. [Vers. 18] “Aqui está a sabedoria.” Que isto signifique que esta é, em todo o conjunto, a doutrina deles, que é tida como sabedoria, embora seja insanidade, vê-se pela significação de ‘aqui está a sabedoria’, que é que todas aquelas coisas que foram ditas a respeito do dragão e das duas bestas são a doutrina dos que separaram a da fé a vida, doutrina que, todavia, não é sabedoria, como é considerada, mas insanidade. Que estas coisa se entendam por ‘aqui está a sabedoria’ segue-se do que precedeu há pouco, que ‘ninguém pudesse comprar e vender se não tivesse a marca, ou o nome da besta, ou número de seu nome’, pelo que é significado que ninguém aprendesse ou ensinasse outra coisa senão o que é reconhecido e, daí, recebido na doutrina. Por aí se pode concluir que pela ‘sabedoria’, aqui, entende-se a sabedoria aos olhos deles, a qual, todavia, é a insanidade vista por eles como sabedoria. Que a insanidade se entenda pela ‘sabedoria’ é porque aqueles que estão nos falsos creem que são sábios mais do que os outros, quando confirmaram os seus falsos. Fazem semelhantemente os maus, quando estão em seus males e imaginam artes pelas quais prejudicam os bons. Eles então se veem como engenhosos e até mais sábios do que os outros, quando, todavia, aparecem como loucos perante os olhos dos anjos. Daí é, pois, que a insanidade dos que estão nos falsos também se chama, na Palavra, ‘sabedoria’ e ‘inteligência’, como nas seguintes passagens:
Ó Senhor Deus, “escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelastes às crianças” (Mt. 11:25; Lc. 10:21);
“Ai dos [que são] sábios aos próprios olhos, e inteligentes diante de suas faces” (Is. 5:21);
“Visitarei o fruto da soberba do coração do rei da Assíria, e a honra da altivez de seus olhos, porque disse: Na força de minhas mãos o fiz, e com minha sabedoria, porque fui inteligente” (Is. 10:12, 13);
“Certamente são estultos os príncipes de Zoan, os sábios dos conselhos do faraó... como, pois, dizeis ao faraó: Filho de sábios eu [sou]?” (Is. 19:11);
“Perecerá a sabedoria dos sábios... e a inteligência dos inteligentes... se ocultará” (Is. 29:14);
“Rejeita para trás os sábios” (Is. 44:25);
“A espada... contra os habitantes de Babel, e contra os seus príncipes, e contra os seus sábios” (Jr. 50:35).
Daí é que os magos em Babel e outros lugares foram chamados sábios (como em Daniel 2:48).
Por aí é evidente que na Palavra ‘sabedoria’ também se diz dos não sábios, e também daqueles ensandecem pelos falsos. Semelhantemente, a eles se atribuem diademas (como ao dragão, Ap. 12:3, e sua besta, neste capítulo, vers. 1). E da mulher que está sentada sobre a besta escarlate se diz
Que estava vestida de púrpura e escarlate, dourada de ouro, ornada de pedras preciosas e pérolas (Ap. 17:4).
Semelhantemente, os maus são chamados ‘fortes’ e ‘poderosos’ quando, todavia, não são absolutamente fortes e poderosos (sobre este assunto, vide acima, n. 783).
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