. “E as suas faces, como faces de homens.” Que isto signifique que a si mesmos parecem como se fossem afeições espirituais do vero vê-se pela significação de ‘faces’, que são os interiores que são da mente e da afeição (de que se tratou acima, n. 412); e pela significa de ‘homem’, que é a afeição do vero espiritual e, daí, a inteligência e a sabedoria (de também se tratou acima, n. 280). E como as faces são imagens dos interiores do homem, assim as ‘faces’ significam o mesmo que os homem mesmos, a saber, as afeições do vero; aqui, porém, que aparecem a si mesmos como se fossem afeições do vero e, daí, inteligentes e sábios, porque se diz a respeito dos gafanhotos, cujas faces foram vistas ‘como se fossem’ faces de homens. [2] Que os gafanhotos tenham aparecido com tais faces é por causa do forte persuasivo em se acham os homens sensuais que estão nos falsos do mal, os quais são significados pelos ‘gafanhotos’. O persuasivo mesmo exibe tal aparência, mas somente diante de si mesmos e dos outros que também estão nos falsos do mal, mas não diante dos anjos do céu. A razão disso é porque esses anjos estão na luz do céu, e cada coisa que eles veem, por essa luz a veem, e a luz do céu, por ser o Divino Vero, dissipa toda coisa fantasiosa que vem do persuasivo. Que os homens sensuais aparentem tais a si mesmos é porque os homens sensuais se persuadem de que estão nos veros do bem mais do que outros, ainda que estejam nos falsos do mal, pois não podem percebem interiormente coisa alguma, pelo céu, mas só exteriormente, pelo mundo, e os que [veem] somente pelo mundo veem somente por um lume ilusório, pelo qual se acham mais inteligentes e mais sábios do que os outros, visto que não sabem o que são a inteligência e a sabedoria, e de onde elas vêm. Por essa fé persuasiva é que creem que estão na afeição do vero espiritual. É isto, pois, que é significado por ‘as faces dos gafanhotos serem vistas como se fossem faces de homens’. [3] Essas coisas, porém, devem ser ilustradas por experiência do mundo espiritual. Todos os que estão nos céus são homens quanto às faces e quanto as demais coisas do corpo, pois estão na afeição do vero espiritual, e a afeição mesma do vero espiritual é um homem em forma, porque essa afeição é proveniente do Senhor, que é o único Homem, e porque d’Ele todo o céu tende para a forma humana. Daí é que os anjos são formas de suas afeições, as quais até aparecem por suas faces. (Essas coisas, todavia, foram amplamente expostas na obra O Céu e o Inferno, n. 59-102). No inferno, porém, onde todos são externos e sensuais, por estarem nos falsos do mal, eles também parecem a si mesmos como se fossem homens, até quanto às faces, mas somente entre os seus. Quando, porém, são vistos na luz do céu, aparecem como monstros, com faces horrendas e, às vezes, em lugar da face, somente um cabeleira, ou com uma horrível fileira de dentes, ??? às vezes de um lívido como dos mortos, no qual nada há de humano vivo, pois são formas de ódios, vinganças e sevícias em que está a morte espiritual, porque estão no oposto à vida que vem do Senhor. Que entre si mesmos apareçam com faces como de homens é por causa da fantasia e da persuasão daí. (Sobre essas aparências, porém, vide também a obra O Céu e o Inferno, n. 553).