. “E seus pés como os de urso”. Que isto signifique pelas coisas naturais, que são as falácias, vê-se pela significação de ‘pés’, que são as coisas naturais ‘(de que se tratou acima, n. 69, 600, 632 e 666); e pela significação de ‘urso’, que são aqueles que estão no poder pelo sentido natural da Palavra, tanto do bem quanto do mal (de que se tratará a seguir). Que aqui pelos ‘pés da besta’ – que era quanto ao corpo semelhante a um leopardo, e quanto aos pés como os de urso – sejam significadas as falácias é porque pelo ‘leopardo’ são significados os raciocínios que discordam e, no entanto, em aparência são como se fossem coerentes (do que se tratou logo acima, n. 780), e esses raciocínios, na medida em que procedem do último do natural, que é o sensual, são falácias, que são significadas pelos ‘pés do urso’.
[2] Em muitas passagens da Palavra se nomeiam as bestas, tanto as limpas quanto as impuras, são mencionadas, e por elas são significadas várias coisas que pertencem ou ao céu ou ao inferno; pelas ‘bestas limpas e úteis’ são significadas coisas tais que pertencem ao céu, e pelas ‘impuras ou inúteis’, coisas tais que pertencem ao inferno. Mas o que elas significam do céu e do inferno são se pode saber melhor de outra parte senão pelos representativos no mundo espiritual, onde também aparecem bestas, as quais são, todas, aparências representando as coisas que os anjos ou espíritos pensam pelas afeições, inclinações, apetites, volúpias e cobiças. Estas coisas se apresentam perante os olhos deles em várias formas, como em jardins, em florestas, nos campos, nas campinas e também nas fontes, bem como em palácios, em casas e, ali, em cômodos, nos quais são ornamentos e utensílios; também se apresentam mesas em que há vários gêneros de comida. Além disso, elas se apresentam em formas de animais da terra, de aves do céu e de répteis, em variedade infinita, não somente nas formas dos animais e aves que há em nossa Terra, mas também compostos por vários, que não existem em parte alguma nas terras, os quais me foi concedido ver muitas vezes. E, quando elas aparecem, imediatamente se sabe de que origem espiritual elas são, por conseguinte, o que elas significam. Mas esses animais e aves logo desvanecem, assim que o anjo ou espírito termina seu pensamento e sua meditação.
[3] Que tais coisas apareçam no mundo espiritual pode-se ver claramente pelas coisas semelhantes vistas pelos profetas, por exemplo, que o Senhor apareceu como um Cordeiro; que viram-se querubins que eram quanto às faces como leão, como boi e como águia (dos quais se trata em Ezequiel); que foram vistos cavalos saindo do Livro da vida, quando o Cordeiro abriu os selos, e um cavalo branco e muitos outros cavalos em que se montavam no céu (em João); e, também, cavalos brancos, baios, vermelhos, negros, salpicados (em Zacarias); também se viu um dragão vermelho, tendo muitas cabeças e chifres, e, aqui, visa agora, uma besta semelhante a um leopardo, com pés de urso e boca de leão, assim como outra besta, que tinha dois chifres, semelhante aos do Cordeiro, e, depois, uma besta escarlate sobre a qual se sentava uma mulher. Também foram vistas por Daniel quatro bestas subindo do mar; a primeira delas apareceu como um leão que tinha asas de águia; a segunda, semelhante a um urso; a terceira, semelhante a um leopardo, tendo quatro asas, e a quarta, uma terrível. Por essas referências pode-se ver não somente que aparecem tais bestas no mundo espiritual, mas, também, que elas são significativas. Daí também se pode ver que todas as ‘bestas’ e, também, todas as ‘aves’ que são citadas na Palavra são significativas de coisas tais que são representadas pelas bestas no mundo espiritual. O que, porém, o ‘urso’ significa dir-se-á na sequência.
[4] Antes de se mostrar na Palavra o que é significado pelo ‘urso’, vou ilustrar por alguns exemplos o que se entende pelas falácias que são aqui significadas pelos ‘pés como os de urso’. Chamam-se falácias muitas coisas que o homem raciocina e conclui pelo homem natural, sem a luz espiritual, que é a luz do entendimento iluminado pelo Senhor; porque o homem natural percebe as ideias de seus pensamentos pelas coisas terrestres, corpóreas e mundanas, que são em si materiais, e quando o pensamento do homem não se eleva acima delas, ele pensa materialmente a respeito das coisas espirituais; e o pensamento material sem a luz espiritual tira tudo o que é seu dos amores do homem natural e de seus prazeres, que são contra os amores celestes e os prazeres destes. Daí é que as conclusões e raciocínios pelo homem natural somente, e seu lume fátuo, são falácias. Contudo, uns exemplos ilustrarão.
