. [Vers. 6] “E jurou pelo Que vive no século dos séculos”. Que isto signifique a verdade vinda de Seu Divino vê-se pela significação de ‘jurar’, que é afirmação e confirmação, e, quando se trata do Senhor, é a verdade (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘pelo Que vive no século dos séculos’, que é o Divino desde a eternidade, o Qual, somente, vive, e do Qual todos no universo, tanto os anjos quanto os homens, têm vida. (Que isto seja significado pelo ‘Que vive no século dos séculos’ vide acima, n. 289, 291 e 349). Que ‘jurar’ signifique a afirmação e a confirmação, mas, aqui, a verdade, porque vem do ‘anjo’, por quem se entende o Senhor, pode-se ver pelo fato de que jurar é afirmar e confirmar de que algo é assim, e, quando vem do Senhor, é a Divina Verdade. Com efeito, os juramentos se fazem somente por aqueles que não estão interiormente na verdade mesma, isto é, por aqueles são somente homens exteriores e não interiores. Assim, nunca são feitos pelos anjos, ainda menos pelo Senhor. Todavia, que se diga na Palavra que Ele jurou, e que tenha sido concedido aos filhos de Israel jurar por Deus, é porque eles foram somente homens exteriores, e porque a afirmação e a confirmação feitas pelo homem interno caem no ato de jurar, quando no externo. E na Igreja Israelita todas as coisas eram externas, as quais representavam e significam as internas. Também é semelhante na Palavra, no sentido da letra. Daí se pode ver que por ‘o anjo jurou pelo Que vive no século dos séculos’ não se entende que jurou assim, mas que em si disse que é a verdade, e isto descendo na esfera natural, segundo as correspondências, se converte em ‘jurar’. [2] Ora, visto que ‘jurar’ é somente o externo que corresponde à confirmação, que é da mente do homem interno, e, daí, a significa, por isso na Palavra do Velho Testamento se diz que é lícito jurar por Deus, e se diz mesmo que Deus jurou. Que isto signifique a confirmação, a afirmação e simplesmente a verdade, ou que algo é um vero, pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Isaías: “Jurou Jehovah pela direita, e pelo braço da força” (Is. 62:8); em Jeremias: “Jurou Jehovah Zebaoth por Sua alma” (Jr. 51:14; Am. 6:8); em Amós: “Jurou o Senhor Jehovih por Sua santidade” (Am. 4:2); no mesmo: “Jurou Jehovah pela excelência de Jacob” (am. 8:7; em Jeremias: “Eis que jurei por Meu grande nome” (Jr. 44:26). Que se diga de Jehovah que jurou por ‘Sua direita’, por ‘Sua alma’, por ‘Sua santidade’ e por ‘Seu nome’ significa pela Divina Verdade, pois pela ‘direita de Jehovah’, pelo ‘braço de Sua força’, pela ‘santidade’, pelo ‘nome’ e por ‘Sua alma’ se entende o Senhor quanto ao Divino Vero, assim, o Divino Vero procedente do Senhor. Semelhantemente pela ‘excelência de Jacob’, pois pelo ‘forte de Jacob’ se entende também o Senhor quanto ao Divino Vero. [3] Que ‘jurar’, quando se refere a Jehovah, signifique a confirmação por Si ou Seu Divino é evidente em Isaías: “Por Mim jurei; saiu da Minha boca a Palavra, que não será chamada de volta” (Is. 45:23); e em Jeremias: “Por Mim jurei que em desolação se tornará esta casa” (Is. 22:5); em David: “Jurou Jehovah a David a verdade, da qual não Se afasta” (Sl. 132:11). [4] Jehovah Deus ou o Senhor nunca jura, pois não convém a Deus mesmo ou a Divina Verdade jurar. Quando, porém, Deus ou a Divina Verdade quer ter algo confirmado diante dos homens, então essa confirmação, descida à esfera natural, cai num juramento ou numa fórmula de juramento comum no mundo. Daí é evidente que embora deus nunca jure, todavia no sentido da letra da Palavra, sentido que é natural, se diz que Ele jura. É isto, pois, é significado por ‘jurar’, quando se diz de Jehovah ou o Senhor, nas passagens precedentes e, também, nas seguintes. Em Isaías: “Jurou Jehovah Zebaoth, dizendo: Se não se fará do modo como pensei” (Is. 14:24); em David: “Firmei aliança com Meu Eleito, jurei a David, Meu