. [Vers. 2] “E, estando grávida33”. Que isto signifique a nascente doutrina, pelo bem do amor celeste, vê-se pela significação de ‘estar grávida34’, quando se trata da igreja, que é significada pela ‘mulher’, que é a doutrina do vero que nasce do bem do amor celeste, pois pelo ‘útero’ é significado o íntimo amor conjugal e, assim, o amor celeste em todo o conjunto, e pelo ‘embrião que está no útero’ é significado o vero da doutrina oriunda do bem do amor celeste. Com efeito, pelo embrião é significado o mesmo que pelo ‘filho macho’ que ela pariu, do qual se tratará no versículo quinto, seguinte, e pelo qual é significada a doutrina do vero oriunda do bem do amor, com a diferença de que o embrião, por estar ainda no útero, deriva mais do bem da inocência do que depois de nascer. Assim, por ele é significada igualmente a doutrina do vero, igualmente ao que é significado pelo ‘filho’, mas por este é significada a doutrina mesma, e por aquele a doutrina nascente. Por aí é evidente que ‘estar grávida35’ significa a doutrina que nasce do vero procedente do bem do amor celeste. [2] Que o ‘útero’ signifique o bem do amor íntimo é porque todos os órgãos [membra] dedicados à geração, tanto nos machos quanto nas fêmeas, significam o amor conjugal, e o útero é o seu íntimo, porque aí o feto é concebido e cresce até nascer. É, também, o íntimo dos órgãos genitais; dele também é derivado o amor materno, que se chama ‘storge’. Visto que o homem que é regenerado também é concebido, é trazido no útero, por assim dizer, e nasce, e visto que a regeneração se faz pelos veros procedentes do bem do amor, assim, ‘ser trazido no útero’ significa, no sentido espiritual, a doutrina do vero do bem procedente do bem do amor. Existe mesmo uma correspondência do útero com o bem do amor íntimo, pois todo o céu corresponde a todas as coisas no homem (sobre essa correspondência vide na obra O Céu e o Inferno os n. 87-102). Assim também os órgãos destinados à geração; estes correspondem aí ao amor celeste. Este amor também influi do céu nas mães gestantes e também nos embriões. Daí há nas mães o amor às crianças e, nas crianças há a inocência. Por aí se pode ver de onde procede que o ‘útero’ signifique o bem do amor íntimo, e que ‘levar no útero’ signifique a doutrina que nasce do bem do amor. [3] Que tais coisas sejam significadas pelo ‘útero’ e por ‘levar no útero’ pode-se ver pelas seguintes passagens na Palavra. Em Isaías: “Atendei-Me, ó casa de Jacob e todos os restantes da casa de Israel, trazidos desde o útero e carregados desde a madre. Até à velhice Eu sou o mesmo, e até às cães Eu [vos] carregarei. Eu fiz, Eu carregarei, e Eu vos levarei e livrarei” (Is. 46:3). Essas palavras são a respeito da reforma da igreja e da regeneração dos homens ali pelo Senhor. A igreja é significada pela ‘casa de Jacob’ e pela ‘casa de Israel’; a externa pela ‘casa de Jacob’, e a interna pela ‘casa de Israel’; por ‘carregados desde o útero’ são significados aqueles que estão sendo regenerados pelo Senhor, e por ‘levados desde a madre’ são significados os que são regenerados. Visto que o homem que é regenerado é primeiro concebido pelo Senhor , em seguida nasce e finalmente é criado e aperfeiçoado, e como a regeneração é nisto semelhante à geração do homem natural, por isso, ‘ser carregado no útero’ significa o estado do homem que deve ser regenerado, da concepção ao nascimento. O nascimento mesmo, e, em seguida, e criação e o aperfeiçoamento, são significados por ‘ser levado desde a madre; até à velhice Eu sou o mesmo, e até às cães Eu [vos] carregarei’. Coisas semelhantes são significadas por ‘Eu fiz, Eu carregarei, e Eu levarei e livrarei”. Mas pelas coisas anteriores se entende a regeneração pelos bens do amor e da caridade, e pelas posteriores se entende a regeneração pelos veros desses bens. Por ‘livrar’ entende-se tirar e remover os males e falsos que vêm do inferno. [4] Em Oséias: “Efraim, como ave voará a sua glória, desde o parto, e desde o ventre, e desde a concepção; mesmo se criarem seus filhos, Eu então os farei privados de homem. ... Dá-lhes, Jehovah, uma madre que aborte, e peitos secos. ... Efraim foi ferido, a raiz deles se secou; não darão fruto; sim, quando gerarem, matarei os desejos de seu ventre” (Os. 9:11, 12, 14, 16); por ‘Efraim’ entende-se a igreja quanto ao entendimento do vero e do bem; que não haverá mais entendimento algum do Divino Vero na igreja é significado por ‘Efraim, como ave voará a sua glória’; pela ‘glória’ é significado o Divino Vero, por ‘voar’ é significado dissipar. Diz-se ‘voar’ porque se refere à ave, e diz ‘ave’ porque pela ave são significadas coisas tais que pertencem ao entendimento e às cognições daí. ‘Desde o parto, e desde o ventre, e desde a concepção’ significa a