. [Vers. 6] “Eles têm poder de fechar o céu, para que não chova chuva nos dias de sua profecia”. Que isto signifique que aqueles que rejeitam os bens e veros do céu e da igreja, os quais procedem do Senhor, não recebam influxo algum do céu vê-se pela significação de ‘fechar o céu’, que é para que nenhum influxo do céu seja recebido (de que se tratará a seguir); pelas significação de ‘chuva’, que o vero que fecunda, a saber, o vero de que deflui o bem que vem do céu (de que também se tratará a seguir); e pela significação de ‘sua profecia’, que é a pregação a respeito do Senhor e de Seu advento, e a respeito do bem do amor a Ele e dos veros da fé n’Ele. Essa revelação – e, pela revelação, a pregação no fim da igreja – é que se entende principalmente pelos ‘dias da profecia das duas testemunhas’. Que seja o Senhor que seja principalmente pregado pelas duas testemunhas no fim da igreja é porque as ‘duas testemunhas’, que são o bem do amor e o vero da fá no Senhor, testificam principalmente a respeito d’Ele. Por isso se diz na sequência Que ‘o testemunho do Jesus é o espírito da profecia’ (Ap. 19:10). [2] Que ‘fechar o céu’ seja impedir que qualquer influxo seja recebido do céu é porque segue-se ‘não chova chuva’, pelo que é significado o influxo do Divino Vero vindo do céu. Com efeito, é notório que todo bem do amor e todo vero da fé influem do céu, isto é, do Senhor pelo céu no homem, e que influi continuamente, donde segue que ambos, tanto o bem do amor quanto o vero da fé, não são de modo algum do homem, mas do Senhor nele. Ambos influem na proporção que o mal e o falso não obstruem. São estes que fecham o céu, para que aqueles não influam, pois o mal e o bem, assim como o falso e o vero, são opostos; por isso, onde um está, o outro não pode estar, porque o mal no homem impede que o bem entre, e o falso impede que o vero entre; o bem faz com que o mal seja removido, e o vero faz com que seja removido o falso. Com efeito, são opostos assim como o são o céu e o inferno, pelo que um age contra o outro com esforço perpétuo de destruir, e destrói quando o pode. [3] Também, há em cada homem duas mentes: uma interior, que se chama mente spiritual, e outra exterior, que se chama mente natural. A mente natural foi criada para a recepção da luz vinda do céu, mas a mente natural para recepção da luz vinda do mundo. Por isso, a mente espiritual, que é a mente interior do homem, é o céu nele, e a mente natural, que é a mente exterior do homem, é o mundo nele. a mente interior, que é o céu no homem, é aberta na medida em que o homem reconhece o Divino do Senhor, e o homem reconhece na medida em que está no bem do amor e da caridade e nos veros da doutrina e da fé. Por outro lado, a mente interior, que é o céu no homem, não é aberta não medida em que ele não reconhece o Divino do Senhor e não vive a vida do amor e da fé. E essa mente é fechada na medida em que o homem está nos males e, daí, nos falsos. Quando ela é fechada, então a mente natural se torna o inferno no homem, pois na mente natural está o mal e o seu falso. Por isso, quando é fechada a mente espiritual, que é o céu nele, então o que domina é a mente natural, que é o inferno. Por aí se pode ver de que modo se deve entender que ‘o céu seja fechado para que não chova chuva’. [4] Aqui se diz das ‘duas testemunhas’ que elas têm poder ‘de fechar o céu’, todavia não são elas que fecham, mas o mal e o falso que reinam nos homens da igreja em seu fim. Isto se diz das duas testemunhas do mesmo modo que acima, que ‘fogo sairá de sua boca e devorará os inimigos’, quando, todavia, delas não sai fogo algum que devora (como foi dito nos dois artigos acima). Que ‘não chova chuva’ signifique que não haja influxo do Divino Vero desde o céu é porque a ‘água’, de que consiste a chuva, significa o vero da Palavra e, daí, o vero da doutrina e da fé (vide acima, n. 71, 483, 518, 537 e 538); e