. “Dizendo aos que habitam sobre a terra para fazerem uma imagem da besta”. Que isto signifique a ordem prescrita para que tais coisas fossem terminantemente ensinadas e cridas por todos na igreja vê-se pela significação de ‘os que habitam sobre a terra’, que são todos os que são da igreja (como logo acima, n. 826), e pela significação de ‘imagem de besta’ que é a doutrina da fé separada das boas obras e, daí, o culto, confirmada pelo sentido da letra da Palavra por meio de raciocínios do homem natural. Assim, por ‘fazer essa imagem’ é significado fazer um estatuto ou ordenar que isto seja terminantemente ensinado e crido, como também aconteceu nas igrejas onde a fé separada foi recebida. Que a ‘imagem’ signifique isso é porque todas as coisas espirituais podem ser apresentadas por meio de imagens, e também por meio de ídolos no mundo espiritual, e por essas imagens é retratada cada coisa da doutrina, o que também vi fazer-se. Daí é que as ‘imagens’ e os ‘ídolos’, na Palavra, significam tais coisas. Que os ‘ídolos’ signifiquem os falsos da doutrina vê-se acima (n. 587, 650, 654 e 780). Daí é, então, que ‘dizer aos que habitam sobre a terra para fazerem uma imagem da besta’ significa a ordem prescrita para que tais coisas fossem terminantemente criadas e ensinadas por todos na igreja. Que entre os que foram das Igreja Antigas tenham sido feitas imagens representativas de suas doutrinas e, daí, de seu culto, mas que isto tenha sido proibido aos filhos de Israel, por causa da propensão da mente dele para com o culto idolátrico vê-se pela Palavra.
[2] Para que se saiba que as ‘imagens’ significam tais coisas, desejo citar as seguintes passagens da Palavra, para confirmação. Em Moisés:
“Não farás para ti escultura, ou imagem alguma do que há nos céus em cima, e do que há nas terras embaixo, e do que há nas águas sob a terra; não te encurvarás a elas, e não as adorarás” (Êx. 20:4, 5);
“Não fareis para vós ídolos, nem [imagem de] escultura ou estátua erguereis para vós, nem poreis pedra de imagem em vossa terra para vos curvardes a elas” (Lv. 26:1);
“Para que não façais para vós imagens de escultura de semelhança alguma, figura de macho ou de fêmea, figura alguma de besta que há na terra, figura de ave alguma que voa sob o céu, figura de réptil algum na terra, figura de peixe alguma que há nas águas sob a terra” (Dt. 4:16-18).
Que tenha sido proibido aos filhos de Israel fazer ídolos, esculturas, imagens e figuras de qualquer coisa nos céus, na terra e nas águas era porque as Igrejas Antigas, que existiram antes da Igreja Israelita, foram igrejas representativas, e porque os filhos de Jacob foram homem inteiramente externos, e os homens externos naquele tempo, quando todo culto era representativo, eram inclinados às idolatrias, por conseguinte, ao culto de coisas tais como apareciam perante os olhos. Ora, como as Igrejas Antigas foram representativas, por isso os homens daqueles igrejas fizeram para si esculturas e imagens de várias coisas, as quais representavam e, daí, significavam coisas celestes. E, pelo fato de elas significarem isso, os antigos se deleitavam com elas; por isso, quando as contemplavam, recordavam-se das coisas celestes que elas representavam, e como estas eram de sua religião, eles as cultuavam. Daí é que eles tinham os bosques, tinham os altos, tinham as figuras de escultura, fundidas e pintadas, que eram postas ou nos bosques, ou sobre os montes, ou nos tempos, ou em suas casas. Assim, no Egito, onde floriu a ciência das representações, que é a mesma que a ciência das correspondências, existiram imagens, ídolos e esculturas, e também hieróglifos, semelhantemente a várias outras nações. Quando, porém, os homens daquelas igrejas, de internos, tornaram-se externos, então as coisas celestes e espirituais que eram representadas e, daí, significadas, permaneceram como tradições entre os seus sacerdotes e sábios, os quais foram chamados magos e adivinhos. Daí as pessoas comuns, por causa da religiosidade que os seus pais tinham visto nas imagens, começaram a adorá-las e a chamá-las de seus deuses. Ora, como os filhos de Jacob foram mais externos do que os outros e, assim, inclinados às coisas idolátricas e, também, mágicas, por isso lhes foi tão severamente proibido fazer para si esculturas, imagens e figuras de qualquer semelhança de coisas existentes nos céus, sobre a terra e no mar, porque todas as coisas que há no mundo são representativas, tal como as aves, as bestas, os peixes e os répteis e quanto mais eles as cultuavam de forma idólatra, menos reconheciam Jehovah. No entanto, a fim que também com eles existisse uma igreja representativa, foi edificado o tabernáculo em que foram postos principalmente os representativos de coisas celestes, como a mesa sobre a qual ficavam os pães, o altar de ouro sobre o qual se oferecia incenso, o castiçal com as lâmpadas, a arca com o propiciatório e com querubins em cima, o altar não distante da entrada do tabernáculo, sobre o qual havia o fogo sagrado. E, depois, foi edificado o templo, no qual também todas as coisas eram representativas, tais como as pinturas ali, os lavatórios fora dele, o mar de bronze sob o qual havia bois que o sustentavam, também colunas e pórticos, com vasos de ouro; todas essas coisas eles podiam cultuar como santas, contanto que reconhecessem o tabernáculo e, depois, o templo como habitáculo de Jehovah. Isto lhes foi concedido para que não se desviassem para as coisas idolátricas e mágicas que então existiam em várias nações na Ásia, como [também] no Egito, na Síria, na Assíria, na Babilônia, em Tiro e Sidon, na Arábia, na Etiópia, na Mesopotâmia e, principalmente, na terra de Canaan e ao redor dela.