dissipação de todo vero, desde os seus últimos até os primeiros; ‘parto’ significa os seus últimos, porque isto é o que nasce; ‘desde o ventre e desde a concepção’ significa antes do nascimento, por conseguinte, todas as coisas, das últimas às primeiras, pois quando as últimas perecem também as anteriores são sucessivamente dissipadas. “Se criarem os seus filhos, então os farei privados de homem’ significa que ainda que adquirissem veros para si, seriam, todavia, privados de inteligência; pelos ‘filhos’ são significados os veros da igreja, pelo ‘homem’ é significada a inteligência; assim, por ‘fazê-los privados de homem’ é significado que não há inteligência. [5] ‘Dá-lhes, Jehovah, uma madre que aborte e peitos secos’ significa que eles não terão mais veros de bem algum, mas falsos do mal; ‘uma madre que aborte’ significa os falsos do mal em lugar dos veros do bem. É semelhante em relação a ‘peitos secos’, mas a ‘madre’ significa os veros procedentes do bem do amor, e ‘peitos’ os veros procedentes do bem da caridade, sendo aqui os falsos do mal que lhe são contrários. ‘Efraim foi ferido’, a sua raiz se secou’ significa que não há mais entendimento algum do vero desde os primeiros; ‘Efraim’, aqui como acima, é o entendimento do vero da igreja, e ‘raiz’ é o seu primeiro. ‘Não darão fruto’ significa que não haverá bem algum, pois onde não veros também não há aí o bem; ‘sim, quando gerarem, matarei os desejos de seu ventre’ significa que se adquirirem veros para si, ainda assim estes perecerão; os ‘desejos do ventre’ significam os veros adquiridos. Diz-se ‘ventre’ em vez de útero por causa da aparente tumescência do ventre nas grávidas, mas diz-se ‘ventre’ onde se trata dos veros, e ‘útero’ onde se trata do bem. [6] Em David: “Porque Tu O que me tiraste do útero, que me dás confiança desde os peitos de minha mãe; sobre Ti fui lançado [do útero]; desde o ventre de minha mãe Tu és o meu Deus” (Sl. 22:9, 10). Também aqui se descreve a regeneração espiritual do homem por coisas tais que pertencem à geração natural pela mãe. Assim, por ‘Tu és o que me tiraste do útero’ é significado que o homem da igreja é feito e regenerado pelo Senhor; por ‘dá-me confiança desde os peitos de minha mãe’ é significado que é em seguida conduzido e criado espiritualmente; os ‘peitos da mãe’ significam a nutrição espiritual nas coisas tais que pertencem à igreja (a ‘mãe’ é a igreja); ‘sobre Ti fui lançado do útero’ significa que o Senhor opera todas as coisas pelo bem do amor; e ‘desde ventre de minha mãe Tu és o meu Deus’ significa que opera todas as coisas pelos veros, pois, como foi dito acima, diz-se ‘útero’ onde se trata do bem do amor, e ‘ventre’ onde se trata dos veros desse bem. Daí se diz ‘Tu és o meu Deus’, pois onde se trata do bem do amor o Senhor é chamado ‘Jehovah’, e onde ser trata dos veros Ele é chamado ‘Deus’. [7] Nos Evangelhos: “Ai das que gerarem no útero e das que amamentarem naqueles dias” (Mt. 24:19; Mc. 13:17; Lc. 21:23). Nesses capítulos se trata da consumação do século, pela qual se entende o fim da igreja, quando há o juízo final. Assim, pelas ‘que gerarem no útero’ e pelas ‘que amamentarem naqueles dias’, sobre as quais há a lamentação, entendem-se aqueles que então recebem os bens do amor e os veros desse bem; as ‘que gerarem no útero’ são os que recebem o bem do amor, e ‘as que amamentarem’ são os que recebem os veros desse bem, pois o ‘leite’ com que amamentam significa o vero procedente do bem do amor. Diz-se ‘ai delas’ porque não podem conservar esses bens e veros que recebem, pois então o inferno prevalece e os tira, donde há a profanação. Que então o inferno prevaleça é porque no fim da igreja reinam os falsos do mal e os veros do bem são tirados, porque então o homem é mantido no meio, entre o céu e o inferno, e antes do juízo final prevalece o que se levanta do inferno sobre o que desce do céu. (A respeito disso vide a obra O Céu e o Inferno, n. 538, 540, 541, 546 e 589-596, e o opúsculo Do Juízo Final, n. 73 e 74). [8] Em Lucas: “Eis que vêm os dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram” (Lc. 23:29). Essas palavras significam coisas semelhantes, porque também foram ditas a respeito do último tempo da igreja, e pelas ‘estéreis’ e pelos ‘ventres que não geraram’ são significados os que não receberam os veros genuínos, isto é, os veros procedentes do bem do amor; pelos ‘peitos que não amamentaram’ são significados os que não receberam os veros genuínos procedentes do bem da caridade. Com efeitos, todos veros são procedentes do bem, e os bens são de dois gêneros, o bem celeste, que é o bem do amor ao Senhor, e o bem espiritual, que é o bem da caridade para com o próximo. Pelos ‘peitos’ é significado o mesmo que pelo ‘leite’, a saber, o vero do bem. [9] No