como a água pluvial desce das nuvens do céu, por isso ‘chover chuva’ significa o influxo do Divino Vero oriundo do Senhor no céu. e como a chuva fecunda a terra, por isso a ‘chuva’ significa o Divino Vero que fecunda e frutifica a igreja. Daí é, também, que pela ‘chuva’ é significada a bênção espiritual. [5] Que por ‘chuva’ na Palavra não se entenda a chuva, mas o Divino influindo – do qual a inteligência e a sabedoria, assim como bem do amor e o vero da fé no homem cresce e se frutifica - e que por ‘chover’ seja significado o influxo, pode-se ver pelas passagens que se seguem. Em Moisés: “Defluirá como chuva a minha doutrina, destilará como orvalho a minha palavra; assim como gotas [stillae] sobre a relva e assim como as gotas [guttae] sobre a erva.” (Dt. 32:2); a doutrina é aqui comparada à chuva, porque pela ‘chuva’ é significado o Divino Vero procedente, do qual vem tudo da doutrina, pois todas as comparações na Palavra vêm também das correspondências. Visto que pela ‘chuva’ é significado o Divino Vero defluindo, por isso se diz ‘deflua como chuva a minha doutrina’; pelo ‘orvalho’ é significado o bem, e visto que este é também significado por ‘palavra’, por isso se diz ‘destilará como orvalho a minha palavra’. A inteligência e a sabedoria daí são significadas por ‘gotas sobre a relva’ e por ‘gotas sobre as ervas’, pois assim como a relva e a erva do campo crescem pelas águas da chuva e do orvalho, assim a inteligência e a sabedoria crescem pelo influxo do Divino Vero procedente do Senhor. Isto é dito como premissas por Moisés porque nesse capítulo se trata das doze tribos de Israel, pelas quais são significados no sentido espiritual todos os veros e bens da igreja, por conseguinte, a doutrina em todo o conjunto. [6] No mesmo: “A terra em que vós passareis para a possuirdes é uma terra de montes e vales; à chuva do céu ela bebe águas... E darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã8 e a serôdia9, para que colhas o teu frumento, e o teu mostos, e o teu óleo”. Se porém servirdes a outros deuses, e não andardes em Meus estatutos, “a inflamação da ira de Jehovah [virá] contra vós, fechará o céu para que não haja chuva, e a terra não dê o seu provento” (Dt. 11:11, 14, 16, 17). Assim é descrita a terra de Canaan e a sua fecundidade. Como, todavia, por essa terra se entende no sentido espiritual a igreja, segue-se que todas as coisas da descrição significam coisas tais que são da igreja, assim como os ‘montes’, os ‘vales’, o ‘mosto’, o ‘óleo’, o ‘provento’ e a ‘chuva’. A ‘terra de montes e vales’ significa as coisas superiores e inferiores da igreja, ou as internas e externas; as internas da igreja estão no homem interno, que também é chamado homem espiritual, e as externas da igreja estão no homem externo, que é chamado homem natural. Que umas e outras sejam tais que recebem o influxo do Divino Vero é significado por ‘à chuva do céu bebe águas’. Que o Divino Vero influa em ambos os estados, a saber, quando o homem da igreja está no seu estado espiritual e no seu estado natural, é significado por ‘a chuva será dada a seu tempo, a temporã e a serôdia’, pois o homem da igreja está às vezes no estado espiritual e às vezes no estado natural. O influxo e a recepção do Divino Vero no estado espiritual se entendem pela ‘chuva temporã’ ou matutina, e, no estado natural, pela ‘chuva serôdia’ e vespertina. O bem e vero espiritual e celeste, que daí há para o homem da igreja, entendem-se pelo ‘frumento, o mosto e o óleo’ que eles colheriam. Que os falsos da doutrina e do culto impediriam que o Divino Vero influísse e fosse recebido, donde não haveria incremento algum da vida espiritual, é significado por ‘se servirdes a outros deuses não haverá chuva, e a terra não dará o provento’; por ‘outros deuses’ são significados os falsos da doutrina e do culto. [7] No mesmo: “Se em Meus estatutos andardes, e Meus preceitos observardes