. ‘Circundado por uma nuvem’. Que isto signifique o último da Palavra vê-se pela significação de ‘circundado’, que é estar de fora de alguém, pois o que está ao redor está também fora, porque está na circunferência ulterior; aqui, portanto, é o último; e pela significação de ‘nuvem’, que é o Divino Vero nos últimos, por conseguinte, a Palavra no sentido da letra. Que a ‘nuvem’ signifique isto é evidente pelas aparências no mundo espiritual e também pela Palavra, onde a ‘nuvem’ é citada. Pelas aparências no mundo espiritual: Todo o céu angélico consiste unicamente no Divino Vero que procede do Senhor; a sua recepção faz os anjos. Ele aparece no céu supremo como uma aura pura que se chama éter; no céu inferior, como uma menos pura, quase como uma atmosfera, que se chama ar; no céu mais baixo aparece como algo tênue, aquoso sobre o qual há vapor como nuvens. Tal é a aparência do Divino Vero na descida segundo os graus. Algo semelhante aparece quando os anjos dos céus superiores falam dos Divinos veros; então a sua linguagem, nos que estão no céu mais baixo, se apresenta sob ao aspecto de uma nuvem, que voa de um lado para ouro. Os anjos mais inteligentes ali conhecem, pela flutuação, pela brancura e pela forma, o que anjos dos céus superiores falam entre si. Daí se pode ver de onde vem que a ‘nuvem’ signifique o Divino Vero nos últimos. Visto que a maioria das coisas na Palavra são tomadas de aparências no mundo espiritual e, daí, significam coisas semelhantes às que significam ali, por isso também a ‘nuvem’. [2] Que a ‘nuvem’, na Palavra, signifique o sentido da letra, que é o Divino Vero nos últimos, pode-se ver pelo que se segue. Nos Evangelhos: “Jesus tomou Pedro, Tiago e João... a um alto monte... e foi transfigurado diante deles; Sua face resplandeceu como o sol, Sua veste tornou-se como luz; e eis que foram vistos Moisés e Elias falando com Ele”... Estando Pedro “ainda falando, eis que uma nuvem brilhante os sombreou, e eis uma voz vindo da nuvem, dizendo: Este é Meu Filho amado... a Ele ouvi” (Mt. 17:1-10; Mc. 9:1-11).; e, em Lucas, Pedro, “falando estas coisas, formou-se uma nuvem, e os sombreou, pelo que ficaram apavorados, quando entraram na nuvem; mas saiu uma voz da nuvem, dizendo: Este é Meu Filho amado, a Ele escutai” (Lc. 9:34, 35). Nessa transfiguração o Senhor também representou o Divino Vero, que é a Palavra, pois o Senhor, quando esteve no mundo, fez Divino Vero o Seu Humano, e quando saiu do mundo fez Divino Bem o seu Humano pela união com o Divino mesmo, que estava n’Ele desde a concepção). (Que o Senhor tenha feito o Seu Humano tornar-se o Divino Vero quando esteve no mundo e, depois, o Divino Bem, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém, n. 303-306; e que o Senhor seja a Palavra, n. 263). Daí é que cada uma das coisas que foram vistas quando foi transfigurado significam o Divino Vero procedente do Divino Bem do Senhor. O Divino Bem do Divino amor, que está n’Ele, do qual Ele teve o Divino Vero no Humano, foi representado por ‘Sua face ter resplandecido como sol’, porque a face representa os interiores, pelo fato de estes luzirem pela face; e o ‘sol’ significa o Divino Amor (vide acima, n. 401, 412). O Divino Vero foi representado pelas vestes, que se tornaram como a luz; as vestes na Palavra significam os veros, e as ‘vestes do Senhor’ significam o Divino Vero (vide também acima, n. 64, 271 e 395), razão pela qual elas até apareceram ‘como luz’, pois o Divino Vero faz a luz no céu angélico, e daí a ‘luz’ na Palavra significam isto (a respeito deste assunto vide a obra