. “E ouvi uma voz [vinda] dos quatro chifres do altar de ouro que estava diante de Deus.” Que isto signifique a revelação vinda do Senhor pelo céu espiritual vê-se pela significação de ‘ouvir uma voz’, que é a revelação, porque se segue o que é revelado pela voz; pela significação de ‘do altar de ouro que estava diante de Deus’, que é o Divino espiritual (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘seus quatro chifres’, que é o Divino espiritual nos seus últimos. Porque os chifres eram os últimos em ambos os altares, tanto o altar do holocausto quanto o altar do incenso, que é o altar de ouro. E como os chifres eram os últimos desses altares, por isso significavam o Divino quanto ao poder, já que nos último está todo o poder. Assim é que os ‘chifres dos altares’ tenham significado o Divino quanto à onipotência (a respeito dessa significação deles vê-se acima, n. 316). Que daí tenha sido significado o Divino espiritual, que é o Divino Vero procedente do Senhor, vê-se por sua descrição, de que se tratará abaixo.
[2] Aqui se dirá primeiro por que a voz foi ouvida ‘dos quatro chifres do altar’. Os ‘chifres’, que se alongavam e sobressaiam do último dos altares citados acima, significavam todas as coisas deles quanto ao poder, como se pode ver pelo que foi mostrado acima (n. 346 e 417) e também pelo que foi dito e mostrado a respeito dos últimos, nos Arcanos Celestes, por exemplo, que os interiores influem sucessivamente nos externos até os extremos ou últimos, e que aí também se apresentam e subsistem (n. 634, 6239, 6465, 9215 e 9216); que não somente influam sucessivamente, mas também formem no último o simultâneo (em que ordem, n. 5897, 6451, 8603 e 10099); que, daí, no últimos estejam a força e o poder (n. 9836); e que, daí, nos últimos, estejam as respostas e as revelações (n. 9905 e 10548). Porquanto pelos últimos se façam as respostas e revelações, é evidente a razão pela qual ‘foi ouvida uma voz [vinda] dos quatro chifres do altar de ouro’, a saber, porque o ‘altar de ouro’ significa o Divino espiritual, que é o Divino Vero que revela, e porque os ‘chifres’ significam os seus últimos, pelos quais há a revelação. Que o ‘altar de ouro’, sobre o qual se oferecia o incenso, signifique o Divino espiritual, que é o Divino Vero procedente do Senhor, é porque o ‘incenso’, que se oferecia sobre o altar, significava o culto pelo bem espiritual e sua audição e recepção pelo Senhor (a respeito deste assunto, vê-se acima, n. 324, 491, 492 e 494).
[3] Que o ‘altar do incenso’ tenha significado o Divino espiritual e que as ‘ofertas de incenso’ sobre ele tenham significado o culto pelo bem espiritual e a recepção e agradável recepção pelo Senhor pode-se ver pela construção desse altar, em que cada coisa representava e significava isso. Sua construção é assim descrita em Moisés:
“Farás um altar para oferta de incenso; de madeira schittim o farás; um côvado o seu comprimento, e um côvado a sua largura; será quadrado, e de dois côvados a sua altura; dele sairão seus chifres. E de ouro puro o cobrirás, seu teto, suas paredes ao redor, e seus chifres; e far-lhe-ás moldura de ouro ao redor. E duas argolas lhe farás sob a sua moldura, sobre suas duas costelas, ??? farás sobre os seus dois lados, e serão para receptáculo das varas, para carregá-lo com elas. E farás varais de madeira schittim, e os cobrirás de ouro. E o porás diante do véu, que está sobre a arca do testemunho, diante do propiciatório que está sobre o testemunho, no qual virei a ti. E Aarão oferecerá sobre ele incenso aromático de manhã a manhã, no adornar das lâmpadas o oferecerá. E fazendo subir as lâmpadas, Aarão oferecerá incenso entre as tardes, um incenso contínuo diante de Jehovah em vossas gerações. Não fareis subir sobre ele incenso estranho, e holocausto, e minchah, e libação não derramareis sobre ele. E Aarão expiará sobre os seus chifres uma vez ao ano, do sangue de expiações de pecados; uma vez ao ano expiará sobre ele nas vossas gerações. Isto é o santo dos santos a Jehovah” (Êx. 30:1-10).
Que cada uma dessas coisas a respeito do altar signifique no sentido interno o culto pelo bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo, bem e como a audição e a agradável recepção pelo Senhor, vê-se nos Arcanos Celestes (n. 10176-10213), onde tais coisas foram explicadas em série.
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