. “E disse-me: Importa-te profetizar novamente”. Que isto signifique a ordem Divina para que a Palavra seja ainda ensinada vê-se pela significação de ‘dizer’, quando vem do anjo, pelo qual neste capítulo é representado o Senhor quanto à Palavra, que é uma ordem, pois o que o Senhor diz, isto é uma ordem; e pela significação de ‘profetizar’, que é ensinar a Palavra (de que se tratará a seguir). Que importasse a ele pregar ainda a Palavra era porque se examinava de que qualidade era o entendimento da Palavra ainda restando na igreja, e foi achado que a Palavra era prazerosa quanto ao sentido da letra. Com efeito, isto é significado pelo fato de ‘o livrinho na boca ter sido doce como mel’, pois pelo ‘livrinho’ é significada a Palavra. Que tenha sido ordenado que se ensinasse ainda a Palavra na igreja era porque o seu fim ainda não havia chegado. O seu fim é descrito pelo ‘toque do sétimo anjo’, mas, aqui, o estado da igreja perto do fim é descrito pelo ‘toque do sexto anjo’; é desse estado da igreja de que agora se trata. Antes de chegar o fim, a Palavra, quando ensina, ainda é prazerosa para alguns, mas não no estado último da igreja ou em seu fim, pois então o Senhor abre os interiores da Palavra, que são um desprazer, como acima foi dito, onde se trata de o ventre se amargar e o livrinho ser devorado. [2] Que a Palavra ainda deva ser ensinada, ainda que seus veros interiores sejam um desprazer, e que o juízo final não aconteça antes que haja a consumação, isto é, quando não mais restar bem e vero algum nos homens da igreja, é por uma razão inteiramente desconhecida no mundo, mas conhecida no céu, a saber: há dois gêneros de homens sobre os quais se faz o juízo; um gênero consiste dos probos, o outro dos ímprobos; os probos são os anjos no último céu, que são simples quanto à maior parte, pelo fato de não terem cultivado o entendimento com os veros interiores, mas somente com os exteriores, do sentido da letra da Palavra, sendo os quais viveram. Daí é que a mente espiritual deles, que é a mente interior, não foi, de fato, fechada, todavia não foi aberta como naqueles que receberem os veros interiores na doutrina e na vida. Assim é que, quanto às coisas espirituais, fizeram-se símplices e são chamados probos. Os ímprobos, porém, são os que viveram exteriormente como cristãos, mas interiormente, no pensamento e na vontade, admitiram males de todo gênero, de sorte que na forma externa tinham parecido anjos, embora na forma interna fossem diabos. Esses, quando chegam à outra vida, são consociados mormente aos probos, isto é, aos bons símplices, que estão no último céu, porque os exteriores consociam. e os bons símplices são tais que creem ser bom aquilo que na forma externa parece bom; não penetram além disso, com o pensamento. Estes, a saber, os ímprobos, devem ser separados daqueles, a saber, os probos, antes que venha o juízo final e também após o juízo, e não separados senão sucessivamente. Esta é a razão por que antes do tempo do juízo final a Palavra deve ser ensinada, ainda que interiormente, isto é, quanto aos seus interiores, seja um desprazer. Os interiores, por serem um desprazer, não são recebidos por eles, mas somente as coisas tais, do sentido da letra da Palavra, que favorecem os seus amores e os princípios daí concebidos; por causa disso, a Palavra quanto ao sentido da letra é para eles prazer. Por estas coisas, pois, é que os probos devem ser separados dos ímprobos. [3] Que por isso motivo tenha-se prolongado o tempo, após o juízo final, até que uma nova igreja seja plenamente instaurada, é um arcano do céu que hoje não pode cair no entendimento senão de uns poucos. Isto é, todavia, o que o Senhor ensina em Mateus: “Aproximando-se do pai de família, os servos lhe disseram: ... Não semeaste a boa semente em teu agro? donde, pois, vem o joio ? ... E disseram: Queres, pois, que vamos e a colhamos? Mas ele dize: Não, para que, colhendo o joio, não arranqueis junto com ele o trigo. Deixai, pois, ambos crescerem juntos até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e juntai-o em feixes para ser queimado; o trigo, porém, colhei-o no celeiro. ... O que semeou a boa semente é o Filho do homem; o campo é o mundo, a boa semente são os filhos do reino... a ceifa é a consumação do século. ... Pois assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste século” (Mt. 