servo;... Senhor, juraste a David em verdade” (Sl. 89:3, 35, 49); no mesmo: ‘Jurou Jehovah, e não Se arrependerá” (Sl. 110:4); em Ezequiel: “Jurei a ti, e entrei em aliança [contigo]... para que fosses para Mim” (Ez. 16:8); em David: “Aos quais jurei na Minha ira” (Sl. 95:11); em Isaías: “Jurou a Noach que as águas não haverão mais de passar sobre a terra” (Is. 54:9); em Lucas: “Para [Se] lembrar de Sua santa aliança, do juramento que jurou a Abrahão, nosso pai” (Lc. 1:72, 73); em David: “Lembrou-Se de Sua aliança... que estabeleceu com Abrahão, e de Seu juramento com Isaque” (Sl. 105:8, 9); em Jeremias: “Para que [Eu] estabeleça o juramento que jurei a vossos pais” (Jr. 11:5; 32:22); [em Moisés:] “A terra... que jurei que daria a vossos pais” (Dt. 1:35; 10:11; 11:9, 21; 26:3, 15; 31:20; 34:4). [5] Por aí se pode ver o que se entende por ‘o anjo ergueu sua mão para o céu, e jurou pelo Que vive no século dos séculos’, semelhantemente ao que está em Daniel: “Ouvi o Varão vestido de linho, que ergueu sua direita e sua esquerda aos céus, e jurou pelo Que vive no século dos séculos’ (Dn. 12:7), a saber, é a afirmação diante dos anjos a respeito do estado da igreja que o que se seguiria era a Divina Verdade. [6] Como a igreja instituída com os filhos de Israel foi uma igreja representativa, na qual todas as coisas que foram ordenadas eram coisas naturais que representavam e significavam coisas espirituais, por isso aos filhos de Israel, com os quais havia essa igreja, foi concedido jurar por Jehovah e por Seu nome, como também pelas coisas santas da igreja. Por aí que era representada e, daí, significada a confirmação interna e também a verdade, como se pode pelas passagens que se seguem. Em Isaías: “Aquele que se bendiz na terra, bendiga-se no Deus da verdade; e aquele que jura na terra, jure no Deus da verdade” (Is. 65:6); em Jeremias: “Jura por Jehovah vivo em verdade, em juízo e em justiça” (Jr. 4:2); em Moisés: “A Jehovah teu Deus temerás, a Ele servirás, e em Seu nome jurarás” (Dt. 6:13; 10:20); em Isaías: “Naquele dia haverá cinco cidades na terra do Egito... jurando a Jehovah Zebaoth” (Is. 19:18); em Jeremias: “Se aprendendo aprenderem os caminhos do Meu povo, para jurarem pelo Meu nome, Jehovah Vivo” (Jr. 12:16); em David: “Gloriar-se-á todo aquele que jura por” Deus, “e será tapada a boca dos falam mentira” (Sl. 63:12); ‘jurar por Deus’ significa aqui falar a verdade, pois segue-se: ‘será tapada a boca dos que falam mentira’. (Que eles tenham jurado por Deus vê-se também em Gn. 21:23, 24, 31; Js. 2:12; 9:20; Jz. 21:7; I Re. 1:17.) [7] Visto que nos tempos antigos foi concedido jurar por Jehovah Deus, por isso se segue que foi um mal enorme jurar em falso ou em mentira, como é evidente pelas seguintes passagens. Em Malaquias: “Serei testemunha contra os feiticeiros, e contra os adúlteros, e contra os que juram em falso” (Ml. 3:15); em Moisés: “Não jurarás por Meu nome em mentira, para que não profanes o nome de teu Deus”; e “Não tomaras o nome de teu Deus em vão” (Lv. 19:12; Dt. 5:11, Êx. 20:7; Zc. 5:4); em Jeremias: “Percorrei as ruas de Jerusalém, e vede... se não há os que tenham dito: Por Jehovah vivo, e que juram por mentira;... teus filhos Me destruíram, e juraram pelo que não é Deus” (Jr. 5:1, 2, 7); em Oséias: “Israel... não jureis, Vive Jehovah” (Os. 4:15); em Sofonias: “Cortarei... os que juram por Jehovah, e os que juram por Seu reino, e os que recuam de após Jehovah” (Sf. 1:4-6); em Zacarias: “Não ame juramento de mentira” (Zc. 8:17); em Isaías: “Ouvi, ó casa de Jacob... os que juram pelo nome de Jehovah... não em verdade e não em justiça” (Is. 48:1); em David: “O limpo de mãos e o puro de coração; não entrega sua alma à vaidade, e não jura com dolo” (Sl. 24:4). [8] Por aí se pode ver que aos antigos, que estiveram representativos e significativos da igreja, foi concedido jurar por Jehovah Deus para que testificassem a