mesmo: “Uma mulher, levantando a voz dentre o povo, disse” a respeito de Jesus: “Bem-aventurado o ventre que Te carregou, e os peitos em que Te amamentaste. Mas” Jesus “disse: Antes bem-aventurados são os que ouvem a Palavra de Deus e a observam” (Lc. 11:27, 28). Visto que ‘carregar no ventre’ e ‘amamentar nos peitos’ significam a regeneração do homem, como foi dito acima, por isso o Senhor respondeu: ‘Bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a observam’, pelo que é descrita a regeneração, que se faz pelos veros da Palavra e por uma vida segundo os veros. ‘Ouvir a Palavra de Deus’ significa aprender os veros da Palavra, e ‘observá-la’ significa viver segundo os veros. [10] Em João: “Disse... Nicodemos: Como pode um homem ser gerado quando é velho? Não pode entrar segunda vez no útero da mãe. Respondeu Jesus: Amém... te digo, se alguém não for gerado da água e do espírito, não pode entrar no reino” dos céus; “o que nasce da carne é carne, mas o que foi gerado do espírito é espírito” (Jo. 3:4-6). É evidente que pela geração espiritual, de que o Senhor falou, Nicodemos entendeu a geração natural, pelo que o Senhor o ensina sobre a regeneração, dizendo que ela se faz pelos veros da Palavra e por uma vida segundo os veros; isto é significado por ‘ser gerado da água e do espírito’, pois a ‘água’, no sentido espiritual, é o vero da Palavra, e ‘espírito’ é a vida segundo os veros. ‘O que é nascido da carne é carne, mas o que é gerado do espírito é espírito’ significa que o homem nasce natural e se torna espiritual por uma vida segundo os veros da Palavra. Que o homem natural não possa ser salvo a menos que se torne espiritual é o que se entende por ‘se alguém não for gerado da água e do espírito não pode entrar no reino dos céus’. [11] Visto que somente o Senhor reforma e regenera o homem, por isso na Palavra ele é chamado ‘Formador desde o útero’, como em Isaías: “Jehovah, teu Feitor e Formador... desde o útero, te ajuda” (Is. 44:2, 4); no mesmo: “Jehovah chamou-me desde o útero, desde as vísceras de minha mãe mencionou o meu nome. ... Disse Jehovah, meu formador desde o útero, para servo Seu, para tornar a trazer-Lhe Jacob, e Israel Lhe ser congregado” (Is. 49:1, 5). Em muitas passagens na Palavra o Senhor é chamado ‘Criador’, ‘Feitor’, ‘Formador desde o útero’ e também ‘Redentor’, porque cria de novo, reforma, regenera e redime o homem. Pode-se crer que o Senhor é assim chamado pelo fato de ter criado o homem e por formá-lo no útero, mas é, no entanto, a criação e a formação espirituais que aí se entendem, pois a Palavra não é somente espiritual, mas também espiritual; é natural para os homens, que são naturais, e espiritual para os anjos, que são espirituais, como também se pode ver pelo fato de que essas coisas foram ditas a respeito de Israel e, no sentido supremo, a respeito do Senhor. Por ‘Israel’ entende-se a igreja, assim, todo homem da igreja. E visto que o Senhor conhece a qualidade de cada um quanto ao bem do amor e ao vero da fé, por isso se diz: ‘Jehovah chamou-me desde o útero, desde as vísceras de minha mãe mencionou o meu nome’; por ‘chamar’ e ‘saber o nome’ de alguém é significado conhecer a qualidade; quanto ao bem do amor é ‘desde o útero’, e quanto aos veros desse bem é ‘desde as vísceras de minha mãe’. Por ‘Jacob’, que Lhe será trazido de volta’, e por ‘Israel’, que Lhe será congregado, é significada a igreja; por ‘Jacob’ a igreja externa, e por ‘Israel’ a igreja interna. Esta está no homem espiritual e aquela no natural. [12] Em Jeremias: “Antes que te formasse no útero, te conheci; e antes que saísses do útero, santificava-te e às nações te dava por profeta” (Jr. 1:5). Essas palavras foram ditas, de fato, a respeito do profeta Jeremias, mas, ainda assim, pelo ‘profeta’ se entende, no sentido espiritual, o que ensina o vero e, no sentido abstrato, a doutrina do vero. Daí, por ‘formar no útero’ e ‘conhecer antes de sair do útero’ é significada a providência para que pudesse estar nos veros do bem pela regeneração, por conseguinte, que pudesse receber e ensinar a Palavra. isto é, também, ‘santificar e dar por profeta às nações’; as ‘nações’ são os que estão no bem e, pelo bem, recebem os veros. [13] Em David: “Em Ti tenho-Me apoiado desde o útero, e Tu és aquele que Me tiraste das vísceras de minha mãe” (Sl. 71:6). Coisas semelhantes são significadas por essas palavras. No mesmo: “Eis que os filhos são herança de Jehovah, recompensa do fruto do ventre” (Sl. 127:3). Aqui, pelos ‘filhos’ se entendem os que estão nos veros do bem, como também em outras passagens na Palavra, e pelo’ fruto do ventre’ se entendem os que estão no bem pelos veros, para os quais o céu é a ‘herança’ e também a ‘recompensa’. [14] Em Isaías: “Porventura uma mulher se esquece