. “Tendo o nome de Seu Pai escrito sobre as suas testas.” Que isto signifique estes segundo o reconhecimento do Seu Divino pelo amor vê-se pela significação de ‘nome de Seu Pai’, que é o Divino do Senhor (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘escrito nas testas’, que é o pleno reconhecimento. Que ‘o nome do Pai escrito nas testas’ seja o pleno reconhecimento do Divino do Senhor é porque o Senhor volta para Si todos os que reconhecem o Seu Divino e os contempla na testa, e eles, por sua vez, olham o Senhor nos olhos, e isto porque a ‘testa’ significa o amor, e o ‘olho’, o entendimento do vero. Daí é que o fato de eles serem contemplados pelo Senhor nas testas significam que são considerados pelo Senhor pelo bem do amor. E eles, por sua vez, olharem o Senhor nos olhos significa que o fazem pelos veros desse bem, por conseguinte, pelo entendimento do vero. (Que todos os que estão nos céus se voltem para o Senhor e em face o vejam como Sol vê-se acima, n. 646, e na obra O Céu e o Inferno, n. 17, 123, 142 e 272. Também, que o Senhor veja os anjos na testa, e que os anjos por sua vez vejam o Senhor pelos olhos, porque a fonte corresponde ao bem do amor e o os olhos correspondem ao entendimento do vero, vê-se também na obra O Céu e o Inferno, n. 145 e 251. E que a ‘testa’ corresponda ao bem do amor, acima, n. 427).
[2] Quem não sabe como é a Palavra no sentido da letra pode achar que onde se dizem ‘Deus’ e “Cordeiro’, e, aqui, onde se dizem ‘Cordeiro’ e ‘Pai’, entendem-se dois, quando, todavia, por ambos entende-Se somente o Senhor. Semelhantemente quanto à Palavra do Velho Testamento, onde se dizem ‘Jehovah’, ‘Senhor Jehovih’, ‘Jehovah Zebaoth’, ‘Senhor’, ‘Jehovah Deus’, ‘Deus’ no plural e no singular, ‘Santo de Israel’, ‘Rei de Israel’, ‘Criador’, ‘Salvador’, ‘Redentor’, ‘Shaddai’, ‘Rocha’ e assim por diante, quando, todavia, por todos esses nomes não se entendem vários, mas entende-se um só, pois o Senhor é nomeado de forma assim variada segundo os Seus atributos. Dá-se de modo semelhante em relação à Palavra do Novo Testamento, onde ‘Pai’, ‘Filho’ e ‘Espírito santo’ são como três, embora por esses três nomes se entenda um só, porque pelo ‘Pai’ entende-Se o Senhor quando ao Divino mesmo, que Ele teve do Pai como a alma; pelo ‘Filho’ entende-se o Divino Humano, e pelo ‘Espírito Santo’ entende-se o Divino procedente. Assim, os três são um só. Semelhantemente aqui, pelo ‘Cordeiro’ e o ‘Pai’.
[3] Que onde o Senhor é chamado ‘Pai’ entendeu-se o Divino em si, portanto, Ele mesmo, pode-se ver por muitas passagens na Palavra de ambos os Testamentos. Mas, aqui, quero citar somente algumas passagens da Palavra dos Evangelhos, pelas quais se pode que por ‘Pai’ o Senhor entendeu o Divino em Si mesmo, Divino esses que esteve n’Ele como a alma no corpo; e, quando o Senhor nomeou o Pai e a si mesmo como dois, por ambos Ele entendeu a Si mesmo, pois a alma e o corpo são um, já que a alma pertence ao seu corpo e o corpo pertence à sua alma. Que o Divino, que é chamado ‘Pai’, tenha sido o Divino mesmo do Senhor, do qual o Seu Humano passou a existir e do qual o Humano foi feito Divino, vê-se claramente por Sua concepção do Divino mesmo, em Mateus:
“O anjo do Senhor apareceu em sonho” a José, “dizendo... Não temas receber Maria por tua esposa, pois o que nela é nascido vem do Espírito Santo;”...e José “não a conheceu até ter parido o seu Filho primogênito” (Mt. 1:20, 25);
e, em Lucas,
Disse o anjo a Maria: “Eis que conceberás no útero, e parirás um Filho, e chamarás o Seu nome Jesus. Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. ... Mas Maria disse ao anjo: Como se fará isto, porque não conheço varão? Respondeu... o anjo, e disse: O Espírito santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá [com a sombra], pelo que o Santo que nascerá de ti será chamado Filho de Deus” (Lc. 1:31, 32, 34, 35),
pelo que é evidente que o Senhor é, de concepção, Jehovah Deus, e ser Jehovah Deus de concepção é quanto à vida mesma, que é chamada alma do Pai, da qual o corpo tem vida. Por aí também se vê claramente que é o Humano do Senhor que é chamado ‘Filho de Deus’, pois se diz que ‘o Santo, que nascerá de ti, será chamado Filho de Deus’.