e os cumprirdes... e a terra dará o provento... e a árvore do campo dará o seu fruto” (Lv. 26:3, 4). Aqui, pelas ‘chuvas que seriam dadas a seu tempo’ e pelo ‘provento da terra’ são significadas coisas semelhantes às de cima. E como a igreja naquele tempo foi uma igreja externa representativa de coisas interiores espirituais, por isso também, quando andaram nos estatutos e observaram os preceitos e os fizeram, aconteceu que receberam chuvas a seu tempo, a terra deu o seu provento e a árvore do campo o fruto. Contudo, as chuvas e, daí, o provento, tinham representação e significação; as ‘chuvas’, o Divino influindo, o ‘provento’ o vero da doutrina e o entendimento do vero, e o ‘fruto da árvore’ o bem do amor e a vontade do bem. [8] Isto se pode ver pelo seguinte: Que não houve chuva e, daí, houve fome na terra de Israel por três anos e meio sob Acabe, porque eles serviram a outros deuses e mataram os profetas (1 Re. 17 e18; Lc. 4:25). Isto era um representativo e, daí, um significativo de que nenhum Divino Vero influindo do céu pôde ser recebido, por causa dos falsos do mal que são significados por ‘outros deuses’ e por ‘Baal’, aos quais adoraram. Por ‘matar os profetas’ também é significado destruir o Divino, pois pelo ‘profeta’ na Palavra é significada a doutrina do vero proveniente da Palavra. [9] Em Isaías: “Porei” a Minha vinha “em desolação; não será podada nem lavrada, para que subam a sarça e o espinheiro. E às nuvens ordenarei que não façam chover sobre ela a chuva” (Is. 5:6). Aqui também se diz de Jehovah que ‘põe a vinha em desolação’ e que ‘ordena às nuvens que não chovam chuva sobre ela’, quando, todavia, isto não é feito por Jehovah, isto é, o Senhor, pois Ele sempre influi, tanto nos maus quanto nos bons, o que se entende por “Envia a chuva sobre justos e injustos” (Mt. 5:45); mas a razão está no homem da igreja, se não recebe influxo algum do Divino Vero, pois o homem que não o recebe, esse fecha em si os interiores da mente, que recebem, os quais, sendo fechados, o influxo Divino é rejeitado. Pela ‘vinha’ que porá em desolação é significada a igreja; ‘não ser podada nem lavrada’ significa não poder ser cultivada e, assim, ser preparada para receber; pela ‘sarça’ e pelo ‘espinheiro’ que sobem são significados os falsos do mal; por ‘ordenar às nuvens que não chovam chuva’ é significado que nenhum influxo do Divino Vero é recebido do céu. [10] Em Jeremias: “Os aguaceiros foram retidos, e chuva serôdia não houve; não obstante, a fronte de mulheres meretrizes permanece para ti; recusaste a te envergonhar” (Jr. 3:3); no mesmo: “Não disseram em seu coração: Vinde, temamos a Jehovah nosso Deus, que dá a chuva e o aguaceiro tempestivos e serôdios a seu tempo; as semanas, os tempos determinados da colheita observa para nós. Vossas iniquidades fazem afastar essas coisas” (Jr. 5:24, 25); em Amós: “Eu retive de vós a chuva, quando ainda [faltavam] três meses para a ceifa, de modo que fizesse de fato chover sobre uma cidade, e não fizesse chover sobre outra; o campo de um recebeu a chuva, mas o campo sobre o qual não choveu, secou-se; pelo que duas, três cidades vaguearam a uma cidade para beber águas, todavia não se saciaram; no entanto, não vos voltastes a Mim” (Am. 4:7, 8); em Ezequiel: “Filho do homem, diz: Tu, ó terra, que não é purificada, que não tem chuva no dia da ira, uma conjuração de seus profetas em seu meio” (Ez. 22:24, 25); em Zacarias: “Quem não tiver subido das famílias da terra a Jerusalém para adorar Jehovah Zebaoth, sobre eles não haverá chuva” (Zc. 14:17). Nessas passagens, a ‘chuva’ significa a recepção do influxo do Divino Vero, do que vem a inteligência espiritual; e que não haja inteligência por influxo algum, por causa dos males e falsos que se recusam a recebê-lo e que os rejeitam, é significado por ‘não haver chuva. [11] Em Jeremias: “Os grandes enviaram os menores em busca de água; vieram