[5] É uma falácia que a fé cogitativa salva, quando, porém, o homem é tal qual é a sua vida. É uma falácia que a fé cogitativa é espiritual, quando, porém, amar ao Senhor sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo é o espiritual mesmo. E amar é querer e fazer. É uma falácia que exista a fé instantânea, quando, porém, o homem deve ser purificado dos males e dos falsos daí por meio da regeneração pelo Senhor e que enquanto persevera, e que assim como é purificado e regenerado, recebe a fé espiritual. É uma falácia que o homem possa receber a fé e ser salvo na hora da morte, qualquer que tenha sido a sua vida, quando, porém, a vida permanece para o homem e o homem é julgado segundo os seus feitos e obras.
[6] É uma falácia que pelo batismo também as crianças tenham a fé, quando, porém, a fé deve adquirida por meio das cognições do vero e do bem, e por uma vida segundo elas. É uma falácia que pela fé, só, a igreja está no homem, quando, porém, é pela fé da caridade que a igreja está nele, e a caridade pertence à vida, e não à fé separada. É uma falácia que o homem é justificado pela fé só e que por essa justificação é imputado o mérito do Senhor, e, em seguida, nada condena o homem, quando, porém, a fé sem a vida da fé, que é a caridade, é quase como dizer que algo é vivo sem a alma, o que seriam em si algo morto, porque a caridade é a alma da fé, por ser a sua vida. Por isso, o homem não é justificado pela fé morta, ainda menos o mérito do Senhor é imputado por ela e se dá a salvação, e onde não há salvação, há condenação.
[7] É uma falácia que na fé, só, estejam encerrados o amor e a caridade, quando, porém, amor e caridade é querer e fazer, pois o que o homem ama, isto não somente ele pensa, mas também quer e faz. É uma falácia que onde se lê ‘fazer’, na Palavra, e onde se dizem ‘feitos’ e ‘obras’ entenda-se ter fé, porque a fé os encerra, quando, porém, são coisas tão distintas entre si como o pensamento e a vontade, pois o homem pode pensar muitas coisas que ele não quer, e o que quer, nisto ele pensa consigo, quando deixado a só, e quer fazê-lo. Também, a vontade e o pensamento daí são o homem mesmo, e não o pensamento separado, e os feitos e obras pertencem à vontade e, daí, ao pensamento, enquanto a fé só pertence ao pensamento separado dos feitos e obras que pertencem à vontade.
[8] É uma falácia que a fé deve ser separada das boas obras, porque o homem não as pode fazer por si, e, se as faz, põe nisso o mérito, quando, porém, o homem não faz o bem por si, mas pelo Senhor, quando o faz pela Palavra, porque na Palavra está o Senhor e, também, o Senhor é a Palavra. Então o homem não faz o bem por si quando faz como por si e, no entanto, crê que o faz pelo Senhor, porque o faz pela Palavra. e visto que crê que o bem que faz vem do Senhor, não pode pôr o mérito nos feitos. É uma falácia que o entendimento deve estar cativo sob obediência da fé, e que a fé vista pelo entendimento não é a fé espiritual, quando, porém, é o entendimento que é iluminado nas coisas da fé quando a Palavra é lida, e o entendimento isolado da iluminação não vê se algo é um vero ou um falso. Daí tampouco a fé se torna a fé dele, mas a fé de outro nele. Essa fé é a fé histórica e quando confirmada se torna fé persuasiva, que pode ver falsos como veros e veros como falsos. Daí é a fé de todas as heresias.
[9] É uma falácia que a confiança, que é chamada fé que salva, recebida sem o entendimento, é a fé espiritual, quando, porém, a confiança sem o entendimento é a persuasão por outrem, ou da confirmação por passagens da Palavra aqui e ali, esparsamente coligidos, e aplicados pelo raciocínio do homem natural a um falso princípio. Essa confiança é a fé cega, que, como não vê se algo é um vero ou um falso, é meramente natural. Além disso, todo vero quer ser visto, porque é da luz do céu, mas o vero que não é visto pode ser falsificado de vários modos, e o vero falsificado é o falso.