[3] Por aí se pode ver de onde procede que ‘ídolos’, na Palavra, signifiquem os falsos da religião, e ‘imagens’, os doutrinais. Que eles tenham existindo nas várias nações nas terras asiáticas pode-se ver pelos deuses de Labão, o sírio, os quais Raquel, esposa de Jacob, tomou (Gn. 31:19, 20); pelos bezerros e outros ídolos no Egito; pelos hieróglifos ali esculpidos e pintados nos templos, obeliscos e pares; por Dagon, o ídolo dos filisteus, em Ecron; pelos ídolos feitos por Salomão e, depois, pelos reis no templo de Jerusalém e em Samaria; e pelos altares, estátuas, imagens e bosques, nas nações da terra, às quais os filhos de Israel foram ordenados destruir, como se vê por várias passagens na Palavra.
[4] Foi também pela ciência das correspondências e das representações
Que os sacerdotes e adivinhos dos filisteus aconselharam que se fizessem de ouro imagens de hemorroidas e de ratos que devastaram a terra e as pusessem junto à arca que devolviam sobre um carro novo conduzido por vacas, e assim dessem glória ao Deus de Israel (1 Sm. 6 e seq.),
pois então os seus sacerdotes e adivinhos sabiam que todas aquelas coisas representavam e que as imagens de hemorroidas e de ratos significavam os falsos de sua religião, que seriam reconciliados por essas imagens feitas de ouro, como ofertas.
[5] Os doutrinais são também significados por ‘imagens’ nas seguintes passagens. Em Ezequiel:
“A prata deles, lançá-la-ão nas ruas, e o ouro deles será por abominação... por terem transformado em soberba a formosura de seus adornos [???], e disso fizeram imagens de detestáveis abominação; pelo que fiz disso abominação para eles” (Ez. 7:19, 20).
Aí se trata da devastação da igreja pelos falsos e males, que se entendem aí pela ‘espada’, a ‘peste’ e a ‘fome’ (vers. 15) que os consumirão. Pela ‘prata’, que lançarão nas ruas, e pelo ‘ouro’, que lhes será por abominação, é significado o vero da igreja e o seu bem convertidos em falso e em mal; ‘lançar nas tuas’ significa dispersar, e ‘ser por abominação’ significa convertido em mal infernal, pois isto é ser por abominação; ‘por terem transformado em soberba a formosura seus adornos e disso fizeram imagens de suas abominações’ significa que toda a igreja e a sua doutrina, e todas as coisas há nela, encheram-se de coisas profanas; ‘formosura de seus adornos’ significa a igreja e sua doutrina, e ‘imagens de detestáveis abominações’ significam todas as suas coisas, assim, os doutrinais, cujos bens e veros foram profanados; ‘abominações’ são os bens profanados, e ‘detestáveis’ são os veros profanados.
[6] No mesmo:
“Tomaste... os vasos de teu ornamento [feitos] de Meu ouro e de Minha prata, que [Eu] te dera, e fizeste para ti imagens de macho com que escortares” (Ez. 16:17).
Essas palavras tratam das “abominações de Jerusalém’, pelas quais se entendem as adulterações do vero e do bem da doutrina oriunda da Palavra; ‘vasos de ornamento de ouro e de prata’ significam as cognições do bem e do vero da Palavra; ‘fazer daí imagens de macho’ significa fazer doutrinais de falsos parecerem que são de veros; e ‘praticar escortação’ com eles significa a falsificações delas.
[7] No mesmo:
Oholiba praticou escortação no Egito, “amou os filhos da Assíria; ... acrescentou às suas escortações... quando viu varões pintados na parede, imagens dos caldeus, pintadas com vermelhão... apaixonou-se deles à vista dos olhos” (Ez. 23:3, 12, 14, 16);
por ‘Oholiba’ se entende Jerusalém, pela qual é significada a igreja quanto à doutrina, por conseguinte, a doutrina da igreja; por ‘praticar escortação’ é significada a falsificação e adulteração da Palavra; e como pelo ‘Egito’ são significados os veros naturais, que são chamados conhecimentos, e pela ‘Assíria’, os veros racionais e, também, no sentido oposto, os falsos, daí é evidente o que é significado por ‘praticar escortação com eles’. Como pelos ‘caldeus’ são significados os veros profanados da Palavra, por serem aplicados aos amores de si e do mundo, assim, pelas ‘imagens dos caldeus’ são significados os doutrinais que favorecem esses amores; ‘pintadas com vermelhão’ significa eles parecendo veros exteriormente, embora sejam profanos interiormente; o mesmo é significado pelos ‘varões pintados na parede’; ‘pintados na parede’ é a aparência dos doutrinais nos externos. Coisas semelhantes são significadas pelas ‘imagens’, em Isaías (2:16), em David (Salmo 73:20) e também na sequência no Apocalipse (14:9-11; 15:2; 16:2; 19:20; 20:4). (Vide, além disso, as coisas que foram citadas e explicadas acima, n. 587, 650, 654 e 780, a respeito do ‘ídolos’ e das ‘esculturas’).
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