. “Pois tomaste o Teu grande poder, e iniciaste o reino.” Que isto signifique a instauração de um novo céu e uma nova igreja, sendo destruídos o céu a igreja anteriores, vê-se pela significação de ‘tomou o Seu grande poder e começou a reinar’, que é, após o céu anterior e a igreja anterior terem sido destruídos, um novo céu e uma nova igreja seriam instaurados. Que isto se entende por ‘tomou o grande poder’ e por ‘começou a reinar’ é porque então o Senhor tem a onipotência e o reino, pois então fez-se a Sua vontade, porque então os anjos do céu e os homens da igreja se deixam conduzir por Ele. Com efeito, assim Ele governa a todos por Si mesmo, segundo a ordem, mantendo-os nos Divinos bens e veros que procedem d’Ele e desviando-os dos males e falsos que vêm do inferno. Isto não pode ser feito antes de os maus serem separados dos bons, os maus serem lançados no inferno e com os bons ser formado um novo céu. Estas coisas se realizaram pelo juízo final, do qual se trata na sequência.
[2] Que então o Senhor tenha o poder e o reino é o que pode ser ilustrado por uma comparação com o sol do mundo. Enquanto dura o inverno, o sol não tem poder ou reino algum na terra, porque seu calor não é recebido, porque o frio do ar e da terra o extingue. Mas, quando vem a primavera, então o sol tem poder e reino, pois então seu calor é recebido e também a luz, por ser conjunta ao calor, pelos quais toda a terra floresce. Dá-se o mesmo com o poder e o reino do Senhor, que vêm quando os maus foram separados dos bons e aqueles foram lançados no inferno, pois eles são frios como o inverno e extinguem o calor do sol espiritual, que é o amor, e fazem com que não haja poder e reino do Senhor, ainda que Ele, considerado em Si mesmo, esteja perpetuamente na mesma onipotência, à qual eles não estão sujeitos antes de existirem um novo céu e uma nova igreja.
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