. “O Qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há”. Que isto signifique o Senhor quanto a todas as coisas do céu e da igreja, interiores e exteriores, vê-se pela significação de ‘criar’ que é fazer não somente que algo exista, mas que exista perpetuamente, contido e sustentado pelo Divino procedente, pois os céus passaram a existir e existem perpetuamente, isto é, subsistem, pelo Divino do Senhor, que é chamado Divino Vero unido ao Divino Bem. Isto, sendo recebido pelos anjos, faz o céu. Daí é que, quando se diz céu, entende-se o Senhor, porque o céu, onde estão os anjos, é céu pelo Senhor, isto, pelo Divino procedente d’Ele. É isto, pois, que é significado aqui por ‘criar’. (Que ‘criar’, quando se diz da igreja e dos homens da igreja, seja criar de novo, isto é, regenerar, vide acima, n. 294). E pela significação de ‘céu, terra, mar e o que há neles’, que são todas as coisas do céu e da igreja, interiores e exteriores. Por ‘céu, terra e mar’ em particular são significados aqui os céus superiores e inferiores, porquanto no mundo espirituais a face das coisas é semelhante ao que existe no mundo natural, a saber, montanhas, terras e mares; as montanhas ali são os céus superiores, porque os anjos desses céus habitam sobre montanhas; e as terras e mares ali são os céus inferiores, porque os anjos desses céus habitam abaixo das montanhas, sobre terras e como que nos mares (a respeito deste assunto, vide acima, n. 594). Assim é que o anjos que falou essas coisas foi visto estando de pé ‘sobre a terra e o mar’. Que por ‘terra, e mar e o que neles há’ sejam também significadas todas as coisas da igreja, tanto as interiores quanto às exteriores, é porque na igreja há coisas interiores e exteriores, assim como nos céus há as superiores e inferiores, e a estas correspondem aquelas. (Que por ‘mar e terra’ seja significada a igreja quanto aos seus exteriores e interiores vê-se acima, n. 600). Segundo o sentido da letra, por ‘céu, terra e mar’ entendem-se o céu visível, a terra habitável e o mar navegável, e pelas ‘coisas que há neles’ entendem-se as aves, bestas e peixes. Mas que estas coisas não se entendam por tais palavras pode-se ver pelo fato de que o anjo foi visto estando de pé sobre o mar e a terra quando João estava ‘em espírito’, e o que é visto em espírito não é visto no mundo natural, mas no mundo espiritual, onde também há, como há pouco foi dito, terras e mares, e ali estão os anjos e os espíritos. Mas, a respeito da aparência dos mares naquele mundo, e do que há neles, vê-se acima, n. 342).
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