. “Levanta, e mede o templo de Deus e o altar, e os que adoram nele”. Que isto signifique que examine a igreja, qual ela é quanto à recepção do Divino Vero e do Divino Bem, e, por conseguinte, quanto ao culto do Senhor, vê-se pela significação de ‘medir’, que é examinar a qualidade de uma coisa (de que se tratará a seguir); pela significação de ‘templo’, que, no sentido supremo, é o Divino Humano do Senhor quanto ao Divino Vero e, no sentido relativo, o céu e a igreja quanto ao Divino Vero procedente do Senhor (de que se tratou acima, n. 220) ; pela significação de ‘altar’, que, no sentido supremo, é o Divino Humano do Senhor quanto ao Divino Bem, e, no sentido relativo, o céu e a igreja quanto ao Divino Bem procedente do Senhor (de que também se tratou acima, n. 391, 490 e 496); e pela significação de ‘os que adoram’, que é o culto. Que ‘os que adoram’ signifique o culto ao Senhor é porque o culto consiste na adoração ao Senhor, e visto no sentido espiritual não se entende pessoa alguma, mas somente a coisa abstraída da pessoa (assunto que se viu acima, n. 99, 100, 270, 325 e 625), assim é que ‘os que adoram’ significa a adoração e o culto. Por aí se pode ver que ‘Levanta, mede o templo de Deus e o altar, e os que adoram nele’ significa que examine a igreja, qual ela é quanto à recepção do Divino Vero e do Divino Bem procedente do Senhor e, assim, quanto ao culto.
[2] Que ‘medir’, no sentido espiritual, não signifique medir, pode-se ver pelo fato de que foi ordenado que não somente o templo e o altar fossem medidos, mas também ‘os que adoram nele’, e também pelo fato de ‘medir o templo e o altar’ envolve algo que é significado por suas medidas, assim, o que é significado pelo ‘comprimento’, pela ‘largura’ e pela ‘altura’. Com efeito, não se pode dizer que ‘os que adoram no templo sejam medidos’, a não ser que ‘medir’ signifique examinar a qualidade deles ou a qualidade de uma coisa.
[3] Que ‘medir’ signifique examinar a qualidade de uma coisa e também designá-la pode-se ver pelas passagens na Palavra onde se dizem ‘medir’ e ‘medidas’, como nas que se seguem. Em Ezequiel:
O varão, em cuja mão estava o fio de linho e a cana de medida, mediu o edifício e também o limiar da porta, o pórtico da porta na casa, o pórtico da porta desde a casa, o vão da porta, a porta, desde o teto até o tálamo, e várias outras coisas, que foram medidas quanto à largura, o comprimento e a altura (Ez. 40:3, 5, 6, 8, 11, 13, 17, e seq.);
e, depois,
Mediu o templo, as umbreiras da entrada, a parede da casa e a casa mesma, quanto à largura e o comprimento (Ez. 41:1-5, 13, 14, 22);
em seguida,
O átrio interior e as coisas que estavam no átrio (Ez. 42);
e, finalmente,
Mediu o altar e as coisas que estavam no altar (Ez. 43:13 e seq.).
As medidas foram também designadas em números, a saber, quantas ‘canas’, quantas ‘braças’ e quantos ‘palmos’, pelos quais se pode ver que por ‘medi-los’ não se entende medir, mas designar a qualidade da coisa, que são designadas por cada medida, a saber, o ‘edifício’, a ‘porta’, o ‘pórtico’, o ‘templo’, a ‘umbreira’, a ‘parede’, o ‘átrio’ e o ‘altar’. Pelo ‘edifício’, pela ‘casa’ e pelo ‘templo’ é significada a igreja; pelo ‘pórtico’ e pelo ‘átrio’ são significadas todas as coisas que estão fora da igreja, mas que, todavia, se referem a ela, quais são todas as coisas que há no homem da igreja em seu homem natural, pois a igreja mesma no homem está em seu homem interno ou espiritual, ou mente, assim, interiormente nele, ao passo que as coisas que estão no homem externo ou natural, ou mente, assim, as que residem ali exteriormente, correspondem, todas, às que são da igreja mesma, as quais, como foi, estão no homem interno ou espiritual, ou mente; essas coisas exteriores é que são significadas pelo ‘pórtico’ fora da casa e pelo ‘átrio’. Que qualidade elas teriam é o que foi designado aí pelas medidas e pelos números, pois nesses capítulos se trata de como seria a Igreja do Senhor, a qual é chamada igreja interna, e esta é assim descrita. Qualquer um pode ver que tais medições nada seriam se cada uma das medidas não significasse algo. O que elas significam, porém, pode-se ver pela significação das coisas medidas, e a sua qualidade pela significação das medidas em números.