[4] Que seja o Humano do Senhor que é chamado Filho de Deus pode-se ver adicionalmente pela Palavra do Velho Testamento e, também, pela Palavra do Novo em muitas passagens. Mas, sobre este assunto, tratar-se á especialmente em outro lugar, querendo Deus. Aqui serão citadas somente as passagens que testificam que o Senhor, por ‘Pai’, queria dizer o Divino em Si, portanto, Ele mesmo. Elas são as seguintes. Em João:
“No princípio era a Palavra, e a Palavra era Deus, e Deus era a Palavra;... todas as coisas foram feitas por ela, e sem ela nada do que foi feito se fez. ... E a Palavra se fez Carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e verdade” (Jo. 1:1, 2, 14).
É evidente que pela ‘Palavra’ se entende o Senhor quanto ao Divino Humano, pois é dito que ‘a Palavra se fez Carne, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito vindo do Pai’. Que o Senhor seja Deus também quanto ao Humano, ou que o Humano do Senhor também seja Divino é também evidente, pois é dito: ‘a Palavra era Deus, e Deus era a Palavra’, essa Palavra se fez Carne. Por ‘Palavra’ entende-se o Senhor quanto ao Divino Vero.
[5] No mesmo:
“Meu Pai trabalha até agora, por isso Eu também trabalho. Mas... os judeus buscavam matá-Lo... por ter dito que Deus era [seu] próprio Pai, fazendo-Se Ele mesmo igual a Deus. Mas Jesus respondeu, e disse: ... O Filho por Si nada pode fazer, a menos que tenha visto o Pai fazendo; pois as coisas que Ele faz, essas o Filho semelhantemente faz. ... Assim como o Pai ressuscita os mortos, e vivifica, assim também o Filho vivifica os que [Ele] quer. ... Quem não honra o Filho, não honra o Pai que O enviou. Amém... vos digo, que vem a hora... quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que ouvirem, viverão. Assim como... o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também deu ao Filho ter a vida em Si mesmo” (Jo. 5:17-27).
Que pelo ‘Pai’, aqui, se entenda o Divino no Senhor, que foi a vida d’Ele, assim como a alma do pai em todo homem – e que pelo ‘Filho’ se entenda o Humano, que viveu pelo Divino mesmo n’Ele e, daí, também foi feito Divino, consequentemente, que o Pai e o Filho sejam um – vê-se pelas palavras do Senhor ali, a saber, que ‘o Filho faz as mesmas coisas que o Pai’; que ‘o Filho ressuscita os mortos e vivifica, tal como Pai’; que ‘o Filho tem a vida em Si, tal como o Pai’; e que ‘viverão os que ouvirem a voz do Filho’. Por aí é claramente evidente que o Pai e o Filho são um como a alma e o corpo, e que, como Ele disse que Seu próprio Pai era Deus e fez-Se igual ao Pai, os judeus buscavam matá-Lo.