de sua criança, para que não se compadeça do filho de seu ventre? Mesmo se eles fossem esquecidos, Eu, todavia, não Me esquecerei de ti” (Is. 49:15). Isto se diz porque no sentido espiritual se entende a regeneração. Por isso se faz comparação com a mulher e o seu amor para com sua criança. O mesmo ocorre com o regenerado pelo Senhor. [15] Em David: “Jurou Jehovah a David em verdade: Do fruto do teu ventre porei sobre o trono para ti” (Sl. 132:11); por ‘David’, aqui como também em outras passagens, entende-se o Senhor quanto ao reino espiritual, que é a sua realeza. Por isso, ‘pôr sobre o trono do fruto do seu ventre’ significa que é regenerado por Ele. Chama-se ‘fruto do seu ventre’ pelo fato de estar nos veros e na vida segundo os veros. Pelo ‘trono’, que ele terá, entende-se o céu. Estas são as coisas significadas no sentido espiritual por essas palavras, mas, no sentido supremos, por elas se entende o Senhor e a sua glorificação. [16] No mesmo: “Tu possuis os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe” (Sl. 139:13); por ‘possuir os rins’ é significado purificar dos falsos os veros (vide acima, n. 167); e por ‘cobrir no ventre da mãe’ é significado proteger contra os falsos do mal que vêm do inferno, desde o princípio da regeneração e continuamente depois. [17] No mesmo: “Os ímpios se desviaram desde o útero; andam errantes desde o ventre os que falam mentira” (Sl. 58:3). Não se entende aqui que os ímpios se desviam desde o útero e que erram desde o ventre, isto é, desde o primeiro nascimento, pois ninguém daí se desvia de Deus nem anda errante. Mas ‘desviar-se desde o útero’ significa que se afastaram do bem para o mal desde o primeiro dia em que puderam ser reformados, e ‘andar errante desde o ventre’ significa que, do mesmo modo, afastaram-se dos veros para os falsos; ‘falar mentira’ também significa crer nos falsos. Que eles tenham-se afastado desde o primeiro dia em que puderam ser reformados é porque o Senhor está no esforço de reformar a todos, quaisquer que sejam, começando na meninice e continuando pela adolescência até a juventude. Todavia, os que logo se desviaram não se deixam reformar. [18] Em Oséias: “A iniquidade de Efraim está atada, seu pecado está escondido. Dores de parturiente lhe sobrevirão. Ele é um filho não sábio, porque não está a tempo no útero dos filhos” (Os. 13:12, 13); por ‘Efraim’ é significado o entendimento do vero, aqui, o entendimento pervertido, que é do falso em lugar do vero; seu falso é significada por ‘iniquidade’ e o mal do falso por ‘seu pecado’, do que ele é chamado ‘filho não sábio’; ‘dores de parturiente lhe sobrevirão’ e ‘a tempo não está no útero dos filhos’ significa que não recebe a reforma; ‘não estar a tempo no útero dos filhos’ significa que não permanece no estado de reforma. [19] Em Isaías: “Conheci que, agindo perfidamente, perfidamente agiste, e o desde o útero foste chamado pelo nome de prevaricador” (Is. 48:8). Essas palavras foram ditas a respeito da casa de Jacob, pela qual se entende a igreja pervertida; ‘agir perfidamente’ significa contra os veros revelados; ‘e ser chamando desde o útero pelo nome de prevaricador’ significa o afastamento dos veros desde o primeiro tempo em que poderia ser reformado; ‘chamar pelo nome’ significa a sua qualidade quanto a isso. [20] Em Oséias: Jacob “no útero suplantou o seu irmão, e em sua força lutou poderosamente com Deus” (Os. 12:3). Ninguém pode saber o que é significado por essas palavras no sentido interno a menos que saiba que Jacob e sua descendência foram, desde os seus pais, meramente naturais, por conseguinte, contra o bem do céu e da igreja, pois quem é natural e não ao mesmo espiritual é contra esse bem. Com efeito, esse bem é adquirido somente pela conjunção do vero e do bem, primeiramente no homem espiritual e, em seguida no natural. Por ‘Esaú’, porém, é significado o bem natural no espiritual. Ora, como Jacob e sua descendência foram tais, e visto que rejeitaram todo esse bem, e isto desde o primeiro tempo, por isso se diz que Jacob ‘no útero suplantou o seu irmão’. Além disso, pela ‘luta de Jacob com o anjo’ (de que se trata em Gênesis 32:24-31) se descreve a teimosia deles, com que insistiram em possuir a terra de Canaan, pelo que se entende que a igreja fosse instituída com eles. Essa teimosia é descrita por essa luta e, também, pelas coisas que se dizem ali, no versículo seguinte, em Oséias, a saber: “E poderosamente lutou com o anjo... chorou e lhe fez súplicas" (Os. 12:4). Mas que, todavia, seria desprovido de qualquer bem do amor celeste e espiritual entende-se pelo fato de O anjo ter tocado a juntura [volam] da coxa de Jacob, e por ter sido deslocada [luxata] a juntura de sua coxa ao lutar com o anjo (Gn. 32:24, 31), pois pela ‘coxa’ é significada