AE 815

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E vi outra besta subindo da terra”. Que isto signifique as confirmações pelo sentido da letra da Palavra a favor da fé separada da vida e, daí, as falsificações do vero da igreja, vê-se pela significação das ‘duas bestas’, das quais se trata neste capítulo, que são as que confirmam as coisas que são significadas pelo ‘dragão’, pois pelo ‘dragão’ é significada principalmente a fé só (vide acima, n. 714); e pela ‘besta subindo mar’ são significados os raciocínios do homem natural que confirmam a separação entre a fé e a vida (vide também acima, n. 774); portanto, por essa besta são significadas as confirmações pelo sentido da letra da Palavra em favor da fé separada da vida e, daí, as falsificações do vero da igreja. Que o ‘dragão’ seja ulteriormente descrito por essas duas bestas é evidente pelos versículos 2, 4 e 11 deste capítulo. Além disso, há duas coisas pelas quais qualquer dogma herético pode ser confirmado, a saber, os raciocínios do homem natural e as confirmações pelo sentido da letra da Palavra. São essas duas, portanto, que são significadas por essas duas ‘bestas’. Que pela ‘primeira besta’ sejam significados os raciocínios do homem natural é porque o ‘mar’, do qual aquela besta subiu, significa o homem natural; que, porém, por esta [segunda] ‘besta’ sejam significadas as confirmações pelo sentido da letra da Palavra é porque a ‘terra’, da qual ela subiu, significa a igreja onde está a Palavra. Que as falsificações da Palavra sejam também significadas por esta [segunda] ‘besta’ é porque a Palavra nunca pode confirmar um dogma falso, a menos que ela seja falsificada, porquanto todas as coisas da Palavra são verdadeiras. Por isso, todos os veros podem ser confirmados pela Palavra, mas de modo nenhum os falsos, como é claramente evidente pelo que foi citado acima e, também, pelo que se segue neste capítulo.
[2] Uma vez que foram citadas acima (n. 785) passagens da Palavra onde se mencionam ‘obras’, ‘feitos’, ‘praticar’ e ‘fazer’, desejo aqui citar as passagens onde se mencionam ‘fé’ e ‘crer’, mas somente dos Evangelhos e não das epístolas dos apóstolos. A razão por que serão citadas somente passagens dos Evangelhos é porque ali se acham as palavras do Senhor mesmo, todas elas encerrando em um sentido espiritual pelo qual se dá comunicação imediata com o céu. Os escritos dos apóstolos não têm, todavia, tal sentido, mas são livros úteis à igreja.
[3] As passagens na Palavra onde se mencionam ‘fé’ e ‘crer’ são as seguintes. Em Mateus:
Veio um centurião ao Senhor, dizendo: “Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu teto, mas diz somente uma palavra, e meu menino será curado. ... Ouvindo... Jesus admirou-Se, e disse aos que O seguiam: Amém vos digo, nem em Israel encontrei tanta fé. ... e disse ao centurião: Vai, e conforme creste, assim te seja feito, e o seu menino foi curado naquela hora” (Mt. 9:8, 10, 13).
Que o Senhor tenha curado a este e a outros segundo a fé deles era porque a primeira e principal coisa da igreja a ser instaurada era que eles cressem que o Senhor é o Deus Todo-poderoso, pois sem essa fé nenhuma igreja pôde ser instaurada. Com efeito, o Senhor era o Deus do céu e o Deus da terra, com o Qual não existe conjunção alguma senão pelo reconhecimento de Sua divindade, reconhecimento este que é a fé. Que o centurião tenha reconhecido o Senhor como Deus Todo-poderoso é evidente, pois disse: ‘não sou digno de que entres debaixo de meu teto, mas diz somente uma palavra, e meu menino será curado’.