[4] Há somente três coisas que são medidas, a saber, a largura, o comprimento e a altura, e pela ‘largura’ é significado o vero da igreja, pelo ‘comprimento’ o bem da igreja, e pela ‘altura’ ambos quanto aos graus. Os graus de vero e bem são a qualidade do vero e do bem interiormente ou superiormente, e a qualidade deles exteriormente ou inferiormente. Que estas coisas sejam significadas por essas três dimensões é porque no céu se diz ‘largo’ do meio-dia ao setentrião, e diz-se ‘longo’ do oriente ao ocidente, e se diz ‘alto’ do terceiro céu, que está nos supremos, até o primeiro céu, que está nos ínfimos. E visto que aqueles que habitam no céu do meio-dia para o setentrião estão nos veros da doutrina, por isso pela ‘largura’ é significado o vero do céu ou da igreja. E como no céu habitam do oriente para o ocidente os que estão no bem do amor, por isso pelo ‘comprimento’ é significado o bem do céu e da igreja. E como nos supremos habitam aqueles que estão no terceiro céu, que são sapientíssimos, por isso pela ‘altura’ é significada a sabedoria e a interno quanto aos graus. São estas, pois, as coisas que são designadas em geral pelas medições.
[5] No mesmo:
“Filho do homem, mostra a casa à casa de Israel, para que se envergonhem por causas de suas iniquidades, e para que meçam a forma com que se envergonharam por todas as coisas que fizeram. A forma da casa e a sua disposição, e a sua saída, e a sua entrada, e todas as suas formas; também ensina-os todos os seus estatutos e todas as suas disposições, e todas as suas leis, e escreve aos seus olhos, para que guardem toda a sua forma, e todos os seus estatutos, e os cumpram” (Ez. 43:10, 11).
Que ‘medir o templo’ ou a ‘casa’ signifique investigar e examinar qual é a igreja quanto ao vero e quanto bem pode-se ver pelo fato de se dizer ‘para que meçam a forma da casa, sua saída e entrada’, e também ‘para que guardem toda a sua forma’, pelo que não se pode entender a forma do templo somente quanto à forma, mas quanto às coisas que pelo ‘templo’ são significadas. Com efeito, é acrescentado ‘para que se envergonhem por causa de suas iniquidades, que fizeram’, pelo que é significada vergonha por terem-se afastado das leis e dos estados da igreja. Por isso também se diz ‘que os ensinasse todos os seus estatutos, todas as suas descrições e todas as suas leis’. Daí é evidente que pelo templo é significada a igreja com seus veros e bens, pois são estas as coisas que devem ser observadas e que são significadas por ‘para que guardem toda a forma da casa’ ou ‘do templo’. Pelo ‘templo’, na Palavra, é significada a igreja quanto ao vero, e pela ‘casa de Deus’ a igreja quanto ao bem, porque o templo era feito de pedras, enquanto a casa de Deus, nos tempos antigos, fora feita de madeira, e as ‘pedras’ significam os veros e a ‘madeira’ os bens.
[6] Em Zacarias:
“Levantei os meus olhos e vi, e eis um varão, em cuja mão havia uma corda de medir. E disse: Para onde vais? Ele me disse: Para medir Jerusalém, para que veja quanto é a sua largura e quanto é o seu comprimento;... e disse: Jerusalém habitará os arredores, por causa da multidão de homens e de bestas em seu meio” (Zc. 2:1, 2, 4).