[10] Tais são as falácias somente quanto a fé separada das boas obras. Ainda há muitas, compostas artificiosamente pelos eruditos, não somente quanto à fé, mas também quanto às boas obras, quanto à caridade e quanto ao próximo, principalmente quanto às conjunções destes com a fé. Que essas falácias sejam significadas pelos ‘pés do urso’ é porque pelo ‘urso’ são significados aqueles, tanto os probos quanto os maus, que estão no poder pelo sentido natural da Palavra. E como pelos ‘pés’ são significadas as coisas naturais, por isso ‘pés do urso’ são significadas as falácias pelas quais os raciocínios falsificam o sentido da letra da Palavra e nas quais mudam as aparências do vero desse sentido.
[11] Que o ‘urso’ signifique o poder do sentido natural da Palavra, tanto nos probos quanto nos maus, pode-ver ver pelas passagens que se seguem. No Segundo Livro dos Reis:
“Quando... Eliseu subiu a Betel, subindo ele no caminho, eis que uns meninos saíram da cidade, e zombaram dele, e disseram-lhe: Sobe, calvo! sobe, calvo! E olhou atrás de si, e os viu, e os amaldiçoou em nome de Jehovah; e saíram da floresta duas ursas, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos” (2 Re. 2:23, 24).
Por que os meninos foram amaldiçoados por Eliseu, e por isso foram despedaçados por duas ursas, por o terem chamado ‘calvo’, não se pode saber a menos que se saiba que Eliseu representou, o que significa ‘calvo’ e, depois, o que significam as ‘ursas’. Que isto não tenha sido por Eliseu por uma ira imoderada e uma ira injusta pode-se ver pelo fato de que ele não poder sido tão desumano pelo fato de os meninos pequenos terem dito ‘sobe, calvo!’. Isto era, de fato, um insulto ao profeta, mas não tanto que por causa disso fossem despedaçados pelos ursos. Todavia, isto aconteceu porque Eliseu representava o Senhor quanto à Palavra, assim a Palavra que vem do Senhor; ‘calvo’ significava a Palavra desprovida do sentido natural, que é o sentido de sua letra, e as ‘ursas da floresta’ era significado o poder do sentido natural ou sentido da letra da Palavra, como foi dito acima; e por esses ‘meninos’ eram significados aqueles que blasfemam a Palavra por causa de seu sentido natural, por ser tal; por ‘quarenta e dois’ é significada a blasfêmia. Daí se pode ver agora que por essas palavras é representada e, daí, significada a pena pela blasfêmia da Palavra. Com efeito, todo o poder e santidade da Palavra reside juntamente em seu sentido da letra, pois se não houvesse esse sentido não haveria a Palavra, porque sem esse sentido a Palavra seria como uma casa sem o alicerce, que estremeceria no vento e cairia e se faria em pedaços. E a Palavra seria como um homem sem a pele que envolve e contém as vísceras encerradas em lugar e sua ordem. E como isto é significado por ‘calvo’, e por ‘Eliseu’ era representada a Palavra, por isso os meninos foram despedaçados pelas ursas, pelas quais era significado o poder do sentido natural da Palavra, que é o sentido da letra, tanto nos probos quanto nos maus. Por aí é evidente que os relatos históricos da Palavra, igualmente aos seus proféticos, contêm um sentido espiritual.
[12] O mesmo é significado pelo ‘urso’ que David feriu, a cujo respeito assim se lê no Primeiro Livro de Samuel:
“Disse David a Saul: Apascentado estava o teu servo o rebanho de seu pai, e veio um leão, e até com um urso, e tomou gado do rebanho; saí após ele, e o feri...; e como se levantasse contra mim, peguei a sua barba, e o feri e o matei; tanto o leão como o urso o teu servo feriu. Será, pois, o filisteu... incircunciso como um deles, porque causou opróbrio às fileiras do Deus vivo” (1 Sm. 17:34-37).
Que a David tenha sido dado o poder de ferir um leão e um urso que tinham tomado gado do rebanho era porque David representava o Senhor quanto ao Divino Vero, no qual são instruídos os que são de Sua igreja; pelo ‘leão’ era significado o poder do Divino Vero espiritual, e, no sentido oposto, como aqui, o poder do falso infernal contra o Divino Vero; e pelo ‘urso’ é significado o poder do Divino Vero natural e, no sentido oposto, o poder do falso contra esse vero; mas o ‘gado’ do rebanho significa os que são da igreja do Senhor. Como essas coisas são representadas, por isso foi dado a David o poder de ferir um urso e um leão, e por aí ser representado e significado o poder do Senhor para guardar os Seus na igreja, por Seu Divino Vero, contra os falsos do mal que vêm do inferno. O fato de David ter ‘pegado a barba do urso’ envolve um arcano que até pode ser aberto, mas pouco compreendido. A ‘barba’ significa o Divino Vero nos últimos, em que consiste o seu poder mesmo. Esse vero, mesmo os maus que estão nos falsos o trazem na boca, mas dele abusam para destruir; quando, porém, esse vero é tirado, eles não têm mais poder algum; por isso ele matou o urso e feriu o leão. Todavia, em outra passagem se dirá mais a respeito disso. Já por Golias, que era o filisteu e, por isso, chamado ‘incircunciso’, são significados aqueles que estão nos veros sem o bem, e os veros sem os bens são veros falsificados, que são em si falsos. ‘Incircunciso’ significa aqueles que estão nos amores impuros do corpo, pois o prepúcio corresponde a esses amores. Daí é evidente o que representava a vitória de David sobre Golias. Por aí se pode ver de onde procede que
David foi comparado por Husai a uma ursa desfilhada no campo (2 Sm. 17:8).
