. [Vers. 1] “E vi outro anjo forte descendo do céu”. Que isto signifique o Senhor quanto à Palavra, aqui, quanto ao seu sentido último, que é chamado sentido da letra, vê-se pela significação de ‘anjo forte’, que é o Senhor quanto à Palavra (de que se tratará a seguir). Que seja quanto à Palavra em seu sentido último, que é chamado sentido da letra, é porque por este o Senhor é chamado ‘Forte’, pois toda força e todo poder do Divino Vero existe e consiste em seu último, por conseguinte, no sentido da letra da Palavra (de que se tratará a seguir).
[2] Visto que se entende o sentido da letra da Palavra, por isso se diz a respeito do anjo que ele foi visto ‘descer do céu’. O mesmo se diz a respeito da Palavra, que é o Divino Vero; ela desce ao mundo, desde o Senhor, pelos céus, razão por que é adequada à sabedoria dos anjos que estão nos três céus, e também adequada aos homens que estão no mundo natural. Daí é que a Palavra, em sua primeira origem de todas, é inteiramente Divina, por conseguinte celeste, depois espiritual, e finalmente natural; celeste para os anjos do céu íntimo ou terceiro, os quais são chamados anjos celestes; espiritual para os anjos do céu segundo ou médio, os quais são chamados anjos espirituais, e celeste e espiritual natural para os anjos do céu mais externo ou primeiro céu, os quais são chamados anjos celestes e espirituais naturais; e natural para os homens no mundo, pois os homens, enquanto vivem no corpo material, pensam e falam naturalmente. Daí é, pois, que a Palavra é dada a anjos de cada céus, mas com diferença segundo o grau de sabedoria, inteligência e conhecimento deles. E ainda que difira quanto ao sentido em cada um dos céus, é, todavia, a mesma Palavra, porquanto o Divino mesmo, que está na Palavra pelo Senhor, quando desce ao céu íntimo ou terceiro, torna-se Divino celeste; e quando daí desce ao céu médio ou segundo torna-se Divino espiritual; e quando desce desse céu ao mais externo torna-se Divino celeste ou espiritual natural; e quando desce ao mundo torna-se a Palavra natural, como ela é naqueles que estão na letra. Essas sucessivas derivações do Divino Vero, procedentes do Senhor mesmo, existem pela constância, desde a própria criação, de correspondências entre as coisas superiores e inferiores, a cujo respeito se verá em outro lugar, querendo Deus.
[3] Que toda força e todo poder estejam nos últimos do Divino Vero, assim, no sentido natural da Palavra, que é o sentido da letra, é porque esse sentido é o continente de todos os sentidos interiores, a saber, o espiritual e o celeste (de que se tratou acima); e como é o continente, também é a base, e na base está a força mesma. Com efeito, os superiores caem e se dissipam se não estiverem apoiados em sua base. Dar-se-ia semelhantemente, se as coisas espirituais e celestes não estivessem apoiadas no sentido natural ou literal da Palavra, pois este não apenas sustenta os sentidos interiores, mas também os contém. Por isso a Palavra ou Divino Vero nesse sentido está não somente em seu poder, mas também em sua plenitude. (Todavia, muitas coisas a respeito deste assunto se veem acima, a saber, que a força está no último porque aí o Divino está em sua plenitude; acima, n. 346 e 567. Que os interiores influam sucessivamente nos exteriores até o extremo ou último, e que aí coexistam; nos Arcanos Celestes, n. 634, 6239, 6465, 9215 e 9216. Que não só influam sucessivamente, mas também formem em seu ultimo um simultâneo; em que ordem, n. 5897, 6451 8603 e 10099. Que, daí, nos últimos esteja a força e o poder, n. 9836. Que, daí, nos últimos há as respostas e as revelações, n. 9905 e 10548. Que, daí, o ultimo seja mais santo do que os interiores, n. 9824). Disso também se segue que toda doutrina da igreja deve ser formada e confirmada pelo sentido literal da Palavra, e que daí também a doutrina tenha poder (a cujo respeito se vê acima, n. 356). Por esta causa é que o ‘anjo descendo do céu’ é chamado ‘forte’. Que pelo ‘anjo’, na Palavra, no sentido supremo, entenda-se o Senhor, no sentido relativo todo aquele que recebe o Divino Vero oriundo do Senhor, e, no sentido abstrato, o Divino Vero mesmo, vide acima (n. 130 e 302). Aqui, pois, pelo ‘anjo’ entende-se o Senhor quanto à Palavra, porque a Palavra é o Divino Vero mesmo. Que o Senhor mesmo seja entendido aqui pelo ‘anjo’ pode-se ver pela similar representação do Senhor mesmo quanto à face e quanto aos pés, no primeiro capítulo deste livro, onde se diz assim, a respeito do ‘Filho do homem’, que é o Senhor:
Que Sua face fulgurava como o sol em seu poder, e que Seus pés eram semelhantes a latão reluzente inflamado numa fornalha” (Ap. 1:15, 16).
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