. “Tendo couraças ígneas, e jacintinas, e sulfúreas.” Que isto signifique os raciocínios lutando pelas cobiças do amor de si e do mundo, e pelas falsidades daí vê-se pela significação de ‘couraças’, que são armaduras de guerra, especialmente a proteção nas lutas (de que se tratou acima, n. 557); pela significação de ‘ígnea’ ou ‘de fogo’, que é a cobiça do amor de si e, daí, de todo mal (de que se tratou acima, n. 504); pela significação de ‘jacinto’ ou ‘jacintina’, que é a cobiça do amor do mundo e, daí, de todo falso (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘súlfur’ ou ‘sulfúreo’, que é a concupiscência de destruir os bens e veros da igreja pelos falsos do mal (de que se tratará abaixo, n. 578), aqui, é o falso que se abrasa por esses dois amores. Por aí se pode ver que pelas ‘couraças ígneas, jacintinas e sulfúreas’ são significados os raciocínios que lutam pelas cobiças do amor de si e amor do mundo, e pelas falsidades daí.
[2] No que concerne ao ‘jacinto’. Isto significa, no sentido espiritual, o amor celeste do vero, e, no sentido oposto, o amor diabólico do falso, e também o amor do mundo, o que se pode ver pelo fato de ser uma cor celeste, e por essa cor é significado o vero de origem celeste, assim, no sentido oposto, o falso de origem diabólica. No mundo espiritual aparecem cores muito seletas, e elas tiram sua origem do bem e do vero, pois as cores ali são modificações da luz celestes, assim, da inteligência e da sabedoria que há nos anjos no céu. Daí era que as cortinas do tabernáculo e as vestimentas de Aarão eram entretecidas de jacinto, púrpura e escarlate tingido ???, pois pela tabernáculo era representado o céu do Senhor, e pelas vestimentas de Aarão o Divino Vero do céu e da igreja; e pelas coisas de que o tabernáculo foi construído, e as coisas de que as vestimentas de Aarão foram tecidas, eram representadas coisas celestes e espirituais, que são do Divino Bem e do Divino Vero.
[3] O véu diante da arca era tecido de jacinto, púrpura, escarlate tingido ??? e linho ??? vê-se em Êxodo 26:31.
Semelhantemente, a cobertura para a entrada da tenda, vers. 36 ali.
Também a cobertura da porta do átrio, Êx. 27:16.
As laçadas sobre a orla da cortina da tenda eram de jacinto, Êx. 26:4.
O éfode era de ouro, jacinto, púrpura, escarlate tingido entretecido, Êx. 28:6.
E, também, o peitoral do juízo, Êx. 28:15.
Aarão e seus filhos, quando marcharam no deserto, puseram um pano de jacinto sobre a arca, sobre a mesa das faces, sobre o candelabro e as lanternas, sobre o altar de ouro e sobre todos os vasos do ministério, Nm. 4:6, 7, 9, 11, 12,
pelo fato de que o Divino Vero procedente do Divino Amor, que é significado pelo ‘pano de jacinto’, envolve e protege todas as coisas santas do céu e da igreja, que são representadas por tais objetos.
[4] Uma vez que ‘jacintino’ significava o amor celeste do vero, por isso foi ordenado que
Os filhos de Israel fizessem para si uma franja sobre as orlas das vestes... e sobre ela pusessem um fio jacintino, para que, vendo o fio, se lembrassem de todos os preceitos de Jehovah e o cumprissem (Nm. 15:38, 39);
aqui, o ‘fio jacintino’ está claramente em lugar da lembrança dos preceitos de Jehovah. Os preceitos de Jehovah são os veros mesmos do céu e da igreja, e só se lembram deles os que estão no amor celeste do vero.
[5] Que ‘jacintino’ signifique o amor do vero, também se pode ver por esta passagem em Ezequiel:
“Linho fino na bordadura do Egito foi a tua expansão, para que te fosse por sinal; jacintino de púrpura das ilhas de Elischa foi a tua cobertura;... teus negociadores com perfeições ???, com agasalhos jacintinos e com bordado, e com tesouros de vestes preciosas” (Ez. 27:7, 24).