Essas palavras foram ditas sobre o advento do Senhor e sobre a instauração de uma nova igreja por Ele, como se pode ver pelos versículos 10 e 11 desse capítulo. ‘Jerusalém’ significa a nova igreja, e ‘medi-la’ significa examinar e daí saber qual será sua qualidade e quantidade; a ‘largura’ significa o vero de sua doutrina, e o ‘comprimento’ o bem de seu amor (como logo acima), pelo que se diz: ‘Para medir Jerusalém, para que veja quanto é a sua largura e quanto é o seu comprimento’. Que por ‘Jerusalém’ aí se entenda a igreja e não Jerusalém é evidente, pois perto do advento do Senhor Jerusalém não era tão grande e de tal qualidade como o que é aí descrito, a saber, que ‘Jerusalém habitará as redondezas por causa da multidão de homens e de bestas em seu meio, pelo que se entende a multidão de nações que se chegarão à igreja. Por ‘Jerusalém, em seu meio’ é significada a igreja composta daqueles que interiormente hão de receber o Divino procedente do Senhor, e pelas ‘redondezas’ a igreja composta por aqueles que O receberão exteriormente. Com efeito, a igreja do Senhor é interna e externa; na igreja interna estão aqueles que estão na inteligência e na sabedoria, e, daí, estão nos céus superiores, mas na igreja externa estão aqueles que estão nos conhecimentos e nas cognições do vero e do bem oriundos da Palavra, e não em alguma inteligência e sabedoria interior, e, por conseguinte, estão nos céus inferiores. Estes são chamados espirituais naturais, mas aqueles, espirituais. Os espirituais se entendem por aqueles que estão ‘no meio de Jerusalém’, e os espirituais naturais por aqueles que estão ‘nas redondezas’. Por ‘homens e bestas’ se entendem os que estão na inteligência e, daí, no bem da vida; pelos ‘homens’, os que estão na inteligência, e pelas ‘bestas’, os que estão na afeição do bem natural e, daí, no bem da vida.
[7] Coisas semelhantes são significadas pelas seguintes palavras no Apocalipse:
“O que falava comigo tinha uma cana de ouro, para que fosse medida a cidade”, a Nova Jerusalém, “suas portas e seu muro;... e o muro mediu... cento e quarenta e quatro côvados, que é a medida de homem, isto é, de anjo” (Ap. 21:15, 17);
pela ‘Nova Jerusalém’, também aqui, entende-se uma nova igreja, e pela ‘cidade’ a sua doutrina; por seu ‘muro’ é significado o Divino Vero que protege; pelo número ‘cento e quatro e quatro’ são significados todos os veros e bens num complexo. Aqui se diz que esse número é ‘medida de homem, que é a de anjo’, o que não se pode dizer a menos que pela ‘medida’ seja significada a qualidade. (Mas, a respeito disso, dir-se-á na sequência, em seu lugar).
[8] Em Ezequiel:
“Quando aquele varão saiu para o nascente, em cuja mão havia a linha, ele mediu mil pela braça; em seguida me fez passar pelas águas, águas de tornozelos; mediu mil logo depois, e me passar pelas águas, águas de joelhos; e mediu mil, e me passar pelas águas, águas de lombos; mediu de novo mil o rio que eu não pude atravessar, porque as águas eram altas, águas de natação, um rio que não era atravessado. .. E eis que sobre a margem havia muita árvore, de uma parte e de outra;... e toda alma vivente que rasteja viverá, e de qualquer parte que viesse o rio, pelo que há muito peixe” (Ez. 47:3-5, 7, 9).
Por essas palavras se descreve que maneira a inteligência, que os que são da igreja têm, aumenta pela recepção do Divino Vero procedente do Senhor. O Divino Vero procedente do Senhor é significado pelas ‘águas que saem de sob o limiar da porta para o oriente, e que descem do lado direito da casa para o meio-dia do altar’, como é dito no primeiro versículo desse capítulo. Pelo ‘oriente’ é significado o amor ao Senhor, visto que o oriente no céu é onde o Senhor aparece como Sol; o ‘lado direito’ daí é onde o Divino Vero é recebido na maior luz, e esse lado é chamado meio-dia, pelo que também se diz ‘para o meio-dia do altar’. De que maneira a inteligência aumenta pela recepção do Divino Vero procedente do Senhor descreve-se pelas ‘águas’ que ele passou, as quais chegavam primeiro aos ‘tornozelos’, depois aos ‘joelhos, em seguida aos ‘lombos’ e, finalmente, eram ‘tão altas que não podiam ser atravessadas’. Pelas ‘águas até os tornozelos’ é significada a inteligência tal como é a do homem sensual e natural; pelas ‘águas até os joelhos’ é significada a inteligência tal como é a do homem espiritual natural, pois os ‘joelhos’ significam o espiritual natural; pelas ‘águas até os lombos’ é significada a inteligência tal como é a do homem espiritual, pois os ‘lombos’ significam o casamento do vero e do bem, que é espiritual; pelas ‘águas que não podiam ser atravessadas’ é significada a inteligência celeste, que se chama sabedoria, tal como é a do homem celeste, ou o anjo do terceiro céu. Visto que esta é inefável, foi dito que era ‘um rio que não podia ser atravessado’, e tais águas são também chamadas de ‘águas de natação’, pelo fato de estar longe, acima do homem natural. O ‘rio’ que é formado por essas águas significa a inteligência e a sabedoria. As cognições do vero e do bem, como também as percepções, são significadas por ‘na margem do rio haver muita árvore, de uma e de outra parte’ (pela ‘árvore’ são significadas as cognições e as percepções). A vida decorrente daí para tudo o que há no homem natural, tanto as cognições quanto os conhecimentos, é significada por ‘toda alma vivente que rasteja viverá’ e também por ‘haverá muito peixe’; a ‘alma vivente’ e o ‘peixe’ significa as coisas que estão no homem natural, que são chamadas cognições provenientes da Palavra e também conhecimentos naturais pelos quais as coisas espirituais são confirmadas, e ‘viver’ significa o influxo do Senhor pelo homem espiritual e a sua inteligência nessas cognições e nesses conhecimentos. (Que as ‘águas’ signifiquem os veros da doutrina oriunda da Palavra, pela qual há inteligência, vê-se acima, n. 71, 483 e 518).
