AE 569

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “Solta os quatro anjos presos no grande rio Eufrates”. Que isto signifique os raciocínios pelas falácias, que são do homem sensual, não aceitas, anteriormente vê-se pela significação de ‘anjos no rio Eufrates’, que são os raciocínios pelas falácias que são do homem sensual (de que se tratará a seguir); e como os raciocínios pelas falácias não foram aceitas anteriormente na igreja, por isso se diz dos anjos que ‘estavam presos’ naquele rio, e são ‘quatro’ pela conjunção do falso com o mal, pois esse número na Palavra significa a conjunção do bem e do vero, e, no sentido oposto, como aqui, a conjunção do mal e do falso (vide acima, n. 283, 384 e 532). No que precedeu, tratou-se do homem sensual que está nos falsos do mal e do efeito das persuasões em que o homem sensual está; por isso, no que agora se segue, trata-se dos raciocínios pelo sensual. E visto que o sensual raciocina somente pelas coisas tais que se apresentam no mundo perante os sentidos, ele raciocina pelas falácias, as quais se chamam falácias dos sentidos, quando a respeito de coisas espirituais, isto é, de coisas do céu e da igreja; por isso se diz ‘raciocínio pelas falácias que são do homem sensual. Mas, a respeito dessas falácias e dos raciocínios por elas, dir-se-ão várias coisas na sequência.
[2] Aqui se trata do estado da igreja em seu fim mesmo, estado esse que é quando os homens da igreja, ao se fazerem sensuais, raciocinam pelas falácias dos sentidos; e como por elas raciocinam sobre as coisas da igreja e do céu, em absolutamente nada creem, porque nada entendem. É notório na igreja que o homem natural não percebe as coisas que são do céu a menos que o Senhor influa e ilumine, o que se faz por meio do homem espiritual. Ainda menos percebe o homem sensual, porque este é o último natural, para o qual as coisas que são do céu, que se chamam espirituais, estão inteiramente na escuridão. Raciocínios genuínos a respeito das coisas espirituais surgem pelo influxo do céu no homem espiritual e, daí, pelo racional, nos conhecimentos e nas cognições que estão no homem natural, pelas quais o homem espiritual se confirma. Esta maneira de raciocinar sobre as coisas espirituais é segundo a ordem, mas os raciocínios sobre as coisas espirituais oriundos do homem natural, e mais ainda os que são oriundos do homem sensual, são contra a ordem, pois o homem natural, e ainda menos o homem sensual, não pode influir no espiritual e ver por si alguma coisa ali, porquanto não existe influxo físico; mas o homem espiritual pode influir no natural e, daí, no sensual, porque existe influxo espiritual. (A respeito deste assunto, porém, veem-se muitas coisas na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 51, 277 e 278).
[3] Por aí se pode ver o que se entende por estas coisas que agora se seguem, a saber, que no fim mesmo da igreja o homem fala e raciocina pelo sensual corpóreo a respeito das coisas espirituais, ou das coisas que são do céu e da igreja, por conseguinte, ele o faz pelas falácias dos sentidos. Consequentemente, ainda que então o homem fale em favor das coisas Divinas, não pensa, todavia, em favor deles, porque o homem pode por seu corpo falar diferentemente do que pensa em seu espírito, e o espírito que pensa pelo sensual corpóreo não pode pensar senão contra as coisas Divinas, embora possa pelo sensual corpóreo falar em favor delas, e isto principalmente pelo fato de as coisas Divinas serem para ele como meios para a honra e os ganhos. Também, cada homem tem duas memórias, ou seja, uma memória natural e uma memória espiritual. O homem pode pensar por uma e outra; pela memória natural quando fala no mundo com os homens, mas pela memória espiritual quando o faz pelo espírito, e o homem raramente fala pelo espírito com os outros, mas somente consigo mesmo, que é pensar. Os que são homens sensuais não podem falar ou pensar por seu espírito consigo mesmo senão em favor da natureza, por conseguinte, a favor das coisas corpóreas e mundanas, e até ignora completamente o que é o espiritual, porque em si ele fecha a mente espiritual na qual o céu influi por sua luz.
