. (Vers. 15) “E foram soltos os quatro anjos.” Que isto signifique a licença de raciocinar pelas falácias vê-se pela significação de ‘quatro anjos presos no rio Eufrates’, que são os raciocínios pelas falácias, que pertencem ao homem sensual, antes não aceitos (de que se tratou logo acima, n. 569). Daí se segue que por eles ‘serem soldos’ é significado que agora há licença de raciocinar pelas falácias. A razão pela qual agora há licença é porque o homem sensual raciocina somente por coisas tais que há no mundo e que ele vê com os olhos, mas as que estão dentro ou acima destas, diz que não existem, porque não as vê. Assim é que nega as coisas que são do céu e da igreja ou não crê nelas, por estarem acima de seus pensamentos, e atribui todas as coisas à natureza. Assim o homem sensual pensa consigo mesmo, ou em seu espírito, mas diferentemente diante do mundo, pois diante do mundo ele fala pela memória, mesmo a respeito das coisas espirituais vindas da Palavra ou da doutrina da igreja, e as coisas que ele fala soam semelhantemente às que fala o homem espiritual. Tal é o estado dos homens da igreja em seu fim. Ainda que componham as palavras que falam ou pregam como se fossem por uma origem espiritual, elas fluem, todavia, do sensual último, no qual está o seu espírito, que, entregue a si mesmo, raciocina contra elas, porque o faz pelas falácias, por conseguinte, pelos falsos.