. [Vers. 16] “E a terra ajudou a mulher, e a terra abriu a sua boca, e engoliu o rio que o dragão lançou de sua boca.” Que isto signifique que aqueles que são da igreja que não está nos veros prestariam auxilio, e não receberiam os astutos raciocínios daqueles que fossem da fé separada vê-se pela significação de ‘terra’, que ajudou a mulher, que é a igreja que não está nos veros, pois pela ‘terra’ aqui se entende a terra do deserto para onde a mulher fugiu e onde tinha um lugar preparado por Deus. (Que a ‘terra do deserto’ signifique a igreja que não está nos veros, porque não está no bem, vê-se pela significação de ‘terra’, que é a igreja, de que se tratou acima, n. 29, 304, 417, 697, 741, 742 e 752); pela significação de ‘deserto’, que é onde não há o vero (de que também se tratou acima, n. 730); pela significação de ‘ajudar a mulher’, que é prestar auxílio à Nova Igreja, que se chama a Santa Jerusalém; e pela significação de ‘abrir a sua boca e engolir o rio que o dragão lançou de sua boca’, que são os aguçados raciocínios daqueles que eram da fé separada, pois o ‘rio de águas que o dragão lançou de sua boca’ significa os aguçados raciocínios pelos falsos, como é evidente pelos dois artigos precedentes, e “abrir a boca e engolir’, quando se trata da igreja, que é significada pela ‘terra’, significa remover, e visto que algo é removido quando não é recebido, por isso significa não receber.
[2] Essas coisas devem ser entendidas assim: nos artigos antecedentes foi dito que ‘a mulher fugiu para o deserto, onde tem um lugar preparado por Deus’, e, depois, que ‘foram-lhe dadas asas de águia, e que voasse ao seu lugar’, pelo que é significado que a igreja, que se chama a Nova Jerusalém, haverá de permanecer entre que estão na doutrina da fé separada até crescer à plenitude, até que seja provido para que esteja entre muitos. Mas nessa igreja há dragões, que separam da fé as boas obras, não somente na doutrina, mas também na vida; já os restantes na mesma igreja, que vivem a vida da fé, que é a caridade, eles não são dragões, ainda que estejam entre eles, pois não sabem outra coisa senão que é conforme a doutrina que fé produza frutos, que são as boas obras, que a fé que justifica e salva é crer nas coisas que estão na Palavra e praticá-las. Os dragões, porém, percebem inteiramente diferente, mas não entendem de que modo percebem, e, como não percebem, tampouco recebem. Por aí é evidente que é a igreja constituída por aqueles que não são dragões que se entende pela ‘terra que ajudou a mulher, e engoliu o rio que o dragão lançou de sua boca. Mas, querendo o Senhor, em outro lugar será revelado como e quais são os raciocínios astutos e perniciosos raciocínios dos que se entendem pelo ‘dragão’, a respeito da separação entre a fé e as boas obras e da conjunções delas, e, também, que esses raciocínios estão somente entre os líderes eruditos, não sendo conhecidos pelo povo da igreja, porque não são compreendidos, e que daí seja que a Nova Igreja, que se chama a Santa Jerusalém, será ajudada por eles e também cresce.
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