. “E as cabeças dos cavalos eram como cabeça de leões”. Que isto signifique o conhecimento e, daí, a cognição destrutiva do vero, Vê-se pela significação de “cabeça dos cavalos’, que é o conhecimento e, daí, a cognição (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘cabeça de leões’, que é, daí, a destruição do vero. Que as ‘cabeças de leões’ signifiquem aqui a destruição do vero é porque ‘leão’, no sentido supremo, significa o Divino Vero quanto ao poder e, no sentido oposto, o falso que destrói o vero, por conseguinte, a destruição do vero; e ‘cabeça de leão’ significa as forças da mente pelas quais destrói, as quais são os raciocínios pelos falsos. (Que ‘leão’ sequência o Divino Vero quanto ao poder, e, no sentido oposto, o falso que o destrói, vê-se acima, n. 278). Que a ‘cabeça dos cavalos’ signifiquem o conhecimento e, daí, o pensamento, é porque ‘cabeça’ sequência a inteligência, e ‘cavalo’ o entendimento. Como, todavia, trata-se do homem sensual e, aqui, de sua destruição pelos falsos, e o homem sensual que raciocina pelos falsos não tem inteligência, mas somente conhecimento e, daí, pensamento, por isso essas coisas são significadas pelas ‘cabeças dos cavalos’. (Que aqueles que estão nos falsos não tenham inteligência, mas conhecimento em lugar de inteligência, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 33). [2] Que a ‘cabeça’ sequência a inteligência é porque o entendimento e a vontade do homem residem nos interiores de sua cabeça. Daí, na parte anterior da cabeça, que é a face, estão os sentidos da visão, audição, olfato e paladar, nos quais o entendimento e a vontade influem do interior e os vivifica, e também fazem com que gozem de suas sensações. Daí é que pela ‘cabeça’, na Palavra, é significada a inteligência. Mas, como os inteligentes são somente aqueles que recebem o influxo do céu, pois do céu influi, desde o Senhor, toda inteligência e sabedoria, segue-se que aqueles que estão nos falsos do mal não têm inteligência, pois a mente superior e espiritual está fechada nelas, e somente está aberta a mente inferior, que é chamada mente natural. Esta mente, quando a superior está fechada, não recebe coisa alguma do vero e do bem, por conseguinte, nenhum inteligência do céu, mas somente do mundo. Por isso esses têm, em lugar de inteligência, somente o conhecimento e, por este, o pensamento, do qual procede o raciocínio e, por este, a confirmação do falso e do mal contra o vero e o bem. [3] Que a ‘cabeça’ sequência na Palavra a inteligência e a sabedoria e, no sentido oposto, o conhecimento e, daí, o pensamento vão, pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em Ezequiel: “Pus um anel em teu nariz, e brincos nas tuas orelhas, e uma coroa ornamentada em tua cabeça” (Ez. 16:12). Essas coisas foram ditas a respeito de Jerusalém, pela qual é significada a igreja, aqui como ela era no princípio. Pelo ‘anel no nariz’ é significada a percepção do vero e do bem; pelos ‘brincos nas orelhas’ é significada a ação de escutar e a obediência; e pela ‘coroa na cabeça’ é significada a sabedoria, porque a inteligência, que procede do Divino Vero, torna-se sabedoria pelo bem do amor, que é significada pela ‘coroa de ouro’. [4] No Apocalipse: “Uma mulher envolta pelo sol, e a lua sob os seus pés, e na sua cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap. 12:1). Que a ‘cabeça’ na qual havia uma coroa de doze estrelas sequência a inteligência ver-se-á na sequência, na Explicação. Que os judeus tenham posto uma coroa de espinhos na cabeça do Senhor e O tenham ferido na cabeça (Mt. 27:29, 30; Mc. 15:17, 19; Jo. 19:2), significava que fizeram tais agressões ao Divino Vero mesmo e à Divina Sabedoria, pois falsificaram e adulteraram a Palavra, que é o Divino Vero, pelas tradições e pelas aplicações a si mesmos, pois desejavam um rei que os elevasse sobre todas as terras do mundo. E como o reino do Senhor não era terrestre, mas celeste, por isso perverteram todas as coisas da Palavra que foram ditas a respeito d’Ele, e zombaram das que foram preditas sobre