. “E um arco-íris sobre a cabeça”. Que isto signifique os interiores da Palavra vê-se pela significação de ‘arco-íris’, que é o Divino Vero tal como é a Palavra no sentido espiritual (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘sobre a cabeça’, que é interiormente, pois ‘sobre’ e ‘superior’ significa dentro e interiormente. Isto se pode ver pelo fato de que, no céu, quando se diz ‘interior’ entende-se superior, pois estão os anjos interiores ou interiormente sábios aparecem também acima dos céus onde estão os anjos exteriores ou exteriormente sábios. Daí é que os três céus são distintos entre si quanto às alturas. O céu íntimo ou terceiro aparece acima do céu médio ou segundo, e este acima do céu mais externo ou primeiro.
[2] Que ‘superior’ signifique interior é porque quando os superiores e os inferiores estão juntos, isto é, quando formam o simultâneo, como na cabeça do homem, então coexistem numa ordem tal que as coisas que existem acima na ordem sucessiva são repostas interiormente, e as que existem abaixo na ordem sucessiva são repostas interiormente. Daí é que as coisas ‘superiores’ significam as interiores, e as ‘inferiores’, exteriores. Isto pode ser ilustrado à compreensão pela ideia de uma superfície em cujo centro estão as coisas mais puras, e nas periferias as mais grosseiras. Estas formam as superfícies superiores e inferiores quando são rebaixadas em uma só e formam o simultâneo. Por aí também se pode ver o que foi dito logo acima a respeito do anjo que estava ‘rodeado por uma nuvem’, pois ser ‘rodeado’, por essa mesma razão e ideia, significa estar de fora e abaixo.
[3] Que o ‘arco-íris’ signifique o Divino Vero interior, tal como é a Palavra no sentido espiritual, é porque a luz do céu, semelhantemente à luz do mundo, apresenta variações de cores e também de íris, segundo a sua incidência nos objetos e a modificação aí, o que também me foi concedido ver algumas no céu angélico (coisas que também se veem descritas nos Arcanos Celestes, n. 1623-1625). Mas os arco-íris que aparecem no céu angélico diferem dos arco-íris que aparecem no mundo, pelo fato de os arco-íris do céu serem de origem espiritual, enquanto os arco-íris do mundo são de origem natural, pois os arco-íris do céu vêm da luz oriunda do Senhor como Sol, e como esse Sol é em sua essência o Divino amor do Senhor, e a luz daí é o Divino Vero, assim as variações de luz que são apresentadas como aco-íries são variações de inteligência e de sabedoria com os anjos. Daí vem que os arco-íris ali significam a forma e a beleza do Divino Vero espiritual. Já os arco-íris do mundo são de origem natural, a saber, do sol do mundo e de sua luz, e assim são somente modificações e, daí, variações da luz pelas águas que defluem da nuvem. E como há semelhante aparência de cores no mundo espiritual e no mundo natural, visto que se correspondem, daí pelos arco-íris do mundo são significadas coisas semelhantes às que são significadas pelos arco-íris do céu, a saber, os Divinos veros espirituais em sua forma e beleza. Esses veros são tais como são os veros da Palavra no sentido espiritual.
[4] Coisas semelhantes são significadas pelo ‘arco-íris’ em Ezequiel:
“Sobre a expansão, que havia sobre a cabeça” dos querubins, “como que uma aparência de pedra safira, à semelhança do trono; e sobre a semelhança do trono uma semelhança como que a aparência de homem sobre ele, superiormente. Vi como que uma espécie de brasa como que uma espécie de fogo dentro dela, ao redor, da aparência de Seus lombos e por trás, como a aparência de um arco-íris que há na nuvem em dia de chuva, assim, uma aparência de glória ao redor. Esta é aparência da semelhança da glória de Jehovah” (Ez. 1:26-28).