aos fossos, não acharam água;... porque a terra foi quebrada, por não ter havido chuva na terra. Os lavradores ficaram envergonhados, cobriram a cabeça” (Jr. 14:3, 4); pelos ‘grandes’ se entendem os que ensinam e conduzem, e pelos ‘menores’ os que são ensinados e conduzidos; pelas ‘águas’ são significados os veros da doutrina; pelos ‘fossos’ em que não havia água são significadas as coisas doutrinais em que não há veros; por ‘não ter havido chuva na terra’ é significado nenhum influxo do Divino Vero é recebido por causa dos falsos na igreja; pelos ‘lavradores que ficaram envergonhados e cobriram a cabeça’ são os que ensinam e o desgosto deles. [12] Em Isaías: “Então Jehovah dará chuva à tua semente, com que semeaste a terra, e o pão do provento da terra, e será gordo e rico; e teus gados pastarão naquele dia num prado largo” (Is. 30:23). Estas coisas quando o Senhor vier. O influxo do Divino Vero procedente d’Ele é significado pela ‘chuva que o Senhor então dará à semente’; a ‘chuva’ é o influxo Divino, a ‘semente’ é o vero da Palavra; ‘semear a terra’ significa plantar e formar em si a igreja; pelo ‘pão do provento’, que Jehovah dará, é significado o bem do amor e da caridade que é produzido pelos veros da Palavra vivificados pelo influxo Divino; por ‘gordo ‘ rico’ é significado o pleno bem do amor e os veros daí, pois ‘gordo’ se diz do bem, e ‘rico’ dos veros; ‘os gados pastarão em prado largo naquele dia’ significa a extensão e a multiplicação deles pelo influxo Divino e, daí, a nutrição espiritual; os ‘gados’ são os bens e veros no homem; ‘naquele dia’ é o advento do Senhor; o ‘prado largo’ é a Palavra pela qual há o influxo Divino e a nutrição espiritual; diz-se ‘largo’ pela extensão e multiplicação do vero. [13] No mesmo: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não tornam, mas irrigam a terra, e a fazem produzir, e a fazem germinar, para que dê semente ao semeador e pão ao que come, assim será a Minha palavra, que sair da Minha boca; não voltará para Mim vazia, mas fará o que quero, e prosperará naquilo para que a enviei.” (Is. 55:10, 11). Aqui, a palavra que sai da boca de Deus é comparada à chuva e à neve vindas do céu, porque por ‘palavra’ entende-se o Divino Vero procedente do Senhor, que em nós influi por meio da Palavra, semelhantemente à ‘chuva’ e à ‘neve’ que descem do céu; pela ‘chuva’ é significado o vero espiritual que é apropriado ao homem, e pela ‘neve’ o vero natural, que é como a neve quando está somente na memória, mas torna-se espiritual pelo amor, assim como a neve se torna água da chuva pelo calor. Por ‘irrigar a terra e fazê-la produzir e germinar’ é significado vivificar a igreja para que produza o vero da doutrina e da fé e o bem do amor e da caridade; o vero da doutrina e da fé é significado pela ‘semente que dá ao semeador’, e o bem do amor e da caridade pelo ‘pão que dá ao que come’. Por ‘não voltará para Mim vazia, mas fará o que quero’ é significado que é recebida, e que por ela o homem é conduzido a visar o Senhor. [14] Em Ezequiel: “Dar-lhes-ei, e aos arredores de Minhas colinas, uma bênção; e enviarei a chuva a seu tempo, chuvas de bênção serão. Então a árvore do campo dará o seu fruto, e a terra dará o seu provento” (Ez. 34:26, 27); pelos ‘arredores das colinas de Jehovah’ se entendem todos os que estão nos veros da doutrina e, daí, no bem da caridade; por ‘enviar a chuva a seu tempo’ é significado o influxo do Divino Vero conveniente segundo à afeição e a vontade de receber. E visto que daí vêm a frutificação do bem e a multiplicação do vero, elas são chamadas ‘chuvas de bênção’, e se diz que a ‘árvore do campo dará o seu fruto, e a terra dará o seu provento’; pela ‘árvore do campo’ e pela ‘terra’ é significada a igreja e o homem da igreja; pelo ‘fruto da árvore do campo’ a frutificação do bem, e pelo ‘provento da terra’ a multiplicação do seu vero. [15] Em Joel: “Filhos de Sião, regozijai e alegrai-vos em Jehovah vosso Deus, porque vos dará chuva temporã em justiça; sim, fará descer para vós a chuva temporã e a serôdia no primeiro, para que as eiras estejam cheia de frumento puro, e os lagares transbordem de mosto e de óleo” (Jl. 2:23, 24); pelos ‘filhos de Sião’ são significados os que estão nos veros genuínos, pelos quais eles têm o bem do amor, porque ‘Sião’ significa a igreja celeste que está no bem do amor ao Senhor pelos veros genuínos. Que o Senhor influa neles com o bem do amor e, por este, nos veros, é significado por ‘dar-lhes-á chuva temporã em justiça’; a ‘justiça’ na Palavra se atribui ao bem do amor, e pelos ‘justos’ entendem-se os que estão nesse bem (vide acima, n. 204). Que influa com o bem do amor nos veros continuamente é significado por ‘fará descer a chuva temporã e serôdia no primeiro’; que daí eles tenham o bem do amor para com o irmão e o companheiro é significado por ‘as eiras lhes serão cheia de frumento puro’; e que daí eles tenham o vero e o bem do amor ao Senhor é significado por ‘os lagares transbordem de mosto e de óleo’. Nos que são da igreja celeste do Senhor há o bem do amor para com o irmão e o companheiro, amor esse que, nos que são da igreja espiritual do Senhor, chama-se caridade para com o próximo. [16] Em Zacarias: “Pedi a Jehovah a chuva a seu tempo;... Jehovah fará nuvens, e lhes dará chuva de aguaceiro, a erva no campo ao varão” (Zc. 10:1); também aqui, pela ‘chuva’ é significado o influxo do Divino Vero proveniente do Senhor, do qual o homem tem inteligência espiritual; ‘chuva de aguaceiro’ significa o Divino Vero influindo em abundância; e por ‘dar a erva no campo’ é significada a cognição do vero e do bem oriunda da Palavra e, daí, a inteligência. [17] Em David: “Visitas a terra, e Te deleitas com ela, muito a enriqueces; rio de Deus cheios de águas; preparas o seu frumento e assim a estabelece; irriga os seus sulcos, fazes descer seus canais ???; dissolve-a com chuvisco, abençoa sua germinação” (Sl. 65:9, 10); pela ‘terra’ aí é significada a igreja; pelo ‘rio cheio de águas’ é significada a doutrina cheia de veros; por ‘irrigar os seus sulcos, fazer descer os canais e dissolver com chuvisco’ é significado encher de cognições do bem e do vero; ‘preparar o frumento’ significa tudo o que nutre a alma, pelo que é acrescentado: ‘assim estabeleces a terra’, isto é, a igreja; ‘abençoar a germinação’ significa produzir de novo continuamente e fazer nascer os veros. [18] No mesmo: “Fazes destilar chuva de benevolências, ó Deus” (Sl. 68:9); no mesmo: “Descerá como chuva sobre a erva do prado... como gutas na fissura da terra; florescerá em seus dias o justo” (Sl. 72:6, 7). Nessas passagens, ‘chuva’ não significa a chuva, mas o influxo do Divino Vero no homem, do qual ele tem a vida espiritual. Em Jó: “Minha palavra não reiteraram, e sobre eles destilará minha fala; e esperaram-me como chuva, e abrirão sua boca à chuva serôdia” (Jó 29:22, 23). É evidente que pela ‘chuva’ aí entende-se o vero que é proferido por alguém e influi em outrem, pois ‘palavra’, ‘fala’ e ‘abrir a boca’ significa o vero que sai de alguém pela linguagem. Daí se diz ‘chuva’ e ‘chuva serôdia’, como também ‘destilar’, pelo que é significado falar. [19] Em Jeremias: “O Feitor da terra prepara o mundo por Sua virtude; por Sua sabedoria e por sua inteligência estende os céus. À voz que Ele profere há multidão de águas nos céus, e faz subir vapores desde o fim da terra. Faz relâmpagos para os aguaceiros, e faz sair o vento de seus tesouros” (Jr. 10:12, 13; Sl. 135:7); pelo ‘mundo’, que o Feitor da terra prepara por Sua virtude, é significada a igreja em todo o mundo; ‘virtude’ significa o poder do Divino Vero; pelos ‘céus’, que Ele estende por Sua inteligência e sabedoria, é significada a igreja nos céus correspondente à igreja nas terras; ‘sabedoria’ e ‘inteligência’ significa