. “E os seus inimigos as viram.” Que isto signifique a cognição e o reconhecimento naqueles que são interiormente contra os bens e veros da Palavra e da igreja vê-se pela significação de ‘ver’, que é entender, por conseguinte, conhecer e reconhecer (de que se tratou acima, n. 11, 37, 260, 354 e 529); e pela significação de ‘inimigos’, que são aqueles que estão contra os bens do amor e os veros da doutrina, por conseguinte, os que estão nos males e nos falsos. Estes se entendem por ‘inimigos’ e ‘adversários’ na Palavra, em seu sentido espiritual. Daí é evidente que ‘seus inimigos as viram’ significa a cognição e o reconhecimento naqueles que são contra as ‘duas testemunhas’, que são os bens do amor e os veros da doutrina. [2] O arcano que essas palavras envolvem é o seguinte: pelos ‘inimigos’ aqui se entendem os que são contra os bens do amor e os veros da doutrina interiormente, mas não exteriormente, pois de boca agem como amigos, mas de coração como inimigos; por isso os professar diante do mundo, mas os negam no espírito, no qual estão quando meditam em si mesmos. Estes são, portanto, os ‘inimigos’ que ‘veem’, pois quando estão no pensamento natural corpóreo – no qual estão todas as vezes em que estão na companhia dos outros – eles então veem, isto é, conhecem e reconhecem tais coisas. quando, porém, estão no pensamento espiritual natural – no qual se acham todas as vezes que estão sós e pensam sobre as coisas da fé – então não os reconhecem. Daí é que se diz que ‘as duas testemunhas subiram ao céu numa nuvem’, pois pela ‘nuvem’ é significado o externo da Palavra, da igreja e do culto, que eles veem e pelos quais veem. Que a ‘nuvem’ aí signifique esse externo vê-se no artigo logo acima. [3] Em muitas passagens na Palavra se nomeiam ‘adversários’ e ‘inimigos’, e por eles se entendem os males e falsos; pelos ‘adversários’, os males, e pelos ‘inimigos’, os falsos. Com efeito, a Palavra é espiritual em seu seio; por isso, por ‘adversários’ e ‘inimigos’ não se podem entender nesse sentido outros que não sejam os adversários e inimigos espirituais. Que isto seja assim pode-se ver pelas passagens seguintes. Em David: “Jehovah, como se multiplicaram os meus adversários! Muitos se levantam com mim... dizendo a respeito de minha alma: Não há salvação para ele em Deus” (Sl. 3:1, 2); no mesmo: “Faze maravilhosa a Tua misericórdia, ó Salvador dos que confiam; guarda-me por Tua destra dos que se levantam contra mim... dos ímpios que são contra a minha alma, que me rodeiam” (Sl. 17:7-9); no mesmo: “Não me entregues ao desejo ao desejo de meus adversários, porque levantaram contra mim testemunhas de mentira, os que respiram violência, para que eu não cresse ver o bem... na terra da vida” (Sl. 27:12, 13); no mesmo: “Livra-me dos meus adversários, ó meu Deus, dos que se levantam com mim. Exalta-me, livra-me dos obreiros de iniquidade... eis que armam ciladas à minha alma” (Sl. 59:1, 3); em Isaías: “O ímpio... age perversamente na terra de retidão; mas, Jehovah, exaltada foi a Tua mão;... o fogo comerá os Teus inimigos” (Is. 16:10, 11). Além de outras passagens em toda parte na Palavra profética onde se nomeiam ‘adversários’ e ‘inimigos’, e também na Palavra histórica, onde se trata de ‘adversários’ ‘guerras’ e ‘lutas’, pois assim como a ‘guerra’ significa a guerra espiritual, que é entre os veros e os falsos, e, daí, as ‘armas de guerra’, como ‘lanças’, ‘arcos’, ‘flechas’ e ‘espadas’, significam coisas tais que são da guerra espiritual, assim também os ‘adversários’ e ‘inimigos’. (Que as ‘guerras’, como também as ‘armas de guerra’ como ‘arcos’, ‘flechas’ e ‘espadas’, signifiquem tais coisas na Palavra, mostrou-se em várias passagens nos artigos precedentes). * * * * * * *