a conjunção do bem e do vero, e por sua ‘luxação’ é significado que Jacob e a sua descendência não teriam conjunção alguma do vero e do bem. É isto que se entende por ‘Jacob ter lutado poderosamente com Deus’. (A respeito disso, porém, vide os Arcanos Celestes, n. 4281, onde essas coisas foram explicadas. Que a nação israelítica e judaica não tenha sido escolhida, mas tomada para que representasse a igreja, por causa da teimosia com que seus pais e Moisés insistiram, vê-se ali, n. 4290, 4293, 7051, 7439, 10430, 10535 e 10632). [21] Em Moisés: Batiam-se entre si os filhos no ventre de Rebeca. E “disse Jehovah: Duas nações há em teu útero, e dois povos serão separados de tuas vísceras, e um povo prevalecerá sobre o [outro] povo, e o maior servirá ao menor. E completaram-se os dias para parit, e eis que havia gêmeos em seu útero; e o primeiro saiu todo ruivo, como uma túnica de pelos, e chamavam o seu nome Esaú. E depois disso saiu o seu irmão, e sua mão segurando o calcanhar de Esaú, e seu nome se chamava Jacob” (Gn. 25:20-26). Esses relatos históricos envolvem as coisas que foram ditas logo acima a respeito de Jacob e sua descendência, ou seja, que seriam meramente naturais e, assim, não estariam em bem algum natural pelo espiritual, o qual é significado por ‘Esaú’. Que a descendência de Jacob seria desprovida desse bem é significado pelo fato de ‘Jacob, saindo do útero da mãe, ter segurado o calcanhar de Esaú’; pelo ‘calcanhar’ é significado o último natural. (Mas essas coisas também foram explicadas nos Arcanos Celestes). [22] No mesmo: “Pelo Deus de teu pai, e Ele te ajudará, e com Shaddai, e te abençoará com as bênçãos do céu acima, com as bênçãos do abismo que jaz embaixo, com as bênçãos do peito e do útero” (Gn. 49:25). Esta foi a bênção de José pelo pai, Israel, da qual também se trata nos Arcanos Celestes (n. 6428-6434); ali, ‘com as bênçãos do peito’ significa as afeições do bem e do vero, e ‘com as bênçãos do útero’ a conjunção do bem e do vero, assim, a regeneração. [23] No mesmo: “Que” Jehovah “te ame, e te abençoe, e te multiplique, e abençoe o fruto de teu ventre, e o fruto de tua terra, o teu grão e teu mosto, o teu óleo, as crias [fetui] de teus bois, e dos carneiros de teu rebanho” (Dt. 7:13); e, em outra passagem: “Bendito é o fruto do teu ventre, e o fruto de tua terra... a cria de teus bois e dos gados de teu rebanho” (Dt. 28:4). Essas palavras foram ditas aos filhos de Jacob, os que não as entenderam senão naturalmente, isto é, segundo sentido da letra, porque eram meramente naturais e absolutamente não espirituais. Mas, por essas ‘bênçãos’ são significadas bênçãos espirituais, que são do céu e da vida eterna, porque pelo ‘fruto do ventre’ é significado o bem do amor e o vero desse bem; pelo ‘fruto da terra’ é significado tudo da igreja; pelo ‘grão’ e pelo ‘mosto’ é significado todo bem e vero no homem natural; pela ‘cria dos bois e dos gados do rebanho’ são significadas as suas afeições exteriores e interiores. Em geral, por todas essas coisas são significadas a frutificação e a multiplicação deles. [24] Em Isaías: “Eis que Eu suscito contra eles os medos36, que não estimam a prata e não se comprazem com o ouro, cujos arcos despedaçarão os jovens, e não se compadecerão do fruto do ventre; o olho deles não poupará os filhos” (Is. 13:17, 18); pelos ‘medos’ se entendem aqueles que têm como nada o vero e o bem da igreja e destroem as coisas que daí pertencem ao entendimento e ao amor; pela ‘prata’, que não estimam, e pelo ‘ouro’, com que não se comprazem, é significado o vero e o bem do céu e da igreja, pela ‘prata’ o vero e pelo ‘ouro’ o seu bem. Que ‘os seus arcos despedaçarão os jovens e do fruto do ventre não se compadecerão’ significa que os falsos da doutrina destruirão todo entendimento do vero e todo bem do amor; pelo ‘arco’ é significado o falso da doutrina, pelos ‘jovens’ a inteligência do vero e pelo ‘fruto do ventre’ o bem do amor. Que ‘o olho deles não poupará os filhos’ significa que o entendimento pervertido deles e a insanidade devastarão o vero da igreja; os ‘filhos’ são os veros, e o ‘olho’ é o entendimento pervertido, que é a insanidade. Cumpre saber que pelo ‘medo’ não se entende o medo, mas os tais e as coisas tais que devastam aquelas na igreja. [25] Em Mateus: Os fariseus diziam: “Não é lícito ao homem abandonar a sua esposa por qualquer motivo? Respondendo” Jesus, “disse: ... Porventura não lestes que Aquele que fez no início, macho e fêmea os fez, e disse: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á à sua esposa, e serão os dois uma só carne? pelo que não são mais dois, mas uma só carne. O Que, pois, Deus ajuntou, o homem não separará. ... Moisés, por causa da dureza de vosso coração, permitiu-vos despedir as vossas