[13] Em Daniel:
A segunda besta subindo do mar, “semelhante a um urso, e ergueu-se ao seu lado, e três costelas em sua boca, entre os seus dentes; além disso... dizendo-lhe: Levanta, come muita carne” (Dn. 7:5).
Pelas ‘quatro bestas subindo do mar’ é descrito o estado sucessivo da igreja até a devastação, que é o seu fim, e por ‘esta segunda besta’, que era ‘semelhante a um urso’, é significada a falsificação do vero da Palavra, seu poder ainda restando no sentido da letra. A cupidez de falsificar os seus bens é significada por ‘ter-se erguido a um lado’; pelas ‘três costelas na boca, entre os dentes’ são significadas as cognições do vero da Palavra em abundância, que são pervertidos pelos raciocínios oriundos de falácias, e por ‘comer muita carne’ é significada a destruição do bem pelos falsos e também a apropriação do mal.
[14] Em Oséias:
“Tornei-Me para eles como um leão; como um leopardo sobre o caminho espreitarei; sair-lhes-ei ao encontro como urso desfilhado... e ali comerei como um leão feroz; uma fera do campo os despedaçará” (Os. 13:7, 8).
No artigo imediatamente precedente foi explicado o que significa ‘tornei-Me para eles como um leão; como um leopardo sobre o caminho espreitarei’. Por ‘sair-lhes ao encontro como urso desfilhado’ é significada a falsificação do sentido da letra da Palavra; por ‘comer como um leão feroz’ é significada a destruição e devastação de todo vero da Palavra e, daí, da igreja; ‘uma fera do campo os despedaçará’ significa que perecerão pelos falsos do mal.
[15] Nas Lamentações:
“Ainda quando grito e clamo, ele obstrui as minhas preces; cercou os caminhos... com pedra cortada, perverteu as minhas veredas; ... um urso que me faz emboscada, um leão em esconderijos perverteu os meus caminhos... pôs-me desolado” (Lm. 3:8-11).
A lamentação de Deus sobre a desolação do vero na igreja, e que eles não possam ser ouvidos por causa dos falsos, é significada por ‘ainda quando grito e clamo, obstrui as minhas preces’. Que os falsos da própria inteligência desviem e rejeitem o influxo do vero é significado por ‘cercou os caminhos com pedra cortada, perverteu as minhas veredas’. Por ‘caminhos’ e ‘veredas’ de Deus são significados os veros que conduzem ao bem, e pela ‘pedra cortada’ são significadas as coisas que são da própria inteligência; como estas são significadas pela ‘pedra cortada’, por isso foi proibido construir o altar com pedras cortadas, assim como o templo de Jerusalém. O ‘urso que Me faz emboscada’ significa que o homem natural perverteu o sentido da letra da Palavra; o ‘leão nos lados’ significa que o homem natural interior, pelos males nele, perverte todo sentido da letra da Palavra e, daí, da igreja, donde vêm os falsos; ‘perverteu os meus caminhos, pôs-me desolado’ significa a devastação do vero da igreja.
