. “E grande saraiva”. Que isto signifique “o falso infernal que destrói os veros e bens da igreja” vê-se pela significação de 'saraiva', que é o falso infernal que destrói os veros da igreja (de que se tratou acima, n. 503). E visto que se diz 'grande saraiva', e 'grande' se atribui ao bem e 'muito' ao vero (vide também acima, n. 652 e 696), por isso 'grande saraiva' também significa o falso infernal que destrói os bens da igreja. Que, além de ‘relâmpagos, trovões e terremotos’ veja-se também ‘grande saraiva’ é porque no mundo espiritual aparecem todas as coisas que há no mundo natural, tais como névoas, nuvens, chuvas, neve e saraiva, que são de fato aparências, mas reais, oriundas de correspondências, porque as coisas Divinas celestes e espirituais, que são próprias das afeições e, daí, dos pensamentos, assim, próprias do amor do bem e do vero desse bem, nos anjos, quando descem à esfera inferior mais próxima, revestem-se de formas naturais semelhantes e assim se apresentam perante os olhos para serem vistas. Portanto, são formadas as correspondência. Dá-se de modo semelhante em relação aos relâmpagos, trovões e saraiva. Esta, ou seja, a saraiva, é formada pelo defluxo do Divino Vero onde estão os maus que, pelos raciocínios, concluem falsos e por estes impugnam os veros e os destroem. Quando, pois, o Divino Vero influi dos céus na esfera que está ao redor dos maus e aparece como uma névoa formada pelos males das afeições e, daí, pelos falsos dos pensamentos deles, então esse influxo se muda em várias coisas, e em saraiva naqueles que pelos males e falsos pensam contra os bens e veros do céu e da igreja e veemente os impugnam. A razão disso é que as suas afeições e, daí, os seus pensamentos, que são do falso contra os veros, são desprovidos de qualquer calor celeste. Daí se forma a chuva, que também cai em seguida dos céus nas regiões inferiores, em forma de neve ou de saraiva, e essa saraiva destrói todas as coisas que vicejam e crescem com eles, e também as suas habitações, exatamente como se lê a respeito da saraiva no Egito. A razão de as destruir é porque as coisas que vicejam e crescem significam os veros da igreja, e as habitações significam os seus bens, coisas que eles destroem em si mesmos. Isto se faz pela correspondência, conforme se disse acima. Além disso, a saraiva aparece densa em partes maiores e menores segundo as impugnações mais fortes e mais brandas do vero pelos falsos. As partes maiores se chamam, na Palavra, ‘pedras de saraiva’, porque pelas ‘pedras’ são também significados os falsos. Por aí se pode ver agora de onde procede que pela ‘grande saraiva’ seja significado o falso infernal que destrói os veros e bens da igreja. * * * * * * *