O Céu e o Inferno, n. 126-140). Visto que foi representada a Palavra, que é o Divino Vero, por isso ‘Moisés e Elias foram vistos falando com Ele’. Por ‘Moisés’ e por ‘Elias’ é significada a Palavra; por ‘Moisés, a Palavra histórica, e por ‘Elias’ a Palavra profética’. Mas a Palavra na letra foi representada pela ‘nuvem’ que sombreou os discípulos e na qual os discípulos entraram, pois pelos discípulos na Palavra foi representada a igreja, que naquele e depois estivera somente nos veros do sentido da letra. E visto que as revelações e as respostas se fazem pelo Divino Vero nos últimos, como foi dito num artigo acima, e esse vero é como o vero do sentido da letra da Palavra, por isso aconteceu que ‘uma voz foi ouvida da nuvem, dizendo: Este é o Meu Filho amado; escutai-O’, isto é, que Ele é o Divino Vero ou a Palavra. [3] Quem não sabe que pela ‘nuvem’ na Palavra se entende no sentido espiritual a Palavra na letra não pode saber o arcano que envolve o seguinte: Que na consumação do século ‘ver-se-á o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder [virtute] e glória” (Mt. 24:30; Mc. 13:26; 14:61, 62; Lc. 21:27). e, também, no Apocalipse: “Eis” Jesus Cristo “virá com as nuvens, todo olho O verá” (Ap. 1:7); e em outra passagem: “Vi, e eis uma nuvem branca, e sobre a nuvem estava assentado um semelhante ao Filho do homem” (Ap. 14:14); e em Daniel: “Vendo estive nas visões da noite, e eis com as nuvens dos céus estava como que o Filho do homem que vem” (Dn. 7:13). Quem ignora que as ‘nuvens do céu’ significam os veros da Palavra no sentido da letra não pode saber senão que na consumação do século, isto é, no fim da igreja, o Senhor virá nas nuvens do céu e Se manifestará ao mundo. Mas é sabido que após a Palavra ser dada, o Senhor Se manifesta somente por ela, pois a Palavra, que é o Divino Vero, é Ele mesmo no céu e na igreja. Por aí se pode ver pela primeira vez que a manifestação aí predita significa a Sua manifestação na Palavra, e a Sua manifestação na Palavra se fez pelo fato de Ele ter aberto e revelado o sentido interno ou espiritual da palavra, porque nesse sentido está o Divino Vero mesmo tal como é no céu, e o Divino Vero no céu é o Senhor mesmo ali. Daí se pode ver agora que pelo ‘advento do Senhor nas nuvens do céu com glória’ significa Sua revelação no sentido da letra da Palavra por seu sentido espiritual. As ‘nuvens do céu’ significam as coisas que são do sentido da letra, e ‘glória’ as coisas que são do sentido espiritual (vide na obra O Céu e o Inferno, n. 1) e a revelação mesma do sentido espiritual (no opúsculo Do Cavalo Branco). “Filho do homem’ também significa o Senhor quanto ao Divino Vero (como acima, n. 63 e 151). [4] Que a ‘nuvem’ signifique o Divino Vero nos últimos, por conseguinte, a Palavra no sentido da letra, pode-se ver ainda pelas seguintes passagens. Em Isaías: “Eis Jehovah cavalgando uma nuvem leve, e vem ao Egito; pelo que foram abalados os ídolos do Egito diante d’ Ele, e o coração dos egípcios se derreteu no seu meio” (Is. 19:1); pelo ‘Egito’ aí não se entende o Egito, mas o homem natural separado do espiritual, que então está nos falsos e males, e por eles perverte todos os veros e bens da igreja; que esses falsos e males o destruam quando influi o vero do bem procedente do Senhor é o que se descreve por essas palavras do profeta entendidas no sentido interno. Que Jehovah seja citado a ‘cavalgar numa nuvem ligeira’ significa que o Senhor ilumina o entendimento com os veros; ‘cavalgar’, quando diz respeito a Jehovah ou o Senhor, significa iluminar o entendimento, e ‘nuvem ligeira’ significa o vero. Que então ‘os ídolos do Egito sejam abalados, e o coração dos egípcios se liquefaça’ significa que então os falsos e males que são do homem natural separado do espiritual então o destroem; ‘ídolos’ são os falsos, ‘coração’ é os males’ e ‘Egito’ é o homem natural. [5] Em Moisés: “Não [há] como Deus, Jeschurum, que cavalga no céu... e em sua magnificência sobre as nuvens; habitáculo do Deus de antiguidade, e embaixo os braços do mundo” (Dt. 33:26, 27); aqui, também, por ‘cavalgar nas nuvens’ é significado iluminar o entendimento pelo influxo do vero espiritual no vero natural, que é o vero do sentido da letra da Palavra. Como o Divino Vero nos céus é espiritual e o Divino Vero nas terras é natural, e este é iluminado por aquele, por isso se diz ‘em sua magnificência sobre as nuvens’. O ‘habitáculo do Deus de antiguidade’ é o Divino Vero em que estão os anjos, e ‘os braços do mundo’ são os Divinos veros em que estão os homens. São os veros do sentido da letra da Palavra que se entendem pelos ‘braços do mundo’, pois esse sentido é a força mesma do Divino Vero; os ‘braços’ significam a força. (Que no sentido da letra esteja a força do Divino Vero vê-se no artigo logo acima). [6] Em David: Deus “cavalgou num querubim e voou, e foi levado sobre as asas do vento; fez das trevas o seu esconderijo, os seus arredores a sua tenda; trevas de águas, nuvens dos céus; pelo esplendor diante d’Ele as nuvens... passaram” (Sl. 18:10-12); aqui também é descrita a iluminação da Palavra e, assim, da igreja; a iluminação pelo influxo do Divino Vero vindo dos céus é significada por ‘Deus cavalgou num querubim e voou’’; o Divino Vero nos últimos, que é iluminado, é significado por ‘asas do vento’, ‘trevas das águas’ e ‘nuvens dos céus’, coisas que significam os vários graus do entendimento que recebe a iluminação. Que as coisas obscuras desse sentido sejam daí dissipadas entende-se por ‘pelo esplendor diante d’Ele as nuvens passaram’. [7] No mesmo: “Cantai a Deus, louvai o Seu nome; exaltai Aquele que cavalga nas nuvens” (Sl. 68:4); por ‘Aquele que cavalga nas nuvens’ se entende, também aqui, o Senhor quanto à iluminação; as ‘nuvens’ são os veros nos últimos, que são iluminados, e esses são iluminados pelo influxo da luz, que é o Divino Vero, desde o mundo espiritual ou o céu. [8] Em Naum: “O caminho de Jehovah é nas procelas e na tempestade, e as nuvens são o pó de Seus pés” (Na. 1:3); o vero nos últimos, que é o vero do sentido da letra da Palavra, é chamado ‘nuvens, o pó de Seus pés’, porque é o natural e o ínfimo, em que termina e sobre o qual subsiste o Divino Vero no céu, que é espiritual. Como o Divino Vero nos últimos é pouco compreendido a menos que seja iluminado do céu e, por isso, é contestado e controverso, entende-se por ‘procela e tempestade’ em que Jehovah tem o caminho; a ‘procela’ e a ‘tempestade’ espirituais é a contestação a respeito do sentido genuíno, o qual, todavia, o Senhor ilumina pelo influxo naqueles que desejam o vero. [9] Em David: “Sua semente será na eternidade, e Seu trono como o sol diante de Ti, como a lua, será firme na eternidade, e testemunha fiel nas nuvens’ (Sl. 89:36, 37), palavras que são a respeito do Senhor, e pela ‘semente’ que será na eternidade é significado o Divino Vero que vem d’Ele; o ‘trono’, que é ‘como o sol e como a lua’ significa o céu e igreja quanto ao bem do amor e quanto ao vero da fé; pelo ‘trono’ é significado o céu e a igreja; ‘como o sol’, quanto ao bem do amor, e ‘como a lua’, quanto ao vero da fé. ‘Testemunha fiel nas nuvens’ significa que Ele é o Divino Vero, pois ‘testemunha’, quando se trata do Senhor, significa o que procede d’Ele, e isto, como é d’Ele, testifica a respeito d’Ele. [10] No mesmo: Jehovah “estabelece nas águas os Seus vigamentos, faz das nuvens o Seu carro, anda sobre as asas do vento” (Sl. 104:3); aqui se descreve em poucas palavras o céu e a igreja, e, ao mesmo tempo, a doutrina da Palavra; ‘estabelece nas águas os vigamentos’ significa que o Senhor forma os céus e a igreja pelos Divinos veros; as ‘águas’ significam os Divinos veros, ‘os vigamentos de Jehovah’ são os céus e a igreja, ‘estabelecer’ significa formar. ‘Fazer das nuvens o seu carro’ significa a doutrina oriunda dos Divinos veros nos últimos; as ‘nuvens’ são os últimos Divinos veros, tais como estão no sentido da letra da Palavra, e o ‘carro’ é a doutrina. Diz-se isto porque toda doutrina da igreja é formada e confirmada pelo sentido da letra da Palavra. ‘Anda sobre as asas do vento’ significa a vida que a doutrina ??? tem pelo influxo espiritual; ‘andar’ significa viver, e, quando se trata do Senhor, significa a vida mesma; ‘asas do vento’ são as coisas espirituais da Palavra. (Que as ‘águas’ signifiquem os veros vê-se acima, n. 71, 483, 518, 537 e 538). [11] Em Isaías: “Farei” de Minha vinha “uma desolação... e ainda mais, ordenarei às nuvens que não façam chover sobre ela a chuva” (Is. 5:6); por essas palavras se entende que a igreja não terá entendimento algum do Divino Vero ou da Palavra; pela ‘vinha’ é significada a igreja, pelas ‘nuvens’ a Palavra na letra, e por ‘não chover chuva’ é significado não ter da Palavra entendimento algum do Divino Vero. [12] Em David: Jehovah, “o Que cobre os céus com nuvens, o Que prepara a chuva para a terra, o Que faz a grama germinar nos montes” (Sl. 147:8); ‘cobrir os céus com nuvens’ significa proteger e conservar as coisas espirituais da Palavra, que estão nos céus, por meio dos veros naturais tais como são no sentido da letra da Palavra; ‘que prepara a chuva para a terra’ significa a instrução daí, para a igreja; ‘que faz a grama germinar nos montes’ significa, assim, a nutrição para aqueles que estão no bem do amor. [13] Algo semelhante é significado por estas palavras em Isaías: “Destilai de cima, ó céus, e as nuvens chovam com justiça; abra-se a terra, e frutifiquem a salvação” (Is. 45:8). No Livro dos Juízes: “Jehovah, quando saíste de Seir, quando caminhaste desde o campo de Edom, a terra estremeceu, os céus também destilaram, as nuvens também destilaram águas” (Jz. 5:4); por ‘sair de Seir’ e ‘caminhar desde o campo de Edom’, quando se trata de Jehovah, é significada a iluminação das nações pelo Senhor quando assumiu o Humano; por ‘a terra estremecer’ é significado o estado da igreja então mudado; por ‘os céus destilarem’ e por ‘as nuvens destilarem águas’ é significada a instrução, o influxo e a percepção do Divino Vero; ‘destilar’ significa a instrução e o influxo; as ‘águas’ significam os veros, os ‘céus’ os seus interiores e as ‘nuvens’ os seus exteriores, tais como são no sentido da letra da Palavra. [14] Em David: “As nuvens destilaram águas, os éteres proferiram voz, e a Tuas flechas se foram” (Sl. 77:17); ‘as nuvens destilaram águas’ significa que do sentido da letra da Palavra vêm os veros genuínos; ‘os éteres proferiram voz’ significa o influxo vindo dos céus; ‘Tuas flechas se foram’ significa os Divinos veros daí. Em Jó: Deus “prende as águas em Suas nuvens, e a nuvem não se rompe debaixo delas; ...expande sobre” o trono “a Sua nuvem” (Jó 26:8, 9); aqui, também, as ‘nuvens’ estão em