. Tratou-se acima do amor ao Senhor, em que se acham os anjos que estão no terceiro céu; segue-se agora dizer alguma coisa a respeito do amor para com o próximo nesses anjos. Pelo ‘próximo’ eles entendem os usos, que são de fato as obras. Mas os usos, para eles, são todas as coisas que se fazem neles pelo Senhor, as quais visam principalmente o culto ao Senhor, a Sua igreja, a implantação de suas coisas santas, principalmente nas crianças, com as quais eles têm conjunção e nas quais inspiram a inocência e as suas afeições, e, além disso, , o bem da sociedade no geral e também no particular. Essas coisas pertencem principalmente ao amor deles, porque pertencem ao amor ao Senhor. O Senhor opera tais coisas neles pelo amor implantando em suas vidas, que é tal que nelas percebem o prazer de suas vidas. Que elas sejam o próximo deles é porque eles não visam as pessoas, mas as coisas que estão nas pessoas, pois estão na sabedoria mais do que os outros anjos, e a sabedoria consiste em visar os outros pelas coisas que estão neles e os constituem. Com efeito, cada anjo, espírito e homem é o seu amor e a sua afeição, assim, seu bem e, daí, seu vero. Como essas coisas os constituem, eles não podem visar outras senão aqueles pelas quais são, porque são sábios. Isto é para eles o próximo, ou o irmão e companheiro, como se diz muitas vezes na Palavra; ‘irmão’ é para eles o bem, e ‘companheiro’ é para eles o vero. Daí é evidente o que é o amor para com o próximo no terceiro céu. [2] As coisas restantes, que concernem à vida civil, moral e doméstica, são também obras, que eles fazem por afeição, mas não são as obras que eles entendem por ‘próximo’ ou ‘irmão’ e ‘companheiro’, pois elas tiram algo do mundo e, também, do que é útil para si e os seus. São derivações e produções dos usos mencionados, e são tais quem procedem do pensamento deles, das quais eles podem por isso falar. Elas mantêm a vida de seu corpo num estado em que a vida do seu amor pode residir e desempenhar os seus usos. Como esses anjos são tais, eles não sabem o que é a caridade nem o que é a fé, mas, em lugar da caridade, têm o amor do bem, e, em lugar da fé, o amor do vero. Além disso, estão continuamente no amor do bem e do vero, porque a vida deles é a afeição do bem, na qual está e da qual existe a percepção do vero. Por isso, quando se nomeia a caridade, de que vem a fé, e quando se nomeia a fé, de que vem a caridade, eles não sabem o que elas são. Os anjos do terceiro céu, por serem assim, aparecem como crianças aos anjos dos céus inferiores, alguns como criancinhas, outros como meninos, e todos como pessoas simples, e por isso também andam nus. Que eles apareçam como criancinhas e como meninos é porque estão na inocência, e o amor ao Senhor pelo Senhor é a inocência. É daí, também, que pelas ‘criancinhas’ e pelos ‘meninos’, na Palavra, é significada a inocência e também o amor ao Senhor. [3] Que eles apareçam como pessoas simples é porque não podem falar das coisas santas do céu e da igreja, pois neles elas não estão na memória, de onde vem tudo da linguagem, mas na vida, e, assim, no entendimento não como pensamento, mas como afeição do bem em sua forma, que não desce à fala; e, se descesse, não falaria, mas somente soaria. E os que não podem falar a respeito de tais coisas aparecem a si mesmos e aos outros como simples. Ademais, como eles estão na humildade de coração, sabem que a sabedoria é perceber que mal existe algo que sabem, relativamente às coisas que não sabem. Que eles andem nus é porque a ‘nudez’, no sentido espiritual, é a inocência, e porque as ‘vestes’ significam os veros que revestem o bem, e os veros que revestem estão na memória e, daí, no pensamento. Neles, porém, os veros estão na vida, por conseguinte, ocultos e não se manifestam senão diante da percepção, quando os outros os pronunciam e os ministros os pregam a partir da Palavra. Eles também são aperfeiçoados pelos pronunciamentos daqueles que estão no entendimento do vero, pelas pregações e também pelos livros. Eles também escrevem, mas não por meio de letras como como os outros anjos, mas por curvaturas e inflexões que contêm arcanos que transcendem o entendimento dos anjos nos céus inferiores. Eles habitam, além disso, em expansões acima dos outros e, ali, em jardins onde há arbustos e canteiros floridos, assim, em perpétuos representativos de coisas celestes. E, o que me admirou, não se acha pedra ali, pelo fato de que a ‘pedra’ significa o vero natural, mas a ‘madeira’, o bem, a ‘árvore’ a percepção e o ‘canteiro florido’ a implantação. Estas coisas dizem respeito ao amor ao Senhor e ao amor para com o próximo, assim, ao amor celeste. Na sequência se dirá a respeito do amor espiritual e, também, da caridade e da fé.