Ele. Era isto que era representado por eles terem posto ‘uma coroa de espinhos sobre a Sua cabeça’ e por terem ‘ferido Sua cabeça’. [5] Onde se trata da estátua vista no sonho de Nebuchadezar, diz-se em Daniel Que sua cabeça era de ouro puro, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de bronze, as pernas de ferro, e os pés, em parte de ferro e em parte de barro (Dn. 2:32, 33). Por essa estátua foram representados os estados sucessivos da igreja. Pela ‘cabeça de ouro’ foi representada e significada a Igreja Antiquíssima, que esteve na inteligência sabedoria celeste e, daí, na inteligência mais do que as igrejas seguintes. Essa sabedoria e essa inteligência se entendem pela ‘cabeça de ouro’. Que as demais coisas dessa estátua signifiquem os estados das igrejas seguintes vê-se acima (n. 176 e 411). Em David: “Trouxeste-nos em rede; puseste opressões sobre [nossos] lombos; fizeste o homem cavalgar em nossa cabeça” (Sl. 66:11, 12); por ‘fazer o homem cavalgar em nossa cabeça’ é significado que não havia inteligência (vide acima, n. 355, onde essas palavras são mais plenamente explicadas). [6] Em Moisés: Essas bênçãos ‘venham à cabeça de José, e ao topo [da cabeça] do nazireu, seu irmão” (Gn. 49:26; Dt. 33:13-16). Que ‘as bênçãos viessem à cabeça de José’ significa que todas as coisas que foram ditas anteriormente, que são as bênçãos do céu, estivessem nos interiores de sua mente, os que são da vida de seu entendimento e de sua vontade, pois este são os interiores da mente. Que viessem ‘ao topo [da cabeça] do nazireu, seu irmão’ significa que também estivessem nos exteriores, que são de sua mente natural, pois o ‘nazireato’ significa os exteriores que são da mente natural, porque significa os pelos [crines] ou os cabelos da cabeça. (Essas coisas, porém, veem-se mais amplamente explicadas acima, n. 448, e nos Arcanos Celestes, n. 6437 e 6438). No mesmo: “Tomai para vós varões sábios e inteligentes... para que [Eu] os ponha em vossas cabeças” (Dt. 1:13); diz-se ‘nas cabeças’ porque se entende a sabedoria e a inteligência, que prevalecem sobre as demais coisas. Por isso se diz: ‘Tomai para vós varões sábios e inteligentes’. [7] Em Isaías: “Jehovah derramou sobre vós um espírito de sonolência, e fechou os vossos olhos, ó profetas, e cobriu as vossas cabeças, ó videntes” (Is. 29:10); pelos ‘profetas’ são significados os que ensinam os veros e são inteligentes, e, abstratamente, a doutrina do vero e a inteligência, pelo que disse: ‘fechou os olhos, ó profetas, e vossas cabeças, ó videntes’. Os profetas são chamados ‘olhos’, e os videntes ‘cabeças’, porque pelos ‘olhos’ é significado o entendimento do vero quanto à doutrina, e pelos ‘videntes’, como pelas ‘cabeças’, a inteligência, semelhantemente. [8] No mesmo: [Jehovah] “cortará de Israel a cabeça e a causa, o ramo e o junco; ... o velho e o honrado... fará a cabeça, e o profeta, que ensina mentiras, a cauda” (Is. 9:14, 15); no mesmo: “Não haverá para o Egito obra que faça cabeça e cauda, ramo e junco” (Is. 19:15); que ‘será cortada de Israel a cabeça e a cauda’ e que ‘não haverá para o Egito cabeça e cauda’ significa que perder-se-ão toda inteligência e todo conhecimento do vero (vide acima, n. 559, onde essas passagens são mais amplamente explicadas). No mesmo: “Naquele dia o Senhor rapará com uma navalha alugada, nas passagens do rio pelo rei da assíria, a cabeça e os pelos dos pés. E também consumirá a barba” (Is. 7:20). que por essas palavras é significado que os raciocínios pelos falsos hão de privar os homens da igreja de toda sabedoria e inteligência espiritual vê-se acima (n. 569), onde são explicadas em detalhes. Diz-se ‘nas passagens do rio’, porque pelo ‘rio Eufrates’ é significado o raciocínio pelos falsos; aqui, pois, é a invasão daí nos veros da igreja, que são destruídos pelos raciocínios pelos falsos. [9] Em Ezequiel: “Filho do homem, toma para ti uma espada aguda, uma navalha de tosquiadores... que passareis sobre a cabeça e sobre a barba;... terça parte queimarás no fogo... terça parte ferirás à espada, e terça