o Divino procedente do qual os anjos e os homens têm sabedoria do bem e inteligência do vero; ‘estender’ significa a formação e a extensão dos céus no geral e a extensão da inteligência e da sabedoria em cada um que recebe; ‘à voz que Ele profere há multidão de águas nos céus’ significa que DO Divino procedente há veros espirituais em imensa abundância; ‘voz’ significa o Divino procedente, ‘águas’ significam os veros e ‘multidão’ a abundância; ‘fazer subir vapores desde o fim da terra’ significa os veros nos últimos, quais são os veros da Palavra no sentido da letra, nos quais há os veros espirituais; ‘fim da terra’ significa os últimos da igreja, e ‘vapores’ significam os veros para os que estão nos últimos, e ‘fazer subir’ é dar àqueles que estão nestes, a saber, nos últimos, os veros espirituais que principalmente frutificam a igreja; ‘faz relâmpagos para os aguaceiros’ significa a iluminação pelo influxo do Divino Vero neles; ‘e faz sair o vento de seus tesouros’ significa as coisas espiritual na Palavra oriundas do céu. [20] Em Lucas: “Quando vedes a nuvem surgindo no poente, logo se diz: Vem aguaceiro, e assim acontece; e quando o [vento] do sul soprando se diz que haverá estiagem, e acontece. Hipócritas, sabeis discernir a faze da terra e do céu; como pois não discernis este tempo?” (Lc. 12:54-56). Por esta comparação o Senhor ensina que veem as coisas terrenas, mas não as celestes. E a própria comparação, assim como todas as comparações na Palavra, foi tomada das correspondências, pois pela ‘nuvem surgindo no ocidente’ é significado o advento do Senhor no fim da igreja, predito na Palavra; a ‘nuvem’ significa a Palavra na letra; ‘surgindo’ [oriens] significa o Seu advento, e ‘poente’ significa o fim da igreja; ‘logo se diz que vem aguaceiro’ significa que então há o influxo do Divino Vero; ‘e quando vedes o [vento] do sul soprando’ significa a predição do Seu advento; ‘diz-se que haverá estiagem’ significa que então há o influxo do Divino Vero. As mesmas coisas também significam as contendas e as lutas do vero, por meio do bem, com os falsos do mal, pois ‘aguaceiro’ e ‘estiagem’ também significam essas contendas e lutas. Segue-se também esta comparação, após as palavras do Senhor: Que Ele não tinha vindo dar paz na terra, mas a divisão; e que pai estaria dividido contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe (Lc. 12:51-53), palavras pelas é significada essa contenda e luta. Que ‘aguaceiro’ também significa isto ver-se-á abaixo. Visto que essa comparação, considerada no sentido espiritual, envolve o Seu advento, e que eles O não reconheceriam, por causa da cegueira induzida pelos falsos, ainda que pudesse lhes ser conhecido pela Palavra, por isso se segue: ‘Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu, mas não discernis este tempo”, a saber, o tempo de Seu advento e, então, o conflito entre falso do mal e o vero do bem. [21] Em Oséias: “Conheçamos e prossigamos em conhecer Jehovah; como nuvens está preparada a Sua saída, e virá a nós como chuva, como a chuva serôdia irriga a terra” (Os. 6:3). Essas palavras são a respeito do Senhor e de Seu advento, e visto que d’Ele procede todo Divino Vero, do qual os anjos e os homens têm vida e salvação, por isso se diz que ‘virá a nós como chuva, como a chuva serôdia irriga a terra’; ‘irrigar a terra’ significa fecundar a igreja, que se diz estar fecundada quando os veros são multiplicados e daí a inteligência cresce, e quando os bens são frutificados e daí cresce o amor celeste. [22] No segundo livro de Samuel: “A mim falou a Rocha de Israel... como a luz da manhã nasce o sol, de uma manhã sem nuvens, pelo esplendor após a chuva a relva [brota] da terra” (2 Sm. 23:3, 4). Essas também são a respeito do Senhor, que, pelo Divino Vero que d’Ele procede, é chamado ‘Rocha de Israel’. Que o Divino Vero proceda de Seu Divino Bem entende-se por ‘como a luz da