[4] No mesmo:
“A mulher, padecendo com o fluxo de sangue... tocou na orla da vestimenta” de Jesus, “pois disse consigo mesma: Se tão somente eu tocar na Sua vestimenta, serei curada; Jesus... voltou-Se, vendo-a, disse: Filha, confia; tua fé te fez salva; e foi curada naquela hora” (Mt. 9:20-22);
no mesmo:
“Trouxeram um paralítico que jazia sobre um leito; vendo Jesus... a fé deles, disse ao paralítico: Confia... teus pecados... foram perdoados;... levantando[-te], toma o teu leito e vai para a tua casa” (Mt. 9:2-7; Lc. 5:19-25);
no mesmo:
“Dois cegos clamando e dizendo: Tem misericórdia de nós, filho de David; ... disse-lhes Jesus: Porventura credes que posso fazer isto? Disseram-Lhe: Sim, Senhor. Então tocou nos olhos deles, dizendo: Conforme a vossa fé, assim vos seja feito; e foram abertos os seus olhos” (Mt. 9:27-30).
Por essa fé, pela qual eles foram curados de doenças, não se entende outra fé senão a que se chama fé histórica, que, naquele tempo, foi também miraculosa; por isso muitos milagres foram feitos naquele tempo por essa fé. Era a fé que o Senhor é Todo-poderoso, porque pôde fazer milagres por Si mesmo, pelo que Ele também admitiu adorações a Si, diferentemente dos profetas do Velho Testamento, que não foram adorados. Mas essa fé histórica deve necessariamente preceder, antes que a mesma fé se torne salvífica, porque a fé histórica no homem se torna salvífica quando o homem aprende os veros da Palavra e vive segundo eles.
[5] No mesmo:
Uma mulher canaanita, cuja filha era possuída pelo demônio, “veio e adorou” a Jesus, “dizendo: Senhor, ajuda-me;... disse-lhe Jesus: ... Grande é a tua fé; seja-te feito como queres; e sua filha foi curada” (Mt. 15:22-28);
em João:
“Um [oficial] do rei, cujo filho estava enfermo,” rogava a Jesus que curasse o seu filho antes que morresse; “disse-lhe Jesus: Vai, teu filho vive; e o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera; ...e os servos saíram-lhe ao encontro... dizendo: Teu filho vive;... por isso ele creu, e toda a sua casa” (Jo. 4:46-53);
no mesmo:
Jesus, encontrando o cego de nascença a quem curou, disse-lhe: “Crês tu no Filho de Deus? Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu creia n’Ele? Disse-lhe... [Já] O viste, e é Aquele que fala contigo. Ele... disse: Creio, Senhor. E O adorou” (Jo. 9:35-38);
em Lucas:
Jesus disse ao chefe da sinagoga, cuja filha morrera: “Não temas! Crê somente, e será salva”, e a filha ressuscitou (Lc. 8:50, 55);
no mesmo:
Um dos dez leprosos curados pelo Senhor, que era samaritano, voltou, caiu sobre a sua face, aos pés de Jesus, “e disse-lhe” Jesus: “Levanta, vai, tua fé te fez são” (Lc. 17:15, 16, 19);
no mesmo:
Jesus disse ao cego: “Tua fé te fez salvo, e imediatamente pôde ver” (Lc. 18:42, 43);
em Marcos:
Jesus disse aos discípulos, que não puderam curar o filho de um, que tinha espírito mundo, ao qual Jesus disse: “Se podes crer, todas as coisas são possíveis ao que crê; ...clamando o pai do menino, com lágrimas, disse: Creio, Senhor; ajuda a minha incredulidade” e foi curado (Mc. 9:17, 23, 24).
Havia três razões pelas quais o Senhor os curou. A primeira, que tinham reconhecido a Sua Divina onipotência, e que Ele era Deus. A segunda, porque a fé é o reconhecimento, e do reconhecimento vem a intuição; e toda intuição oriunda do reconhecimento apresenta o outro a si como se presente, o que no mundo espiritual é comum; aqui, pois, a intuição do reconhecimento da onipotência do Senhor, intuição pela qual primeiramente deviam considerar o Senhor aqueles com quem uma nova igreja seria instituída por Ele. Daí se pode ver o que se entende aí pela fé. A terceira razão é que todas as enfermidades que o Senhor curou tinham representado e, daí, significado enfermidades espirituais correspondentes às enfermidades naturais, e as enfermidades espirituais só podem ser curadas pelo Senhor e, de fato, pela intuição de Sua Divina Onipotência e pela penitência de vida. Por isso, também, o Senhor algumas vezes disse: ‘Teus pecados te são perdoados, vai e não peques mais’. Essa fé também era representada e significada por essa fé miraculosa. Mas a fé pela qual o Senhor cura as enfermidades espirituais não existe senão pelos da Palavra e por uma vida segundo os veros. Os veros mesmos e a vida segundo eles fazem a qualidade da fé. Mas, a respeito disso, mais coisas serão ditais na sequência.