23:27-30, 37-43); a ‘consumação do século’ significa o último tempo da igreja; que os probos não devam ser separados antes do ímprobos, por estarem consociados pelos exteriores, entende-se por ‘para que, colhendo o joio, não arranqueis junto com ele o trigo’. (Vê-se a respeito destas coisas também no opúsculo Do Juízo Final, n. 70). [4] Que ‘profetizar’ signifique ensinar a Palavra é porque pelo ‘profeta’, no sentido supremo, entende-se o Senhor quanto à Palavra, e, num sentido relativo, aquele que ensina a Palavra, e num sentido abstrato a Palavra mesma e também a doutrina oriunda da Palavra. Isto é significado pelo ‘profeta’. Assim, ‘profetizar’ significa ensinar a Palavra e também a doutrina oriunda da Palavra. Que ‘profetizar’ e ‘profeta’ signifiquem essas coisas pode-se ver por muitas passagens na Palavra entendidas quanto ao sentido espiritual, onde esses termos são mencionados, como nas que se seguem. Em Mateus: “Muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, em Teu nome não profetizamos? e pelo Teu nome não expulsamos demônios? e em Teu nome não fizemos muitas maravilhas [virtutes]? Mas então lhes declararei: Não vos conheço; apartai-vos de Mim, obreiros de iniquidade” (Mt. 7:22, 23). Aí se trata da salvação, ou seja, que ninguém é saldo pelo fato de conhecer a Palavra e ensiná-la, mas pelo fato de praticá-la, porque no que precedeu foi dito somente hão de entrar no reino dos céus ‘aqueles que fazem a vontade de Deus’ (vers. 21), e, no que se segue, que ‘aquele que ouve as palavras do Senhor e as pratica’ é o varão prudente, mas ‘aquele que ouve e não pratica’ é o varão insensato (v. 24-27). Daí é evidente o que se entende por essas palavras, a saber, o culto do Senhor por meio de preces e de palavras somente de boca se entende por ‘muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor’; ensinar a Palavras e os doutrinais da Palavra entende-se por ‘em Teu nome não profetizamos?’; pelo ‘nome’ é significado segundo a doutrina da Palavra, e por ‘profetizar’ é significado ensinar; por ‘expulsar demônios’ é significado libertar pelos falsos da religião; por ‘fazer muitas maravilhas’ é significado converter a muitos. Como, porém, eles tinham feito isto não por causa do Senhor nem por causa do vero e do bem e por causa da salvação das almas, mas por causa de si mesmos e do mundo, assim, somente para aparecerem na forma externa, por isso fizeram em relação a si mesmos não o bem, mas o mal. Isto se entende pelo fato de o Senhor lhes dizer: ‘não vos conheço, obreiros de iniquidade’. Vê-se que não tinham sido obreiros de iniquidades quando fizeram tais coisas, mas, não obstante, tudo isso é iniquidade quando o homem faz por causa de si e do mundo, porquanto não o faz por algum amor ao Senhor nem ao próximo, mas somente pelo amor de si e do mundo neles, e após a morte cada um permanece no seu amor. [5] No mesmo: Na consumação do século “surgirão muitos falsos profetas, e seduzirão a muitos;... surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios, para induzirem ao erro, se possível, os eleitos” (Mt. 24:11, 24; Mc. 13:22); pelos ‘falsos profetas’ e pelos ‘falsos cristos e falsos profetas’ não se entendem os profetas segundo a noção comum de profeta, mas todos aqueles que pervertem a Palavra e ensinam os falsos. Esses são também falsos cristos, pois ‘Cristo’ significa o Senhor quanto ao Divino Vero, donde ‘falsos cristos’ significam os Divinos Veros falsificados. ‘Fazer grandes sinais e prodígios’ significa a eficácia e o poder das falsidades pelas confirmações pelo sentido da letra da Palavra. Por esses falsos também se fazem sinais e prodígios no mundo espiritual, porque o sentido da letra da Palavra, por mais que seja falsificado, tem poder. Sobre este assunto podem ser relatadas coisas admiráveis. Pelos ‘eleitos’ são significados os que estão no bem espiritual, isto é, os que estão no bem da caridade. [6] No mesmo: “Quem ampara um profeta em nome de profeta receberá recompensa de profeta; e quem ampara um justo em nome de justo receberá recompensa de justo; de fato, quem tiver dado de beber a um desses pequenos mesmo um copo de [água] fria em nome de discípulo, amém vos digo que não perderá a sua recompensa” (Mt. 10:41, 42). Ninguém pode entender essas palavras a menos que saiba o que é significado por ‘profeta’, por ‘justo’ e por ‘pequenos’, e também