[16] Em Amós:
“Ai dos que desejam o dia de Jehovah. Que é para vós o dia de Jehovah? Esse é um dia de trevas e não de luz; como aquele que foge de um leão e encontra um urso, ou aquele que vem à casa, apoia sua mão na parece, e uma serpente o morde” (Am. 5:18, 19);
pelo ‘dia de Jehovah’ se entende o advento do Senhor, que é o Messias a quem eles esperavam, e como acreditavam que Ele os livraria dos adversários da terra e os elevaria em glória acima de todas as nações, por isso O desejavam. Contudo, como o Senhor não veio ao mundo por causa de algum reino na terra, mas por causa do reino no céu, e como a nação judaica estava nos falsos do mal, e isto seria então manifesto a ela, por isso se diz: ‘Ai dos que desejam o dia de Jehovah; que é para vós o dia de Jehovah? Esse é um dia de ‘trevas’ e não de luz’; ‘trevas e não luz’ são os veros em que estavam; ‘como aquele foge de um leão e encontra um urso’ significa o temor por causa do domínio do falso, buscando os veros do sentido da letra da Palavra, que não podem deixar de falsificar; diz-se ‘fugir de um leão e encontrar um urso’ daquele que interiormente está no falso do mal e é levado a reconhecer os veros do sentido da letra da Palavra, que então não pode deixar de perverter por causa do domínio interior do falso; ‘vem a casa, e apoia a sua mão na parede, e uma serpente o morde’ significa que, quando esse consulta a Palavra no sentido da letra buscando os bens, não vê que os males o pervertem; a ‘mordida da serpente’ significa a falsificação, aqui, pelo domínio interior do falso oriundo do mal.
[17] Em Isaías:
“Morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito; deitar-se-ão o bezerro, e o leão jovem e o cevado juntos, e um menino pequeno os conduzirá; e a novilha e o urso pastarão, e juntos se deitarão os seus filhos [fetus]; o leão, como um boi, comerá palha” (Is. 11:6, 7).
O que é significado por ‘o lobo morará com o cabrito, e o bezerro, o leão jovem e o cevado deitarão juntos, e um menino pequeno os conduzirá’ foi explicado no artigo precedente. “A novilha e o urso pastarão, e juntos se deitarão os seus filhos’ significa o poder e a cupidez do homem natural de falsificar os veros da Palavra, e que estes não farão dano ao bem natural do homem e à sua afeição; ‘novilha’ é a afeição do vero e do bem natural do homem, e ‘urso’ é o poder e a cupidez do homem natural de falsificar os veros do sentido da letra da Palavra; ‘o leão, como um boi, comerá palha’ significa que o falso infernal, ardoroso por destruir os veros da igreja, não fará dano à afeição do bem natural do homem, tanto no homem em si quando nos homens entre si, e tampouco fará dano à Palavra; pela ‘palha’ é significada a Palavra na letra, que é pervertida pelo falso infernal mas não pode ser pervertida por aqueles que estão nos veros do bem.
[18] No mesmo:
“Apalpamos a parede como cegos, e como sem olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio dia como no crepúsculo, entre os vivos [estamos] como os mortos; bramamos como ursos... e como pombas, gemendo gememos; esperamos o juízo, mas não há; a salvação, distante de nós; pois se multiplicaram as nossas prevaricações diante de Ti, e nossos pecados repondem contra nós” (Isa. 59:10-12);
‘apalpamos a parede como cegos, e como sem olhos andamos apalpando’ significa não ter entendimento algum do vero; ‘tropeçamos ao meio dia como no crepúsculo’ significa cair em erros, embora estejam na igreja onde há a Palavra, pela qual poderiam vir à luz do vero; ‘entre os vivos [estamos] como mortos’ significa que poderiam estar na vida espiritual pela Palavra e, todavia, não estão, porque estão nos falsos; ‘bramamos como ursos, e como pombas gemendo gememos’ significa a dor do homem natural e, daí, a dor do homem espiritual; ‘esperamos o juízo, mas não há; a salvação, distante de nós’ significa a esperança da iluminação do entendimento e, daí, a salvação, mas em vão; ‘multiplicaram-se as prevaricações diante de Ti, e nossos pecados respondem contra nós’ significa por causa dos falsos oriundos do mal.
[19] Por aí se pode ver agora que pelo ‘urso’ é significado o homem natural quanto ao poder do sentido da letra da Palavra, em ambos os sentidos, portanto quanto à cupidez de falsificar o sentido da letra. Que isto seja significado pelo ‘urso’ é o que se me tornou evidente, e também o vi, no mundo espiritual, onde as formas representadas são os pensamentos daqueles que tinham sido naturais e estudado a Palavra enquanto queriam prevalecer pelo conhecimento daí. Também vi ursos que traziam costelas entre os dentes, como o urdo descrito no lugar supracitado em Daniel, e foi dado entender que pelas ‘costelas’ são representadas as cognições que eles tinham adquirido no mundo pela Palavra. Lá também aparecem ursos em outros lugares, pelos quais é representado o poder do homem espiritual natural pela Palavra. Além disso, lá aparecem bestas compostas de ursos, panteras, lobos, bois e as mesmas também providas de asas, que são todas significativas dos tais indivíduos quando andam em meditação.
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.