Visto que pelos ‘querubins’ é significada a providência e a proteção a fim de que não haja acesso ao Senhor senão pelo bem do amor, por isso apareceu um trono e, sobre o trono, uma aparência de ‘Homem’. Pelo ‘trono’ é significado todo o céu, e pelo ‘Homem’ sobre o trono, o Senhor mesmo. Pela ‘aparência de brasa como fogo, da aparência de Seus lombos e por trás’ é significado o Divino amor celeste, que reina nos céus superiores, pois os céus superiores são representados pela parte superior do corpo, dos lombos para cima, aos quais correspondem, pois eles constituem essa parte no Máximo Homem, que é o céu. O ‘fogo como brasas’ significa esse amor, semelhantemente aos ‘lombos’, pois os lombos correspondem ao casamento do bem e do vero que têm aqueles que estão nos céus superiores. Daí é que o céu é chamado ‘casamento’ e o Senhor é chamado ‘Noivo’ e ‘Marido’, enquanto o céu e a igreja são chamados ‘Noiva’ e ‘Esposa’. Que ‘do lombos, por trás, tenha aparecido como que um esplendor de fogo, que era como o arco-íris’ significa o Divino amor espiritual, que reina nos céus inferiores, porque a região do corpo desde os lombos até às plantas dos pés corresponde a esse amor. E como esse amor procede do Divino Amor celeste, si diz ‘de fogo e de seu esplendor’. O Divino Vero proveniente do Divino Bem do amor é que resplandece a apresenta a aparência de um arco-íris. Daí também é evidente que a transparência do Divino Vero espiritual pelo Divino Vero natural apresenta essa aparência nos céus e, consequentemente, significa isto (como foi dito acima). (Essas coisas, porém, podem ser entendidas mais claramente pelo que foi dito na obra O Céu e o Inferno a respeito do céu, que, pelo Divino Humano do Senhor, refere-se a um Homem (n. 59-86); a respeito da correspondência de todas as coisas do céu com todas as coisas do Homem, n. 87-102; e pelo que dito nos Arcanos Celestes, a respeito da correspondência dos lombos, n. 3021, 4280, 4462 e 5050-5062).
[5] Algo semelhante é também significado pelo ‘arco na nuvem’ no Livro de Gênesis:
“Disse Deus” a Noach: “Este é o sinal da aliança que Eu ponho entre Mim e vós, e entre toda alma viva que há para vós nas gerações do século: Meu arco pus na nuvem, e será para sinal da aliança entre Mim e a terra; e será para nublar-Me ??? sobre a terra, e o arco será visto na nuvem; e lembrarei de Minha aliança, que [faço] entre Mim e vós, e entre toda alma viva em toda a carne, e não haverá mais águas em dilúvio para destruir toda a carne. E o arco estará na nuvem, e vê-lo-ei para lembrar da aliança eterna entre Deus e toda alma viva em toda a carne que há sobre a terra” (Gn. 9:12-17).
quem não sabe que em cada coisa da Palavra há também um sentido espiritual pode achar que o arco na nuvem, que é chamado arco-íris, aparece por sinal de a terra não será mais destruída por dilúvio, quando, todavia, esse arco existe por causas na natureza, e é reproduzido mediatamente quando os raios da luz do sol atingem partes das águas de chuva da nuvem, pelo que é evidente que semelhantes arcos ou íris tinham existido também antes do dilúvio. Por esse motivo, pelos arco-íris vistos pelos homens da terra entendem-se, pela correspondência das coisas espirituais com as naturais, os arco-íris vistos pelos anjos no mundo espiritual, os quais existem todos pela luz do céu e suas modificações na esfera espiritual natural ali, por conseguinte, pelo Divino Vero espiritual e sua transparência no Divino Vero natural. Com efeito, toda luz no céu é espiritual e é, em sua essência, o Divino Vero procedente do Senhor. Daí se pode ver que pelo ‘arco na nuvem’, ou o arco-íris, é significado o Divino Vero espiritual que transparece pelo Divino Vero natural. Essa transparência se faz por aqueles que são reformados e regenerados pelo Senhor por meio do Divino Vero e por uma vida segundo este. A transparência mesma também aparece nos céus como um arco-íris. Pelo ‘sinal da aliança’ é significada a presença e a conjunção do Senhor com eles, pois ‘aliança’ significa isso. Esse sinal foi dado porque o ‘dilúvio’ pelo qual o gênero humano foi então destruído significa os falsos medonhos do mal, pelos quais a descendência da Igreja Antiquíssima pereceu. A restituição e a instauração de uma nova igreja, que foi chamada Igreja Antiga, pelo Divino Vero conjunto ao bem espiritual, que em sua essência é a caridade, é representativamente apresentado pelos arco-íris no céu e, daí, significado pelos arco-íris no mundo. Como, porém, essas palavras envolvem muitos arcanos, que não podem ser expostos em poucas palavras, vide as coisas que foram explicadas detalhadamente nos Arcanos Celestes (n. 1031-1059).
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