esposas. Mas no inicio não foi assim. Digo-vos que, qualquer que abandonar a sua esposa, a não ser por causa de fornicação, e casar-se com outra, comete adultério; e quem se casa com a que foi abandonada comete adultério. Disseram... os discípulos: ... Se assim é o caso com sua esposa, não é útil contrair matrimônio. Mas disse Jesus: ... Nem todos podem receber essa palavra, mas aqueles a quem foi concedido. Pois há eunucos que nasceram assim desde o ventre da mãe; e há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens; e há eunucos que se fizeram a si mesmos eunucos por causa do reino de Deus. Quem pode receber, receba-o” (Mt. 19:3-12). Que haja arcanos interiores contidos aí é o que se pode ver pelas palavras do Senhor, que nem todos recebem essas palavras, mas aqueles a quem foi concedido. O arcano interior que há nessas palavras ditas pelo Senhor poucos homens compreendem, mas todos os anjos os anjos no céu. A razão disso é que os anjos percebem espiritualmente essas palavras do Senhor, e os arcanos que há aí são coisas espirituais, a saber, que nos céus, assim como nas terras, há casamentos, mas nos céus os casamentos se fazem de semelhantes com semelhantes, pois o varão nasceu para agir pelo entendimento, mas a mulher para agir pela afeição. O entendimento nos varões é o entendimento do vero e do bem, e a afeição nas mulheres é afeição do vero e do bem. E como todo entendimento deriva sua vida da afeição, por isso eles se ajuntam ali como a afeição que é da vontade se ajunta com o pensamento correspondente que é do entendimento. Com efeito, o entendimento varia em cada um, assim como variam os veros de que vem o entendimento. Há, em geral, os veros celestes, os veros espirituais, os veros morais, os veros civis e, até, os veros naturais, e para cada vero há espécies e há variedades inumeráveis. E como daí é que o entendimento de um nunca é o mesmo que o de outro, nem a afeição de um a mesma que a de outro, e para que, todavia, o entendimento e a afeição ajam como um só, por isso se ajuntam no céu, de modo que a afeição correspondente que é da mulher se conjunte à afeição correspondente que é do varão. Daí é que a vida de um e outro é cheia de amor, pela correspondência. Ora, visto que duas afeições variadas não podem corresponder a um só entendimento, por isso no céu não existe, nem pode existir, que um varão tenha várias esposas. [26] Por aí se pode ver e concluir o que também se entende espiritualmente por essas palavras do Senhor, por exemplo, o que se entende por ‘o varão deixará pai e mãe e ajuntar-se-á à sua esposa, e serão uma só carne’, a saber, que o varão deixará o mal e o falso que tem pela religião e que macula seu entendimento, assim, do pai e da mãe; e que o seu entendimento, assim separado deles, se conjunte à afeição correspondente, que é da esposa. Daí os dois se tornam uma só afeição do vero e do bem. Isto é o que se entende por ‘uma só carne’ em que os dois estão, pois a ‘carne’, no sentido espiritual, significa o bem que é do amor ou da afeição. ‘Por isso não são mais dois, mas uma só carne’ significa que assim o entendimento do bem e do vero e a afeição do bem e do vero não são dois, mas um só, semelhantemente à vontade e ao entendimento, que, de fato, são dois, mas, no entanto, um só; e semelhantemente ao vero e ao bem, e também à fé e à caridade, que, de fato, são dois, mas, no entanto, um só. Ou seja, quando o vero pertence ao bem e o bem pertence ao vero, e, também quanto à fé pertence à caridade e a caridade à fé. Daí vem, também, o amor conjugal. [27] Que ‘Moisés, por causa da dureza de coração, tenha-lhes permitido abandonar a esposa por qualquer motivo’ era porque os israelitas e judeus são naturais e não espirituais, e os que são meramente naturais também são duros de coração, porque não estão em amor conjugal algum, mas no lascivo, que é do adultério. Que ‘qualquer que abandonar a esposa, a não ser por causa de fornicação, e casar-se com outra, cometa adultério’ é porque a fornicação significa o falso, e, na mulher, a afeição do mal e do falso, assim, uma afeição que de maneira nenhuma concorda com o entendimento do vero e do bem, e porque por essa discordância perece completamente o amor conjugal, que é do vero e do bem, e, assim, o céu e a igreja no homem. Pois quando é nula a conjunção interior, que pertence às mentes e aos ânimos, o casamento se dissolve. Que ‘aquele que se casa com a que foi abandonada também cometa adultério’ é porque pela ‘abandonada por causa de fornicação’ se entende a afeição do mal e do falso, como acima, que não se deve ajuntar a entendimento algum do vero e do bem, pois daí o entendimento é pervertido e também se torna do falso e do mal, e a conjunção do falso e do mal é o adultério espiritual, assim como