[4] Passemos, porém, para a explicação destas palavras, que ‘foi ouvida uma voz vinda dos chifres do altar de ouro, dizendo ao sexto anjo que soltasse os quatro anjos presos no rio Eufrates’. Pelo ‘rio Eufrates’ é significado o racional e, assim também, o raciocínio, pelo fato de esse rio significar isto e porque separa a Assíria da terra de Canaan, e pela ‘Assíria’ ou ‘Aschur’ é significado o racional, e pela ‘terra de Canaan’ o espiritual. Havia três rios que eram os limites da terra de Canaan, além do mar, a saber, o rio do Egito, o rio Eufrates e o rio Jordão; pelo ‘rio do Egito’ era significado o conhecimento do homem natural; pelo ‘rio Eufrates’ era significado o racional que está no homem pelos conhecimentos e pelas cognições; e pelo ‘rio Jordão’ era significada a introdução na igreja interna ou espiritual, pois pelas ‘regiões fora do Jordão’, onde as tribos de Reuben e Gade, e a meia tribo de Manassés receberam por sorte as heranças, era significada a igreja externa ou natural, e como esse rio ficava entre essas regiões e a terra de Canaan e dava passagem, por isso ele significava a introdução, da igreja externa, que é natural, na igreja interna, que é espiritual. Esta foi a razão pela qual o batismo foi instituído ali, pois o batismo representava a regeneração do homem, pela qual o homem natural é introduzido na igreja e se torna espiritual. ??? [Divisão do subparágrafo segue Tansley e não Whitehead].
[5] Por aí se pode ver o que esses três rios significam na Palavra. Além disso, todas que as coisas que ficavam fora da terra de Canaan significam coisas tais que são do homem natural, mas as que ficavam dentro da terra de Canaan significavam coisas tais que são espirituais, assim, as que são do céu e da igreja. Portanto, os dois rios, a saber, o ‘rio do Egito’, ou Nilo, e o ‘rio da Assíria’, ou Eufrates, significavam os términos da igreja e também as introduções na igreja. As cognições e os conhecimentos, que são significados pelo ‘rio do Egito’ também introduzem, pois sem as cognições e os conhecimentos não pode alguém ser introduzido na igreja, nem pode perceber as coisas que são da igreja, porque os homem espiritual vê pelo racional suas coisas espirituais nos conhecimentos, assim como o homem se vê num espelho, e neles se reconhece, isto é, seus veros e bens, além de confirmar suas coisas espirituais por cognições e conhecimentos, tanto os que vem da Palavra quanto os que ele conhece pelo mundo.
[6] O ‘rio da Assíria’, ou Eufrates, significava, porém, o racional, porque pelo racional o homem é introduzido na igreja. Pelo racional se entende o pensamento do homem natural pelas cognições e pelos conhecimentos, porque o homem imbuído de conhecimentos pode ver as coisas em série, desde as primeiras e médias até a última, que se chama conclusão. Por conseguinte, pode analiticamente dispor, revolver, separar, conjuntar e, finalmente, tirar conclusão sobre um assunto até um fim ulterior e, finalmente, até o último, que é o uso a que ama. Isto, pois, é o racional, que é dado a cada homem segundo os usos, que são os fins que ele ama. Uma vez que cada um se torna racional segundo os usos que são do amor, por isso é o pensamento interior do homem natural pelo influxo da luz do céu. E como o homem é introduzido pelo pensamento racional na cognição espiritual e se torna igreja, por isso aquele rio significa o natural que introduz.
[7] Uma coisa é ser racional e outra coisa é ser espiritual. Todo homem espiritual é também racional, mas o homem racional nem sempre é espiritual. A causa disso é porque o racional está no homem natural, isto é, em seu pensamento, enquanto o espiritual está acima do racional, e pelo racional passa ao natural, às cognições e pensamentos de su memória.