[6] Em João:
Disse a irmã de Lázaro, quando ele já estava morto: “Senhor, já cheira mal; ... disse-lhe Jesus: Não te disse [que], se creres, verás a glória de Deus?” (Jo. 11:39, 40);
em Lucas:
Jesus disse à mulher pecadora, que molhara com lágrimas os pés d’Ele, e os enxugara com os cabelos, e beijara os pés, aos quais também ungiu com óleo: “Teus pecados te foram remidos... tua fé te faz salva. Vai em paz” (Lc. 7:38, 48, 50).
Também por essa passagem é evidente que a fé na onipotência do Senhor os tinha curado, e também que a mesma fé tinha remido, isto é, removido os pecados. A razão disso era que aquela mulher não somente teve fé na onipotência Divina em relação ao Senhor, mas também O amou, pois beijou os pés d’Ele. Por isso o Senhor disse: ‘Teus pecados te foram remidos, tua fé te faz salva’, pois a fé torna presente a si o Divino do Senhor, e o amor conjunge, pois o Senhor pode estar presente mas não conjunto. Daí é evidente que a fé oriunda do amor salva.
[7] [Em outras passagens:]
Jesus disse aos discípulos no barco: “Por que sois tímidos, homens de pouca fé? Então se levantou e repreendeu o vento e o mar, e houve grande tranquilidade” (Mt. 8:26; Mc. 4:39-41; Lc. 8:24, 25).
Pedro, por ordem do Senhor, desceu do barco e andou sobre as águas. Mas, como viesse um forte vento, “teve medo, e, começando a afundar, clamou: ... Senhor, salva-me! Jesus... logo tomando a sua mãe, disse: ... Homem de pouca fé, por que duvidavas?” (Mt. 14:28-31).
Quando os discípulos não puderam curar o lunático, Jesus lhes disse: “Geração incrédula e perversa, até quanto estarei convosco?” E Jesus o curou, e disse aos discípulos que o não puderam curar por causa da incredulidade deles; (Mt. 17:14, e sequência).
Jesus veio à Sua terra e ali “escandalizaram-se d’Ele; e Jesus disse... Um profeta não é menos honrado do quem em sua pátria e em sua casa; por isso não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles” (Mt. 13:57, 58).
Que o Senhor tenha chamado os discípulos de ‘homens de pouca fé’ quando não puderam fazer milagres em Seu nome, e que não tenha podido fazer milagres em Sua terra por causa da incredulidade deles era porque os discípulos, de fato, criam que o Senhor era o Messias ou Cristo, como também o Filho de Deus e um Profeta, a cujo respeito qual foi escrito na Palavra, mas, no entanto, ainda não tinham crido n’Ele como Deus Todo-poderoso e que Jehovah o Pai estivesse n’Ele. E, todavia, enquanto cressem n’Ele como homem e não como Deus ao mesmo tempo, o Seu Divino, que tem onipotência, não pôde se fazer aos discípulos pela fé. Com efeito, a fé torna o Senhor presente, como acima foi dito, mas a fé no Senhor como homem, somente, não faz a Sua Divina onipotência presente. Esta foi, também, a razão pela qual não podem ser salvos hoje no mundo aqueles que consideram somente o Seu humano e não ao mesmo tempo o Seu Divino, como fazem os socinianos e os arianos.
[8] Foi pela mesma razão que o Senhor não pôde fazer milagres em Sua terra, porque ali O viram desde a infância como outro homem, pelo que não puderam ajuntar a essa ideia a ideia da Divindade, e quando esta não está presente, o Senhor está, de fato, presente, mas não com a Divina onipotência no homem, pois a fé faz o Senhor presente no homem segundo a qualidade da percepção a respeito d’Ele. As demais qualidades o homem não reconhece e, assim, rejeita. Com efeito, para que o Senhor opere alguma coisa no homem pela fé, deve haver a presença do Divino do Senhor no homem e não fora dele.