lugar dos últimos veros na ordem, os quais, por conterem os veros espirituais e se revestirem deles, para não serem dissipados, são referidos e significados pelo fato de “Deus prender as águas em Suas nuvens, e a nuvem não se romper’. Visto que os veros exteriores, que se chamam naturais, também circundam e envolvem os veros interiores, que se chamam veros espirituais e são próprios para os anjos dos céus, isto é dito e significado por ‘expande sobre o trono a Sua nuvem’. [15] Em Isaías: “Disse Jehovah... Estarei quieto e olharei no Meu habitáculo, como o calor sereno sobre a luz, e como nuvem de orvalho quando aquece a sega” (Is. 18:4); ‘nuvem de orvalho’ significa o vero frutificando do bem. No mesmo: “Jehovah criará sobre todo habitáculo do Monte Sião, e sobre as suas convocações, uma nuvem de dia, e fumaça e esplendor de chama de fogo de noite, pois sobre toda glória há uma cobertura” (Is. 4:5); pelo ‘habitáculo no Monte Sião’ é significado o bem da igreja celeste, e por ‘sua convocação’ são significados os veros desse bem; a proteção para haja dano por causa de luz e sombra excessivas é significada por ‘nuvem de dia’ e por ‘fumaça e esplendor de chama de fogo de noite’; e como todo bem e vero espiritual é conservado para que não sofra dano pelo bem e vero natural, por isso se diz que ‘sobre toda glória há uma cobertura’; ‘glória’ é o bem e vero espiritual. [16] Algo semelhante é significado por Ter havido nuvens sobre o tabernáculo de dia e fogo de noite (Êx. 40:36-38; Nm. 9:15-17 ao fim; 10:11, 12, 34; 14:14; Dt. 1:33). Jehovah ter precedido numa coluna de nuvens de dia e numa coluna de fogo de noite (Êx. 13:21); Uma coluna de nuvens ter ficado entre os acampamentos dos filhos de Israel e os acampamentos dos egípcios (Êx. 14:19-21). Em David: Deus ‘os conduziu na nuvem de dia, e toda a noite na luz do fogo” (Sl. 78:14); e em outra passagem, no mesmo: “O Egito se alegrou por eles saírem, porque o pavor deles caiu sobre eles; estendeu uma nuvem por cobertura, e fogo para iluminar a noite” (Sl. 105:38, 39). Que tenha havido ‘sobre o tabernáculo a nuvem de dia e o fogo de noite’ era porque o ‘tabernáculo’ representava o céu e a igreja; a ‘nuvem’ representava a presença do Senhor pelo Divino Vero, e o ‘fogo’ a Sua presença pelo Divino Bem, bem esse que se chama da fé, ambos no último na ordem, pelo que foram como que coberturas sobre o tabernáculo. Por isso, nas passagens citadas acima de Isaías e David se diz ‘sobre toda glória há uma cobertura’ e ‘estendeu uma nuvem por cobertura’. Algo semelhante é significado pela Nuvem que cobriu o Monte Horebe, nuvem na qual Moisés entrou (Êx. 19:15-18). Algo semelhante, também, pela Nuvem em que Jehovah desceu sobre o Monte Sinai (Êx. 19:16, 18; 34:5). Algo semelhante, também, pela Coluna de nuvem que ficou à porta da tenda de Moisés (Êx. 33:9, 10). [17] Depois, também, pela ‘nuvem’ em Ezequiel: “Vi, eis que uma tempestade de vento veio do norte, uma grande nuvem e fogo se recolhendo em si mesmo, cujo esplendor estava ao redor” (Ez. 1:4). E, no mesmo, “Querubins estavam à direita da casa quando o varão entrou, e uma nuvem enchia o átrio interior; e a glória de Jehovah se ergueu de sobre o querubim, sobre o limiar da casa, e a nuvem encheu a casa, e o átrio estava cheio do esplendor da glória de Jehovah” (Ez. 10:3, 4); pelos ‘querubins’ é significado o Senhor quanto à proteção, para que não haja acesso senão pelo bem do amor. Daí, pelos ‘querubins’ também são significados os céus, especialmente o céu íntimo ou terceiro, porque os anjos que estão ali recebem o Divino