a conjunção do vero e do bem é o casamento espiritual. [28] Que o Senhor tenham depois falado dos eunucos foi porque os discípulos disseram: ‘Se assim é o caso do homem com a esposa, não é útil contrair matrimônio’. E visto que os casamentos na nação judaica, que foi dura de coração pelo fato estar nos falsos do mal, não eram casamentos, mas adultérios, entendidos no sentido espiritual. por isso também aquela nação foi chamada pelo Senhor de ‘nação adúltera’. Por isso o falou dos ‘eunucos’, pelos quais se entendem os que não querem entrar no casamento, isto é, serem conjuntos à afeição do mal, porque assim o entendimento do vero e do bem seria pervertido e dissipado. Assim, pelos ‘eunucos’ se entendem tanto os casados quanto os não casados, naqueles em que o entendimento do vero e do bem foi conjunto à afeição do vero e do bem. Que esses sejam chamados ‘eunucos’ é porque não há neles o que é lascivo, tal como naqueles que, pela dureza de coração, na qual estiveram os judeus, casaram-se com várias esposas e as repudiaram por qualquer motivo. [29] Cumpre saber, antes de mais nada, que o casamento do entendimento do vero e do bem com a afeição do vero e do bem é, em geral, de tríplice origem e, assim, de tríplice grau. No grau supremo é o casamento daqueles que são chamados celestes, no inferior entre aqueles que são chamados espirituais, e no ínfimo entre aqueles que são chamados naturais, pois todos esses graus são dos interiores do homem. Daí é que existem três céus; os que estão no supremo são chamados celestes, os que no inferior são chamados espirituais, e os que no ínfimo, naturais. O casamento do entendimento do vero e do bem com a afeição do vero e do bem nos celestes se entende pelos ‘eunucos que nasceram eunucos no útero da mãe’, pelo fato de que eles, quando estão sendo regenerados, recebem logo os veros na vida pelo amor a eles; daí é que eles conhecem os veros pelos veros mesmos. A regeneração deles, feita pelo Senhor pelo amor a Ele, é significada por ‘serem feitos eunucos no útero’, assim, sem o lascivo do adultério. [30] Já o casamento do entendimento do vero e do bem com a afeição do vero e do bem nos espirituais entende-se pelos ‘eunucos que foram feitos eunucos pelos homens’, pois esses não são regenerados no útero, isto é, pelo amor, mas pelos veros primeiramente recebidos na memória e, em seguida, intelectualmente no pensamento e assim, finalmente, na vida por alguma afeição espiritual. Desses se diz que ‘foram feitos eunucos pelos homens’ porque são reformados pelo entendimento a partir da memória, e o ‘homem’ significa o entendimento, como também acima, onde se falou de ‘homem e esposa’. Mas o casamento [do entendimento] do vero e do bem com a afeição do vero e do bem naturais entende-se pelos ‘eunucos que a si mesmos se fazem eunucos’, pois os naturais adquirem o lume natural por cognições e conhecimentos, e pelo bem da vida segundo estes, a afeição e, daí, a consciência. E como esses não sabem outra coisa senão que fazem isso por si mesmos – pois o homem natural não desfruta da inteligência que tem o homem espiritual nem da percepção que tem o homem celeste – daí é que eles são os que a si mesmos se fazem. Mas é dito assim por causa da aparência e por causa da fé obscura neles. São estas, pois, as coisas que se entendem por ‘fazerem-se eunucos por causa do reino de Deus’. E como poucos compreendem isso, por isso foi dito pelo Senhor: ‘Quem pode receber, receba’. (Contudo, para ilustração deste assunto, vide as coisas que foram ditas e mostradas na obra O Céu e o Inferno, sobre os dois reinos em que os céus foram distintos e, também, dos três céus segundo os quais há três graus de interiores no homem, n. 20-40, e sobre os casamentos no céu, n. 365-386). [31] Diz-se, a respeito de João Batista, Que ele foi cheio do Espírito Santo no útero da mãe, e que o embrião no útero exultou mediante a saudação de Maria (Lc. 1:15, 41, 44), mas por isso era significado que ele, tal como Elias, havia de representar o Senhor quanto à Palavra, pois na Palavra, que é o Divino Vero, existe em toda parte um casamento do Divino Bem e do Divino Vero, e o Divino Bem unido ao Divino Vero é o Divino procedente do Senhor, que é chamado ‘Espírito Santo’. A ‘exultação no útero’ mediante a saudação de Maria representada o prazer oriundo da conjunção do bem e do vero, assim, o prazer do amor conjugal celeste, que está em cada coisa da Palavra. (Que João Batista, tal como Elias, tenha representado o Senhor quanto à Palavra vê-se nos Arcanos Celestes, n. 7643 e 9372). [32] Também se dirá o que significa ‘o macho que abrir primeiro o útero’; sobre ele se lê assim em Moisés: “Quando Jehovah te tiver conduzido à terra de Canaan... farás passar a Jehovah toda abertura de útero, e toda abertura