[9] Em Habacuque:
“Pôs de pé e mediu a terra; viu, e dissipou as nações, porque foram dispersos os montes de eternidade; submeteram-se as colinas do século, seu andar do século” (Hb. 3:6).
Essas palavras são a respeito da visitação do juízo final a serem feitos pelo Senhor quando viesse ao mundo; ‘pôs-se de pé e mediu a terra’ significa o exame então da qualidade da igreja; ‘medir’ significa examinar, e ‘terra’ a igreja. ‘Viu, e dissipou as nações’ significa a expulsão ao inferno de todos os que estão nos males e, daí, nos falsos; ‘dissipar’ significa lançar no inferno, e as ‘nações’ significam aqueles que estão nos males e, daí, nos falsos. ‘Foram dispersos os montes de eternidade’ significa que pereceu a igreja celeste tal como fora com os antiquíssimos, que estiveram no amor ao Senhor; ‘montes de eternidade’ significam essa igreja e o seu amor; ‘submeteram-se as colinas do século’ significa que pereceu a igreja espiritual, tal como fora nos antigos após o dilúvio, que estiveram no amor para com o próximo; as ‘colinas do século’ significam essa igreja e o seu amor; o ‘seu andar do século’ é significa segundo o estado da igreja que então existia, o qual era pervertido.
[10] Em Isaías:
“Eis que o Senhor Jehovih vem em força, e Seu braço dominará por Ele;... Quem mediu com o Seu punho1 as águas, e nivelou os céus com palmos, e abarcou numa medida2 o pó da terra, e pesou em pesos os montes, e as colinas numa balança?” (Is. 40:10, 12).
Estas palavras também são a respeito do Senhor e do Divino Vero, do qual vem o céu e a igreja e do qual vem a sabedoria. O advento do Senhor e, então, a ordenação de tudo nos por Ele, pelo próprio poder, é significado por ‘Eis que o Senhor Jehovih vem em força, e Seu braço dominará por Ele’; o ‘Seu braço’, que dominará, significa o próprio poder; a ordenação de tudo nos céus pelo próprio poder por meio do Divino Vero é significada por ‘Quem mediu com o Seu punho as águas, e nivelou os céus com palmos, e abarcou numa medida o pó da terra, e pesou com pesos os montes, e as colinas numa balança?’ ‘Medir as águas’ significa designar os Divinos veros; ‘nivelar os céu com palmos’ significa daí ordenar os céus; o ‘pó da terra abarcado numa medida’ significa ordenar as coisas interiores. Pelo ‘punho’ [ou punhado]. Pelo ‘palmo’ e pela ‘medida’ [triental] é significado o mesmo que pelas ‘medidas’ e também pelo que é significado por ‘mão’, a saber, a qualidade de uma coisa e o próprio poder. ‘Pesar com pesos os montes, e as colinas numa balança’ significa subordinar e equilibrar todas as coisas; pelo ‘peso’ e pela ‘balança’ é significado o juto equilíbrio, e pelos ‘montes’ e ‘colinas’ são significados os céus superiores (pelos ‘montes’, aqueles do céu que estão no amor ao Senhor, e pelas ‘colinas’, os que estão na caridade para com o próximo, como acima).
