AE 859

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. “E ninguém pôde aprender o cântico senão aqueles cento e quarenta e quatro mil”. Que isto signifique que o reconhecimento e a confissão do Senhor somente poderiam existir naqueles que estão na fé da caridade, ou, nos que estão nos veros do bem, vê-se pela significação de ‘cântico novo’, que é o reconhecimento e a confissão do Senhor (de que se tratou logo acima, n. 857); e pela significação de ‘cento e quarenta e quatro mil’, que são todos os que estão nos veros do bem, assim, os que estão na fé oriunda da caridade e, abstratamente das pessoas, os veros do bem (de que se tratou no n. 430). Que esses se entendam pelos ‘cento e quarenta e quatro mil assinalados de todas as tribos’ pode-se ver pela explicação do capítulo 7 precedente, onde se tratou dos ‘doze mil’ assinalados de cada tribo e dos ‘cento e quarenta e quatro mil’ de todas as tribos. Depois, que esse sejam também aqueles que reconhecem o Senhor e o Seu Divino Humano e, por isso, estão entre aqueles que no tempo do juízo final são separados dos maus e elevados ao céu pelo Senhor, e salvos, pois, como foi dito acima, trata-se neste capítulo da separação dos bons de entre os maus antes do juízo final; por isso, os bons que foram separados dos maus se entendem pelos ‘cento e quarenta e quatro mil’ selados de todas as tribos.
[2] Por aí é se vê agora que ‘ninguém pode aprender o cântico senão aqueles cento e quarenta e quatro mil’ significa que o reconhecimento e a confissão do Senhor não poderiam existir em outros senão naqueles que estão na fé oriunda da caridade, ou que estão nos veros do bem. A razão pela qual o reconhecimento e a confissão do Senhor não possam existir em outros é porque os outros não podem receber o influxo do céu, isto é, do Senhor por meio do céu. Com efeito, o Senhor influi na vida de cada um, e a vida do céu é proveniente do amor ou da caridade, assim, do bem, e o amor ou a caridade são tais que são formados pelos veros. Daí vem, então, a vida do homem. Por isso nenhuma outra vida pode receber o influxo do céu desde o Senhor e, daí, reconhecê-Lo e confessá-Lo de coração senão a vida da fé oriunda da caridade, ou a vida do vero procedente do bem. A vida da fé separada da caridade, ou a vida do vero separado do bem, é uma vida meramente natural, que não recebe nem pode receber coisa alguma do céu, pois a comunicação existe somente pelo amor espiritual, que também é chamado caridade, por conseguinte, por uma vida segundo os veros da Palavra, vida essa que não existe naqueles que separam a fé da caridade e creem que são salvos pela fé só, isto é, pela fé separada das boas obras. Ora, visto que pelos ‘cento e quarenta e quatro mil’ se entendem os que estão nos veros do bem, ou os que estão na fé oriunda da caridade, é evidente o motivo pelo qual somente eles puderam aprender o cântico, isto é, reconhecer e confessar de coração o Senhor, a saber, Ele somente como Deus e a Trindade n’Ele.

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