de feto da besta, todos os machos que tiveres, a Jehovah;... mas resgatará todo primogênito... entre os teus filhos. Que se acontecer que o teu filho te pergunte amanhã, dizendo: Que é isto? dirás a ele: Pela fortaleza da mão Jehovah nos tirou do Egito, da casa dos servos;... quando matou todo primogênito na terra, desde o primogênito do homem até o primogênito da besta; por isso eu sacrifico a Jehovah toda abertura de útero, macho, e resgato todo primogênito dos meus filhos” (Êx. 13:11-15; 34:19, 20). Que os levitas tenham sido tomados no lugar deles, vê-se no mesmo: “Eis que tomei os levitas do meio dos filhos de Israel em lugar de todo primogênito, da abertura de útero, dentre os filhos de Israel, para que os levitas sejam Meus. Porque todo primogênito é Meu; no dia em que feri todo primogênito na terá do Egito, santifiquei para Mim todo primogênito em Israel; desde o homem até a besta, Meus serão” (Nm. 3:12, 13; 8:16, 17). O espiritual que se acha encerrado neste estatuto não é evidente a menos que se saiba que as ‘gerações’ e as ‘natividades’ naturais significam gerações e natividades espirituais, e, também, que todos os membros da geração correspondem ao amor celeste e os seus produtos, que são os usos, que se chamam veros desse amor. Como isto é assim, e como o ‘casamento’ no sentido espiritual significa o casamento do bem e do vero, como foi dito acima, daí se pode ver o que é significado no mesmo sentido pela ‘abertura do útero’, ou ‘primogênito macho’. Pela ‘abertura do útero’ ou pelo ‘primogênito macho’ é significado aquilo que nasce primeiro do amor celeste e da percepção do bem e do vero. Que isto seja o vero do bem, que é está em lugar de um princípio para os restantes, é evidente. Isto, em sua essência, é o bem espiritual, pois este bem em sua forma é o vero do bem, ou, o que é o mesmo, o vero do bem em sua essência é o bem espiritual. Isto é significado pela ‘abertura do útero’ e pelo ‘primogênito macho’, pelo fato de que o útero corresponde ao íntimo do amor conjugal, que, em sua essência, é o amor celeste, e deste amor é produzido o bem espiritual, que, em sua forma, é o vero do bem e, especialmente, o vero do bem que está em lugar de princípio para os restantes. O que está em lugar de princípio é tudo nos sucedentes quanto à essência deles, porque este reina neles. Como isto é significado pela ‘abertura do útero’ ou ‘primogênito macho’, por isso este é santificado a Jehovah, e também por este foram santificados todos os nascimentos [fetus] seguintes. [33] Cumpre saber que os bens do céu e da igreja são de três graus. O bem do grau íntimo, assim também do céu íntimo, chama-se bem do amor celeste; o bem do grau inferior, que também é o bem do céu médio, chama-se bem do amor espiritual; e o bem do grau ínfimo, que também é o bem do céu mais externo, chama-se bem natural. Esses bens, como se seguem em ordem, estão também na ordem em que nascem. O bem do amor natural nasce do bem do amor espiritual, e o bem do amor espiritual nasce do bem do amor celeste. Daí é que pela ‘abertura do útero’ e pelo ‘primogênito macho’ é significado o bem do amor espiritual nascido do bem do amor celeste. [34] Visto que pelas ‘bestas’ são significadas afeições – pelas ‘bestas’ da manada as afeições exteriores, e pelas ‘bestas do rebanho’ as afeições interiores – por isso os primogênitos delas também foram santificados. Que isto seja assim, pode-se ver também pelo fato de os levitas terem sido recebidos em lugar de todos os primogênitos, pois por ‘Levi’ e, assim, pelo ‘levita’ é significado o bem espiritual oriundo do bem celeste. Daí, também, o sacerdócio, pelo qual é significado o bem celeste, foi dado a Aarão e aos seus filhos, e o ministério desse bem, pelo qual é significado o vero do bem, foi dado aos levitas. (Que essas coisas tenham sido significadas pela ‘tribo de Levi’ vê-se acima, n. 444). Que o estatuto a respeito dos primogênitos tenha sido aos filhos de Israel, por terem sido mortos todos os primogênitos no Egito, era também porque pelos ‘primogênitos’ ali são significados os falsos do mal contrários ou opostos aos veros do bem, assim, o mau infernal contrário ou oposto ao bem espiritual. E porque, quando esses falsos do mal são mortos no homem, isto é, afastados, então os veros do bem, ou o bem espiritual, influem pela primeira vez do Senhor e são recebidos pelo homem. Por aí se pode ver o que foi representado por este estatuto e significado no sentido espiritual. O que é significado por Deus ter fechado todo útero da casa de Abimeleque por causa de Sara, esposa de Abrahão; e, depois que Abrahão orou por eles, Deus curou Abimeleque, a esposa dele e as suas escravas, para que parissem (Gn. 20:17, 18), vê-se nos Arcanos Celestes, onde essas coisas foram explicadas.