[9] Em João:
“Muitos... da multidão creram em” Jesus, “e disseram que o Cristo, quando viesse, que outros sinais Ele faria, senão aqueles que ele fez?” (Jo. 7:31).
em Marcos:
“Estes sinais... seguirão os que creem: em Meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes, e ainda que bebam algo letal, isto não lhes predicará. Imporão sobre os enfermos, e ficarão bem. ... Eles... saindo, pregaram em toda parte, o Senhor cooperando e confirmando a palavra pelos sinais que se seguiam” (Mc. 16:17-20).
Que seja a fé miraculosa e não a salvífica que se entende aí pode-se ver também pelo fato de que a nação judaica só creu em Jehovah por causa dos milagres, pois eram homens externos, e estes só são movidos ao culto Divino pelos externos que amedrontaram as mentes. Além disso, a fé miraculosa era a primeira fé naqueles com quem uma nova igreja havia de ser instaurada, e essa fé a primeira fé em todos no mundo cristão de hoje; por isso os milagres feitos pelo Senhor foram descritos e são também pregados, pois a primeira fé em todos é a fé histórica, que depois se torna salvífica quando o homem se torna espiritual pela vida, porque a primeira de todas as coisas é que se deve crer que o Senhor é o Deus do céu e da terra, e é onipotente, onipresente, onisciente, infinito e um com o Pai. Essas coisas devem ser sabidas, e, enquanto são somente sabidas, são históricas, e a fé histórica faz que o Senhor esteja presente, já que é a intuição do Senhor pela natureza de Sua Divindade. No entanto, essa fé não salva antes que o homem viva a vida da fé, que é a caridade, porque então ele quer e faz o que crê, e querer e fazer pertence ao amor, e o amor conjunge ao Senhor aquele em quem a fé O faz presente. O que significaram esses milagres que haviam de ser feitos pelos discípulos e por eles foram feitos no início da Igreja Cristã, tais como ‘expulsar demônios’, ‘falar novas línguas’ e muitos outros, vide acima (n. 706).
[10] Em Mateus:
“Jesus disse: ... Amém, vos digo, se tiverdes fá como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa para lá, e passará, e nada vos será impossível” (Mt. 17:14-20);
em Marcos:
“Tende a fé de Deus; amém... vos digo que quem quer que disser a este monte: Levanta[-te]... lança-te no mar, sem duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, far-se-á para ele o que disse. Por isso vos digo, todas as coisas, quaisquer que sejam, que, orando, pedirdes, crede que as recebereis, e vos será feito” (Mc. 11:22-24);
em Mateus:
“Jesus disse” aos discípulos: “Se tiverdes fé, e não duvidardes, fareis não somente o que foi feita a esta figueira, mas também direis a este monte: Levanta[-te]... lança-te no mar; e todas as coisas que pedirdes... crendo” em Mim “recebereis” (Mt. 21: 21, 22);
em Lucas:
“Se tiverdes fé como um grão de mostarda, e disseres a este sicômoro: [Desarraiga[-te], e planta[-te] no mar, decerto vos obedecerá” (Lc. 17:6).