Essas palavras são a respeito de Tiro, pela qual é significada a igreja quanto às cognições do vero; assim, também por Tiro são significadas as cognições do vero que são da igreja. Por ‘comércios’ e ‘negociações’ nesse capítulo se descreve a aquisição de inteligência por meio dessas cognições; pela ‘bordadura do Egito’ é significada a ciência de coisas tais que são da igreja, e como a ciência está no lugar inferior e, assim, ao redor ou fora, diz-se que ela era ‘expansão’ e ‘por sinal’; por ‘jacintino e púrpura das ilhas de Elischa é significada a afeição espiritual do vero e do bem, pelo que se diz que são ‘para cobertura’; ‘cobertura’ significa o vero; pelos ‘agasalhos jacintinos’ e pelo ‘bordado’ são significados todos os veros espirituais e naturais, que também, juntamente com as cognições da Palavra, entendem-se por ‘tesouros de vestes preciosas’.
[6] Uma vez que ‘jacintino’ significa o amor celeste do vero, por isso, também significa, no sentido oposto, o amor diabólico do falso, sentido no qual também se diz ‘jacintino’, na Palavra. Por exemplo, em Ezequiel:
“Duas mulheres, filhas de uma só mãe... na adolescência cometeram escortação no Egito... Ohola, que é Samaria, e Oholiba, que é Jerusalém. E Ohola cometeu escortação subordinada a Mim, e amou os seus amásios, os assírios, vizinhos, vestidos de jacintino, governadores e líderes, todos jovens de desejo, cavaleiros cavalgando cavalos” (Ez. 23:2-6);
por ‘Samaria’ e ‘Jerusalém’ é significada a igreja; por ‘Samaria’ a igreja espiritual, por ‘Jerusalém’ a igreja celeste, as quais se chamam ‘Ohola’ e Oholiba’, porque por esses nomes é significada a tenda, e pela ‘tenda’ é significada a igreja quanto ao culto. Na Palavra, pela ‘mulher’ é também significada a igreja. Que elas ‘cometeram escortação no Egito’ significa que falsificaram os veros da igreja pelos conhecimentos do homem natural. Que tenha ‘amado ao assírios’ significa que falsificaram por meio de raciocínios por esses conhecimentos; ‘Aschur’ e ‘Assíria’ significam os raciocínios, que são chamados ‘vestidos de jacintino’ pelas falácias e pelos falsos, que na forma externa parecem veros porque vêm do sentido da letra da Palavra perversamente aplicado. Que também sejam chamados ‘governadores, líderes, jovens de desejo, que cavalgam cavalos’ por causa da mesma aparência, pois os que raciocinam pela própria inteligência parecem a si mesmos e aos outros que são assim, como se fossem inteligentes e sábios, e as coisas que falam como se fossem veros da inteligência e bens da sabedoria, quando, todavia, são falsas, as quais eles amam porque vêm do proprium; ‘governadores e líderes’ significam os veros principais, e ‘cavalgando cavalos’ significam os inteligentes.
[7] Em Jeremias:
“Prata estendida é trazida de Tharschisch, e ouro de Uphaz, obra de artífice e das mãos do refinador, jacintino e púrpura são as suas vestes, toda obra de sábios” (Jr. 10:9).
Trata-se aí dos ídolos da casa de Israel, pelos quais são significados os falsos doutrinais, porque vêm da própria inteligência. Por isso se dizem ‘obras de artífice e das mãos do refinador’ e ‘toda obra de sábios’, e isto porque parecem a si como veros e bens; ‘prata de Tharschisch e ouro de Uphaz’ significa que parece na forma externa como se fosse vero e bem, porque vem do sentido da letra da Palavra. Por aí se pode ver que ‘jacintino’ significa o amor do falso, porque vem do próprio ou da própria inteligência. Que ‘jacintino’ também signifique o amor do mundo é porque o amor do mundo corresponde ao amor do falso, assim como o amor de si, que é significado pelo ‘fogo’, que por sua vez corresponde ao amor do mal, pois do amor de si vem todo mal, e do amor do mundo, que é dessa origem, vem todo falso. O mal espiritual, que é significado pelo amor do mundo, é, em sua essência, o falso, assim como bem espiritual é em sua essência o vero (vide na obra O Céu e o Inferno, n. 15).
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