o que é significado por ‘ampará-los em seus nomes’. Por ‘profeta’, no sentido abstrato, é significado o vero da doutrina; por ‘discípulo’, o bem da caridade; por ‘justo’, o bem da vida’ e por ‘ampará-los em seus nomes’ é significado recebe-los pelo amor a eles. Assim, por ‘amparar um profeta em nome de profeta’ é significado amar o vero da doutrina porque é um vero, ou receber o vero por causa do vero; por ‘amparar um justo em nome de justo’ é significado amar o bem e fazer o bem porque é um bem, assim, recebê-lo do Senhor pelo amor ou pela afeição do coração, pois quem ama essas coisas por causa delas, esse as ama por elas, assim, pelo Senhor, de Quem elas procedem. Este, porque não as ama por causa de si e do mundo, ama-as espiritualmente, e todo amor espiritual permanece no homem após a morte e dá a vida eterna. ‘Receber recompensa’ significa levar consigo o amor e, daí, receber a bem-aventurança do céu; ‘dar de beber a um dos pequenos mesmo um copo de [água] em nome de discípulo’ significa a inocência pela inocência, e por ela amar o bem e o vero oriundos da Palavra e ensiná-los; ‘dar de beber um copo de [água] fria’ significa amar e ensinar por um pouco de inocência; ‘pequenos’ significam os inocentes e, abstratamente, a inocência, e ‘discípulos’ significa o bem da doutrina proveniente do Senhor; ‘dar de beber aos pequenos’ significa ensinar o vero pela inocência espiritual e também ensinar o vero aos inocentes. Esta é a interpretação espiritual dessas palavras, a qual, se for ignorada, quem há de saber o que se entende por ‘amparar o profeta e o justo em nome de profeta e de justo’? e que ‘eles hão de receber recompensa de profeta e de justo’? ‘Recompensa’ significa o amor permanecendo na eternidade com os seus prazeres. [7] No mesmo: “Muitos justos e profetas desejaram ver o que vós vedes, mas não viram; e ouvir o que ouvistes, mas não ouviram” (Mt. 13:7); por ‘profetas’ e ‘justos’, no sentido espiritual, entendem-se todos os que estão nos veros da doutrina e no bem da vida segundo ela; e por ‘ver’ e ‘ouvir’ é significado entender e perceber, aqui, os veros interiores que procedem do Senhor, pois entender e perceber essas coisas reforma o homem, quando também o homem as pratica. Que se entendam os veros procedentes do Senhor é porque o Senhor, quando esteve no mundo, as abriu. No sentido da letra entende-se ver e ouvir o Senhor, mas como o Senhor é o Divino Vero mesmo no céu e na igreja, por conseguinte, visto que todos os Divinos veros são provenientes do Senhor, e Ele os ensinou e ensina continuamente pela Palavra, por ‘ver e ouvir o Senhor’ é significado entender e perceber tais coisas. [8] Em Joel: “Derramarei o Meu espírito sobre toda carne, de sorte que os vossos filhos e filhas profetizarão, vossos velhos sonharão sonhos, vossos jovens verão visões” (Jl. 2:28). Essas palavras são a respeito do advento do Senhor e da percepção do Divino Vero por aqueles que recebem o Senhor e creem n’Ele. Por ‘o espírito ser derramado sobre toda carne’ é significado o Divino Vero procedente do Senhor, pois isto é o que se na Palavra entende pelo ‘Espírito Santo’; por ‘profetizar’ é significado entender e ensinar os veros da doutrina; por ‘sonhar sonhos’ é significado receber revelação; e por ‘ver visões’ é significado perceber a revelação; por ‘filhos’ e ‘filhas’ são significados os que estão na afeição do vero e do bem espiritual; por ‘velhos’ são significados os que estão na sabedoria, e por ‘jovens’ os que estão na inteligência. [9] Em Amós: “O Senhor Jehovah não fará uma palavra a menos que tenha revelado o Seu arcano aos seus servos, os profetas. O leão ruge, que não temerá? O Senhor Jehovih falou, quem não profetizará?” (Am. 3:7, 8) também aqui, por ‘profetizar’ é significado receber o Divino Vero e ensiná-lo. (Essas palavras, porém, veem-se explicadas acima, n. 601). As mesmas coisas são significadas por ‘profetizar’ e ‘profetas’ nas passagens que se seguem no Apocalipse: “Concederei aos Meus dois profetas que profetizem mil duzentos e sessenta dias, vestidos de saco” (ap. 11:3); em outra passagem: “O tempo de serem julgados os mortos, e de a recompensa ser dada aos Seus servos, os profetas” (Ap. 11:18); [em outra passagem:] “O testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Ap. 19:10); em outra passagem: “Exulta.. ó céu, santos apóstolos e profetas, porque Deus