[11] Em Jó:
“Onde estiveste quando fundei a terra? Declara, se conheces a inteligência. Quem estabeleceu as suas medidas? Se é que sabes. E quem estendeu sobre ela a linha sobre a qual foram enterradas as suas bases? Quem assentou a sua pedra de esquina?” (Jó 38:4-6);
pela ‘terra’ entende-se aqui a igreja; por ‘fundá-la’ e ‘estabelecer suas medidas’ é significado instaurá-la e designar a sua qualidade (‘medida’ é a qualidade de uma coisa); por ‘estender sobre ela a linha’ é significado contê-la em sua qualidade; ‘por ‘sobre a qual foram enterradas as suas bases, e quem assentou a sua pedra de esquina’ é significada a sua fundação sobre as coisas que há no homem natural; a ‘pedra de esquina’ é o vero do homem natural, que é chamado vero científico, sobre o qual é fundado do vero do homem espiritual ou o vero espiritual.
[12] Em Jeremias:
“Se forem afastados esses estatutos de diante de Mim... também cessará a semente de Israel, para que não seja uma nação diante de Mim todos os dias;... se forem medidos os céus acima, e investigados os fundamentos... abaixo, Eu também reprovarei toda a semente de Israel, por causa de tudo o que fizeram” (Jr. 31:36, 37);
pelos ‘estatutos’ aí são significadas todas as coisas da igreja que foram ordenadas aos filhos de Israel, assim, todas as coisas do culto; se elas não fossem observadas, nenhuma igreja haveria com eles, o que é significado por ‘se forem afastados esses estatutos de diante de Mim, também a semente de Israel cessará, para que não seja uma nação diante de Mim todos os dias’; por ‘Israel’ é significada a igreja, e por ‘sua semente’, o vero da igreja. E, ainda que um novo céu e uma novo igreja iriam existir, mesmo assim nada do céu e da igreja haveria naquela nação, o que é significado por ‘se forem medidos os céus acima, e investigados os fundamentos abaixo, também Eu reprovarei toda semente de Israel, por causa de tudo o que fizeram’.
[13] Que por ‘medir’ e ‘dimensionar’ seja significado designar e determinar a qualidade de uma coisa, como também examiná-la, é porque pela ‘medida’ é significado qual é a coisa ou a sua qualidade. Que isto seja significado pela ‘medida’ pode-se ver pelas seguintes passagens. No Apocalipse:
O anjo ‘mediu o muro da cidade’, a nova Jerusalém, ‘cento e quarenta e quatro côvados, que é medida de homem, isto é, de anjo' (Ap. 21:17);
aqui é claramente evidente que pela ‘medida’ é significada a qualidade da coisa que se entende pelo ‘muro da cidade de Jerusalém’, pois, de outro modo, o que se entenderia pelo fato de ‘a medida do muro, cento e quarenta e quatro côvados, ser medida de homem, isto é, de anjo? Em Mateus:
"Não julgueis, para que não sejais condenados, pois com o juízo com que julgardes sereis julgados, e a medida com que medirdes vos medirá” (Mt. 7:1, 2);
em Lucas:
“Não julgueis para que não sejais julgados, nem condeneis para que não sejais condenados; perdoai, e vos será perdoado; medida boa, recalcada, sacudida e transbordante darão em vosso seio, pois com a medida que medirdes vos medirão de volta” (Lc. 6:37, 38).
(Essas palavras se veem explicadas na obra O Céu e o Inferno, n. 349). E em Marcos:
“A medida com que medirdes, ela vos medirá de volta, e mais se acrescentará a vós que ouvis. Quem tem, ser-lhe-á dado, mas quem não tem, até o que tem lhe será tomado” (Mc. 4:24, 25).