[6] No mesmo:
“Todo aquele que o Pai me dá, a Mim virá;... todo... aquele que ouviu do Pai, e aprendeu, veio a Mim; não que alguém tenha visto o Pai, a não ser quem está no Pai; Esse viu o Pai. ... Eu sou o pão vivo, que desceu do céu. ... Assim como o Pai que vive Me enviou, Eu também vivo pelo Pai” (Jo. 6:37 e sequência).
Aí o Senhor fala a respeito de Seu Humano, que desceu do céu e que tem a vida por Si mesmo, porque o Pai e Ele são um, e a vida do Pai está n’Ele assim como a alma do pai no filho.
[7] No mesmo:
“Eu dou a vida eterna” às Minhas ovelhas, “e não perecerão no século, tampouco ninguém as arrebatará... da mão de Meu Pai. Eu e o Pai somos um”. Os judeus se indignaram por Ele Se ter feito Deus. Disse: “A quem o Pai santificou e enviou ao mundo dizeis: Blasfemas? Porque [Eu] disse: Sou Filho de Deus. Se não faço as obras de Meu Pai, não credes em Mim; se, porém, faço as obras... crede, para que conheçais e creiais que o Pai está em Mim e Eu no Pai” (Jo. 10:28-38).
Aqui o Senhor fala do Pai como se falasse de outro, dizendo: ‘Ninguém arrebatará as ovelhas da mão de Meu Pai’; depois, ‘se não faço as obras do Pai, não credes em Mim; se, porém, faço as obras, crede’; e, todavia, para que não cressem que o Pai e Ele fossem dois, disse: ‘O Pai e Eu somos um’; e, para que não cressem que fossem um só pelo amor, acrescentou: ‘Para que conheçais e creiais que o Pai está em Mim, e Eu no Pai’. Daí se pode ver que o Senhor, por ‘Pai’, referia-Se a Si mesmo, ou o Divino em Si pela concepção, e que pelo ‘Filho a quem o Pai enviou’ Ele queria dizer o Seu Humano, pois este foi enviado ao mundo, por ter sido concebido de Deus Pai e nascido de uma virgem.
[8] No mesmo:
“Jesus clamou, e disse: Quem crê em Mim, não crê em Mim, mas n’Aquele que Me enviou; e quem vê a Mim, vê Aquele que Me enviou. Eu, a Luz do mundo, vim para que todo aquele que crê em Mim não permaneça em trevas” (Jo. 12:44-46).
Que o Senhor tenha chamado a Si mesmo de ‘Pai’, e o Seu Divino Humano de ‘Filho’ a quem o Pai enviou é também evidente por aí, por disse: ‘Quem Me vê, vê Aquele que Me enviou’, e também que ‘quem crê em Mim, crê não em Mim, mas n’Aquele que Me enviou’, e, no entanto, disse que ‘cressem n’Ele’ (como no vers. 36 e em outra passagem).
[9] No mesmo:
“Sabendo Jesus que o Pai Lhe entregara na mão todas as coisas, e que saíra de Deus e voltaria a Deus... quem... Me recebe, recebe Aquele que Me enviou” (Jo. 3:20).
Visto que o Pai e Ele eram um, e o Humano do Senhor foi Divino pelo Divino n’Ele, por isso todas as coisas do Pai foram Suas, o que se entende por ‘o Pai ter entregado todas as coisas na mão d’Ele’. E como eram um, Ele disse: ‘Quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou’. Por ‘sair do Pai’ e ‘voltar ao Pai’ entende-se ser concebido e, assim, existir d’Ele e ser unido a Ele, como a alma ao corpo.
[10] No mesmo:
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, também conheceríeis Meu Pai, e desde agora o conhecestes e O tendes visto. Disse-Lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai... Disse-lhe Jesus: Tanto tempo estou convosco, e não Me conheceste, Filipe? Quem vê a Mim, vê o Pai. Como, pois, dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não credes que Eu estou no Pai, e o Pai em Mim? ... O Pai, que permanece em Mim, Ele faz as obras. Crede-me que Eu estou no Pai, e o Pai em Mim” (Jo. 14:6-11).