julgou o juízo” deles (Ap. 18:20). Que pelos ‘profetas’ aí entendam-se os que estão nos veros da doutrina e, no sentido abstrato, os veros da doutrina, e que por ‘profetizar’ se entenda receber e ensinar os veros, principalmente ensinar sobre o Senhor mesmo, ver-se-á na sequência. [10] Em Amós: “Disse Amós a Amazias:... Tomou-me Jehovah de após o rebanho, e disse:... Vai, profetiza contra o Meu povo, Israel;... e tu dizes: Não profetiza contra Israel, nem goteja contra a casa de Isaque; ... tua esposa cometerá escortação na cidade, teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e tua terra será dividida com cordel” (Am. 7:14-17); por ‘profetizar contra Israel’ e ‘gotejar contra a casa de Isaque’ é significado redarguir os que da igreja estão nos falsos do mal; ‘profetizar’ significa ensinar e recriminar, e ‘Israel’ e ‘casa de Isaque’ significam a igreja. Como são os que estão nos falsos do mal que são recriminados, isto se diz de Amazias, por quem era representada a igreja pervertida. Que ‘sua esposa cometerá escortação’ significa a falsificação e a adulteração da Palavra; que ‘os filhos e filhas cairão à espada’ significa que o veros e bens da igreja haviam de perecer pelos falsos do mal; e que ‘a terra seria dividida com cordel’ significa que seria dissipada a igreja e tudo o que lhe pertence. [11] Em Oséias: “Por meio de um profeta Jehovah fez Israel subir do Egito, e por meio de um profeta foi protegido; Efraim provocou à ira com amargor, pelo que o seu sangue será deixado sobre ele” (Os. 12:13, 14); pelo ‘profeta’, aqui, num sentido próximo entende-se Moisés, por quem Israel foi conduzido para fora do Egito e depois protegido, mas, no sentido espiritual, pelo ‘profeta’ se entende o Senhor quanto à Palavra, e por ‘Israel’ se entendem todos os que da igreja estão nos veros do bem, e por ‘Egito’ se entende o homem natural, que, separado do homem espiritual, é condenado. Assim, ‘por meio de um profeta Jehovah fez Israel subir do Egito’ significa que o Senhor, por meio do Divino Vero, que é a Palavra, retira da condenação os que estão nos veros do bem e, depois, por esse meio os protege. ‘Efraim provocou à ira com amargor’ significa que eles perverteram a Palavra quanto ao seu entendimento; por ‘Efraim’ é significado o entendimento da Palavra, e pelo ‘amargor’ são significadas as perversões e, daí, as falsidades, pelos quais há o desprazer. ‘Pelo que o seu sangue será deixado sobre ele’ significa a condenação por causa da adulteração do vero que há na Palavra. [12] No mesmo: “Chegaram os dias da visitação, chegaram os dias da retribuição; Israel, o profeta estulto e o varão insano de espírito o conhecerão, isto por causa da multidão de iniquidade... e do grande ódio. Efraim é sentinela com o meu Deus, o profeta é um laço de passarinheiro em todos os seus caminhos, ódio na casa de seu Deus” (Os. 9:7, 8); por ‘chegaram os dias da visitação e da retribuição’ são significados os dias do juízo final, quando os maus pagarão as penas, que é a retribuição, à qual a visitação sempre procede; por ‘Israel’, pelo ‘profeta’ e pelo ‘varão de espírito’ não se entente Israel, profeta e varão de espírito, mas todos os da igreja que estão nos falsos do mal e nos males do falso, e os ensinam e os confirmam pelo sentido da letra da Palavra; os falsos do mal são significados pela ‘multidão de iniquidade’, e os males do falso pelo ‘grande ódio’. Por ‘Efraim’, que é um sentinela com Deus, é significado o entendimento da Palavra, daí chamado ‘sentinela com Deus’. Como, porém, os que estão nos falso do mal e nos males do falso pervertem o entendimento da Palavra e, assim, astutamente seduzem, por isso se diz: ‘o profeta é um laço de passarinheiro e ódio na casa de Deus’. [13] Em Ezequiel: “Profetiza contra os profetas de Israel que profetizam, e diz aos profetas de seu coração: Ouvi a Palavra de Jehovah; assim disse o Senhor Jehovih: Ai dos profetas estultos, que vão após seu espírito, e conforme o que não viram. ... Minha mão será contra os profetas, os que veem vaidade e advinham mentira” (Ez. 13:2, 3, 9); pelos ‘profetas’, aqui e em outras passagens na Palavra, no sentido próximo se entendem os profetas tais como foram no Velho Testamento, pelos quais o Senhor falou. No sentido espiritual, porém, não se entendem aqueles profetas, mas todos os que o Senhor conduz. Nesses também o Senhor