, e as faces como que faces de homens’, e as várias coisas que se seguem, porque todas as coisas eram aparências oriundas da fantasia com eles. Por isso se diz ‘como que’ coroas, e ‘semelhantes’ a ouro’, onde é evidente que essas aparências não eram aparências reais, mas falaciosas. Com efeito, todas as aparências que existem nos céus são reais, pois são correspondências, porque as coisas interiores que são das afeições e, daí, dos pensamentos nos anjos, quando passam para a visão de seus olhos, revestem-se de formais tais como aparecem nos céus, e como são visíveis, são chamadas aparências e se dizem correspondências, e são reais, porque vêm da criação. É de outro modo, porém, em relação às aparências em alguns dos infernos, onde estão os que se acham nas persuasões do falso do mal. Dessas persuasões existem visões fantasiosas, nas quais, interiormente, nada é real, pelo que também se desvanecem tão logo influi um raio de luz do céu. São tais aparências que aqui são relatadas em relação aos ‘gafanhotos’. (Mas, a respeito das aparências no mundo spiritual, tanto as reais quanto as não reais, vê-se na obra O Céu e o Inferno, n. 170-176, como também acima, na Explicação ???, n. 369 e 395).