Aqui se diz claramente e o Pai e Ele são um, e que a união é como a união da alma e do corpo; assim, que há uma união tal que quem O vê, vê o Pai. Essa união é mais amplamente confirmada naquele capítulo. E como houve tal união, e ninguém pode se dirigir à alma de um homem, mas ao homem mesmo, por isso disse:
Que se dirigissem a Ele e pedissem ao Pai em Seu nomes, e que Ele lhes daria (Jo. 16:23, 24).
[11] Essa união também se entende por
Ele ter saído do Pai e ter vindo ao mundo, e que de novo deixa o mundo e vai para o Pai (Jo. 16:5, 10, 16, 17, 28).
Como o Pai e Ele eram um, por isso Ele também disse:
“Tudo quanto o Pai tem é Meu”, e que por isso o Paracleto, que é o Espírito Santo, a ser recebido do Senhor, é que falaria (Jo. 16:13-15),
e, também, em outra passagem:
“Ó Pai... deste-Me autoridade sobre toda carne, para que dê a vida eterna a todos os que Me deste. Esta é a vida eterna, que conheçam a Ti somente...[como] Deus, e a Jesus Cristo, que enviaste; ... todas as Minhas coisas são Tuas, e as Tuas, Minhas” (Jo. 17:2, 3, 10).
Aqui também se diz abertamente que todas as coisas do Pai são d’Ele, assim como todas as coisas da alma são do homem, pois o homem e a alma são um, como a vida e o sujeito da vida. Que o Senhor seja Deus também quanto ao Humano vê-se por essas palavras do Senhor, ‘pra que conheçam a Ti somente [como] Deus, e a Jesus Cristo que enviaste’.
[12] Como o Pai e o Filho de Deus são um, por isso o Senhor disse
Que viria “na glória de Seu Pai” quando no juízo (Mc. 8:38, Lc. 9:26),
e “na Sua glória” (Mt. 25:31),
e que Ele tem ‘Toda autoridade nos céus e nas terras” (Mt. 28:18).
[13] Que pelo ‘Filho de Deus’ se entenda o Divino Humano do Senhor é o que ficou claro também em outras passagens na Palavra e também em passagens no Velho Testamento. Por exemplo, em Isaías:
“Um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu, sobre cujo ombro está o principado; e Seu nome se chamará Maravilhoso, Conselheiro, Deus, Herói, Pai da eternidade, Príncipe da paz” (Is. 9:6);
e, no mesmo:
“Uma virgem conceberá e parirá um filho, e chamará o Seu nome Deus conosco” (Is. 7:14).
Que, aqui, pelo ‘Menino nascido’ e pelo ‘Filho dado’ se entenda o Senhor quanto ao Divino Humano é evidente; e que o Senhor quanto a Ele também seja Deus, assim, quanto ao Seu Humano seja Divino, é o que se diz claramente, pois é dito que ‘chamará o Seu nome Deus’, ‘Deus conosco’, ‘Pai da eternidade’.
[14] Além dessas passagens, muitas outras também poderiam ser citadas para se confirmar que o Senhor, na Palavra, por ‘Pai’ referia-Se ao Seu Divino, que foi a vida ou alma do Seu Humano, e não a outro separado de Si, e mesmo não se poderia entender outro. Daí o Divino e o Humano no Senhor, segundo a doutrina do mundo cristão, não são duas, mas uma só pessoa, absolutamente como a alma e o corpo, como se diz na Fé Atanasiana em termos claros. E como Deus e Homem no Senhor não são duas, mas uma só Pessoa, e unida como a alma e o corpo, segue-se que o Divino que foi o Senhor desde a concepção foi chamado ‘Pai’ e o Divino Humano foi chamado ‘Filho’, consequentemente, que Ele fora ambos. Por aí se pode ver agora que ‘pelo nome escrito nas testas deles’ se entende o Senhor quanto ao Seu Divino.
* * * * * * * *
[DOWNLOAD]
[VERSAO IMPRESSA]
Para estudo mais confortavel, adquira esta obra em formato impresso.