manhã nasce o sol’. A comparação é com a luz porque ‘luz’ significa o Divino Vero procedente; com a manhã porque ‘manhã’ significa o Divino Bem; e com sol nascente porque ‘nascente’ [oriens] e ‘sol’ significam o Divino Amor. Que este sejam obscuridade é significado por ‘luz de uma manhã sem nuvens’. A iluminação do homem da igreja pela recepção e após a recepção do Divino Vero oriundo Divino Bem do Senhor é significada pelo ‘esplendor após a chuva’; o ‘esplendor’ significa a iluminação, e a ‘chuva’ o influxo e, daí, a recepção. Que daí tenham conhecimento, inteligência e sabedoria os que são da igreja é significado pela ‘relva da terra’; a ‘relva’ significa o nutrimento espiritual, semelhantemente ao ‘pasto’, e daí o conhecimento, a inteligência e a sabedoria, que são as comidas espirituais; e pela ‘terra’ é significada a igreja e o homem da igreja. [23] Em Mateus: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos maltratam e perseguem, para que sejais filhos de vosso Pai que está nos céus, que faz o Seu sol sair sobre maus e bons, e envia a chuva sobre justos e injustos” (Mt. 5:44, 45). A caridade para com o próximo, que é querer o bem e fazer o bem mesmo aos inimigos, é primeiramente descrita por ‘amá-los’, ‘bendizê-los’ e ‘orar por eles’, pois a genuína caridade não considera senão o bem do outro. Aí, ‘amar’ significa a caridade, ‘bendizer’ a instrução, e ‘orar’ a intercessão. A razão disso é que interiormente na caridade está o fim de beneficiar. Que isto seja o Divino mesmo no homem, assim como é nos homens regenerados, é significado por ‘para que sejais filhos de vosso Pai que está nos céus’; ‘Pai nos céus’ é o Divino procedente, pois todos os que o recebem são chamados ‘filhos do Pai’, isto é, do Senhor. Pelo ‘sol’ que faz sair sobre maus e bons é significado o Divino Bem influindo, e pela ‘chuva’ que envia sobre justos e injustos é significado o Divino Vero influindo, porque o Divino procedente, que é o ‘Pai nos céus’ influi igualmente nos maus e nos bons, mas sua recepção deve vir do homem, embora não do homem como sendo do homem, mas como se fosse dele, pois a faculdade de receber lhe é continuamente dada, e também influi tanto quanto o homem remove os males que fazem obstáculo, e essa faculdade parece como se fosse do homem, embora seja do Senhor. [24] Por aí se pode ver agora que pela ‘chuva’, na Palavra, é significado o influxo do Divino Vero procedente do Senhor, donde se tem a vida espiritual, e isto porque as ‘águas’, de que vem a chuva, significa o vero da doutrina e o vero da fé. Visto que, porém, pela ‘águas’ no sentido oposto são significados os falsos da doutrina e da fé, por isso também pela ‘chuva de aguaceiro’ ou pelo ‘aguaceiro’, como também pelas ‘águas de inundações’ e pelo ‘dilúvio’ são significados não somente os falsos que destroem os veros, mas também as tentações, nas quais o homem ou sucumbe ou vence. Elas são significadas pelo ‘aguaceiro’, em Mateus: “Todo aquele que ouve as Minhas palavras e as pratica, compará-lo-ei ao varão prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu o aguaceiro, e vieram as correntes, e sopraram os veros, e combateram aquela casa, mas não caiu... Mas quem ouve as Minhas palavras e não as pratica será comparado ao varão insensato, que edificou a casa... sobre a areia; e desceu o aguaceiro, e vieram as correntes, e sopraram os ventos, e arremessaram-se contra aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína” (Mt. 7:24-27); pelo ‘aguaceiro’ e pelas ‘correntes’ entendem-se aqui as tentações nas quais o homem vence e nas quais sucumbe; pelas ‘águas’, os falsos que costumeiramente influem nas tentações; pelas ‘correntes’, que aí são inundações das águas do aguaceiro, são significadas as tentações; pelos ‘ventos’, que também sopram e açoitam, são significados os pensamentos emergentes daí, pois as tentações acontecem pela irrupção de falsos