. “E tinham couraças como couraças de ferro”. Que isto signifique as persuasões com que se armam para as lutas, contra as quais os veros do homem racional espiritual de nada servem, vê-se pela significação de ‘couraças’ ou ‘armaduras’, que são as proteções contra os males e falsos nas lutas, mas aqui as proteções dos males e falsos contra os bens e veros, porque se trata dos que estão nos falsos do mal contra os veros. Que sejam persuasões que são aqui significadas pelas ‘couraças’ é porque os homens sensuais, que estão nos falsos do mal e são aqui descritos, não lutam pela razão contra os veros, pois não veem os veros, mas só os falsos, donde estão na persuasão de que os falsos são veros. Por esse motivo, lutam somente pela persuasão do falso, e contra a persuasão do falso nos que são tais os veros que o homem espiritual produz de nada servem, pois são repelidos como uma espada é repelida por uma couraça ou armadura. Assim, por ‘couraças como couraças de ferro’ são significadas as persuasões contra as quais os veros de nada servem. Que seja o persuasivo que há neles que ensandece e sufoca, ao ponto de o racional espiritual de nada servir contra o mesmo, vê-se acima (n. 544, 549 e 556). Ademais, as couraças ou armaduras cobrem a peitoral ou torácica do corpo, pela qual é significada a afeição do vero espiritual; e, também, toda afeição está no som, que é emitido do peito juntamente com a fala. Naqueles, porém, que são significados aqui pelos ‘gafanhotos’, os quais são homens sensuais que estão nos falsos, não há outra afeição senão a afeição do amor de si. Como essa afeição é cheia de confiança em si e cheia de persuasão de que o seu falso é vero, por isso os gafanhotos aparecem ‘com couraças que são como couraças de ferro’. O ‘ferro’ também significa o vero nos últimos, bem como o falso aí, e igualmente duro. E o persuasivo que eles têm faz com que o falso seja tão duro que os veros contra ele sejam repelidos como se nada fossem e sem valor. Visto que assim é a persuasão dos homens sensuais que estão nos falsos pela confiança em si, e ela é tão poderosa nos espíritos que é como se sufocasse e extinguisse o racional de outros espíritos com quem conversam, por isso ela é severamente proibida no mundo dos espíritos, e os que fazem uso dela são postos entre espíritos onde são vexados por persuasões ainda mais fortes por outros espíritos, até desmaiarem, e isto até que desistam. [2] Uma vez que as couraças ou armaduras foram usadas nas guerras, e vesti-las significava armar-se para a guerra e assim lutar, por isso na Palavra se dos que se armavam para a luta como ‘vestidos de armadura’. Por exemplo, em Jeremias: “Aparelhai os cavalos, e subi, ó cavaleiros! e apresentai-vos com elmos. Muni-vos de lanças, vesti-vos de armadura” (Jr. 46:4). Por essas palavras não se entenda a luta de um exército contra outro, mas a luta do homem racional contra o homem natural, que luta contra os veros e bens por meio de conhecimentos falsamente aplicados, pois essas palavras foram ditas a respeito do exército do faraó, o rei do Egito, que feriu o rei de Babel. Pelo ‘faraó, rei do Egito’ entende-se esse homem natural, e pelo ‘rei de Babel’, junto ao Eufrates, entende-se o homem racional espiritual. Por isso, por ‘aparelhai os cavalos, e subi, ó cavaleiros! e apresentai-vos com elmos. Muni-vos de lanças, e vesti-vos de armadura’ são significadas as coisas tais que pertencem à luta do homem racional espiritual contra o homem natural que está nos falsos; os cavalos são as coisas que pertencem ao entendem; os ‘carros’, aos quais fossem aparelhados, as coisas que pertencem à doutrina; os ‘cavaleiros’ são os inteligentes, e os ‘elmos’ são as coisas que pertencem à razão; ‘lanças’ são os veros que combatem, ‘armadura’ é o vigor e a força de lutar e resistir. A ‘armadura’ é isto porque ela cinge o peito, e do peito, pelos braços, vem toda a força de lutar e resistir. [3] No mesmo: Contra Babel “estenda, estenda o que estende o seu arco; levantar-se-á contra em sua armadura” (Jr. 51:3); também aqui, a ‘armadura’ está em lugar do vigor de lutar e resistir. Em Isaías: “ Vestiu-Se de justiça como uma armadura, e o elmo de salvação sobre a Sua cabeça” (59:17); tratando-se aí do Senhor e da subjugação dos infernos por Ele, e pela ‘justiça como armadura’ são significados o zelo de resgatar do inferno os fiéis e o Divino amor de salvar o gênero humano. E como foi pelo zelo do Divino Amor e, daí, a força por que lutou e venceu, por isso a justiça é chamada ‘armadura’. Pelo ‘elmo de salvação’, porém, é significado o Divino Vero do Divino Bem, pelo qual há a salvação, pois o ‘elmo’ significa o mesmo que a cabeça, já que reveste a cabeça. Que a ‘cabeça’, quando se diz do Senhor, signifique o Divino Vero e a Divina Sabedoria, ver-se-á na sequência.