. “Pois são imaculados diante do trono de Deus.” Que isto signifique que estão isentos dos falsos do mal à vista dos anjos vê-se pela significação de ‘ser imaculado’, que é estar isento de falsos do mal (de que se tratará a seguir); e pela significação de ‘diante do trono de Deus’, que é à vista dos anjos. Que pelo ‘trono de Deus’ se entenda o céu onde estão os anjos vê-se acima, n. 253). Que apareçam imaculados à vista dos anjos do céu é porque são conduzidos pelo Senhor, e o Senhor continuamente provê para que nenhum falso entre na vontade deles; é até admitido no pensamento, mas não além, e assim é expulso. E o que é expulso do pensamento não contamina o homem, mas o que é tomado na sua vontade, isto contamina, pois é e se torna de seu amor, assim, de sua vida, e também se adere aos seus feitos. E isto não pode ser removida senão por série e ativa penitência de vida, porque a vontade com o amor e com a vida, e também com os feitos, agem como um, e se entendem na Palavra pelos ‘coração’. Daí é, pois, que aqueles que são conduzidos pelo Senhor, ou que O seguem, são ‘imaculados’. [2] É impossível evitar que o homem pense o falso e também o mal, tanto porque ele nasce em males de todo gênero, quanto porque as doutrinas da igreja de hoje não são doutrinas de vida, pelas quais o homem pode se reformado quanto à vida. Mas os que estão no Senhor são mantidos na afeição do vero espiritual, e os que estão nessa afeição até podem receber os falsos, mas não por pleno consentimento, e somente tais que concordam em qualidade e quantidade com o bem e os veros daí. Por isso, quando os que estão na afeição do vero espiritual recebem quaisquer falsos, esses são, todavia, facilmente rejeitados quando ouvem os veros, tanto neste mundo quanto no outro. Tal é a afeição do vero espiritual. Por causa disso, os que estão nessa afeição são aperfeiçoados em inteligência e sabedoria eternamente; eles têm, também, a faculdade de entender os veros. Mas os que não estão nessa afeição recusam-se a entender e ouvir os veros, pelo que não estão em faculdade alguma de entendê-los. Que isto seja assim, é que ficou evidente para mim por experiência comum no mundo espiritual. [3] Ora, como os anjos do céu não percebem no homem outra coisa senão o seu amor e, daí, suas afeições, desejos e prazeres, por conseguintes, seus fins, pelos quais pensa assim e não de outro modo, quando, pois, percebem nele o amor do vero por causa do uso da vida, que são os fins, eles então não veem quaisquer falsos do mal. E se talvez virem falsos não do mal, sabem, no entanto, que esses falsos não prejudicam, porque neles não há o mal. Os falsos do mal são os falsos mesmos que vêm do inferno. A razão disso é que esses falsos são formas do mal, assim, também males em si. No que concerne a ‘imaculado’, isto significa o que é íntegro e sem mancha, mas, no sentido espiritual, isento de falsos do mal. Por esse motivo, entre as coisas proibidas havia esta, que ninguém da semente de Aarão que tivesse mácula subisse ao altar e entrasse no interior do véu (Lv. 21:17-23); e não se fizesse qualquer sacrifício, de bois, bezerros, cabras ou cordeiros nos quais houve mácula (Lv. 22:19-25). Em ambas as passagens as máculas são enumeradas, pelas quais, todas, são significados os vários gêneros de falsos e males. * * * * * * *