parta espalharás ao vento” (Ez. 5:1, 2); também aí, por ‘passar uma navalha sobre a cabeça’ é significado privar de toda inteligência do vero, porque a inteligência perece se não houver os últimos da inteligência, que são significados pelos ‘cabelos da cabeça’, que ele cortaria com a navalha que passaria sobre a cabeça, pois quando os último são tirados, é como se fosse tirada a base de uma coluna ou o alicerce de uma casa. Assim é que na Igreja Judaica, que foi uma igreja representativa, era errado cortar os cabelos da cabeça e fazê-la calva, semelhantemente em relação à barba. Também por isso, os que são privados de inteligência aparecem calvos no mundo espiritual. [10] Por aí se pode ver o que é significado nas passagens que se seguem por ‘cabeça calva’ ou pela ‘calvície’. Em Isaías: “Em todas as suas cabeças há calvícies, e toda barba é rapada” (Is. 15:2), a saber, que não há inteligência. Em Ezequiel: “Sobre todas as faces [haverá] vergonha, e em todas as cabeças, calvícies” (Ez. 7:18); no mesmo: “Toda cabeça decalvada, e todo ombro depilado” (Ez. 29:18), semelhantemente. Por isso foi vendado a Aarão e a seus filhos rapar suas cabeças e o canto da barba, a cujo respeito assim está em Moisés: Aarão e seus filhos “não farão calvas as suas cabeças, nem raparão o canto da barba” (Lv. 21:5); pela ‘barba’ é significado o último do homem racional, e por ‘não raparem a barba’ é significado não se privarem do racional, cujo último é significado pela barba, porque, como foi dito acima, quando o último é tirado, também o interior perece. Acima (n. 555) se vê o que se entende por: Que uma mulher cativa dos adversários, se fosse desejada por esposa, tosasse a sua cabeça e fizesse as suas unhas (Dt. 21:11, 12). [11] Visto que a vergonha era representada pelas mãos sobre a cabeça, por isso se diz em Jeremias: “Também pelo Egito sereis envergonhada, como te envergonhaste pela Assíria; também dela sairás, e tuas mãos sobre a tua cabeça” (Jr. 2:36, 37); e, no mesmo, “Ficaram envergonhados e tomados de ignomínia, e cobriram a cabeça” (Jr. 14: 3, 4). E como isto era representativo da vergonha, por isso Thamar, após ter sido forçada pelo irmão Ammon, “pôs a mão sobre a cabeça e foi andando e clamando” (2 Sm. 13:19); ‘pôr a mão sobre a cabeça’ significava que não havia inteligência alguma. Também a dor por causa do pecado que tivessem cometido insana e insensatamente era representado pelo fato de espalharam pó sobre a cabeça e curvassem a cabeça até à terra, pelo que também era significada a maldição. Por exemplo, em Ezequiel: “Farão subir pó sobre a tua cabeça, na cinza te revolverão” (Ez. 27:30); nas Lamentações: “Assentar-se-ão na terra, calar-se-ão os idosos da filha de Sião; farão subir pó sobre a sua cabeça, cingir-se-ão de sacos. Fizeram descer à terra a sua cabeça as virgens de Jerusalém” (Lm. 2:10). [12] Pela ‘cabeça’ no sentido oposto, porém, é significada a astúcia que têm os que que estão no amor de dominar. Esta se entende pela ‘cabeça’, em Moisés: A Semente de mulher pisará a cabeça da serpente, e a serpente ferirá o calcanhar (Gn. 3:15); em David: “O Senhor, à tua direita, feriu os reis no dia de Sua ira, julgou entre as nações, encheu de seus cadáveres. Feriu a cabeça sobre muitas terras; beberá do rio no caminho, pelo que exaltará a cabeça’ (Sl. 110:5-7); (coisas que se veem explicadas acima, n. 518); e, no mesmo: ‘Deus ferirá a cabeça dos adversários... o topo dos cabelos, dos que andam em culpa” (Sl. 68:21). Que as astúcias, pelas quais intentam e maquinam o mal aos outros, retornem sobre eles mesmos é significado por “Fazer recair o caminho em suas cabeças” (Ez. 9:10; 11:21; 16:43; 17:19; 22:31; Jl. 3:4, 7). O que é significado, porém, pelas Sete cabeças, sobre as quais havia sete diademas (no Apocalipse (12:3; 13:1, 3; 17:3, 7, 9), ver-se-á abaixo. Além disso, pela ‘cabeça’, por ser o supremo e o primário no homem, muitas coisas são significadas também, como o cume do monte, o ponto mais alto [fastigium], o primário, o começo do caminho, as ruas, os meses e coisas similares.