Que essas coisas devam ser entendidas de outro modo e não segundo tais palavras pode-se ver pelo fato de ser dito aos discípulos: ‘se tivessem fá como um grão de mostarda, poderiam levantar de seu lugar e lançar no mar o monte e o sicômoro’, e, também, que ‘todas as coisas que pedissem eles receberiam’, quando, todavia, não procede da ordem Divina que alguém receba o que pede, se tão somente tiver fé. Depois, que o monte e a árvore se levantariam de seu lugar e se lançariam no mar. Mas, aqui, pela ‘fé’ se entende a fé vinda do Senhor, por isso também chamada de ‘fé de Deus’, e quem está na fé vinda do Senhor não pede outra coisa senão o que conduz à salvação para reino do Senhor e para si. As demais ele não quer, pois diz de coração: ‘Por que devem ser pedidas as coisas que não são de tal uso?’ Por isso não pode ter alguma fé de Deus, ou a fé que vem do Senhor se pedir outra coisa senão o que pelo Senhor lhe é concedido pedir. Mesmo para os anjos do céu é impossível querer uma coisa e pedir outra; se pedem outra, não podem ter a fé em que hão de receber. Que o Senhor tenha comparado tal fé à habilidade e ao poder de lançar um monte ou um sicômoro no mar era porque o Senhor falou por correspondências, aqui e em outras passagens, pelo que essas palavras também devem ser entendidas espiritualmente. Com efeito, pelo ‘monte’ é significado o amor de si e do mundo, assim, o amor do mal; e pelo ‘sicômoro’ é significada a fé desse amor, que é a fé do falso do mal; e pelo ‘mar’ é significado o inferno. Por isso, ‘o monte se levantar e lançar-se no mar pela fé de Deus’ significa lançar no inferno esses amores, que em si são diabólicos, do mesmo modo que a fé do falso do mal. Isto se faz pela fé vinda do Senhor. Fez-se comparação com a habilidade e o poder da fé vinda do Senhor com a erradicação e a projeção do monte e do sicômoro também porque, no mundo espiritual, assim realmente acontece. Esses amores do mal às vezes aparecem como montes, e a fé oriunda do falso do mal como um sicômoro, e ambos podem ser erradicados e lançados no inferno por um anjo, por meio da fé vinda do Senhor. (Que pelo ‘monte’ seja significado o amor ao Senhor e, no sentido oposto, o amor de si, vida acima, n. 405 e 510; e que a ‘figueira’ ou o ‘sicômoro’ signifique o homem natural quanto aos bens e veros ali, e, no sentido oposto, o mesmo quanto aos males e falsos, vê-se acima, n. 403).
[11] Isto a respeito da fé miraculosa. Seguem-se agora passagens dos Evangelhos a respeito da fé salvífica, que é a fé do vero oriunda do amor ao Senhor. Em João:
“Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. ... Quem crê n’Ele não será julgado, mas quem não crê já foi julgado, porque não creu no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo. 3:14-19);
no mesmo:
“O Pai ama o Filho, e deu todas as coisas em Sua mão; quem crê no Filho tem a vida eterna; quem, porém, não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele” (Jo. 3:35, 36);
no mesmo:
“Se não crerdes que Eu sou, morrereis em vossos pecados” (Jo. 8:24);
no mesmo:
“Disseram... a” Jesus: “Que faremos para praticar as obras de Deus. Jesus, respondendo, disse: Esta é a obra de Deus: que creiais n’Aquele que” o Pai “enviou”. ... “Eu sou o pão da vida; quem vem a Mim não terá fome, e quem crê em Mim nunca terá sede. ... Esta... é a vontade d’Aquele que Me enviou, que todo aquele que vê o Filho e crê n’Ele tenha a vida eterna, e o ressuscitarei no último dia. ... Ninguém viu o Pai senão aquele que está em Deus. Esse viu o Pai. Amém... vos digo, quem crê em Mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida” (Jo. 6:28, 29, 35, 40, 46-48);
no mesmo:
Jesus disse: “quem ouve a Minha palavra e crê n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna, e não virá a juízo, mas passará da morte para a vida. Amém... vos digo, que vem a hora... quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que ouvirem viverão. Assim como... o Pai tem a vida em Si, também deu ao Filho ter a vida em Si mesmo” (Jo. 5:24-26);
no mesmo:
“Jesus clamou, dizendo: Se alguém tem sede, vem a Mim e beba; quem crê em Mim, como disse a escritura, rios de águas vivas fluirão de seu ventre; estas coisas... disse a respeito do espírito, que haviam de receber os que creem n’Ele” (Jo. 7:37-39);
no mesmo:
“Jesus... disse: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; mas todo aquele que vive, e crê em Mim, não morrerá na eternidade” (Jo. 11:25-27);
no mesmo:
“Jesus... clamou e disse: Quem crê em Mim, não crê em Mim, mas n’Aquele que Me enviou. ... Eu, a luz do mundo, vim para que todo aquele que crê em Mim não permaneça em trenas. E se alguém ouvir as Minhas palavras e, todavia, não crer, Eu não o julgo; ...quem Me rejeita, e não recebe as Minhas palavras, tem quem o julgue, a palavra que falei... [esta] o julgará no último dia” (Jo. 12:44-48);
no mesmo:
“Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que filhos da luz sejais” (Jo. 12:36);
no mesmo:
“Não se turbe o vosso coração; crede em Deus, e crede em Mim” (Jo. 14:1);
no mesmo:
“A todos quantos... receberam” a Jesus “deu-lhes o poder de serem filhos de Deus, os que creem em Seu nome” (Jo. 1:12);
no mesmo:
“Muitos creram em Seu nome, vendo os Seus sinais” (Jo. 2:23);
no mesmo:
“Estas coisas... foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome” (Jo. 20:31);
em Marcos>
Jesus disse aos discípulos: “Indo a todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer, será condenado” (Mc. 16:15, 16).
