. [Vers. 8] “E não prevaleceram, e não se achou mais o lugar deles no céu.” Que isto signifique que sucumbiram e que em parte alguma nos céus, depois disso, houve um lugar correspondente ao estado da vida deles, que é só do pensamento e de nenhuma afeição do bem e do vero, vê-se pela significação de ‘não prevaleceram’, que é que sucumbiram na luta; [e] pela significação de ‘não se achou mais o lugar deles no céu’, que é que depois disso não houve nos céus um lugar correspondente ao estado da vida deles (de que se tratará a seguir). Que não tenha havido mais lugar depois disso é porque o estado da vida daqueles que se entendem pelo ‘dragão e os seus anjos’ é somente do pensamento e de nenhuma afeição do bem e do vero, pois os que somente na fé tudo da igreja e tudo da salvação não podem estar em afeição alguma do bem e do vero, porquanto essa afeição pertence à vida. Com efeito, todo homem tem duas faculdades da vida, as quais se chamam entendimento e vontade; o entendimento é o que pensa e a vontade é o que tem afeição; por conseguinte, o pensamento pertence ao entendimento e a afeição pertence à vontade. Portanto, os separam da fé a vida, esses somente pensam que algo é assim, e dizem que serão salvos por isso e por causa disso que pensam. E visto que separam da fé a vida, não podem estar em outra afeição senão na afeição natural, que pertence ao amor de si e do mundo. Daí é que as afeições de seus amores os conjuntam às coisas que são de sua fé, conjunção essa que não faz o casamento celeste, mas o adultério, que é o inferno, pois é conjunção do vero com a afeição do mal, e esse adultério corresponde ao adultério do filho com a mãe, como é evidente pelas correspondências conhecidas no mundo espiritual. Todavia, para que não haja conjunção do vero com o mal, é provido pelo Senhor que eles não tenham quaisquer veros genuínos, mas somente veros falsificados, a saber, os quais em si mesmos são falsos. E como essa conjunção é da fé separada, a saber, do falso com o mal, por isso o ‘dragão’, pelo qual eles se entendem, é chamado ‘satanás’ e ‘diabo’, ‘satanás’ por causa do falso, e ‘diabo’ por causa do mal, pois, como foi dito acima, a conjunção do vero e do bem faz o céu no homem, mas a conjunção do falso e do mal faz o inferno nele. Que eles não tenham quaisquer veros genuínos é porque todas as coisas da fé deles vêm do sentido da letra da Palavra, e não ponderam que esses veros, que estão nesse sentido da Palavra, são aparências de vero. E assumi-las e defendê-las como veros mesmos é falsificar a Palavra, segundo as coisas que foram ditas acima (n. 715, 719 e 720). Daí é, pois, que ‘o dragão foi lançado do céu à terra com os seus anjos’. Que ‘não se tenha achado mais o lugar deles no céu’ signifique que nos céus, depois disso, não houve lugar correspondente ao estado da vida deles é porque todos os lugares nos céus correspondem à vida dos anjos; daí vem que o ‘lugar’ signifique o estado da vida, como acima (n. 731) foi dito. E como a vida de todos os anjos nos céus é a avida da afeição do bem e do vero, e como aqueles que se entendem pelo ‘dragão e seus anjos’ estão na fé só, não têm afeição alguma do bem e do vero, por isso não há nos céus um lugar correspondente à vida deles. Além disso, todos os anjos nos céus são afeições espirituais, e cada um deles pensa por sua afeição e segundo ela. Daí se segue que aqueles que põem tudo da igreja e, assim, do céu, no pensar e não no viver, quando se tornam espíritos pensam por suas afeições, que são afeições do mal e do falso, como foi dito acima. Consequentemente, a fé deles, a qual fizeram ser somente do pensamento e não da vida, é exterminada e dissipada. Em suma, ninguém tem afeição espiritual, que pertence ao bem e ao vero, a não ser a que vem da vida da fé, que pertence à caridade. A caridade mesma é a afeição do bem, e a fé é a afeição do vero, e ambas conjuntas numa só é a afeição do bem e do vero.
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.