. “E houve grandes vozes nos céus”. Que isto signifique a iluminação e o regozijo nos céus superiores vê-se pela significação de ‘grandes vozes nos céus’, que é a iluminação, a sabedoria e o regozijo nos céus superiores, porque as ‘vozes’ significam várias coisas na Palavra, tais como o Divino Vero, a revelação, a Palavra mesma conosco e também todo preceito e mandado da Palavra. Essas coisas, porém, são significadas pelas ‘vozes vindas do céu’, mas pelas ‘vozes no céu’ é significada a iluminação, pela qual os anjos têm sabedoria, e, daí, o regozijo. Com efeito, quando os anjos estão na iluminação, estão também na sabedoria, e então têm grandes vozes, pelas quais exprimem arcanos da sabedoria. Que daí haja também regozijo é porque o regozijo dos anjos vem da sabedoria, pelo que também as vozes são referidas como ‘grandes’, pois ‘grande’ se atribui à afeição do bem e do vero, da qual há o regozijo nos céus. Que se entendam os céus superiores é porque por eles e deles se fazem os influxos nos inferiores, pelos quais os maus são separados, esses que, quanto aos externos, tinham sido conjuntos aos que estão nos céus inferiores, e enquanto estes são conjuntos aqueles não têm iluminação, mas a têm quando são separados. Daí é que se entendem os céus superiores, porque existe uma conexão tal entre os superiores e os inferiores no mundo espiritual que quanto mais os inferiores estiverem em ordem, mais os superiores também estarão, pois os inferiores ali são como os inferiores de uma casa e como os seus alicerces. Quanto mais, pois, estes são íntegros, mais os superiores estão num estado firme, seguro e perfeito, porque não oscilam, não vacilam nem se abrem, ou seja, assim como se dá com o homem, que, quanto mais não são lesados os seus exteriores, como os órgãos da visão, do paladar, da audição e do tanto, mais os interiores veem, saboreiam, ouvem bem e percebem com o tato, pois são os interiores que sentem nos exteriores, e os exteriores nada fazem por si. Dá-se semelhantemente nos céus: é nos céus inferiores que os céus superiores terminam e se sustêm; entre eles existe uma conexão tal como a que há entre os anteriores e os posteriores, ou como entre as causas e os efeitos. Se o efeito não corresponde inteiramente à sua causa, isto é, se não tem formado em si tudo o que está na causa eficiente, que se refere às forças e aos esforços de agir, então a causa fica enfraquecida e age imperfeitamente, pois todas as coisas da causa foram inscritas no efeito; por isso é só a causa que age, e não algum efeito separado da causa. É semelhante em relação aos seus superiores e inferiores; nos céus superiores estão as causas, e os efeitos correspondentes às causas se apresentam nos céus inferiores. Estas coisas foram ditas para que se saiba de onde procede que pelas ‘grandes vozes no céu’ é significada a iluminação de que vem a sabedoria e o regozijo nos céus superiores, quando os céus inferiores são purificados, isto é, os maus são separados dos bons e removidos.