. “Foi precipitado à terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.” Que isto signifique que os males e falsos daí foram condenados ao inferno vê-se pela significação de ‘ser precipitado à terra’, que é ser separado do céu e condenado ao inferno (de que se tratará a seguir); e pela significação dos ‘anjos do dragão’, que são os falsos do mal, que é significado pelo ‘dragão’, pois pelos ‘anjos do céu’ são significados na Palavra os Divinos veros, porque os anjos são recepções dos veros (vide acima, n. 130 e 302); daí, pelos ‘anjos do dragão’ são significados os falsos infernais que procedem do mal significado pelo ‘dragão’. Esses falsos, que são significados pelos ‘anjos do dragão’, são em sua maioria veros falsificados, os quais são em si mesmos falsos, como foi dito acima. [2] Que ‘ser precipitado à terra’ seja ser condenado ao inferno é porque isto é o que significa quando se diz ‘ser precipitado do céu’. No mundo espiritual há terras, como no mundo natural, cheias de montes e colinas, como também de vales e rios. Quantos tomados juntamente estes são chamados ‘terra’, e então por ‘terra’ é significada a igreja. Quando, porém, se entendem as partes mais baixas da terra, como o que se entende por ‘ser precipitado do céu à terra’, então a ‘terra’ significa o que é condenado, porque sob essas partes mais baixas há infernos, e também nos infernos há terras, e terras condenadas. Por causa disso é que nenhum anjo tem o costume de andar de cabeça baixa ou inclina e olhar para a terra, nem tampouco permanecer na terra em suas partes mais baixas, nem tomar dali pó algum. Daí veio que aqueles que no mundo condenavam os outros ao inferno costumavam lançar no outro pó apanhado da terra, pois isto corresponde à condenação deles. De fato, nem mesmo se permite a alguém andar de pés descalços sobre aquelas terras. Essas terras, que foram condenadas, são bem discernidas das terras que não são condenadas pelo fato de que a terra condenada é completamente estéril e tem somente pó, e em algumas partes coberta de espinhos, mas a terra não condenada é fecunda, cheia de ervas, arbustos, árvores e também campos. [3] Daí veio o rito costumeiro na Igreja Judaica representativa de se lançar por terra, revolver-se ali e espalhar pó sobre a cabeça, quando se estava em grande luto por causa de desgraças impostos pelos adversários e por causa da violência feita aos seus santuários, pelo que representavam que reconheciam estarem por si mesmos condenados. Assim, por esse gesto humílimo, pediam que fossem remidos de seus pecados. Que aqueles que se entendem pelo ‘dragão’ e por ‘seu anjos’ tenham sido separados do céu e condenados ao inferno, quando o juízo final estava sendo realizado e também depois, foi me concedido ver como testemunha ocular, a cujo respeito muitas coisas se dirão no fim desta obra. Por aí se pode ver que ‘ser precipitado do céu à terra’ significa ser condenado ao inferno. * * * * * * *