[8] Cumpre saber, todavia, que o racional a ninguém introduz no espiritual, mas é somente dito assim porque assim parece, pois o espiritual influi no natural por meio do racional, e assim introduz, porque o espiritual é o Divino influindo e está na luz do céu, que é o Divino Vero procedente; e esta, pela mente superior, que se chama mente espiritual, influi na mente inferior, que se chama mente natural e a conjunge a si, e por essa conjunção faz com que a mente natural faça um com a mente espiritual. Assim se faz a introdução. Visto que é contra a ordem Divina que o homem por seu racional entre no espiritual, por isso no mundo espiritual há anjos que guardam para isto não ocorra. Daí é evidente o que é significado pelos ‘quatro anjos presos no rio Eufrates’, e, depois, o que é significado pela ‘soltura’ deles. Pelos ‘anjos presos no rio Eufrates’ é significada a guarda para o homem natural não entre nas coisas espirituais que são do céu e da igreja, pois daí não vêm senão heresias e erros, e finalmente a negação.
[9] No mundo espiritual há, também, caminhos que levam ao inferno e que levam ao céu; há, também, os que conduzem das coisas espirituais às naturais e, daí, às sensuais. E, além disso, nos caminhos há guardas para que não se ande em sentido contrário, porquanto daí vêm heresias e erros, como foi dito. Esses guardas são postos pelo Senhor no princípio, quando a igreja é instaurada, e também conservados, para que o homem da igreja, por sua razão ou por seu entendimento, não entre nas coisas Divinas que são da Palavra e, daí, da igreja. Mas, no fim, quando os homens da igreja não mais são espirituais, mas naturais, e muitos meramente sensuais e, assim, quando no homem da igreja não existe o caminho do homem espiritual no natural, então esses guardas são removidos e os caminhos são abertos. Ao serem abertos, os homens andam contrariamente à ordem, o que se faz pelos raciocínios oriundos das falácias. Daí acontece que o homem da igreja fala em favor das coisas Divinas de boca, mas pensa contra as Divinas de coração, pois o raciocínio sobre as coisas divinas pelo homem natural e sensual tem esse efeito. Por se pode ver agora o que é significado pelos ‘quatro anjos presos no rio Eufrates, e o que é significado por eles ‘serem soltos’.
[10] Que o ‘rio Eufrates’ signifique o racional, pelo qual há um caminho do homem espiritual para o natural, pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em Moisés:
“Jehovah firmou uma aliança com Abrahão, dizendo: À tua semente darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates” (Gn. 15:8).
Por essas palavras, no sentido da letra, descreve-se a extensão da terra de Canaan, mas, no sentido interno, descreve-se a extensão da igreja desde o seu primeiro limite até o último. O seu primeiro limite é o conhecimento que pertence ao homem natural, e o outro limite é o racional que pertence às cognições. Aquele, isto é, o conhecimento que pertence ao homem natural, é significado pelo ‘rio do Egito’, o Nilo, e o racional que pertence às cognições é significado pelo ‘rio da Assíria’, o Eufrates. Entre esses dois estende a igreja espiritual, que é significada pela ‘terra de Canaan’, de modo semelhante à mente espiritual que há no homem da igreja. Um e outro, tanto o conhecimento quanto o racional, estão no homem natural; o termo [finis] de um é o conhecimento e o cognitivo, e o termo do outro é o intuitivo e o cogitativo. Nesses dois termos o homem espiritual influi quando está no homem natural. A conjunção do Senhor com a igreja por meio dessas coisas é significada pela ‘aliança’ que Jehovah firmou com Abrahão. Isto, porém, é significado por essas palavras no sentido interno, mas no sentido supremo entende-se por elas a união da Essência Divina com a Humana ??? [dif de Whitehead] do Senhor. Segundo esse sentido essas palavras foram explicadas nos Arcanos Celestes, (n. 1863-1866).
[11] Em Zacarias:
“Seu domínio [será] de mar a mar, e desde o rio até os fins da terra” (Zc. 9:10, semelhantemente a David, Sl. 72:8),
palavras que foram ditas a respeito do Senhor e de Seu domínio sobre o céu e a terra, e pelo ‘domínio de mar a mar’ é significada a extensão das coisas naturais, enquanto pelo ‘domínio desde o rio até os fins da terra’ é significada a extensão das coisas racionais e espirituais (vide acima, n. 518).
[12] Em Moisés:
“A terra de Canaan e o Líbano, até o grande rio, o rio Eufrates, vede, dei a terra perante vós; entrai e a possuí por herança” (Dt. 1:7, 8);
no mesmo:
“Todo lugar em que pisar a planta de vossos pés para vós será; desde o deserto e o Líbano, desde o rio, o rio Eufrates, e até o último mar, será o vosso término” (Dt. 11:24);
e em Josué:
“Desde o deserto e este Líbano, até o grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus, e até o grande mar, o pôr do sol, será o vosso término” (Js. 1:4).
