. “Tendo sete cabeças”. Que isto signifique o conhecimento das coisas da Palavra, o qual eles adulteraram, e daí a insanidade, mas com astúcia [???], vê-se pela significação de ‘cabeça’, que é a inteligência e a sabedoria, e, no sentido oposto, a insanidade e a estultícia (de que se tratou acima, n. 553 e 577); que seja também a astúcia, n. 577; e pela significação de ‘sete’, que é tudo e todas as coisas e se diz das coisas santas (de que se tratou acima, n. 257), aqui, portanto, das coisas santas da Palavra, que eles adulteraram. Como ‘sete’ se diz das coisas santas, também se diz no sentido opostos das coisas adulteradas e profanadas. Cada uma das coisas na Palavra tem também um sentido oposto, e o oposto do que é santo é o profano. Por aí é evidente que por ‘sete cabeças’, que o dragão foi visto ter, não se entendem cabeças nem sete, mas o conhecimento das coisas santas da Palavra que eles adulteraram e, daí, a insanidade, mas com astúcia. [2] Que a insanidade seja significada pela ‘cabeça do dragão’ é porque a inteligência do homem da igreja vem dos veros genuínos que procedem da Palavra. O entendimento verdadeiramente humano é formado e aperfeiçoado pelos veros naturais, civis, morais e espirituais; o entendimento interior pelos veros espirituais, mas o exterior pelos veros morais e civis. Assim, quais são os veros, tal é o entendimento que procede deles. Todos os veros espirituais são provenientes da Palavra e fazem um com o bem do amor e da caridade. Se, pois, o homem põe tudo da igreja e do céu na fé e dela separa o bem da caridade e do amor (como fazem aqueles que constituem a ‘cabeça do dragão’, como se disse no artigo logo precedente), então o entendimento interior não pode ser formado. Daí, em lugar da inteligência nas coisas espirituais existe a insanidade, pois de um princípio falso fluem falsos numa série contínua, e por causa da separação do bem da caridade eles não podem ter vero genuíno algum, porquanto todo vero pertence ao bem e, mesmo, é o bem na forma. Por aí se vê que pela ‘cabeça do dragão’ é significada a inanidade nas coisas espirituais. [3] Que a ‘cabeça do dragão’ também signifique a astúcia é porque todos que constituem a sua cabeça são meramente naturais e sensuais; se eles examinaram a Palavra e a doutrina da igreja e em lugar dos veros compreenderam falsos, e confirmaram estes também cientificamente, eles são mais astutos que os demais. Contudo, essa astúcia não se manifesta tanto no mundo, como ocorre depois, quando se tornam espíritos, pois no mundo eles encobriram a astúcia com a piedade externa e moralidade fingida, as quais escondem a astúcia. Como, porém, elas residem no espírito deles, tornam-se claramente evidentes quando os externos são removidos, como acontece no mundo espiritual. Mas deve-se saber que a astúcia que é significada pela ‘cabeça do dragão’ é a astúcia de perverter os veros e bens da Palavra por meio de raciocínios por falácias e por sofismas, e também persuasões pelos quais o entendimento é fascinado, assim, induzindo nos falsos a aparência de que são veros. Que isto seja assim pode-se ver também pela serpente seduziu os primeiros pais, da qual se diz Que se tornou “mais astuta do que toda fera do campo” (Gn. 3:1). Por essa ‘serpente’ se entende o mesmo que pelo ‘dragão’, pelo que este é também chamado de ‘serpente antiga... que seduz todo o mundo”, no versículo 9 deste capítulo.