injetados por maus espíritos nos pensamentos; pela ‘casa’, contra a qual se arremessam, é significado o homem, propriamente a sua mente, que consiste de entendimento ou pensamento e de vontade ou afeição. Quem recebe as palavras do Senhor, isto é, os Divinos veros, somente em uma parte da mente e não ao mesmo tempo na outra parte, que é a da afeição ou vontade, esse homem sucumbe nas tentações e cai em graves falsos, que são os falsos do mal. Por isso foi dito: ‘será grande a sua queda’. Mas quem recebe os Divinos veros em ambas as partes, a saber, tanto no entendimento quanto na vontade, esse vence nas tentações. Pela ‘rocha’, sobre a qual está fundada essa casa, é significado o Senhor quanto ao Divino Vero, ou o Divino Vero recebido na alma e no coração, isto é, na fé e no amor, que são do entendimento e da vontade. Pela ‘areia’, porém, é significado o Divino Vero recebido somente na memória e, daí, até certo ponto no pensamento, e, por conseguinte, esparso e desconexo, porque é mesclado com os falsos e falsificado pelas ideias. Por aí é evidente o que se entende por ‘ouvir as palavras e não praticá-las’. Que este sete o sentido dessas palavras, pode-se ver mais claramente pelo que imediatamente as precede. [25] Pela ‘chuva inundante’ ou ‘aguaceiro’ é significada a inundação dos falsos também em Ezequiel: “Dize aos que rebocam com [argamassa] fraca que ela cairá, porque haverá chuva inundante, porque vos cairão pedras de saraiva, e um vento de procelas a destroçará;... assim diz o Senhor Jehovih: Farei um vento de procelas destroçar na Minha inflamação, e uma chuva inundante na Minha ira, e pedras de saraiva no fervor para consumição, e destruirei a parede que rebocais com [argamassa] fraca” (Ez. 13:11, 13, 14); pelo ‘reboco com [argamassa] fraca’ é significada a confirmação do falso pelas falácias, pelas quais o falso aparece como o vero; pelas ‘pedras de saraiva são significados os veros sem o bem, assim sem vida alguma espiritual, em todos os quais há interiormente os falsos, pois as ideias, que são mortas, fazem com que sejam somente crostas ou gravuras em que nada há de vivo. Tais são conhecimentos do vero ??? são do homem natural em que nada influi de espiritual. Pela ‘chuva inundante’ e pelo ‘vento de procelas’ são significados os falsos que invadem em abundância e as coisas imaginárias, como as contendas a respeito dos veros, que fazem com que nada se possa ver do vero e assim destroem o homem. [26] No mesmo: “Debaterei com” Gog “por meio de peste e sangue, e farei chover sobre ele uma chuva inundante e pedras de saraiva, fogo e enxofre, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos que estão com ele” (Ez. 38:22); por ‘Gog’ se entendem os que estão no culto externo sem culto interno algum, e como esse culto consiste semelhantemente de crostas, por assim de dizer, nas quais os núcleos foram apodrecidos, ou comidos por vermes, por isso se dizem ‘chuva inundante’ e ‘pedras de saraiva’, pelas quais são significados os falsos que invadem com abundância e as coisas imaginárias, que destroem o homem. Os males do falso e os falsos do mal são significados por ‘fogo’ e ‘enxofre’. [27] Pelo ‘dilúvio de águas’, do qual se diz Que tinha inundado toda a terra e destruído a todos além de Noé e seus filhos (Gn. 7:8), é também significada a inundação dos falsos, pela qual a Igreja Antiquíssima foi finalmente destruída; por ‘Noé e seus filhos’ é significada uma igreja nova que deve ser chamada Igreja Antiga e a sua instauração após a devastação da Igreja Antiquíssima. (Todavia, cada uma das coisas que foram descritas pelo dilúvio e pela salvação da família de Noé veem-se explicadas nos Arcanos Celestes. Que as ‘águas’ signifiquem os veros e, no sentido oposto, os falsos, vê-se acima, n. 71, 483, 518, 537 e 538; e que as ‘inundações de águas’ signifiquem as inundações dos falsos e as tentações, também acima, n. 518, no fim).