Nessas passagens se descreve a extensão da igreja desde um termo até o outro. Um de seus termos, que é o cognitivo e o conhecimento, é descrito pelo ‘Líbano’ e pelo ‘mar’, e o outro termo, que é o intuitivo e o cogitativo, pelo ‘rio Eufrates’. A extensão da terra de Canaan é a extensão da igreja, pois pela ‘terra de Canaan’ na Palavra é significada a igreja. O ‘rio’ é citado duas vezes, a saber, ‘grande rio, o rio Eufrates’ porque por ‘grande rio’ se entende o influxo das coisas spirituais nas racionais, e por ‘rio Eufrates’ o influxo das racionais nas naturais. Assim, por ambos se entende o influxo das coisas espirituais, por meio do racional, nas coisas naturais.
[13] Em Miquéias:
“Este é o dia em que virão a ti de lá, de Aschur, e até as cidades do Egito, e de lá, do Egito, até o rio, e até o mar desde o mar, e de monte a monte” (Mq. 7:12).
Por essas palavras se descreve a instauração da igreja entre as nações, pelo Senhor. ‘Este dia’ significa o advento do Senhor. A extensão da igreja de um termo a outro com eles é significada por ‘virão de Aschur até as cidades do Egito, e do Egito até o rio’; a extensão do vero, de um termo a outro, é significada por ‘de mar a mar’, e a extensão do bem por ‘de monte a monte’.
[14] Em David:
“Fizeste partir do Egito uma videira, expeliste as nações e a plantaste;... lançaste seus renovos até o mar, e até o rio os seus rebentos” (Sl. 80:8, 11);
pela ‘videira’ que Deus fez partir ‘do Egito’ entendem-se os filhos de Israel e é significada a igreja, pois a ‘videira’ significa a igreja espiritual, e o filhos de Israel também a significam.; e como a igreja é chamada ‘videira’, por isso se diz: ‘Plantaste-a, lançaste seus renovos até o mar, e até o rio os seus rebentos’, pelo que se descreve a extensão da igreja espiritual. O ‘mar’ é um dos seus termos, e o ‘rio’, pelo qual se entende o Eufrates, o outro de seus termos. Pelo ‘Eufrates’,
Que era o quarto rio saindo do Éden (Gn. 2:14),
também é significado o racional, pois pelo ‘jardim em Éden’, ou o paraíso, é significada a sabedoria. O que é explicado pelos três outros rios vê-se explicado nos Arcanos Celestes (n. 107-121)
[15] Visto que o ‘rio Eufrates’ significa o racional, por isso, no sentido oposto, ele significa o raciocínio. Por raciocínio entende-se aqui o pensamento e a argumentação pelas falácias e pelos falsos, enquanto por racional se entende o pensamento e a argumentação pelos conhecimentos e pelos veros, porque todo racional é cultivado pelos conhecimentos e formado pelos veros. Por isso, chama-se racional o homem que é conduzido pelos veros, ou a quem os veros conduzem, mas ao homem não racional é concedido que raciocine, pois por vários raciocínios pode confirmar os falsos e também induzir os simples a crerem neles, o que se faz principalmente pelas falácias dos sentidos, de que se tratará abaixo.
[16] Esse raciocínio é significado pelo ‘rio Eufrates’ nas seguintes passagens. Em Jeremias:
“Que tens com o caminho do Egito, para que bebas as águas de Schichor? e o que tens com o caminho da Assíria, para que bebas as águas do rio?” (Jr. 2:18).
