. “E deram glória ao Deus do céu.” Que isto signifique que eles reconheceram e adoraram o Senhor vê-se pela significação de ‘dar glória’ ou ‘glorificar’, que é reconhecer e adorar (de que se tratará a seguir), e pela significação de ‘Deus do céu’, que é o Senhor. Que o Senhor seja o Deus do céu Ele o manifestou quando esteve no mundo e quando saiu do mundo. Quando esteve no mundo, disse em João: “O Pai... entregou todas as coisas na mão” do Filho (Jo. 3:35); no mesmo: O Pai deu ao Filho “poder sobre toda carne” (Jo. 17:2); e em Mateus: “Todas as coisas Me foram entregues pelo Pai” (Mt. 11:27); e, quando saiu do mundo, disse aos discípulos: “Foi-Me dado todo poder no céu e na terra” (Mt. 28:18), pelo que é evidente que o Senhor é o Deus do céu. [2] Que ‘dar glória’ seja reconhece-Lo e adorá-Lo é porque ‘dar glória’ significa que a glória pertence a Ele somente, porque é Deus do céu e da terra e, ao mesmo tempo, reconhecer que todas as coisas da igreja vêm d’Ele, assim, toda salvação e vida eterna. Disto se segue que ‘dar glória’ e ‘glorificar’, quando se diz de Deus, é prestar-Lhe culto e adorá-Lo. Na Palavra, onde se trata do Senhor, a ‘glória’ significa propriamente o Divino Vero procedente d’Ele, pelo fato de que esse Divino Vero é a luz do céu, e por essa luz do céu os anjos e homens têm não só toda inteligência e sabedoria, mas também toda felicidade, e, além disso, toda magnificência nos céus, a qual é inefável. Estas são, pois, as coisas que são propriamente significadas pela ‘glória de Deus’. E como isto é a glória, segue-se que a glória do Senhor é iluminar anjos e homens e dotá-los de inteligência e de sabedoria, gratificá-los com coisas felizes e prazerosas e também magnificar todas as coisas nos céus. E essa glória não é pelo amor da glória, mas pelo amor para com o gênero humano. Por isso o Senhor disse em João: “Nisto é glorificado o Meu Pai: que deis muito fruto e vos torneis Meus discípulos” (Jo. 15:8); e, em outra passagem: “As palavras que Me deste dei a eles, e sou glorificado neles” (Jo. 17:8, 10). [3] Que isto seja a glória do Senhor pode-se ver pelo fato de que a luz do céu, da qual existe toda sabedoria, beleza e magnificência nos céus, procede do Senhor como Sol, e o Divino amor do Senhor é o que aparece aos anjos como o Sol. Daí se vê que a luz do céu, que em sua essência é o Divino Vero e a Divina Sabedoria, é o Divino Amor procedente, e o amor não quer outra coisa senão dar a outrem o que é seu, assim, enchê-los de bem-aventurança. Quanto mais não será, então, o Divino Amor? Mas o Senhor não pode dar a alguém a sua glória e enchê-lo de sabedoria e bem-aventurança se não for reconhecido e adorado, pois por este modo o homem se conjunge a Ele pelo amor e pela fé, porque o reconhecimento e o culto, para que sejam reconhecimento e culto, devem ser pelo amor e pela fé, e sem essa conjunção pelo amor e pela fé não pode influir no homem bem algum do Senhor, porque não é recebido. Por aí é evidente que ‘dar glória a Deus’ é reconhecer e adorar o Senhor. [4] Que a ‘glória’ signifique o Divino Vero procedente do Senhor, e que a glória do Senhor no homem seja a recepção do Divino Vero, vê-se acima (n. 33 e 345). Que a glorificação do Senhor venha d’Ele mesmo, e que nos homens e anjos haja recepção e reconhecimento de que vêm do Senhor todo bem e vero, e toda salvação e vida, também acima (n. 288). * * * * * * *