. “Que haviam sido preparados para a hora, e o dia, e o mês e o ano.” Que isto signifique continuamente no estado vê-se pela significação de ‘serem preparados para a hora, e o dia, e o mês e o ano’, que estar continuamente num estado, a saber, de se privar de todo entendimento do vero e, daí, da vida espiritual, o que é significado pelas coisas que se seguem, que são: ‘para que matassem a terça parte dos homens’, porque ‘horas’, ‘dias’, ‘meses’ e ‘anos’ significam na Palavra o estado da vida, no particular e no geral. Assim, por ‘serem preparados para estes’ é significado estar continuamente nesse estado. Que ‘horas’, ‘dias, ‘meses’ e ‘anos’ não signifiquem horas, dias, meses e anos é porque no mundo espiritual os tempos não se distinguem em tais intervalos, pois o Sol, do qual o céu angélico tem sua luz e seu calor, não orbita como, em aparência, faz o sol do mundo natural; por isso não faz anos, nem meses, nem dias, nem horas, mas os tempos ali, que todavia se sucedem como os tempos no mundo natural, distinguem-se por estados da vida. (Quais são esses estados, vê-se na obra O Céu e o Inferno, onde se trata do sol do céu, n. 116-125; das mudanças de estado dos anjos no céu, n. 154-161; e dos tempos no céu, n. 162-169). Por aí se pode ver que por os anjos ‘serem preparados para a hora, o dia, o mês e o ano’ é significado estar continuamente no estado de que se tratará a seguir. Que a ‘hora’, semelhantemente ao ‘dia’, ao ‘mês’ e ao ‘ano’, signifique o estado, pode-se ver pelas passagens na Palavra onde é nomeada, mas citar essas passagens aqui seria demasiadamente prolixo. (Que, todavia, isto seja assim, pode-se ver pelo que foi mostrado na obra O Céu e o Inferno a respeito dos tempos, e também nos Arcanos Celestes, onde se mostrou que os ‘tempos’ na Palavra significam não tempos, mas estados da vida, n. 2788, 2837, 3254, 3356, 4814, 4901, 4916, 7218, 8070, 10133 e 10605). Que os ‘tempos’ signifiquem estados é também pelo fato de que no mundo espiritual não existem os tempos determinados do dia, que se chamam manhã, meio-dia, tarde e noite; nem os tempos determinados do ano, que se chamam primavera, verão, outono e inverno; nem as variações de sombra e de luz, de calor e de frio, como em nosso mundo, mas, em lugar disso, há mudanças de estado quanto ao amor e à fé, pelos quais não pode haver noção alguma dos intervalos em que nossos tempos foram distintos, ainda que os tempos progridam ali tal como no mundo natural (a respeito deste assunto, vida nos Arcanos Celestes os n. 1274, 1382, 3356, 4882, 6110 e 7218). E como o Sol do céu angélico, que é o Senhor, está continuamente no nascente, nem faz circunvoluções, como parece fazer o sol do nosso mundo, mas existem somente mudanças de estados nos anjos e espíritos segundo a recepção do bem do amor e do vero da fé, por isso os tempos correspondem às mudanças de estado e as significam (Arcanos Celestes, n. 4901 e 7381). Por isso, os anjos e espíritos pensem sem a ideia de tempo, o que o homem não pode fazer (n. 3404).