Por essas palavras é significado que não se deve investigar as coisas espirituais pelos conhecimentos do homem natural nem pelos raciocínios daí, mas pela Palavra, assim, pelo céu desde o Senhor. Porque os que estão na afeição e, daí, no pensamento espiritual, esses veem os conhecimentos do homem natural e os raciocínios daí como se estivessem abaixo de si, mas ninguém pode ver por eles as coisas espirituais. Do alto pode-se olhar as coisas inferiores em toda parte, e não vice versa. Investigar as coisas espirituais pelos conhecimentos do homem natural é significado por ‘que tens com o caminho do Egito, para que bebas as águas de Schichor?’; e pelos raciocínios daí é significado por ‘que tens com o caminho da Assíria, para que bebas as águas do rio?’. O ‘Egito’ e seu rio significam os conhecimentos do homem natural, e a ‘Assíria’ e seu rio significam os raciocínios por eles.
[17] Em Isaías:
“Naquele dia o Senhor tosquiará com navalha alugada, nas passagens do rio, pelo rei de Aschur, a cabeça e cabelos dos pés, e também consumirá a barba” (Is. 7:20).
Estas coisas são a respeito da igreja em seu fim, quando o Senhor virá. Que então os raciocínios pelos falsos privariam os homens da igreja de toda sabedoria e inteligência espiritual é o que se descreve por essas palavras. Os raciocínios pelos quais isto se faria são significados pelo ‘rei de Aschur nas passagens do rio’, a saber, o Eufrates; a privação da sabedoria e da inteligência espiritual daí é significada por ‘com navalha alugada seriam tosquiados os cabelos da cabeça e dos pés, e a barba consumida’, porque os ‘cabelos’ significam as coisas naturais em que as espirituais operam e nas quais terminam. Por isso, pelos ‘cabelos’, na Palavra, são significados os últimos da sabedoria e da inteligência; pelos ‘cabelos da cabeça’, os últimos da sabedoria; pela ‘barba’, os últimos da inteligência; e pelos ‘cabelos dos pés’ os últimos dos conhecimentos. Quando esses últimos não existem, tampouco existem os anteriores, assim como se não houvesse base da coluna ou alicerce de uma casa. Os que se privaram da inteligência por meios de raciocínios pelas falácias e pelos falsos aparecem calvos no mundo espiritual (vide acima, n. 66).
[18] No mesmo:
“Eis que o Senhor fez subir sobre eles águas de rio, fortes e muitas, o rei de Aschur e toda a sua glória, que subirá sobre todos os seus rios, e irá sobre todas as suas margens. Ele irá por Judah, inundará e passará” (Is. 8:7, 8).
Por essas palavras se descreve que na igreja seriam falsificadas todas e cada uma das coisas da Palavra por meio de raciocínios, de falácias e de falsos. Pelas ‘águas de rio, fortes e muitas, o rei de Aschur’ são significados os raciocínios por meras falácias e falsos; por ‘subirá sobre todos os rios e sobre todas as margens’ é significado que por eles seriam falsificadas todas e cada uma das coisas da Palavra; por ‘Judah’, a quem inundará e onde passará, é significada a igreja onde há a Palavra, assim, a Palavra.
[19] Em Jeremias:
“Contra o exército do faraó... rei do Egito, que estava no rio Eufrates... que feriu Nebuchadnezar; ...para o setentrião, junto à margem do rio Eufrates tropeçaram e caíram” (Jr. 2:6, 10).
Por essas palavras é significada a destruição da igreja e de suas verdades pelos falsos raciocínios e conhecimentos. Pelo ‘rio Eufrates’ são significados os falsos raciocínios; pelo ‘Egito e seu exército’, os conhecimentos que confirmam; pelo ‘setentrião’, onde tropeçaram e caíram, é significado de onde vêm esses falsos (Sobre isto se vê também acima, n. 518).
[20] No mesmo:
Jehovah disse ao profeta que comprasse um cinto de linho e o pusesse sobre os lombos, mas não o passasse pela água; e, depois, que fosse ao Eufrates e escondesse o cinto num buraco da rocha. E ele foi e o escondeu no Eufrates. “Após o fim de muitos dias, disse Jehovah: Levanta-te, vai ao Eufrates, e toma dali o cinto.” E foi e o tomou, “e eis que o cinto estava apodrecido, não prestava para coisa alguma. (...) Assim, do mesmo modo que o cinto se liga aos lombos do varão, assim fiz ligar-se a Mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judah, para que Me fossem... por nome, por louvor e por honra [decus], mas não obedeceram” (Jr. 13:1-7, 11).