Nestas e em outras passagens se descreve a fé salvífica, que se deve crer no Senhor, e que crer n’Ele é também crer no Pai, porque Ele e o Pai são um. ‘Crer no Senhor’ significa não somente adorá-Lo e cultuá-Lo, mas também viver por Ele, e vive-se por Ele quando se vive segundo a Palavra, que vem d’Ele. Por isso, ‘crer n’Ele’ é crer que Ele regenera o homem e dá a vida eterna aos regenerados por Ele.
[12] Por ‘crer n’Ele’ é significado o mesmo que por ‘crer em Seu nome’, pois o ‘nome’ do Senhor significa toda qualidade da fé e do amor, pela qual Ele deve ser adorado e pela qual o homem é salvo por Ele. A razão de isto ser significado por ‘Seu nome’ é que no mundo espiritual não se dão nomes às pessoas senão os que são segundo a qualidade e a afeição de sua vida, pelo que cada um é conhecido somente por seu nome; assim, quando seu nome é enunciado e se ama a qualidade que é entendida pelo nome, então a pessoa se faz presente e eles se conjungem como companheiros ou irmãos. Mas a qualidade do Senhor é tudo da fé e do amor pelo qual o homem é salvo por Ele, pois essa qualidade é a essência procedente d’Ele. Por isso, quando a pessoa pensa nessa qualidade, então o Senhor está presente nela, e quando a qualidade é amada, o Senhor é conjunto a ela. Assim é que aqueles que creem no Seu nome têm a vida eterna. Daí é evidente quão necessário é que o homem que o homem conheça a qualidade da fé e do amor, que é o ‘nome do Senhor’, e ame essa qualidade, o que se faz por praticar as coisas que foram ordenadas pelo Senhor. Os nomes ‘Jesus’ e ‘Cristo’ também envolvem essa qualidade, pois ‘Jesus’ significa salvação, e ‘Cristo’ ou Messias significa o Divino Vero, que é tudo da fé e do amor quanto aos pensamentos, à doutrina e à vida. Assim, quando esses nomes são enunciados, deve-se penar na qualidade deles e viver segundo ela. Isto se entende pelas palavras do Senhor em Mateus:
Jesus disse: “Se dois de vós consentirem em Meu nome sobre qualquer coisa na terra, tudo o que pedirem lhes será feito por Meu Pai que está nos céus, pois onde houver dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou no meio deles” (Mt. 18:19, 20).
De fato, a presença do Senhor está em todos, e também o amor para com todos, mas o homem não pode ser conduzido e salvo pelo Senhor senão segundo a recepção do Senhor no homem pela fé e pelo amor a Ele.
[13] Por aí é evidente quão necessário é para o homem conhecer a qualidade da fé e do amor, que é o nome do Senhor, e amar essa qualidade, pois o Senhor não é amado senão por Sua qualidade. Que se deva ir ao Senhor e amá-Lo segundo a qualidade da fé e do amor que é prescrita na Palavra, e não o Pai, o Senhor mesmo ensina, dizendo:
Que ninguém jamais viu o Pai, mas o Filho O revela [(Jo. 1:18)],
E, também, que ninguém vem ao Pai senão por Ele [Jo. 14:6)],
Porque o Pai e Ele são um [(Jo. 10:30)].
