. “E adorai Aquele que fez o céu e a terra, e o mar e as fontes de águas.” Que isto signifique o reconhecimento e a confissão d’Ele, do qual vem tudo do céu e da igreja, e do qual vem o Divino Vero ou Palavra, vê-se pela significação de ‘adorar’, que é reconhecer de coração, assim, confessar e prestar culto (de que se tratou acima, n. 790, 805 e 821); pela significação de ‘céu e terra’, que é o interno e o externo da igreja (da qual também se tratou acima, n. 304 e 752); (que sejam o céu e a igreja que são significados é porque o interno da igreja no homem é o céu, pois está em conjunção com os anjos a ponto de fazer um com eles; porque, como foi dito acima, o interno do homem é formado à ideia e imagem do céu, mas o externo à ideia e imagem do mundo; mas a igreja no homem, enquanto este vive no mundo, está em seu natural, que é o seu externo; mas a igreja no homem está então no seu natural ou externo quando o homem interno é aberto, porque não existe igreja em alguém a menos que ele tenha dentro de si o céu, donde tem iluminação e influxo do Senhor em seu natural ou externo, que está abaixo); e pela significação de ‘mar’, que é o Divino Vero nos últimos, assim a Palavra na letra, pois ela é o Divino Vero nos últimos; que o ‘mar’ signifique isto é porque nos últimos do céu aparecem como se fossem mares, pois é o Divino Vero procedente do Senhor que forma os céus e todas as coisas neles; os céus superiores aparecem como se estivessem numa atmosfera etérea, os inferiores como se numa atmosfera aérea, e os ínfimos como se numa atmosfera aquosa; essa atmosfera aparece aos olhos dos que estão de longe como um mar, mas não para aqueles que ali habitam; os que habitam ali estão no últimos do Divino Vero, o qual é como a Palavra no sentido da letra; daí é que isto é significado pelo ‘mar’ (mas, a respeito disso, veem-se muitas coisas acima, n. 275, 342, 511 e 600). Que o ‘mar’ aqui signifique a Palavra na letra é porque se diz ‘mar e fontes de águas’, e as ‘fontes de águas’ significam o Divino Vero interior, como é a Palavra no sentido espiritual. Que a ‘fonte de águas’ signifique isso, pode-se ver pelas passagens da Palavra e pela explicação delas, acima (n. 483); que as ‘fontes de águas’ aqui signifiquem os Divinos veros que vem da Palavra pode-se ver pelo fato de o ‘céu’ e a ‘terra’ significarem o interno e o externo da igreja, e ambos são formados pelo Divino Vero ou Palavra, como é dito em João (1:1, 2, 14); o interno da igreja pelo Divino Vero espiritual, e o externo pelo Divino Vero natural. Por isso as ‘fontes de águas’ são aqui contadas entre as coisas feitas pelo Senhor.
[2] Por estas e por muitas outras explicações pode-se ver de que modo as ideias espirituais, que são as dos anjos, diferem das ideias espirituais que são dos homens. Os anjos, que têm ideias espirituais, por ‘adorar Aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes de águas’, não entendem outra coisa senão o reconhecimento e confissão do Senhor, de Quem vem tudo o que é do céu e da igreja e o Divino Vero ou a Palavra nos sentidos natural e espiritual. A razão pela qual os anjos entendem assim essas palavras é porque os céus em que eles estão – céus que, à vista, aparecerem inteiramente semelhantes às nossas terras, mas cheios de paraísos, canteiros, jardins – não são permanentes como as terras de nosso planeta, mas passam a existir num momento, segundo a recepção do Divino Vero pelos anjos. Por isso também as faces de todas as coisas ali se mudam conforme muda o estado de recepção e, daí, de inteligência e de sabedoria deles, portanto, segundo o estado da igreja neles, a ponto de que, conforme e a igreja para eles, assim também todas as coisas existem correspondentemente perante a vista deles. Por causa disso, que se nomeiam ‘céus e terra’, eles não podem ter outra ideia senão a da igreja, porque daí eles têm todas as coisas. Os homens, porém, quando se nomeiam ‘céu e terra’, não podem ter essa ideia espiritual, porquanto as desconhecem, mas têm a natural, que é segundo a visão deles. Com efeito, eles vêm o céu e a terra, que são permanentes e não mutantes, e não segundo a recepção do Divino Vero e, daí, da igreja, como nos céus angélicos. Por isso, por ‘céu’ não entendem outra coisa senão o céu visível, e por ‘terra’, não outra coisa senão a terra habitada pelos homens.
[3] O estado do céu e da terra, segundo o estado da igreja, era representado com os filhos de Israel pelo fato de as faces da terra de Canaan, onde habitavam, mudarem segundo o estado da igreja neles, mas somente quanto à produção, a saber, da seara, da oliveira, da videira, dos frutos e também das chuvas. Mas isto aconteceu porque todas as coisas com eles eram representativas de coisas celestes. Daí é que tantas vezes se diz na Palavra que a ‘a terra daria os seus frutos’, se guardassem os estatutos e os cumprissem. Mas é diferente hoje, quando os interiores da igreja foram abertos pelo Senhor e os externos que eram representativos dos interiores cessaram. Por aí também é evidente que diferença há entre as ideias dos anjos e as ideias dos homens a respeito do novo céu e da nova terra, pois, por suas ideias, os anjos percebem a destruição de céus e terras no mundo espiritual, mas os homens percebem a destruição de céus e terras no mundo natural. Também, segundo as predições, pereceram no mundo espiritual os céus e as terras nos quais se achavam aqueles que no mundo tinham vivido uma vida moral nos externos e não ao mesmo tempo a espiritual nos internos. Sobre isto, porém, veem-se muitas coisas no opúsculo Do Juízo Final.
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