influi e lhes revela arcanos da Palavra, quer os ensinem, quer não. Por isso eles são aqui significados pelos ‘profetas’ no sentido espiritual. Mas pelos ‘profetas que profetizam de seu coração e vão após seu espírito, os que veem vaidade e advinham mentira’ entendem-se todos os que não são ensinados nem conduzidos pelo Senhor, mas por si mesmos, donde têm insanidade em lugar de inteligência, e estultice em lugar de sabedoria. Com efeito, têm o amor de si no lugar do amor a Deus, e o amor do mundo no lugar do amor para com o próximo, dos quais brotam continuamente os falsos. Por aí se pode ver o que é significado em série por essas palavras. [14] Em Miquéias: “A noite para vós em lugar de visão, e as trevas nascerão para vós em lugar de adivinhação; e o sol morrerá sobre os profetas, e enegrecer-se-á sobre eles o dia” (Mq. 3:6); ‘noite para vós em lugar de visão’ significa que haverá o entendimento do falso em lugar do entendimento do vero; ‘trevas em lugar de adivinhação’ significa que os falsos estarão em lugar dos veros revelados; ‘morrerá o sol sobre os profetas, e enegrecer-se-á sobre eles o dia’ significa que não influirá mais luz alguma do Senhor e do céu, que ilumina, mas escuridão dos infernos que enegrece o entendimento. [15] Visto que em muitas passagens se nomeiam os profetas, e ninguém pode conceber a respeito deles outra ideia senão a de profetas do Velho Testamento, pelos quais o Senhor falou ao povo e pelos quais o Senhor ditou a Palavra, e como a Palavra tem também um sentido espiritual em todas e cada uma das coisas, por isso, nesse sentido, pelos ‘profetas’ se entendem todos aqueles a quem o Senhor ensina, por conseguinte, todos os que estão na afeição do vero espiritual, isto é, os que amam o vero porque é um vero, pois estes o Senhor ensina, influi no seu entendimento e ilumina, e isto mais do que fez com os profetas do Velho Testamento, pois eles não eram iluminados quanto ao entendimento, mas somente recebiam pela audição as palavras que lhes eram ditadas ou que haviam de ser escritas. De fato, eles não entendiam o sentido interior delas e menos ainda o sentido espiritual. Por aí se pode ver que pelos ‘profetas’, no sentido espiritual, se entendem todos os que são sábios pelo Senhor, quer também ensinem, quer não. E como todo sentido verdadeiramente espiritual é abstraído da ideia de pessoas, de lugares e de tempos, por isso pelo ‘profeta’ também significado, no sentido supremo, o Senhor quanto à Palavra e quanto à doutrina da Palavra, e também a Palavra e a doutrina. E, no sentido oposto, pelos ‘profetas’ são significadas as perversões e falsificações da Palavra e os falsos da doutrina. E visto que essas coisas são significadas pelos ‘profetas’ em ambos os sentidos, quero citar somente algumas passagens em que os profetas são nomeados, pelos quais se entendem todos os que recebem e ensinam a Palavra e a doutrina, e, no sentido oposto, os que pervertem a Palavra e ensinam os falsos da doutrina, e, abstratamente, a perversão da Palavra e o falso da doutrina. [16] Em Isaías: “Jehovah cortará de Israel a cabeça e a cauda;... o velho e o de faces honradas, [esse] é a cabeça, mas o profeta, o que ensina mentira, é a cauda” (Is. 9:14, 15); no mesmo: “Jehovah derramou sobre vós um espírito de sonolência, e fechou os vossos olhos, ó profetas, e cobriu vossas cabeças, ó videntes” (Is. 19:10); em Jeremias: “Negaram a Jehovah quando disseram: Ele não é, nem virá o mal sobre nós, e nem espada e fome veremos; mas os profetas serão por vento, nem palavra há neles” (Jr. 5:12, 13); no mesmo: “Enviei a eles todos os Meus servos, os profetas, diariamente madrugando e enviando” (Jr. 7:25); no mesmo: “Assim disse Jehovah Zebaoth contra os profetas: Eis que Eu lhes dou de comer absinto, e lhes dou de beber águas de fel. Porque dos profetas de Jerusalém saiu hipocrisia em toda a terra;... não atendais às palavras dos profetas que profetizam a vós, [os que] vos fazem vãos; falam visão de seu coração, não da boca de Jehovah” (Jr. 33:15, 16); no mesmo: “Os profetas que existiram antes de mim e de ti desde o século profetizaram sobre muitas terras e sobre grandes reinos a respeito de guerra, de mal e de peste. O profeta que profetiza sobre a paz, quando tiver chegado a palavra do profeta, será conhecido o profeta a quem [Deus] enviou” (Jr. 38:8, 9); em Mateus: “Ai de vós”, hipócritas e fariseus, “que edificais os sepulcros dos profetas, e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se tivéssemos existido nos dias de nossos pais não teríamos sido partícipes deles no sangue dos profetas, e assim testemunhais contra vós mesmos, que sois filhos daqueles que mataram os profetas. .. Envio a vós profetas, sábios e escribas, mas logo matareis e crucificareis [alguns] deles... para que venha sobre vós todo sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o templo e o altar. ... Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados” (Mt. 23:29-37; Lc. 11:47-51). Nestas passagens, parece que pelos ‘profetas’ se entendem somente os profetas pelos quais Jehovah, isto é, o Senhor, falou; por conseguinte, que o Senhor queria dizer, por ‘matar os profetas’ somente o assassinato deles. Mas Ele quis dizer ao mesmo tempo a morte e a extinção do Divino Vero oriundas da falsificação e da adulteração da Palavra, porque pela pessoa e por sua função, no sentido espiritual, entende-se a coisa mesma que a pessoa desempenhou e da qual falou. Assim, pelo ‘profeta’ entende-se o Divino Vero ou a Palavra e a doutrina daí. Como a função da pessoa faz um com a pessoa que a executa, por isso a coisa mesma que o profeta entende-se por ele. Por ‘derramar o sangue’ também se entende adulterar os veros da Palavra, e como a nação judaica era tal, por isso é dito: ‘Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados’, palavras pelas quais, no sentido espiritual, se entende que eles extinguem todo Divino Vero que há, da Palavra, neles. [17] Visto que pelo ‘profeta’ se entende o Divino Vero que é a Palavra e vem da Palavra na igreja, e isto não pode ser extinto senão naqueles em quem está o Divino Vero ou a Palavra, por isso o Senhor disse Que não convém que o profeta pereça fora de Jerusalém (Lc. 13:33); por ‘Jerusalém’ se entenda a igreja quanto à doutrina do vero. Na Palavra também se fala muitas vezes de ‘sacerdote e profeta’, e pelo ‘sacerdote’ ali se entende aquele que conduz a que se viva segundo o Divino Vero, e por ‘profeta’ aquele que ensina isto. Neste sentido são nomeados ‘sacerdote’ e ‘profeta’ nas passagens que se seguem. Em Jeremias: “Não perecerá do sacerdote a lei, ou do sábio o conselho, ou do profeta a Palavra” (Jr. 18:18); no mesmo: “Naquele dia... perecerão o coração do rei e o coração dos príncipes, e os sacerdotes se espantarão, e os profetas ficarão maravilhados” (Jr. 4:9); em Ezequiel: “Buscarão do profeta uma visão, mas a lei perecerá do sacerdote, e dos anciãos o conselho; o rei chorará, e os príncipes se vestirão de espanto” (Ez. 7:26, 27); pela ‘visão vinda do profeta’ entende-se o entendimento da Palavra; pela ‘lei vinda do sacerdote’ entendem-se os preceitos da vida; pelo ‘conselho vindo dos anciãos’ entende-se a sabedoria daí; pelo ‘rei’ e pelos ‘príncipes’ entende-se a inteligência pelo vero do bem. Este é o espiritual dessas palavras. [18] Em Isaías: “O sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho, andam errantes por causa da bebida forte, erram entre os videntes, titubeiam no juízo” (Is. 28:7); em Jeremias: “Coisa estupenda e horrenda foi feita na terra; os profetas profetizam mentira, e os sacerdotes dominaram por suas mãos, e Meu povo ama assim” (Jr. 5:30, 31); no mesmo: “[Desde] o profeta até o sacerdote, cada o um pratica a mentira” (Jr. 8:10); no mesmo: “Quanto te interrogarem... ou um profeta, ou um sacerdote, dizendo: Qual é o dito profético de Jehovah? que tu digas a eles: Abandonei-vos, e ao profeta e ao sacerdote” (Jr. 23:33, 34); em Sofonias: “Os profetas... levianíssimos, varões de perfídias, seus sacerdotes profanam o que é santo, violentamente torcem a lei” (Sf. 3:4); em Jeremias: “Os sacerdotes não disseram: Onde está Jehovah? e os guardam a lei não Me reconheceram;... e os profetas profetizaram por Baal, mas andaram após os que não têm proveito. ... Envergonharam-se, a casa de Israel, eles os seus reis, os seus príncipes, os seus sacerdotes e os seus profetas” (Jr. 2:8, 26); sem falar de muitas passagens ondes os ‘profetas’ são nomeados juntamente com os ‘sacerdotes’, e, nelas, pelos ‘sacerdotes’ se entendem os que ensinam a vida e os que conduzem ao bem, e pelos ’profetas’ se entendem os que ensinam os veros pelos quais se deve conduzir. No sentido abstrato, porém, por ‘sacerdotes’ e por ‘sacerdócio’ se