Por isso, ‘ir ao Pai’ e não a Ele é de um fazer dois, e, assim, adorar o Divino foram do Divino que está n’Ele, pelo que também perece para o homem a ideia da Divindade a respeito do Senhor. Daí é de novo evidente a verdade que
Quem crê no Filho tem a vida eterna [(Jo. 3:36)].
[14] Que crer no Senhor seja crer no Pai, o Senhor também ensina em João:
“Quem crê em Mim, crê, não em Mim, mas n’Aquele que Me enviou; e quem vê a Mim, vê aquele que Me enviou” (Jo. 12:44, 45).
Por essas palavras entende-se que quem crê no Senhor não crê n’Ele separado do Pai, mas também no Pai, pelo que acrescentou: ‘Quem vê a Mim, vê Aquele que Me enviou’. Também em outra passagem, em João:
“Crede em Deus... crede em Mim” (Jo. 14:1);
no mesmo:
Filipe, “não crês que Eu estou no Pai, e o Pai em Mim?... Crede [vós] em Mim, que Eu estou no Pai, e o Pai em Mim. ... Amém... vos digo, quem crê em Mim fará também as obras que Eu faço... porque Eu vou para o Meu Pai” (Jo. 14:10-12);
no mesmo:
“Naquele dia pedireis em Meu nome, e não vos digo que Eu pedirei ao Pai por vós;...o Pai... mesmo vos ama, porque vós Me amastes e crestes que Eu saí de Deus; saí do Pai, e vim ao mundo... e vou para o Pai. Disseram... os discípulos: ... Nisto cremos que saíste de Deus” (Jo. 16:26-30);
‘sair do Pai’ significa ser concebido por Ele, e ‘ira para o Pai’ significa unir-Se plenamente a Ele. Que ‘sair do Pai’ seja ser concebido por Ele vê-se claramente por sua concepção (em Mateus 1:18-25 e em Lucas 1:34-35); e que ‘ir para o Pai’ seja unir-Se plenamente Ele é evidente pela glorificação de Seu Humano pela paixão da cruz (de que se tratou anteriormente). Por isso Ele disse que ‘naquele dia pedireis em Meu nome’ e não mais no nome do Pai.
[15] No mesmo:
Jesus disse a Tomé: “Porque Me viste... creste; bem-aventurados os que não veem e creem. ... “E disse Tomé:... Senhor meu e Deus meu” (Jo. 20:28, 29).
Visto que então o Senhor fora plenamente unido ao Seu Divino, que é chamado Pai, por isso Tomé o chama de seu Senhor e seu Deus. Semelhantemente, em outra passagem no mesmo livro:
“A quem o Pai santificou e enviou ao mundo, não dizeis vós que blasfema, porque disse sou Filho de Deus? Se não faço as obras de Meu Pai não credes em Mim; [mas, se as faço] embora não Me credes, crede nas obras, para que conheçais e creiais que o Pai está em Mim, e eu no Pai” (Jo. 10:36-38).
Que os judeus não tenham crido é evidente em João 5:14-47; 10:24-26; 12:37-49; e Mateus 21:31, 32. A razão da incredulidade deles era que queriam um Messias que os elevaria à gloria acima de todas as nações no mundo. E como foram inteiramente naturais e não espirituais, falsificaram a Palavra principalmente onde se trata do Senhor e deles mesmos. Que por esse motivo não tenham crido é evidente pela fé dos judeus também hoje. Como são inteiramente naturais, mal sabem e mal querem saber a respeito do reino do Senhor nos céus. Que tampouco no mundo cristão de hoje hão de crer que o Senhor é um com o Pai e, daí, Deus do céu e Deus da terra, entende-se pelas palavras do Senhor em Lucas:
“O Filho do homem vindo, porventura achará fé sobre a terra?” (Lc. 18:8)
mas, a respeito deste assunto se dirá muitas coisas em outra passagens, querendo o Senhor.
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