verdade, e que, assim, por esse juramento foi significado que pensavam o vero e queriam o bem. Isto foi concedido principalmente aos filhos de Jacob, porquanto eles foram homens inteiramente externos e naturais, e não internos e espirituais. E os homens meramente externos ou naturais querem ter a verdade confirmada e atestada por juramentos, mas os homens internos ou espirituais não querem isso, e mesmo têm aversão a juramentos e têm horror a isto, principalmente em relação aos que se fazem por Deus e pelas coisas santas do céu e da igreja, contentando-se em dizerem e que se diga que isto é um vero ou que isto é assim. [9] Visto que jurar não pertence ao homem interno ou espiritual, e o Senhor, quando veio ao mundo, ensinou como serem internos ou espirituais, e, para esse propósito, depois que aboliu os externos da igreja e abriu os seus internos, também proibiu jurar por Deus e pelas coisas santas do céu e da igreja, como se pode por estas palavras do Senhor, em Mateus: “Ouvistes o que foi dito: Não jurarás, mas cumprirás teu juramento ao Senhor. Eu, porém, vos digo, de maneira nenhuma jurarás; nem pelo céu, porque é o trono de Deus, nem pela terra, porque é o escabelo de Seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; nem jurarás por tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou negro” (Mt. 5:33-37). Aí são citadas as coisas santas, pelas quais não se deve jurar, a saber, o ‘céu’, a ‘terra’, ‘Jerusalém’ e a ‘cabeça’, e pelo ‘céu’ se entende o céu angélico, que é chamado ‘trono de Deus’ (que pelo ‘trono de Deus’ se entenda esse céu vê-se acima, n. 253, 462 e 477); pela ‘terra’ se entende a igreja (vê-se acima, n. 29, 304, 413 e 417), por isso chamada ‘escabelo dos pés de Deus’ (que o ‘escabelo dos pés de Deus’ também seja a igreja, acima, n. 606); por ‘Jerusalém’ se entende a doutrina da igreja, pelo que se diz ‘cidade do grande Deus’ (que a ‘cidade’ seja a doutrina, acima, n. 223); e pela ‘cabeça’ se entende a inteligência daí (acima, n. 553 e 577), pelo que se diz: ‘não podes tornar um só cabelo branco ou negro’, pelo que é significado que de si mesmo o homem nada pode entender. [10] Além disso, no mesmo: “Ai de vós, guias cegos! porque dizeis: Qualquer um que jurar pelo templo, isto nada é; mas qualquer um que jurar pelo ouro do templo, responsável [réus] é. Estultos e cego! pois qual dos dois é maior, ou o ouro ou o templo que santifica o ouro? Também: Qualquer um que jurar pelo altar, isto nada é; mas qualquer um que jurar pela oferta que está nele, responsável [réus] é. Estultos e cegos! Qual deles é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta? Mas quem jurar pelo altar, jura por ele e por tudo que sobre ele está; e quem jurar pelo templo, jura por ele e por Aquele que habita nele; e quem jura pelo céu, jura pelo trono [de Deus] e por Aquele que está assentado sobre ele” (Mt. 23:16-22). Que ‘não se deve jurar pelo templo e pelo altar’ é porque jurar por eles era jurar pelo Senhor, pelo céu e pela igreja, pois pelo ‘templo’, no sentido supremo, entende-se o Senhor quanto ao Divino Vero e, no sentido relativo, o céu e a igreja quanto ao Divino Vero e também todo culto pelo Divino Vero (vide acima, n. 220); e pelo ‘altar’ é significado o Senhor quanto ao Divino Bem e, no sentido relativo, o céu e a igreja quanto ao Divino Bem e também todo culto pelo Divino Bem (também acima, n. 391). E como pelo Senhor se entendem todas as coisas Divinas que procedem d’Ele, pois Ele mesmo está nelas e elas são d’Ele, por isso o que jura por Ele jura por todas as Suas coisas. Semelhantemente, o que jura pelo céu e a igreja jura por todas as coisas santas que são do céu e da igreja, pois o céu é o conjunto e o continente delas, semelhantemente à igreja. Por isso se diz que o templo é maior do que o ouro do tempo, porque o templo o santifica, e que o altar é maior do que a oferta sobre ele, porque o altar a santifica.