entende o bem do amor, portanto, também o bem da vida, e pelos ‘profetas’ se entende o vero da doutrina, portado o vero que conduz ao bem da vida. Em suma, os profetas ensinam e os sacerdotes conduzem. [19] Em Zacarias: “Naquele dia... cortarei da terra os nomes dos ídolos, para que não mais sejam lembrados, e também os profetas e o espírito imundo farei passar da terra; e acontecerá que, quando o varão ainda profetizar ???, seu pai e sua mãe, que o geraram, lhe dirão: Não viverás... como não o traspassarão seu pai e sua mãe, que o geraram?... Acontecerá naquele dia que os profetas ficarão envergonhados, o varão por causa de sua visão, quando profetizarem, nem vestirão túnica de pelo, para mentirem; e dirá: Eu não sou profeta; sou varão que cultiva a terra, porque um homem me vendeu desde a meninice” (Zc. 13:2-5). Essas palavras são a respeito do advento do Senhor ao mundo e da abolição do culto representativo e também das falsidades de que a doutrina da igreja então brotou, pois a nação judaica, com a qual existiu essa igreja, pôs todo o culto nos externos e nada nos internos, isto é, nos sacrifícios e nas coisas tais que eram externas, e nada na caridade e na fé, que são internas. Daí o culto e a doutrina consistiam de meras falsidades, e a nação considerada em si mesma era idólatra. A abolição de tais coisas pelo Senhor é descrita por essas palavras. Por isso, por ‘cortarei da terra os nomes dos ídolos, para que não mais sejam lembrados’ é significada a abolição do culto idolátrico, isto é, do culto meramente externo sem o interno; por ‘farei passar da terra os profetas e o espírito imundo’ é significada a abolição das falsidades da doutrina; por ‘seu pai e sua mãe, que o geraram, lhe dirão: Não viverás’ é significado que a igreja a ser instituída pelo Senhor, que será uma igreja interna, extinguirá completamente os falsos da doutrina, se alguém os ensinasse; por ‘profetizar’ é significado ensinar os falsos da doutrina; por ‘pai e mãe’ é significada a igreja quanto ao bem e quanto ao vero (pelo ‘pai’, a igreja quanto ao bem, e por ‘mãe’ a igreja quanto ao vero); por ‘não viverás’ é significado extinguir; isto também se entende por ‘seu pai e sua mãe, que o geraram, o traspassarão’; a abolição das falsidades da doutrina também se entende por ‘os profetas ficarão envergonhados, o varão por causa de sua visão, e não vestirão túnica de pelos, para mentirem’; pelos ‘profetas’ e por sua ‘visão’ entendem-se aqui os falsos da doutrina, e por ‘vestir túnica de pelos, para mentirem’ é significado perverter os externos da Palavra, tais como estão em seu sentido da letra; a túnica de pelo nos profetas representava o sentido último da Palavra, semelhantemente à vestimenta de João Batista, de pelos de camelo; por ele dizer: ‘sou varão que cultiva a terra, porque um homem me vendeu desde a meninice’ é significado que isto se refere aos da Igreja Judaica, que foi somente externa e não interna, porque nisto nasceu e, por isso, nisto se apegou. [20] Em Daniel: “Setenta semanas foram determinadas sobre o teu povo, e sobre a cidade de tua santidade, para ser consumada a prevaricação e para serem selados os pecados, e para expiar a iniquidade, e para trazer a justiça dos séculos, e para selas a visão e o profeta, e para ungir o santo dos santos” (Dn. 9:24). Essas palavras são a respeito do advento do Senhor, quando a iniquidade é consumada, isto é, quando não restar mais bem e vero algum na igreja. ‘Sobre o povo e sobre a cidade de santidade’ significa sobre a igreja e sua doutrina, que então está inteiramente devastada e extinta; ‘para ser consumada a prevaricação e para selar os pecados’ significa quando todos na igreja estiverem nos falsos da doutrina e nos males quanto à vida, pois, como se mostrou nas premissas deste artigo, o advento do Senhor e, com Ele, o juízo final, não chega antes de não restar mais vero algum da doutrina e bem algum da vida na igreja, isto pelo fato de que se falou acima, a saber, para que os probos sejam separados dos ímprobos. ‘Trazer a justiça dos séculos’ significa o juízo final, quando cada um será retribuído segundo os seus feitos’; ‘ selar a visão e o profeta’ significa o fim da igreja anterior e o princípio da nova, ou, o fim da igreja externa, que foi representativa de coisas espirituais, e o princípio da interna, que é espiritual; pelo ‘profeta’ também