. “E ferir a terra com toda praga”. Que isto signifique que a igreja com eles pereça pelas concupiscências do mal vê-se pela significação de ‘terra’, que é a igreja (de que se tratou acima muitas vezes), e pela significação de ‘pragas’, que são coisas tais que destroem a vida espiritual, por conseguinte, a igreja, as quais se referem, em suma, às cobiças do amor de si e do mundo, por conseguinte, às concupiscências do mal (de que também se tratou acima, n. 584). Assim, por ‘converter águas em sangue’ é significado que naqueles que querem fazer mal e causar dano às ‘duas testemunhas’, que são os bens e veros da igreja que reconhecem e confessam o Senhor, os bens são convertidos em males e, daí, os veros em falsos. [2] Que assim aconteça qualquer um pode ver e concluir pelo fato de que todo bem do amor e vero da fé vem do Senhor, e que aqueles que não reconhecem nem confessam o Senhor não podem receber quaisquer bem do amor e vero da fé, pois pelo não reconhecimento e pela negação eles fecham para si o céu, isto é, rejeitam todo influxo do bem e do vero vindo do céu, ou, pelo céu desde o Senhor. Daí é que estão em seu proprium, que, considerado em si mesmo, nada é senão o mal e o falso daí. Por isso, não podem deixar de pensar e querer outra coisa – pois o fazem por seu proprium ou por si – senão o que brota do amor de si, do amor do mundo e das concupiscências destes, e absolutamente nada que vem do amor ao Senhor e do amor para com o próximo. E os que querem e pensam somente pelos amores de si e do mundo, e por suas concupiscências, não podem deixar de querer o mal e pensar os falsos. Que isto seja assim, é o que pode ver e concluir qualquer um que sabe que todo bem e vero vem do Senhor, e todo mal e falso do proprium do homem. [3] Cumpre saber que quanto mais o homem reconhece o Senhor e vive Segundo os seus preceitos, mais é elevado acima de seu proprium; a elevação é da luz do mundo à luz do céu. Enquanto vive no mundo, o home ignora que é elevado acima de seu proprium, porque não sente isso, mas há uma elevação, ou como que uma atração dos interiores do entendimento e dos interiores da vontade do homem ao Senhor e, daí, uma conversão para Ele da face do homem quanto ao seu espírito. Isto, todavia, é manifesto ao homem depois da morte, pois então há uma perpétua conversão de sua face para o Senhor e como que uma atração para Ele como o centro comum. (Vê-se a respeito dessa conversão na obra O Céu e o Inferno, n. 17, 123, 142-145, 253, 272, 552 e 561). [4] Como, porém, é segundo a ordem Divina que onde há atração deve haver aí o impulso, pois não existe atração sem impulso, por isso é segundo a ordem Divina que em todo homem haja um impulso, o qual, embora seja oriundo do Senhor, parece todavia como se fosse proveniente do homem, e a aparência faz com que seja como se fosse do homem. Esse impulso como que do homem correspondente à atração do Senhor é o reconhecimento, assim, a recepção pelo reconhecimento e pela confissão do Senhor, e por uma vida segundo os preceitos do Senhor. Isto, da parte do homem, deve ser pelo livre de sua vida, mas, entretanto, que o homem reconheça que isto também vem do Senhor, ainda que pela obscuridade da percepção em que o homem está ele não sinta outra coisa senão que isto vem de si mesmo. Estas coisas foram ditas para que se saiba que o homem que nega o Senhor não pode deixar de estar nos males e nos falsos daí, porque não pode ser tirado do proprium, isto é, ser elevado acima deste. Tampouco está em atração alguma pelo Senhor e, assim, em nenhuma conversão ao Senhor quanto aos interiores que são de sua mente.