Vero no bem do amor. É, pois, o Divino Vero, que em sua essência é o bem do amor, que protege. Esse Divino Vero, conforme desce do céu íntimos aos céus inferiores e, finalmente, ao mundo onde estão os homens, por conseguinte, por graus, de puro se torna mais denso. Daí é que no grau ínfimo aparece como nuvem, pela qual é significado por isso o Divino Vero acomodado à compreensão dos anjos que estão no céu ínfimo, os quais são espirituais naturais, e daí à compreensão dos homens, que estão no mundo natural. E visto que o Divino Vero nesse grau é semelhante ao Divino Vero tal como é no sentido da letra da Palavra, por isso pela ‘nuvem’ é significada a Palavra quanto ao sentido da letra. Esse Divino Vero é que, como nuvem, enchia o átrio e, daí, a casa, à cuja direita ficaram os querubins. E visto que esse Divino Vero interiormente é o espiritual que resplandece pela luz celeste, por isso é chamado ‘glória’ e se diz que o ‘átrio estava cheio da glória de Jehovah’. E, em Jó, “Quando” Deus “faz resplandecer a luz de Suas nuvens” (Jó. 37:15). [18] Como os céus superiores aparecem aos olhos dos que estão nos céus inferiores como envolvidos por uma nuvem tênue e branca (pelo fato de os anjos inferiores não poderem ver o Divino mais superior ou interiormente senão segundo a qualidade deles), por isso também o Divino Vero nos céus superiores se entende em algumas passagens na Palavra pelas ‘nuvens’, por isso o Divino Vero nos céus superiores é entendido algumas vezes na Palavra por ‘nuvem’; ou, o que é o mesmo, os céus superiores se entendem pela ‘nuvem’. Quer digas o Divino Vero, quer digas céus, dá no mesmo, pois os céus são céus pelo Divino Vero, e os anjos ali são anjos por sua recepção. Neste sentido se diz ‘nuvem’ também em Isaías: Lúcifer, “tu disseste em teu coração: ...Subirei sobre excelsas nuvens, far-me-ei semelhante ao Altíssimo” (Is. 14:13, 14); em Jeremias: “Abandonai” Babel, “e vamo-nos, cada um para a sua terra; porque o seu juízo chega até os céus, e eleva-se até as nuvens” (Jr. 51:9); e em David: “Atribuí a força a deus; sobre Israel está a Sua exaltação, e a Sua força sobre as nuvens” (Sl. 68:34). Pela ‘nuvem’ aí é significado o mesmo que pelas “Águas sobre a expansão” (Gn. 1:7), e pelas “Águas sobre os céus” (Sl. 148:4), pois as nuvens vêm das águas. Que as ‘águas’ signifiquem os Divinos veros vê-se acima (n. 71, 483 e 518). [19] Uma vez que existem nuvens mais tênues e mais brancas, como também nuvens mais densas e mais negras, e como as nuvens mais tênues e mais brancas aparecem abaixo dos céus e as nuvens densas e negras são vistas ao redor de muitos infernos, daí é evidente que pelas ‘nuvens’ são também significados, no sentido opostos, os falsos do mal, contrários aos veros do bem, como nas seguintes passagens. Em Ezequiel: “Uma nuvem cobrirá” o Egito, “e suas filhas irão em cativeiro” (Ez. 30:18); no mesmo: Subirá “como nuvem para cobrir a terra” (Ez. 38:9); no mesmo: Ovelhas “dispersas num dia de nuvem e de escuridão” (Ez. 34:12). Daí o juízo final, quando hão de perecer os que estão nos falsos do mal, é chamado “Dia de nuvem e de obscuridade” (Jl. 2:2; Sf. 1:15). O mesmo é significado também Pela “nuvem” e pela “escuridão” que apareceram aos filhos de Israel, quando a Lei era promulgada do Monte Sinai (Dt. 4:11, 12, 15; 5:22-26), pois ainda que Jehovah, isto é, o Senhor, tivesse descido sobre aquele monte numa nuvem branca, essa nuvem, todavia, apareceu como nuvem escura aos olhos do povo, que estava nos falsos do mal (vide os Arcanos Celestes, n. 1861, 6832, 8814, 8819, 9434 e 10551).