Por essas palavras era representado de que qualidade foi e se tornou a Igreja Israelita e Judaica. Pelo ‘cinto de linho’ que o profeta poria sobre seus lombos é significada a conjunção da igreja com o Senhor por meio da Palavra, pois pelo ‘profeta’ é significada a doutrina da Palavra, e pelo ‘cinto’ sobre os lombos do profeta, a conjunção. As falsificações da Palavra pelos males da vida e falsos da doutrina, e, daí, os raciocínios que os favorecem, são significados pelo ‘cinto apodrecido no buraco da rocha, no Eufrates’, porque pela Palavra há conjunção do Senhor com a igreja, e com ela é pervertida pelos raciocínios que favorecem os males e falsos, então não há mais conjunção, o que também se entende por ‘não prestava para coisa alguma’. Que isto tenha sido feito pelos judeus vê-se pela Palavra, tanto do Velho quanto do Novo Testamento. Pela Palavra do Novo Testamento pelo fato de terem pervertido todas as coisas que foram escritas a respeito do Senhor na Palavra, e também todas as coisas essenciais da igreja, que eles tinham falsificado pelas tradições.
[21] No mesmo:
“Quando tiveres acabado de ler este livro, atarás uma pedra sobre ele e o lançarás no meio do Eufrates, e dirás: Assim será submersa Babel, não ressurgirá” (Jr. 51:63, 64);
pelo ‘livro’ do profeta, que ele leu, entende-se particularmente a Palavra que havia no livro, mas em geral toda a Palavra; ‘que o lançasse no meio do Eufrates’ significa que a Palavra, no decorrer do tempo, seria falsificada pelos raciocínios que favorecem os males, por aqueles que se entendem por ‘Babel’, que são os que adulteram a Palavra.
[22] Em Isaías:
“Jehovah amaldiçoará a língua do mar do Egito, e agitará a mão sobre o rio” Eufrates “com a veemência de Seu vento, e feri-lo-á em sete ribeiros, para que faça caminho com calçados. Então haverá uma vereda para os restantes do Seu povo, os que restarão de Aschur, assim como foi com Israel... quando subiu da terra do Egito.” (Is. 11:15, 16).
Por essas palavras é significado que diante daqueles que estão nos veros do bem provenientes do Senhor, ou os que são da igreja, são dissipados todos os falsos e os raciocínios por estes, e que passariam protegidos como que pelo meio [destes]. Assim acontece no mundo espiritual com aqueles que são protegidos pelo Senhor. Aqui se entende algo semelhante ao que é significado por o mar Suph se secar diante dos filhos de Israel. Os que irão passar protegidos pelo Senhor são significados pelos ‘restantes do povo que restarão de Aschur’; pelos ‘restantes de Aschur’ são significados os que não perecerão pelos raciocínios dos falsos. Coisas semelhantes são significadas por estas palavras no Apocalipse:
“O sexto anjo derramou... a taça sobre o rio... Eufrates, cuja água se secou, para que fosse preparado o caminho dos reis que são do nascer do sol” (Ap. 16:12),
as quais ver-se-ão mais amplamente explicadas abaixo, em seu lugar.
[23] Por aí se pode ver agora que pelo ‘rio Eufrates’ é significado o racional, por cujo meio a mente espiritual entra na natural, e, no sentido oposto, o raciocínio pelas falácias e pelos falsos. Cumpre saber que os raciocínios estão no mesmo grau em que estão os pensamentos, porque descendem destes. Assim, há raciocínios pelo homem espiritual, os quais, todavia, devem ser de preferência chamados de conclusões pelas razões e pelos veros, e há raciocínios pelo homem natural e os há pelo homem sensual. Os raciocínios pelo homem espiritual são racionais, os quais devem ser de preferência chamados de conclusões pelas razões e pelos veros, que são provenientes do interior e da luz do céu. Mas os raciocínios pelo homem natural a respeito das coisas espirituais não são racionais, por mais que assim pareçam diante dos olhos nas coisas morais e civis, pois vêm somente do lume natural. Os raciocínios pelo homem sensual a respeito das coisas espirituais são, porém, irracionais, porque vêm das falácias e, daí, de ideias que são falsas. Estes são os raciocínios de que agora se trata, aqui no Apocalipse.

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