[14] Assim é descrita a caridade para com o próximo, ou a afeição spiritual do vero e do bem, a saber, na proporção e na qualidade que alguém no mundo estiver nessa caridade ou nessa afeição, também a ela virá após a morte. Que não se deve pensar mal a respeito do bem e do vero entende-se por ‘não julgueis para que não sejais julgados, e não condeneis para que não sejais condenados’. Pensar mal a respeito do mal e do falso é lícito a qualquer um, mas não a respeito do bem e do vero, pois estas coisas são o próximo no sentido espiritual. Visto que é a caridade para com o próximo que se entende, por isso também se diz: ‘Perdoai e vos será perdoado, dai e ser-vos-á dado'. Que a afeição espiritual, chamada caridade, há de permanecer após a morte segundo a sua quantidade e qualidade, entende-se por ‘a medida com que medirdes vos medirá de volta'. E que essa quantidade e qualidade serão cheias na eternidade, entende-se pelo fato de a ‘medida ser acrescentada a vós que ouvis’ e por ‘no seio se dará medida boa, recalcada, sacudida e transbordante’; a ‘medida’ aí é a qualidade e a quantidade da afeição ou da caridade que é aumentada dentro ou segundo o seu grau no mundo (vide acima, na passagem acima citada na obra O Céu e o Inferno, n. 349). Que isto se fará àqueles que exercem a caridade entende-se por ‘será acrescentada a vós que ouvis’; vós ‘que ouvis’ significa os que obedecem e fazem. Que ‘amar o próximo’ seja amar o vero e o bem, e também o sincero e justo, vê-se na Doutrina da Nova Jerusalém (n. 84-106). Que não se entende outro pensamento nem outro juízo senão a respeito da vida espiritual de outrem pode-se ver pelo fato de que é lícito a qualquer um pensar a respeito vida moral e civil de outrem, e também julgar por ela. Sem tal juízo e pensamento a respeito dos outros nenhuma sociedade civil pode subsistir. Por isso, ‘não julgar’ e ‘não condenar’ significa não pensar mal a respeito do próximo entendido espiritualmente, a saber, a respeito de sua fé e seu amor, os quais pertencem à vida espiritual do homem, pois estes estão ocultos em seus interiores e, assim, não são conhecidos por ninguém senão o Senhor somente.
[15] Em João:
“Quem o Pai enviou fala as palavras de Deus, pois Deus não Lhe deu o espírito por medida” (Jo. 3:34);
pelo ‘espírito’ que Deus dá é significado o Divino Vero e, daí, a inteligência e a sabedoria; ‘não por medida’ significa acima de toda quantidade e qualidade dos homens, consequentemente, infinito, pois o infinito que era do Senhor não tem quantidade e qualidade, visto que quantidade e qualidade são propriedades do finito, porquanto a quantidade e a qualidade determinam o finito e o terminam. Aquilo que, porém, é sem término, é infinito, do que segue a ‘medida’, também aqui, significa a qualidade, porque ‘não por medida’ significa sem atribuição de qual é, ou da qualidade.
[16] Em David:
“Faze-me conhecer, Jehovah, o meu fim, e a medida de meus dias, qual é ela, para que eu reconheça quão breve hei de cessar. Eis que a palmos fizeste os meus dias, e o meu tempo é como nada diante de Ti” (Sl. 39:4, 5).
Por essas palavras para que se entendem somente os tempos da vida, dos quais se quer conhecer o fim, e que eles logo passam. No sentido espiritual, porém, não se entendem os tempos, mas, por eles, os estados da vida. Por isso, ‘faze-me conhecer, Jehovah, o meu fim; a medida dos meus dias, qual é ela’ significa para que conheça os estados de sua vida e a sua qualidade, assim, em qual vida havia de permanecer. ‘Eis que a palmos fizeste os meus dias’ significa que a qualidade do estado de sua vida é de pouquíssima importância, e ‘o meu tempo como nada diante de Ti’ significa que o estado de sua vida nada vale, pois o ‘tempo’ e o ‘dia’ significam os estados da vida quanto ao vero e quanto ao bem e, assim, quanto à inteligência e à sabedoria; por conseguinte, que estes e aqueles, enquanto vêm de si mesmo, são de nenhum valor. Aqueles que pensam apenas naturalmente não podem ver que há esse sentido nessas palavras, porque o pensamento natural não pode ser separado da ideia do tempo, mas o pensamento espiritual, como é o angélico, nada tem em comum com o tempo, nem com o espaço, nem com a pessoa.
[17] Visto que as ‘medidas’ significam a qualidade da coisa, é evidente o que é significado
Pelas “casa de medidas” (Jr. 22:14);
Pela “porção das medidas” (Jr. 13:25);
Também pelos "varões de medidas” (Is. 45:14);
pelas ‘medidas’ aí é significada a qualidade em todo o complexo. Em Moisés:
“Não pratiqueis perversidade no juízo, na medida, no peso e na dimensão; balança de justiça, pedras de justiça, efa de justiça e him de justiça tereis” (Lv. 19:35, 36);
no mesmo:
“Não haverá... em tua bolsa pedras diferentes, uma grande e uma pequena; não haverá em tua casa efas diferentes, uma grande e uma pequena; pedra perfeita e de justiça terás, efa perfeito e de justiça terás” (Dt. 25:13, 15);
e, em Ezequiel:
‘“Pesos de justiça, e efa de justiça, e bato de justiça tereis” (Ez. 45:10);
que por essas ‘medidas’ e por esses ‘pesos’ seja significada a avalição da coisa segundo a qualidade do vero e do bem, vê-se acima (n. 373).
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