se entendem os falsos da doutrina, e por essa mesma palavra é significado que o Senhor cumprirá todas as coisas preditas sobre Ele na Palavra; ‘ungir o santo dos santos’ significa a glorificação do Humano do Senhor pela união com o Divino mesmo, e também significa depois todo o culto pelo amor a Ele. [21] Em Moisés: “Jehovah disse a Moisés... Constituí-te por Deus ao faraó, e Aarão, teu irmão, será profeta para ti” (Êx. 7:1); que o Senhor tenha dito a Moisés que ‘o constituiu por Deus ao faraó’ era porque Moisés representava a Lei, pela qual se entende o Divino Vero, que também é significado por ‘Deus’ no sentido espiritual, pois Moisés recebia da boca do Senhor as palavras que havia de dizer ao faraó, e os que as recebe é chamado ‘deus’. Daí é, também, que os anjos são chamados ‘deuses’ e daí também eles significam os Divinos Veros. Que Aarão seria ‘seu profeta’ significa que ensinaria o vero recebido por Moisés e diria ao faraó, pois pelo ‘profeta’, como acima se disse, é significado aquele que ensina o vero e, abstratamente, a doutrina do vero. (Essas coisas, porém, veem-se explicadas nos Arcanos Celestes, n. 7268 e 7269). [22] Por isso é que os profetas do Velho Testamento tinham representado o Senhor quanto à doutrina do Divino Vero, e os principais deles representaram o Senhor quanto à Palavra mesma, da qual vem a doutrina do Divino Vero, como Moisés, Elias, Eliseu e João Batista. E como o Senhor é a Palavra, isto é, o Divino Vero, por isso, no sentido supremo, Ele é chamado ‘Profeta’. Como Moisés, Elias e João Batista representaram o Senhor quanto à Palavra, por isso Moisés e Elias apareceram e falaram com o Senhor, quando Ele foi transfigurado (Mt. 17:3, 4; Mc. 9:4, 5; Lc. 9:30), e aí por ‘Moisés e Elias’ se entende a Palavra, tanto histórica quanto profética; por ‘Moisés’ a Palavra histórica, e por ‘Elias’ a Palavra profética, e isto pelo fato de que o Senhor, transfigurado, apresentava-Se na forma em que está o Divino Vero no céu. Que Elis tenham representado o Senhor quanto à Palavra vê-se pelos milagres feitos por ele, pelos quais são significadas todas as coisas que são do Divino Vero ou da Palavra. E visto que João Batista representava semelhantemente o Senhor quanto à Palavra, por isso ele foi chamado de Elias, como se vê em Malaquias: “Eis que Eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia de Jehovah; e converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais, para que Eu não venha e fira a terra com maldição [anathemate]” (Ml. 4:5, 6), e também é dito abertamente Que Joao tinha sido Elias (Mt. 11:14; 17:10-12; Mc. 9:11-13); não que ele fora Elias, mas que tinha representado o mesmo que Elias, a saber, a Palavra. E como a Palavra ensina que o Senhor viria ao mundo, e também em todas e cada uma das coisas no sentido íntimo ela trata do Senhor, por isso João foi enviado antes para que os ensinasse que o Senhor viria (vide Mt. 11:9, 10; Lc. 1:76; 7:26). [23] Por aí agora se pode ver de onde procede que o Senhor é chamado Profeta, a saber: Porque Ele era a Palavra, isto é, o Divino Vero mesmo (como se pode ver em João 1:1, 2, 14). Que o Senhor seja chamado ‘Profeta’ porque foi a Palavra, vê-se em Moisés: “Jehovah teu Deus suscitará do meio de ti e dos teus irmãos um profeta como a mim; a Esse obedecereis;... porei as Minhas palavras na Sua boca, para que fale a todos vós tudo o que [Eu] Lhe ordenar;... o varão que não tiver obedecido as Minhas palavras, que Ele falar em Meu nome, Eu requererei dele” [a cum illo] ??? (Dt. 18:15-19). Que seja dito que ‘Jehovah suscitará um Profeta como Moisés’ era porque Moisés representou o Senhor quanto à Lei, isto é, quanto à Palavra, como foi dito acima. Por isso também se diz a respeito de Moisés Que Jehovah falou com ele boca a boca, e não como aos outros profetas, por visões, sonhos e enigmas (Nm. 12:1-8), pelo que também era descrito o representativo do Senhor em Moisés, pois o Senhor falou consigo mesmo desde Jehovah, isto é, desde o Divino mesmo que estava n’Ele desde a concepção. Isto se entende por ‘porei as Minhas palavras na Sua boca, para que fale a todos vós tudo o que [Eu] Lhe ordenar’, e isto também era representado em Moisés, porque ‘Jehovah falou com ele boca a boca, e não como aos outros profetas’. Daí vem, pois, Que o Senhor é chamado Profeta (também em Mt. 21:11; Lc. 7:16; Jo. 7:40, 41; 9:17).